Until the very great end

15 Tried to break the chains but the chains only break me


Notas iniciais
Músicas: Hold Back The River - James Bay Chains - Nick Jonas

Henrique escondeu a morte da avó. Fazendo a mesma com coisa com Leo. E agora, com dois erros e muito poucos acertos ele sabia que a bronca que Izabelly havia acabado de lhe dar era coberta de razão. E por isso, nem se sentiu ofendido por Izabelly não ter reparado que o médico havia dado alta para ela no tempo de levar Leo para jantar. Era para ser uma surpresa, e ela teria ficado extremamente feliz, mas assim que voltou sem Leo, uma briga foi armada. E Henrique sabia que não sairia dela sem se explicar. E sem se explicar com as palavras certas. Com a verdade que Izabelly precisava e queria ouvir.

— Porque você me escondeu da sua avó? – Izabelly perguntou com a voz rouca, o choro vinha. Ela sentia que vinha, mas ela queria prendê-lo. Ela queria acorrentar o choro dentro de si como se fosse um policial acorrentando um ladrão que havia acabado de cometer um crime.

— Porque eu não queria que você se sentisse mal. – Henrique só notou o quão idiota aquela frase soava depois de dita.

— Sério? – Izabelly riu com escárnio – Eu me sinto uma bosta agora. Tem noção do esporro que sua mãe deu em mim? Na frente de Augus? Tem noção do quanto o menino ficou perturbado?

Henrique queria se bater. Entrar debaixo daquele carro novamente e apenas morrer. Não. Ele não merecia morrer. Morrer era fácil e rápido. Tinha que ser algo difícil porque era o que ele merecia depois de ter feito sua esposa passar por tal humilhação. E o difícil, era viver. Então, ele parou de pensar na morte e começou a pensar em como implorar o perdão de sua esposa.

— Somos um casal Rique. – Izabelly murmurou – A partir do momento que estamos juntos, não é mais o seu problema, não é mais a sua tristeza. É o nosso problema, é a nossa tristeza.

Aquilo foi realmente bem pior do que levar um soco no estômago, um tiro, ou ter um carro em cima de si. Pensando em carro, ele imaginou o quanto deveria ter sido assustador para Leo quando ele se encontrou debaixo do veículo. Henrique, já passado dos 30, tinha congelado de medo ao perceber que tinha algo muito errado quando seus olhos se fecharam.

— Eu queria ter te ajudado a superar. – Izabelly disse – Como se sente em relação a vovó?

— Por favor... – Henrique murmurou perturbado, sentando-se na cama – Não. Esse assunto não. Eu não mereço a sua ajuda.

— Somos um casal, Rique! – Izabelly se controlou para não deixarem as lágrimas serem libertas. Elas precisavam ser aprisionadas. Aquele não era o momento. Sua história já tivera lágrimas o suficiente para um longo período de tempo. Ela só queria amor agora, ela só queria amar.

— Sim, eu sei – Henrique se aproximou alguns passos. Izabelly não deu passos para trás, e Henrique entendeu aquilo como um sinal verde para passar o braço pela cintura da esposa quando já tivesse uma distância curta o suficiente para fazê-lo. – Eu tento mantê-la perto de mim, mas não quero mantê-la perto da dor. E se eu for a dor ou a fonte dela, te afastarei de mim porque meu cérebro gritará que é o certo a se fazer, mas meu coração sempre insistirá em te trazer para peto do meu turbulento rio de emoções, porque eu amo você. Você é minha melodia, Belly. Eu não toco nenhum instrumento se você não dar-me as notas para tocá-lo.

Izabelly resolveu não falar nada. O beijo que Henrique deu em sua testa em seguida foi o suficiente para falar pelos dois. O beijo que afastava maus sentimentos, pensamentos e tempestades. Por isso era dado no topo da testa. Algo que significava proteção.

Algo que significava amor.

O eu te amo mais gritante que Henrique poderia dizer por mais silencioso que aquele gesto fosse.

***

Izabelly se surpreendeu com a saída de Henrique precoce do hospital logo depois que seu emocional processou tudo o que havia acontecido. Marcaram uma ida para o orfanato logo um dia depois, e tiveram que telefonar para a psicóloga cancelando todas as consultas marcadas. Eles ainda não estavam seguros de si para andarem com as próprias pernas, mas pegar tantos voos para Miami com Augus a mais na família, era impossível.

Eles sabiam que tinham que começar a conversar sobre a adoção do menino em breve, e era exatamente isso o que Izabelly tinha se preparado psicologicamente para fazer o dia todo, mas foi impossível quando chegou no quarto em que o piano da casa ficava, e o encontrou o mesmo arrumado, com velas, e flores espalhadas pelo o carpete.

— Eu sei que precisamos conversar – Henrique disse com a voz mais suave que ele poderia fazer. Aquele momento pedia suavidade. – Inclusive, eu vi você conversando com você mesma encarando o espelho umas duas vezes hoje e eu sei que faz isso quando está nervosa. Por isso que achei que não havia nenhum jeito melhor de relaxar do que uma noite com seu marido, o que acha?

Izabelly riu. Ah, sim, definitivamente eles precisavam relaxar. De repente, ela tomou uma postura sexy e quando Henrique viu que agora era outra pessoa completamente diferente que havia encarnado sua esposa – e ele tinha sentido uma falta absurda daquela versão de Izabelly – a excitação subiu por todo o seu corpo, desde seu dedo do pé até seu último fio de cabelo.

Henrique sentiu sua esposa chegando mais perto dele e acabou facilitando o processo e se aproximou mais. Suas mãos foram para a cintura da sua mulher que sentiu-se estremecer. Ela não estava arrumada. Não tinha se depilado ou qualquer uma daquelas coisas que as garotas fazem quando estavam terrivelmente preocupadas em impressionar seus primeiros namorados. Henrique era seu marido.

Izabelly não precisava de acessórios, maquiagens ou qualquer coisa superficial para fazer com que Henrique se sentisse no paraíso. Apenas ela e seus beijos molhados bastavam. E que beijo. Henrique quase tinha se esquecido como era se entregar daquela forma e ele estava adorando reconhecer cada pedaço do território que havia sido esquecido.

A blusa do homem foi logo jogada no chão, e Izabelly suspirou ao ver as tatuagens no peito de Henrique, não eram muitas como no braço, mas ainda assim era sexy passar seus dedos por ela. Ela conseguia sentir os pelos da nuca do marido se arrepiando apenas com aquele mínimo toque.

Ela riu.

— Nem começamos – Sussurrou em seu ouvido – E já está animado a sim?

E ah, por Deus! Como ele estava. Henrique precisava de Izabelly como quem precisa de água num deserto.

— Não brinca comigo, garota. – Henrique logo tratou te ajudar a esposa com as peças de roupas extremamente desnecessárias. Izabelly sentia seu corpo fervendo. Os dois se deitaram em cima da cama improvisada com colchão e cobertores que Henrique havia feito no chão do cômodo e ela riu. Ele estava presa em correntes, mesmo que imaginárias, ainda eram correntes. Por mais que a vida conseguisse, ela nunca conseguiria afastar aquele homem dela. Aquele homem: aquela alma que desesperada encontrava amor por quanto tempo fosse vagar nesse mundo desconhecido e assustador. Henrique havia tentado quebrar as correntes uma vez, mas as correntes apenas quebraram-no. Sem dó, sequer piedade.

Ele era dele. E ela era dele. Não havia nada mais certo que isso.

***

Aquela noite foi o suficiente para os dois ficarem na mesma página sobre o que queriam fazer dali para a frente, por isso logo que acordaram trataram de arrumar as coisas que fariam na próxima semana. O trabalho de Izabelly estava uma loucura e ela nem sabia mais em que festival ajudava, se ficava com o de Miami ou em NYC. E ela sabia que tinha muita sorte por não ser jogada fora logo dos dois. Qualquer maestro saberia que perderia uma grande peça do show se Izabelly fosse simplesmente descartada da apresentação.

Na quarta-feira, Henrique e Izabelly saíram do carro, prontos para enfrentarem a ferra que era assistente social que haviam marcado uma consulta, junto com a diretora do orfanato. Izabelly não falou por não querer perder tempo, mas ela sentia algo ruim. E se tivesse compartilhado com Henrique, saberia que o homem se sentia da mesma forma.

Ao passarem pela recepção o sentimento de que uma peça do quebra-cabeça estava fora do lugar pareceu vir com mais força e ao se sentar na cadeira frente a mesa da diretora, Henrique e Izabelly foram atraídos pela janela, que era onde dava o quintal do orfanato, onde as crianças costumavam brincar. E Augusto estava lá. Perto de uma árvore, como costumava ficar. Henrique sorriu orgulhoso ao ver uma cópia de O Pequeno Príncipe na mão do filho, mas ele logo se alarmou.

— Quem são eles? – Izabelly estava preocupada e Henrique agradeceu por ela ter feito a mesma pergunta que ele queria fazer.

Não havia conseguido sequer formular a pergunta de tão perturbado que tinha ficado com a cena. Não tinha gostado nada perto daquele moço e moça perto de seu filho.

— Estão na fila para adotar Augusto. – A diretora tinha um sorriso no rosto e Henrique sentiu vontade de estrangular aquele sorriso maldito, que, obviamente, era cínico.

Não. Augusto era filhos deles.

Era Augusto Sanchez. Leo tinha um irmão.

A vida poderia tentar mantê-lo longe, mas não, as águas sempre trariam Henrique e Izabelly para ele por isso que Henrique tinha certeza que aquela luta seria em vão e cansativa. Porque eles ganhariam.

E eles ganhariam pelo motivo mais óbvio que qualquer um pudesse sonhar em pensar.

Porque eles eram uma família. E nem Deus, ou qualquer outra entidade que fosse poderia contestar isso. Henrique não permitiria porque ele sentia que Augusto era seu filho.

Ele vivia essa verdade.

E isso era o bastante.

Tinha que ser.