Unschuldig
5 Capítulo 5 - Dívidas e Expectativas
Notas iniciais
Boa leitura! õ/
Capítulo 05 – Dívidas e Expectativas
Rolou novamente na cama. Já era quase meia-noite e nada do sono vir. – Poderia ficar pior? – Nami pensou fadigada. Seria esse o terceiro dia que ficaria sem dormir? Faltava cerca de trinta minutos para ser segunda-feira e daqui a algumas horas teria que levantar para se arrumar pra ir para a escola.
– Preciso dormir... Se não desse jeito não vou conseguir prestar atenção em nenhuma das aulas...
Rolou mais umas duas vezes na cama, antes de uma ideia brilhante surgir em sua mente. Levantou-se animada e foi para sua sacada. Era noite de lua nova, o que deixava tudo com pouca visibilidade. E isso era perfeito para o plano de Nami.
– Bem, vamos lá! – Ela falou para si mesma enquanto subia em um dos galhos da grande árvore ali presente. O mesmo galho que Luffy usara tantas vezes para invadir o quarto dela, agora iria ser utilizado pelo sentido oposto – Agora entendo o porquê de ele chegar tão rápido do outro lado... É bem fácil passar por aqui! – Sussurrou quando finalmente sentiu os pés tocarem o chão da outra sacada.
Fazendo o mínimo de barulho possível, Nami aproximou-se da porta e tentou abri-la. Não ficou nem um pouco surpresa ao comprovar que esta estava realmente aberta. Não podia esperar menos da cabeça de vento do seu amigo. Adentrou o local e logo em seguida fechou a porta atrás de si.
– Nossa! Está realmente escuro aqui... – falou ao olhar em volta.
Estava tudo em silêncio, com exceção do leve som da respiração constante dele. Andou levemente até a cama e entrou debaixo do cobertor, se aconchegando de frente para o garoto. Quando achou que seus corpos estavam próximos o bastante, fechou os olhos. Contudo, antes que mergulhasse em um sono profundo, sentiu Luffy se mexer um pouco e abriu os olhos.
– Nami?! – Ele acendeu o abajur ao lado da cama e olhou surpreso para a garota junto ao seu corpo – O que esta fazendo aqui?
Ignorando a pergunta que lhe foi dirigida, encostou a testa no tórax dele e fechou novamente os olhos.
– Apenas durma.
– O que voc... – Ao ver as marcas roxas no pescoço dela, acabou perdendo a linha de pensamento e pousou um dedo sobre elas.
Ela soltou um baixo “Ai!” ao sentir algo pressionar a região dolorida. Iria começar a reclamar do jeito nada sutil dele, mas parou subitamente ao perceber o olhar que lhe era lançado fixamente ao pescoço.
– Se eu tivesse chegado mais cedo... – Ele falou com os olhos vagos e expressão triste – Se você não estivesse sozinha...
– Deixe de falar bobagens! O que passou, passou.
– Mas... Eu poderia ter evitado isso se eu estivesse lá... – Luffy não conseguia parar de pensar nessa possibilidade. E era exatamente por isso que estava se sentindo um completo inútil.
Nami já estava começando a ficar irritada com aquela depressão toda. Ela preferia o seu Luffy idiota, manhoso e comilão de sempre mesmo. Abraçou-o fortemente, surpreendendo-o.
– Então não se afaste de mim, oras. – A garota falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Luffy ficou um pouco surpreso a princípio, mas logo retribuiu o abraço na mesma intensidade. Depois agradeceu mentalmente por Nami estar com o rosto próximo ao seu corpo, impossibilitando que ela visse o enorme rubor que se formara na face dele. Ela falando daquele jeito parecia até que ia ser fácil... Mas com a mente cheia de ideias estranhas como ele estava ultimamente, ia ser bem difícil se comportar como de costume ao lado dela. E foi pensando em nisso que ele acabou adormecendo.
O súbito som de batidas fortes na porta fez o garoto pular da cama assustado. Lembrou-se de imediato de Nami e ao procurá-la na cama, viu somente o espaço vazio. Coçou os olhos, sonolento. Teria sido apenas um sonho? Ainda sentindo a sonolência pesando em seus olhos, andou até a porta e a abriu.
– NETO IDIOTA!! – Um Garp furioso esmurrou-o no alto da cabeça.
Luffy, que caiu sentado devido ao súbito golpe, massageava a área golpeada e olhava confuso para o avô.
– Por que fez isso, vovô?! – Seus olhos lacrimejaram um pouco devido a dor. Podia não parecer, mas a força que seu avô usava nos golpes era enorme.
– ISSO É HORA DE ACORDAR?! JÁ SÃO QUASE SETE HORAS!! – Ele pareceu se preparar para dar outro soco – HORA DOS PUNHOS DO AMOR E... Tem um papel grudado na sua cara.
O garoto já havia se preparado mentalmente para a dor de outro golpe na cabeça e ficou surpreso com a repentina mudança de assunto. Passou a mão na testa e sentiu que realmente havia um papel colado nela.
“Obrigada pela boa noite de sono que sua cama me deu.
P.S: Você está me devendo muito agora. E não vou cobrar barato. Afinal, você teve a chance maravilhosa de dormir ao lado da melhor garota do mundo.
Beijos, Nami.”
Sorrindo de orelha a orelha, ele se levantou e correu para o banheiro.
– Foi mal, vovô! – Ele gritou de dentro do banheiro – Mas eu vou tomar banho primeiro! Depois falo com você...
Do lado de fora, a única coisa que o homem de cabelos grisalhos fez foi dar um tênue sorriso enquanto balançava a cabeça negativamente.
– Como foi que meu neto se tornou uma pessoa tão idiota? – Foi em direção a cozinha e observou a enorme montanha de alimentos variados que se encontrava em cima da mesa – Makino? Ainda está aqui?
– Claro que sim, oras. Eu nunca saio sem me despedir! – Uma mulher de cabelos esverdeados apareceu sorridente – Será que é o suficiente para o Luffy-kun?
Garp olhou novamente para a mesa repleta de comida.
– Acho que sim... – Disse um pouco apreensivo. Depois olhou sorridente para ela – O que seria de nós sem você?
– Fazer o que se eu gosto de cuidar de vocês, não é?
Os dois riram. Makino era a vizinha da casa em frente a deles. Era amiga de muito tempo de Garp e desde que Luffy tinha sete anos, ela se responsabilizara pelas refeições da casa.
– E então? O Sabo anda dando muito trabalho lá no exterior? – Garp perguntou ocasionalmente.
Sabo era o filho adotivo dela, que vez ou outra se metia em confusão, e atualmente estava estudando no exterior. Quando ele era mais novo havia aprontado muito junto com Luffy, causando fortes dores de cabeça em Garp.
– Ah! – Ela deu um leve risinho, lançando-lhe um olhar sugestivo – Ele está bem e acho que em deve estar com muita saudade de você...
O homem se engasgou com o café que estava tomando.
– ESPERA AÍ! NÃO ME DIGA QUE É O QUE ESTOU PENSANDO! – Ele gritou exaltado depois que conseguiu parar de tossir.
Makino apenas sorriu, confirmando.
– Ai, ai. – Passou a mão pelo cabelo curto – Sinto que vou ficar com dores de cabeça novamente... Não diga nada ao Luffy! Ele pode ficar eufórico demais...
– Tudo b... – Sua fala foi cortada pela voz de Luffy que gritava alegre.
– BOM DIA!! – Ele desceu correndo da escada.
Todos os dias eram assim. De alguma forma misteriosa, Luffy descia correndo as escadas e nunca tropeçava. Além de sempre gritar estrondosamente igual ao seu avô. E depois de tudo, ele ainda negava qualquer semelhança.
– Oba! Comida! – O garoto olhou babando para a mesa – Já estava sentindo meu estômago colar nas costas!
Rapidamente a montanha sumiu e ele levantou satisfeito. O mais surpreendente era o corpo dele nem aparentar ter devorado aquele monte de comida. Talvez fosse isso que denominavam de “metabolismo rápido”.
– Vou indo! – Luffy já estava na porta preparado para sair – Até depois, Makino! Tchau, vovô!
Despediu-se acenando e correu até em frente à casa da amiga de cabelos alaranjados. Esperando-o encostada no portão, estava Nami com uma expressão nada amigável.
– Oe, Nami! Vamos indo? – Ele sorriu.
– Sabe há quanto tempo estou aqui?! – Ela perguntou-lhe, acertando em cheio o mesmo local onde seu avô batera mais cedo – Não se deixa uma dama esperando!
– Desculpa! Desculpa!
– Vamos logo! – Nami começou a andar emburrada. Sendo seguida rapidamente por Luffy.
Por fora podia até parecer chateada, mas internamente ela estava super feliz por estar indo para escola junto com ele de novo. Era a primeira vez em muito tempo em que iam para a escola juntos como antigamente.
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A segunda-feira chegou completamente ensolarada. O tempo parecia combinar perfeitamente com o bom humor do professor de língua estrangeira. Talvez Brook fosse o professor mais animado da escola inteira. E embora lecionasse idiomas, era normalmente denominado pela maioria dos alunos como instrutor de música ou simplesmente de cantor.
– Realmente... Ele merece o título de tutor de música... – Nami murmurou para si mesma, enquanto traduzia o texto que fora distribuído para toda a sala – Todas as aulas ele trás uma música diferente para traduzirmos...
Desviou o olhar da folha de papel e passou a observar os amigos. Pelas suas expressões, a ruiva supôs que deveriam estar tendo dificuldade em realizar a atividade. Ou talvez estivessem viajando na maionese...
– Yohohoho! A aula já vai acabar. Passem suas folhas para as pessoas da frente e me entreguem. – O professor falava e tocava seu violino ao mesmo tempo.
Assim que o toque de liberação foi ouvido, a turma saiu alvoroçada para o intervalo. Rapidamente Sanji organizou o costumeiro “piquenique” embaixo da enorme laranjeira, que se localizava ao fundo da escola, e todos se sentaram ao redor.
– Ei, vocês ficaram sabendo dos boatos que se espalharam pela escola?
Nami olhou-o curiosa.
– Não. Quais são?
– Tem um que fala sobre um garoto gênio do segundo ano “D”... Parece que ele pediu uma súbita transferência depois de aparecer todo arrebentado aqui na escola. Ninguém sabe o motivo, mas suspeitam que ele tenha sido alvo de alguma seita secreta de dentro da escola...
– Você sabe o nome dele? – A ruiva perguntou como se não fizesse a mínima importância.
– Ah, acho que era um tal de Lantis alguma coisa... Não lembro o sobrenome.
Luffy, que até então estava comendo alheio a tudo, se engasgou com algum pedaço de alimento que entrou no caminho errado. Talvez estivesse surpreso por descobrir que o garoto que ele espancara era na verdade um gênio.
– Nossa, é realmente suspeito! – Usopp comentou preocupado e com a boca cheia de comida – Realmente existe uma seita aqui dentro da escola?
Zoro e Luffy se entreolharam e voltaram a comer despreocupados.
– Não sei ao certo, mas... – Sanji olhou galante para a ruiva – Não se preocupe Nami-san! Não deixarei nenhum perigo se aproximar de você! Pode me chamar de seu cavaleiro branco...
– Mas e então? Quais os outros boatos? – Ela perguntou, ignorando completamente a sugestão do loiro.
– Ah, o outro boato é muito mais interessante! – Ele sorriu — Parece que amanhã vai chegar dois alunos transferidos!
– Mais transferidos? – Zoro praticamente bufou a pergunta. Em sua mão repousava três espetinhos de takoyaki – Isso está ficando muito comum...
– E pela sua reação, imaginou que sejam garotas... – Usopp encarava o loiro com suspeita.
– Haha. Na verdade eu ainda não sei quem são os alunos, mas o meu sexto sentido me diz que serão lindas garotas!
– Achei que eram as mulheres que tinham sexto sentido...
– Isso é tudo mentira. É claro que fui abençoado com o dom de pressentir quando garotas bonitas estão por perto! Isso sim é sexto sentido.
– Ah, claro. – O moreno falou descrente.
O grupo conversava sobre futilidades, quando o toque soou novamente.
– Mas já tocou? – Sanji parecia mal-humorado. Queria poder ter ficado conversando por mais tempo na maravilhosa presença de Nami.
Com tudo arrumado, voltaram para a sala de aula e se prepararam para a aula de História geral que estava por vir. Depois de cerca de dez minutos, o professor Aokiji resolveu aparecer na sala.
– Ah, foi mal pessoal. É que eu acabei dormindo na sala dos professores... – Ele nem parecia verdadeiramente preocupado pelo atraso – Bem, vamos começar logo essa aula...
Todos os alunos olharam incrédulos para o professor com o rosto sonolento. Com certeza ele não era um bom exemplo de pontualidade. Nami estava concentrada na aula e anotando tudo que lhe parecesse importante no caderno, quando um pedaço de papel dobrado caiu em sua mesa. Curiosa, ela abriu e leu a seguinte mensagem. Ou seria melhor dizer que era um pedido?
“Nami, você poderia me ajudar em uma coisinha depois da aula? Por favor! É urgente!
Capitão Usopp.”
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