Unmei Nanodayo

5 Capítulo V — Midorima Shintarou — Dakara... Nanodayo...


Notas iniciais
Boa leitura.

Daquele dia em diante, nada mais me importou. Ainda hoje, com 34 anos de idade, não consigo me esquecer do que aconteceu. Talvez aquela tenha sido a pior coisa que podia acontecer com alguém.

Foi só um beijo. Só um beijo que acabou com a minha vida, e que partiu mais e mais o meu coração — se é que era possível parti-lo mais... ele conseguiu —, me lembro disse como se fosse ontem. Perdi o tempo nesses últimos anos.

Fomos para faculdades diferentes, o que ele escolheu, não faço ideia, mas ele deve estar melhor agora, sem mim. Não sei a quanto tempo as pessoas me chamam de pessimista, ainda não acredito que seja, eu não acredito em mais nada.

Mas acreditei que não nos veríamos mais, que não ouviria mais sua voz. estava errado.

Aos meus, ou aos nossos 30 anos, ele apareceu para fazer um — muitos — exames. estava com câncer, sim estava…

— Com licença… — uma voz familiar falou e entrou na minha sala, fechando a porta em seguida.

— ... — estava prestando atenção nos documentos, portanto não prestei atenção em seu rosto “ ah…” mas quando vi, claro, reconheci na hora, mas me deixou em choque.

— Midorima-san… Quanto tempo não? — foi possível segurar o choro desta vez.

— "Midorima-san", tem certeza?

— Você também, "nanodayo"*...

— ... — então ele começou a chorar. Não dava para segurar mais, chorei junto.

— Shin-chan… — ele se levantou e me abraçou, me deixando com o rosto colado em sua barriga, o que me deixou nervoso, com a coluna bem curvada para me alcançar, se agarrava em me ombro, fazendo com que eu sentisse suas lágrimas em meu pescoço. Tomei coragem e envolvi as costas largas de Takao com meus braços. depois de alguns segundos, ele me fez ficar de pé, provavelmente estava cansado pela posição que estava. E mesmo assim, ele continuou me segurando, percebi que ere estava mais alto que eu, uns três centímetros eu acho, nunca pensei que ele ficaria assim —eu tenho câncer — isso foi de repente, ele me soltou, os olhos inchados, mas sério. Fiquei sem reação.

— Ah… — ainda não conseguia controlar meu choro — cigarro?

— É…

— Por que...? — a preocupação me dominava nesse momento.

Ele não respondeu, apenas abaixou a cabeça, ficamos conversando sobre… sobre nada em especial. Até que eu me lembrei que estava trabalhando e precisava atende-lo, então fiz isso. Ele passaria o 'resto de sua vida' no hospital. As outras do dia não interessa, simplesmente fiquei trabalhando.

Eu não entendo, todo o tempo que eu fiquei com ele, esse tempo longo, mas eu nunca tinha sentido tanta felicidade. Mas o que é bom nunca dura muito não?

Takao teria que ficar algum tempo no hospital, eu fiquei feliz, e me senti mal por isso, pois e como estar feliz da doença dele, eu não acredito nisso, eu sou horrível… Eu sempre fui…

Saiamos as vezes para ele respirar um pouco de ar livre, nunca mais questionei sobre o porque de seu problema na saúde, achei que ele ficaria sem graça como na primeira vez. Muitas vezes ele chorava ao se lembrar de nossa vida escolar, eu tentava não, mas acabava chorando junto na maioria das vezes. Pelo menos não sou mais o coração de pedra… Isso é bom...?

Notas finais
*: ne versão em japonês, Shintarou sempre dizia nanodayo no final da frase, mas não foi possível colocar no português. Bye bye.