Notas iniciais
Ta ai o primeiro capitulo, espero que gostem e comentem.

Eu não conseguia parar de pensar na hora em que o sinal batesse e eu pudesse ir para casa tirar essa agonia de dentro de mim. Me dou conta de que nos últimos dias não sou só eu que estou me sentindo assim, todos aqui se sentem assim com a cidade em estado de alerta.

A necessidade de entrar em casa e ver se seus pais estão bem é sufocante, e a possibilidade de entrar em casa e ver eles daquele jeito que algumas pessoas (se é que podem ser chamadas de pessoas) estão é mortal.

Nesse momento eu estou sentada, batendo o pé no chão feito de madeira, e todos me olham porque o meu coturno quando entra em contato com o chão faz um barulho realmente irritante. Minhas coisas já estão dentro da minha mochila sem graça que esta meio aberta, minha mão dentro dela segura firme o revolver que está pronto para ser usado a qualquer hora.

Faltam 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1... Finalmente o sinal bate e eu saio correndo, não tenho a preocupação de falar com alguém porque eu não tenho amigos, depois que isso tudo começou me distanciei das pessoas, fiquei egoísta, mas foi necessário pra garantir a própria sobrevivência.

Há alguns meses eu, meus pais e minha irmã mais velha saímos da nossa casa para procurar abrigo, tudo estava começando, muitas pessoas não sabiam o que fazer, eu sempre comentei essa hipótese com meus pais e eles sempre achavam loucura, até que aconteceu...

Naquele dia chovia muito, os zumbis estavam cercando a nossa casa, nossa comida estava acabando, e não dormíamos há alguns dias. Meus pais estavam na sala tentando achar uma saída, eu estava no meu quarto separando algumas trochas de roupa para levar na mochila, e tentando achar qualquer coisa que servisse para me defender. Minha irmã estava de porta trancada, eu e ela concordamos em fazer o possível para tirar nossos pais dali, para salvar a vida deles. Eu não conseguia ouvir o que eles estavam falando, mas percebi que o desespero estava estampado em seus rostos e parecia que os zumbis sentiam isso e cada vez mais forçavam a entrada em nossa casa. De repente minha irmã abriu a porta e saiu correndo para a sala com um radio do tipo que a policia usava para se comunicar entre viaturas e entre os próprios policiais.

- Ok, eu estou com eles aqui na sala, nos diga onde vocês estão e como fazemos para sair daqui.

Ela estava falando com alguma reserva aqui nas redondezas, minha irmã era um gênio.

- Certo Megan, estamos enviando uma equipe que ficará esperando vocês a uns 25 km da casa, vocês tem carro certo?

A voz no outro lado da linha era falhada, mas com certeza era por causa do sinal baixo.

- Temos sim, ele está dentro da garagem. – disse meu pai respondendo com êxito a pergunta

- Tem como vocês chegarem a ela? — perguntou mais uma vez a voz

- Claro, tem uma passagem por dentro da casa, assim não precisamos sair na rua. – disse minha irmã.

- Ótimo, Megan alguém de vocês é bom na mira?

Nesse momento eu sabia que me incluiriam na conversa, já tinha participado de campeonatos de tiro e na maioria tinha ficado entre os 3 primeiros colocados. Assim como eu esperava eles olharam para dentro do meu quarto, e me virei na mesma hora. Peguei a mochila e coloquei nas costas, fui até a minha cama, e ergui o colchão, peguei um canivete na gaveta do meu bidê e abri o pano do colchão, de lá tirei o meu revolver e todas as munições reservas. Caminhei até a sala.

- Sim, agora quem fala é Feith, o que eu tenho que fazer com a minha mira?

- Quantos anos você tem Feith?

- 16.

A voz fez um pouco de silêncio e voltou a falar.

- Ta certo, quero que você acompanhe alguém até a garagem, quero duas pessoas na garagem e duas na casa pegando comida e água e alguma coisa pontuda que sirva para se proteger. Não demorem muito, peguem algumas roupas, mas nada de exagero, não podem ter muito peso para levar. Agora pras duas pessoas que vão até a garagem, quero que vocês dois separem mais coisas para se defender e coloquem tudo no porta malas, vocês de cima tem 3 minutos para separar as coisas e ir para a garagem, lá quero vocês todos dentro do carro, e Feith, atire na cabeça desses cretinos, se vocês tiverem armas USEM, somente as janelas traseiras vão ficar abertas e é de lá que vocês vão atirar, só atirem quando já tiverem saído da garagem, estou certo de que na porta da garagem também vão ter vários zumbis... Aliás, cerca de quantos estão cercando a casa?

- Cerca de 20 a 30.

- Certo, venham com cuidado e me mantenham informado, levem este rádio com vocês e no caminho, as luzes do farol baixas, por favor. Estamos esperando vocês. Agora vão.

O rádio desligou, nós nos olhamos, eu carreguei a arma e tirei da trava. Meu pai pegou sua arma e deu à minha irmã, ele puxou minha mão e estávamos indo a caminho da garagem, minha mãe e minha irmã separariam as coisas lá em cima.

Chegamos à garagem e eu conseguia ouvir os gemidos dos zumbis, conseguia ouvir eles empurrando a porta, nunca senti tanto medo na minha vida, medo de que alguma coisa desse errado, medo de que alguém se ferisse, mas nunca senti tanta adrenalina, adrenalina que me fazia segurar a arma em minhas mãos tão forte, com tanta determinação, que parecia estar em uma final de tiros.

Estavamos fazendo o mínimo barulho possível, abri a porta traseira e deixei minha mochila ali, comecei a separar as coisas com meu pai, tínhamos mais munição lá em baixo, e mais uma arma. Não demorou muito e já tínhamos separado nossos instrumentos de defesa, eles se variavam em pás, facões e tacos de baisebol. E tínhamos 3 armas. Minha mãe desceu primeiro, e logo atrás veio minha irmã, o nariz dela sangrava muito, estava com um pano nas mãos e tinha dado a arma para minha mãe. Quando ela ficava muito nervosa, vasos do nariz dela estouravam e ela começava a sangrar, isso não acontecia muito. Entramos no carro, e minha irmã fez um tipo de amarra com o pano e o rosto, de modo que ela n precisasse ficar segurando-o. Minha mãe sentou se na frente com meu pai no volante, e eu e minha irmã sentamos atrás com as armas. A terceira arma estava com minha mãe, ela só a usaria quando estivéssemos um pouco mais seguros.

Papai apertou o botão do controle que abria a garagem, e meu coração começou a acelerar, aquela mistura de medo e adrenalina estava me fazendo tremer, meus olhos estavam cerrados tentando fazer um alvo na cabeça de cada zumbi.

Eles começaram a avançar pra cima de nós, os primeiros se atiraram pra cima do carro, mas não tiveram muito sucesso. Meu pai arrancou com alta velocidade, passando por cima de alguns zumbis, outros batiam nas janelas e quando eu tive a oportunidade, abri um pouco o vidro, ajeitei o bico da arma e mirei no primeiro zumbi que eu vi. Naquele momento eu entrei em transe, um sentimento muito bom começou a percorrer meu corpo, um tipo êxtase, como se eu tivesse consumido alguma droga que fizesse você se sentir.... Muito bem. E lá foram mais tiros, e mais zumbis vindo em nossa direção, e cada vez mais zumbis no chão. Minha irmã logo fez a mesma coisa, e acertou um zumbi tão perto dela que o sangue respingou dentro do carro, ela gritou alto. Eu estava imaginando o quão difícil estava sendo pra ela, o cheiro do sangue no pano amarrado ao rosto, o sentimento de agonia, o medo, a vontade de sair dali. Eu queria fazer alguma coisa.

Minha mãe estava de cabeça baixa o tempo todo, ela chorava e meu pai apertava a mão dela com a mão que não estava no volante.

Em alguns minutos terríveis estávamos longe dali, e dirigíamos com farol baixo como a voz tinha pedido, o caminho foi um pouco mais tranquilo, sem zumbis nos atacando.

Eu me encostei no banco, mais calma e dei um longo suspiro. Olhei pro lado e tentei examinar a situação de minha irma, o pano estava cheio de sangue, mas o nariz tinha parado de sangrar um pouco. Abri minha mochila e peguei uma camisa velha, rasguei a parte de baixo e dei para ela.

- Pega, troca isso ai, esse cheiro de sangue deve estar te matando.

Ela assentiu com a cabeça e trocou o curativo.

- Vocês estão bem? — perguntou meu pai

- Sim – respondi – cadê o rádio¿

Um silêncio se fez dentro do carro.

- Merda! – eu gritei – Deixei em cima da bancada da garagem...

Meu pai bufou.

- Ta legal, eu vou parar na garagem e você pega ele.

- Você ta louco? Nós não podemos volta lá! – minha mãe começou a chorar desesperadamente.

- Mãe, confia em mim. – eu pedi limpando suas lágrimas.

Meu pai fez a volta, e lá estávamos nós voltando ao cenário de guerra, não acredito como eu pude ser tão burra e deixar o rádio lá, se algo acontecer com alguém vou ficar me sentindo culpada.

Com o barulho do carro os zumbis se viraram então meu pai aumentou a luz do farol, isso fez com que eles se afastassem por causa da luz, muitos levaram as mãos ao rosto.

- Ta pronta? — perguntou meu pai desacelerando e colocando o carro perto a garagem

- Tô.

Coloquei a arma em posição, e com a ajuda de minha irmã e minha mãe, atirava nos zumbis que restavam.

Meu pai não tinha colocado o carro tão perto da garagem, tive que correr até ela, o que eu não devia ter feito.

Lá dentro estava cheio de zumbis, recarreguei a arma enquanto não precisava atirar em nada, e então comecei.

Minhas pernas pisavam firme, e o barulho dos tiros ficava cada vez mais alto. Avistei o rádio e do lado dele tinha um zumbi, caramba, eu estava cercada.

Comecei a ouvir passos na chuva, e o cheiro de sangue veio a tona de novo.

“Megan....”

Ela atirava em todos os zumbis que estavam perto de mim, e se aproximava de mim.

- VAI! PEGA LOGO A DROGA DO RÁDIO E VOLTA PRO CARRO!

Eu voltei a atirar e fui pegar o rádio. Só pensava em correr e pegar o rádio, mas algo prendeu meu pé, e eu cai.

“MERDA”

Tinha tropeçado em uma caixa de ferramentas que estava no chão e o zumbi perto do rádio estava cada vez mais perto de mim.

- RÁPIDO FEITH!

- ME AJUDA!

Minha irmã atirou nele, e ele caiu em cima de mim. Me livrei dele, levantei e peguei o radio, sai correndo e puxei minha irmã.

- VAMOS!

Saimos correndo juntas, na chuva, com o cheiro de sangue e com alguns zumbis atrás de nós. Mamãe atirava como nunca neles, e então conseguimos entrar no carro e finalmente ir em bora.

- Estamos aqui.

- Ufa, ta tudo bem ai? — a voz do rádio voltou a responder

- Sim, estamos chegando.

- Ótimo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.