Unschuldig
16 Um festival inesquecível – parte 01 [Extra]
Notas iniciais
Então, não sei se vocês lembram, mas antes esse capítulo só tinha mil e poucas palavras. E se ele agora tem 3000 e tanto, com certeza muita coisa foi acrescentada. :3
Capítulo 16 – Um festival inesquecível – parte 01 [Extra]
Estava atrasada!
Não atrasada de um modo exorbitante, mas ainda assim atrasada!
Logo ela que era a responsável por coordenar a organização da sala iria chegar uns bons vinte minutos atrasada. Mas também, quem mandou adormecer no abraço caloroso de Luffy? Ela havia se sentido tão bem dormindo de conchinha com o moreno que inconscientemente se recusara a levantar cedo. Somente despertou quando o celular de Luffy começou a tocar repetidas vezes com uma insistência quase psicótica. E como o garoto continuava a dormir como uma pedra, Nami resolveu ela mesma atender.
O celular podia não ser dela, mas ela não ligou muito para esse detalhe no momento. A única coisa que realmente importava era fazer com que a música da abertura de Digimon parasse de ficar se repetindo a cada nova chamada. A melodia já estava começando a ficar presa em sua mente!
Tateou o criado-mudo até sentir o objeto barulhento entre seus dedos e atendeu sem nem mesmo olhar quem era no visor.
– Que é? – a sua voz soara rouca e até um pouco hostil. A ruiva não ficava com um humor muito agradável quando acordada antes do tempo. – Vivi...? O quê?! Sete e quarenta?! Ah, meu Deus! Como eu dormi tanto? Sim, sim! Chego já aí!
A garota desligou o celular rapidamente e rolou para fora da cama em um pulo digno de gatos. Só então deu-se conta que ainda estava sem roupas, adquirindo um tom rosado em suas bochechas. Mal podia crer que realmente havia acontecido. Agitou a cabeça para afastar a reprise na noite anterior e começou a catar as roupas jogadas pelo quarto para se vestir o mais rápido possível. Luffy jazia jogado na cama dormindo com uma face completamente realizada. Ele até ficava bem fofo dormindo, mas isso não impediu Nami de puxar o cobertor com toda a força que possuía e com isso derrubar o corpo do garoto no chão com o sonoro baque.
– Não fui eu, não fui eu! – o garoto gritou, acordando sobressaltado pela súbita batida no chão. A ruiva ainda tentou segurar o riso, mas ao ver o pânico sem propósito de Luffy, uma gargalhada melódica acabou por escapar de entre seus lábios.
Luffy ficou piscando os olhos confuso por um longo tempo, pois ainda estava zonzo de sono e por causa disso estava duplamente lento de raciocínio. E Nami percebeu isso. Por isso ela nem se preocupou em esperá-lo se arrumar e após dar um beijo estalado na bochecha dele, rumou para a sacada. Não havia tempo a perder!
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– Estão todos presentes? – a garota ruiva indagou enquanto deixava a bolsa que trouxera em um cantinho reservado. Olhou em volta rapidamente à procura de algum erro ou baderna.
– Bem... Quase todos... – Vivi verificou mais uma vez a lista de chamada – Zoro, Usopp e Luffy ainda não apareceram. Mas parece que Usopp está doente e não vai aparecer. Ou pelo menos foi o que ele disse na ligação.
Então Luffy ainda não havia dado sinal de vida? Bem, o mais provável era que ele ainda estivesse lesando no meio do quarto...
– Por que será que eu não estou surpresa? – murmurou massageando as próprias têmporas, pois já sentia o início de uma dor de cabeça surgindo. Quem dera pudesse apenas evitar o estresse. – Ah, obrigada por ter controlado a situação quando eu saí ontem... Bem, eu estava um pouco fora de mim, sabe.
– Ah, não foi nada. Mas vocês se resolveram?
Nami apenas abriu um sorriso de orelha a orelha. Não era necessário o uso de palavras para explicar algo que estava tão evidente em seu rosto luminoso de alegria. Às vezes ela podia ser bem fácil de ler...
– Bem, acho que isso responde a minha pergunta. – Vivi sorriu em resposta e saiu da pequena área separada para ser a minicozinha do café.
Finalmente era o dia do festival escolar. E para a felicidade da maioria, o dia estava ensolarado e o com um céu extremamente límpido. Já era por volta das oito da manhã e a escola já estava em completa euforia. Alunos corriam de um lado para o outro terminando os preparativos de suas próprias salas. Até os professores estavam animados para o começo das festividades. Havia muita coisa inovadora naquele ano. Inclusive teria uma peça de teatro feita por uma turma do 3º ano que atiçava a curiosidade de todas as outras salas. Principalmente por que seria feita pela turma que era famosa por conter encrenqueiros assustadores. Que tipo de peça de teatro sairia daquele meio?
– Bom dia, pessoal! – Nami acenou para os estudantes que estavam reunidos na sala. – Vou precisar que alguns de vocês ajudem a montar a barraca de crepes lá no pátio. Alguém se voluntaria? – sorriu satisfeita quando viu uma quantidade razoável de mãos se erguerem. Para uma turma que não se mostrava empolgada para muitas atividades do estilo até que eles estavam bem ativos. – Muito bem. Todos os que levantaram a mão acompanhem o Tsubasa-kun. Ele será o responsável por verificar se está tudo no lugar e ensinará como fazer os crepes pra quem for ficar atendendo, ok? – ela se virou para um garoto de cabelos castanhos e olhos azul-celeste. — Pode ir, Tsubasa-kun.
– Ok, vamos lá pessoal! – o garoto chamou-os, animado, e saiu da sala com o grupo de voluntários em seu encalço.
– E antes que eu me esqueça, a troca de turnos acontecerá a cada duas horas. E vale lembrar que na barraca também terá turnos alternados.
Várias cabeças assentiram rapidamente e voltaram a se concentrar em seus afazeres anteriores. No entanto uma garota baixinha de cabelo trançado aproximou-se de Nami de maneira furtiva e cutucou-lhe o ombro timidamente.
– Quando vai ser o meu turno? – ela perguntou com as bochechas rosadas de acanhamento. Mal dava para ouvir a sua voz de tão baixa que era.
– A ordem dos turnos vai ser esta aqui. – Vivi, que estava ao lado da ruiva, apontou para a prancheta em mãos. – Foi tudo escolhido através de sorteio. Por quê? Algum problema?
– Hm, é que eu queria ver se podia trocar meu turno. Tem como eu ficar livre lá pelas duas horas? – a garota apertava fortemente a vassoura em mãos, quase que esperando que o seu pedido fosse negado rudemente ou algo do estilo.
Contudo o sorriso amável que Vivi esboçou acalmou-a quase que instantaneamente.
– Ah, é só isso? – Nami arqueou a sobrancelha tentando lembrar o nome da garota, mas por mais que forçasse a sua memória, nada lhe vinha a mente. Acabou desistindo de lembrar e apenas olhou para Vivi, suspirando. – Você pode resolver isso para mim? Ainda vou ver como as roupas ficaram.
– Tudo bem, pode ir. Eu vou procurar Cain pra ver se ele troca a vez com ela. – a azulada fez um sinal positivo com a mão e depois passou a arrastar a pequena garota tímida para fora da sala a fim resolver seu problema de horário.
Nami ainda deu uma olhadinha ao redor para ter certeza de que não estava se esquecendo de nada e quando estava prestes a passar pela porta, um Sanji sorridente surgiu ao seu lado.
– Nami-swan! – Sanji rodopiou até ela – Preciso de duas pessoas para me ajudar a trazer algumas coisas lá do refeitório...
A ruiva deu de ombros, passando a procurar voluntários nas pessoas restantes que havia na sala.
– Hanamura e Kuronuma, vocês podem dar uma mãozinha a Sanji?
– Pode deixar! – os dois garotos assentiram e saíram da sala junto com o loiro metido a cozinheiro.
Nami olhou para as poucas pessoas remanescentes, que eram em sua maioria garotas, e passou um rápido olhar ao redor da sala.
– As garotas que estão livres ficarão responsáveis de terminar a decoração da frente da sala e alguém tem que dar uma varrida aqui dentro, ok?
Todas assentiram e começaram a fazer seus respectivos trabalhos. E sentindo-se satisfeita com o resultado dos esforços em conjunto, não conseguiu evitar um sorriso orgulhoso brotar em seus lábios. E estava tão distraída com a sua própria satisfação que quando ia sair da sala acabou trombando em Robin que vinha trazendo algumas toalhas de mesa que estavam faltando.
– Opa, foi mal Robin. – desculpou-se, ajudando-a a recolher as tolhas que caíram durante a colisão. – Ah, você sabe me dizer se as roupas já estão prontas?
– As garotas estão dando os toques finais lá no clube de costura.
– Ah, então tudo b-
A porta foi aberta em um rompante e por ela passou um conhecido garoto de cabelos negros e outro de cabelos verdes. Ambos discutindo algo em relação a jogos de arcade.
– Finalmente decidiram aparecer, hein? – Nami arqueou a sobrancelha ao ver a expressão animada de Luffy.
O garoto apenas sorriu de orelha a orelha.
– Você não vai acreditar, Nami! – falava eufórico, agitando os braços no ar. – Eu encontrei Zoro no caminho e acabei conversando com ele enquanto vinha pra cá, mas de algum modo fomos parar na frente de um fliperama e lá tinha um jogo... – a sua narração foi subitamente interrompida, pois recebera um soco repreendedor no alto da cabeça. – Isso dói, Nami!
– E é pra doer mesmo, oras. – A ruiva revirou os olhos.
Ela ali se preocupando por ter chegado atrasada enquanto os dois idiotas se divertiam em algum lugar por aí.
Logo uma garota de coques apareceu na porta da sala pedindo que os garotos fossem experimentar as roupas que estavam prontas. E como os únicos disponíveis eram os dois que haviam acabado de chegar, não tiveram como negar.
– Ah, Robin! Você poderia ir com eles, só pra evitar que Zoro se perca?
A morena abafou o riso com a mão e assentiu de leve. Todos tinham conhecimento da falta de direção do garoto de cabelos esverdeados.
Somente depois da saída do trio, é que ela se permitiu analisar com atenção a ornamentação do ambiente.
As paredes da sala foram decoradas com recortes em forma de caveiras, tesouros e mais algumas coisas que lembravam piratas. As mesas redondas haviam sido cobertas com toalhas de mesa quadriculadas e uma parede falsa, que fora pega emprestada do clube de teatro, reservava uma pequena área para servir de mini-cozinha ao café.
– Com licença, Nami-san. – Sanji apareceu com alguns utensílios em mãos e passou para a cozinha improvisada. Logo depois os dois garotos que haviam ido com ele também voltaram carregando um monte de coisas de outras coisas.
Nami olhou para o relógio de pulso e viu que já era quase nove horas. Faltavam apenas alguns minutos para os portões serem abertos para visitantes. A empolgação estava novamente aumentando dentro dela.
– Vivi! – Nami se aproximou da azulada que voltara a pouco tempo do pátio. – Vou dar uma passadinha no banheiro. Você fica de olho nas coisas por aqui?
– Claro, pode ir. – Vivi sorriu.
Se sentindo um pouco mais tranquila, a ruiva saiu da sala e foi em direção ao banheiro feminino que ficava na ponta do corredor. Verificou rapidamente se seu cabelo estava normal e depois foi em direção ao refeitório pegar algo para comer. Como havia acordado em cima da hora, não tivera tempo de comer algo decente. Somente algumas bolachas que roubara de sua irmã.
Escolheu um pão recheado e uma garrafinha de um suco qualquer e comeu enquanto percorria o caminho de volta para a sala. No entanto, no meio do trajeto uma ideia brilhante surgiu em sua mente. Mudou a rota de seu caminho com um sorriso travesso nos lábios
– Como será que ficaram as roupas dos garotos?
Assim que avistou a sala do clube de costura, aumentou a velocidade de seus passos da maneira mais silenciosa que conseguiu. Jogou a garrafa vazia em uma lixeira de reciclados que tinha no corredor e puxou lentamente a porta de correr do clube.
Espiando discretamente o recinto, constatou que apenas Luffy se encontrava no local. Abriu um pouco mais a porta, o suficiente para adentrar o aposento, e fechou-a tão logo transpassou o umbral.
– Ok. Pra que lado é a porta? – o garoto girou para o lado contrário e bateu contra uma parede.
Nami avaliou-o de cima a baixo. Ele estava vestindo uma calça preta e uma bota da mesma cor. Também estava usando uma camisa de manga longa branca, com um colete vermelho sobre esta, e em sua cabeça repousava um chapéu com um desenho de uma caveira no centro.
– Ai! – trombou novamente na mesma parede e fez um muxoxo chateado. Se continuasse desse jeito, talvez nunca mais saísse daquela sala. Mas não se dando por rendido, ele esticou os braços para a frente e passou a tatear a parede a procura de algum sinal que indicasse a saída.
A ruiva arqueou uma sobrancelha enquanto tentava conter o riso ao ver que Luffy estava tendo dificuldade em encontrar a porta por estar usando dois tapa-olhos ao mesmo tempo. Aproximou-se furtivamente dele, ficando de frente para o mesmo, e ao segurar-lhe o rosto, depositou-lhe um leve selinho sobre lábios.
Ela pensava tê-lo surpreendido, mas quando foi se afastar, o garoto puxou-lhe novamente e dessa vez iniciou um beijo mais profundo e voraz. Separaram-se depois de alguns minutos, ofegantes.
– Luffy, o que você faria se fosse outra garota que tivesse te beijado, hein? – Nami perguntou sugestiva, e um pouco impressionada pelo beijo que recebera, enquanto levantava um dos tapa-olhos do rapaz.
– Ah, eu sabia que era você. – respondeu sorrindo. Agora conseguia vê-la com o olho descoberto.
– Sério? – a incredulidade marcando seu rosto. – E como você sabia?
– O seu cheiro... – aproximou o nariz do pescoço dela e fungou levemente no local. Em seguida roçou os lábios sobre a pele macia, meio que enfeitiçado com seu aroma cítrico. – Tem cheiro de laranjas.
A garota abriu um sorriso involuntário, sentindo um calafrio gostoso percorrer sua pele desde onde ele roçara os lábios. Abriu a boca para fazer algum comentário sobre aquela observação, mas a porta da sala foi aberta um rompante, estragando o clima tão agradável que estava entre eles.
– Oh! Aqui está você, Nami! – uma Vivi de expressão aflita marchou em sua direção. – Temos um problema.
Nami vincou a testa. O que poderia ter acontecido nos poucos minutos em que estivera longe da sala?
– O que aconteceu?
A Nefertari mudava o peso do corpo de um pé para o outro, inquieta.
– Os cupcakes especiais desapareceram! – despejou a notícia de uma vez só quase nem respirando enquanto falava. – Simplesmente sumiram!
A ruiva arregalou os olhos em choque e se afastou do garoto, girando o corpo para ficar de frente a azulada. Os cupcakes eram a “arma secreta” do cardápio do café deles e serviriam justamente para chamar a atenção dos clientes, pois a culinária de Sanji já era relativamente conhecida pela região, visto que seu pai era o famoso Zeff.
– Como isso aconteceu exatamente? – ela perguntou depois de respirar fundo um par de vezes, a fim de não explodir com quem não tinha culpa alguma. De nada adiantaria ficar descontando seu estresse nos outros, principalmente naquela situação.
– Eu não sei... Em um momento eu estava resolvendo o problema de uma mesa quebrada e no outro os cupcakes já haviam sumido da cozinha! – falava rápido, mexendo as mãos nervosamente.
Nami apenas suspirou diante a clara apreensão da amiga e revirou os olhos. Parecia até que ela estava com medo de como a ruiva reagiria. E por um momento Nami ficou pensando se era de fato tão terrível quanto os outros imaginavam que ela era.
– Bem, de qualquer modo, precisamos voltar logo pra sala. Só lá poderemos tentar entender o que aconteceu.
Após Vivi assentir veemente e Luffy piscar os olhos, confuso, tentando entender qual era o problema, os três correram em direção a própria sala. Mal haviam transpassado a soleira da porta quando um vulto loiro se jogou nos braços de Nami. Sanji chorava copiosamente, quase como se o fim do mundo já estivesse acontecendo e ele não pudesse mais paquerar garotas. Todos o olhavam com interrogações no rosto.
– Oe, Sanji, por que está chorando? – Luffy olhou preocupado para o garoto mulherengo.
– A culpa foi minha Nami-chan! – murmurou em meio aos fungados enquanto continuava a chorar como um bebê.
A ruiva o largou no chão para cruzar os braços, mantendo um olhar de enfado no rosto.
– Você era o responsável por cuidar da cozinha, não é? E não a abandonaria por nada a não ser que... – suspirou longamente, deixando o fim da frase ao ar.
Quase que imediatamente todos entenderam o que havia acontecido.
– Sanji! Você se distraiu com alguma garota, não foi? – Vivi o acusou, irritada.
O loiro nem sequer tentou se defender da clara acusação, ficando encarando o chão com uma aura de culpa envolvendo-o. Luffy ainda não havia entendido qual o real problema, mas isso não era surpresa para ninguém. Ele era tapado como uma porta.
– Uma garota bonita caiu no corredor... – murmurou depois de se passado uns segundos. – Ela havia torcido o tornozelo e...
– Não, não precisa completar. – Nami gesticulou com a mão, indicando que ele ficasse em silêncio. — Já até imagino que seu lado cavalheiro não poderia permitir que uma garota fosse sozinha a enfermaria... – suspirou audivelmente. Todos conheciam por demais a personalidade de gentleman que o loiro possuía. – Sanji até tem uma “explicação” pra ter sumido, mas... Onde estavam as outras pessoas que ficaram cuidando dos preparativos da sala?
– Err... Desceram para ajudar a preparação da entrada da escola e o resto foi na cantina comer algo. Parece que Kokoro-san preparou algo especial para incentivar o trabalho duro dos estudantes ou algo assim. O último que restou na sala para ficar de olho foi o... – todos os presentes olharam para um cantinho específico da sala onde se encontrava um garoto de cabelos escuros dormindo profundamente, usando uma máscara de dormir. — ...Johnny.
O garoto parecia ter um sono imperturbável.
– Agora entendo como conseguiram pegar os cupcakes de forma tão fácil... – a ruiva massageou a têmpora, nem conseguindo crer que aquela sequencia de acontecimentos fossem por acaso. Alguém havia tramado tudo isso, e com certeza o objetivo era fazer com que sua turma perdesse a competição interna que havia entre as salas. – Alguém ao menos viu algo suspeito? Alguém espiando a sala ou algo assim?
Os alunos tinham expressões aflitas em seus rostos e permaneceram em silêncio. Todos estavam tentando lembrar se por acaso haviam visto algo estranho, mas nada vinha-lhes a mente.
Nesse meio tempo, a porta da sala fora aberta novamente e mais dois alunos entraram no recinto, sem nem mesmo serem percebidos.
– O que aconteceu aqui? – Zoro perguntou ao ver o clima de velório que estava instalado no grupo.
A ruiva olhou para os dois que entraram por último, somente então percebendo que eles estavam ali.
– Os cupcakes sumiram e ninguém tem pistas do que aconteceu... – Nami deslizou a mão no cabelo. – E pelo visto teremos que improvisar com o resto que tivermos aqui.
A morena de olhos azulados pareceu pensar um pouco e franziu o cenho enquanto cruzava os braços. E em seguida Robin se pronunciou.
– Como era a caixa que os cupcakes estavam?
– Era uma caixa branca com um símbolo de uma faca e um garfo cruzados na tampa. – respondeu Sanji com uma voz lamuriosa, internamente culpando a si mesmo pelo ocorrido.
Zoro e Robin se entreolharam, parecendo compartilhar pensamentos com apenas um olhar.
– Acabamos de ver duas das seguidoras de Hancock carregando uma caixa idêntica com bastante pressa. – revelou, sucinta.
– O q...
Nami bateu na própria testa ao concluir o que provavelmente tinha acontecido. Virou-se novamente para Sanji e segurou-lhe pelos ombros.
– Como era a garota que você ajudou?
– Hã...? Ela era linda, com um corpo magnífico e com cabelos loiros e curtos que reluziam como se fossem raios de sol... – o cozinheiro respondeu com um ar sonhador e o rosto corado.
Não havia tantas pessoas loiras naquela escola, por isso assim que Nami ouviu a descrição dada pelo garoto soube que ele falava de Margaret, outra “seguidora” de Boa Hancock.
E isso não poderia ser uma simples coincidência, disso tinha certeza.
– Já tenho uma ideia do que aconteceu aqui, portanto não se preocupem. Eu vou resolver isso. – falou para o resto da turma e em seguida saiu da sala.
Vivi ao pressentir que só poderia vir encrenca disso, apressou o passo e foi atrás da Nami enfurecida.
– Onde você pretende ir?
– Não é óbvio? – a ruiva olhou de relance para a amiga, sem nem diminuir a velocidade de seus passos. – Vou para uma certa sala do terceiro ano... – completou com um sorriso maligno nos lábios.
A Nerfetari rapidamente concluiu quem Nami estava procurando. E isso não teria um bom resultado caso as duas se encontrassem.
– E o que você vai fazer? – perguntou a azulada com uma expressão alarmada, enquanto tentava acompanhar a velocidade da outra.
– Bem, vou apenas dar uns sopapos bem dados naquela garota encrenqueira... – falou com descaso, como se aquilo fosse evidente.
– O quê?! – Vivi arregalou os olhos. – Você não pode fazer isso!
– E por que não? – o sorriso ainda permanecia em seus lábios.
E o sorriso aumentou ainda mais quando ela avistou Hancock vestida com uma daquelas vestimentas femininas gregas, prestes a colocar uma máscara de medusa. Havia ouvido falar que a classe dela faria uma apresentação de danças e cantos, com todos fantasiados com monstros mitológicos.
– Espere! – Vivi segurou a ruiva pelo braço com toda a força que conseguiu e puxou-a na direção contrária. – Você não pode fazer isso abertamente! Vão lhe reconhecer e irão descontar da pontuação da nossa sala! Já estamos em desvantagem sem os nossos cupcakes, imagina em que posição ficaríamos se mais pontos forem descontados!
Nami parou de resistir e ficou pensativa por alguns segundos. Vivi estava correta. Não era certo fazer os outros pagarem pelas suas ações.
– É. Você tem razão... – a azulada suspirou de modo audível ao ouvir aquilo. – Não posso fazer abertamente... O clube de costura tem alguma fantasia livre?
Vivi franziu o cenho ao ouvir a pergunta e depois arregalou os olhos compreendendo aonde a ruiva queria chegar.
– Você não vai fazer o que estou pensando, vai? – Vivi murmurou, quase soltando a prancheta que levava em mãos.
Nami sorriu.
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Alguns minutos depois...
Perto da quadra de vôlei estavam um círculo enorme de estudantes curiosos querendo saber o motivo do tumulto ou apostar uns com os outros sobre quem venceria a briga. No centro do círculo estavam duas pessoas fantasiadas e em posição de luta.
– O que está acontecendo ali? – Luffy debruçou-se sobre uma das janelas do primeiro andar da escola e tentou entender a cena perto da quadra de vôlei. – E para onde Nami foi?
Robin apenas riu baixinho.
– É melhor você nem saber... – Vivi suspirou pesarosa ao lado no moreno e lançou um olhar de cansaço na direção do tumulto.
Aquela briga ficaria marcada eternamente na memória dos estudantes e até de alguns professores presentes. E sem falar que seria a origem de muitos mitos que envolveriam aquela escola.
A lendária briga entre Monga, a mulher macaco, e a letal Medusa mascarada.
[Fim da parte 01]
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