Unlike Cinderella...
28 Capítulo 27 - Fights... → Parte Final
Notas iniciais
POV Austin
– Eu... Hãn... Eu só queria me desculpar por tudo que eu fiz. – diz Elliot, parecendo nervoso. – Perdoe-me Ally, mas eu não pude evitar. Pela primeira vez em minha vida, eu estou apaixonado de verdade. Eu... Eu não estou mentindo, Ally. Eu daria a minha vida para proteger você, sem pensar duas vezes, porque eu... Eu... Eu te amo.
Ally o olha assustado. Cassidy levanta de uma vez, parecendo se preparar para qualquer consequência que aquela última frase poderia causar. Aperto meus punhos com força, controlando ao máximo meus sentimentos.
– Elliot... – Ally sussurra, parecendo não saber o que dizer. – Eu sinto...
– Não, Ally, não fala nada. – dita o moreno, fechando os olhos com força e apertando os punhos, assim como eu. – Eu sei o que vai dizer, mas eu não quero ouvir. Só quero que saiba que eu te amo. E eu acredito que ninguém a ame tanto quanto eu.
– Elliot, escute-me, por favor! – pede Ally, segurando o braço de Elliot.
O moreno a olha, surpreso pela intensidade com que as palavras da garota foram ditadas. Ele suspira frustrado e balança a cabeça. No entanto, ele faz algo que surpreende a todos.
– Você ama o Austin, não é? – ele diz, enquanto abraça Ally de forma protetora e continua falar com um tom de melancolia: – Eu vejo a maneira como vocês se olham. Mas, eu preciso ao menos lutar por você. Por mais que seja em vão, eu preciso sentir que dei o melhor de mim. Eu sempre abri mão das pessoas que eu gosto para que elas fossem felizes, mas agora é diferente. Você é diferente de todas, Ally.
– Você precisa se afastar de mim, Elliot. – fala Ally, afastando o garoto de si. – Isso só te machucaria ainda mais.
– Eu não quero me afastar...
– Você precisa fazer isso. – impõe a morena, interrompendo a fala de Elliot e o fazendo ficar mais surpreso ainda. – Eu amo Austin.
A declaração de Ally surpreende a todos. Eu jamais imaginei que ela fosse capaz de falar com tanta confiança assim. Sorrio bobo e vejo Diane balançar a cabeça, parecendo tão encantada quanto eu pelas palavras da morena.
No entanto, apesar de Cassidy, Diane e eu estarmos felizes, Elliot não teve a mesma reação. Sua expressão mudou de desesperado para furioso. Ele levanta a mão e, por alguns segundos, eu pensei que ele fosse machucar a garota, mas, ao invés disso, ele leva a mão a cabeça e bagunça seu cabelo, como se não acreditasse no que estava ouvindo.
– Eu não vou me afastar de você. – afirma Elliot com convicção.
– Você não tem escolha. – dita Ally, decidida.
Eu estava pronto para me envolver na discussão. Mas, fui impedido de fazer qualquer coisa. Cassidy caminhou em minha direção e parou na minha frente. Diane me segurava pelo braço esquerdo e olhava para mim, fixamente.
– Não se envolva, Austin. – fala Cassidy, quase sussurrando. – Ally precisa resolver isso sozinha.
Olho para Ally e Elliot e ambos ainda continuavam a se encarar. Nenhum dos dois pareceram perceber a movimentação ao seu redor. Suspiro frustrado. Eu não sei como reagir a um momento como esse.
– Eu sei. – dito por fim.
– Acalme-se, loirinho. A princesa não é só um rostinho bonito. Ela tem personalidade forte e vai consegui resolver tudo. – fala Diane, enquanto passar remédio em alguns ferimentos em meu tórax.
– Tudo bem. – respiro fundo e volto a prestar atenção na conversa, assim como Cassidy.
– Não me pede para fazer isso, Ally. – pede Elliot, enquanto segura Ally pelos ombros. – Por favor.
– Eu sinto muito, Elliot. – diz Ally, olhando para o chão. Ela parecia estar carregando cem quilos de chumbo em seus ombros.
– Brooke tinha razão. – fala Elliot, com um sorriso depressivo.
– O que quer dizer com isso? – pergunta Ally, preocupada.
– Isso ainda não acabou, Ally. – dito isso, Elliot sai da sala com pressa.
– Elliot! – Ally o chama, mas o moreno já havia saído. A morena se vira para mim, com expressão de desespero. – O que ele quis dizer com “Brooke tinha razão?”?
– Eu não sei. – respondo com sinceridade. – Mas, com certeza, alguma coisa está errada.
– O que faremos agora? – pergunta Cassidy.
Ally nos encara por alguns instantes e sai da sala, caminhando rapidamente e com dificuldade. Olho para Cassidy e vejo que a loira está tão confusa quanto eu. E, de repente, passa pela minha cabeça que Ally poderia estar indo atrás de Elliot e o desespero toma conta de mim.
Pelo fato de conhecer Elliot muito bem, eu sei exatamente do que ele é capaz de fazer quando está sem controle. Desço da maca, pego minha blusa e a visto, ouvindo os protestos de Diane.
– Eu vou atrás dela. – digo as duas mulheres da sala.
– Eu vou com você. – afirma Cassidy, saindo da sala junto comigo.
Começamos a correr, tentando encontrar Ally e Elliot. Foi um pouco complicado sair do colégio, pois o porteiro dificultou bastante as coisas, no entanto, para a nossa sorte, havia uma passagem pelo ginásio do Marino que pouca gente conhecia que dava acesso ao lado de fora.
Alguns minutos depois, nós conseguimos sair da escola e não demorou muito para avistarmos Ally e Elliot bem afastados do estacionamento da escola. Quando o moreno está com raiva, ele sempre gosta de caminhar, alegando que essa é a única forma de acalmar suas emoções. Isso me preocupou. O carro de Elliot estava estacionado próximo da escola e ele continuava a se afastar.
Todas as vezes que eu vi Elliot perder o controle, as consequências não foram muito boas. Diferente de mim, ele é sempre bem tranquilo e dificilmente se irrita, no entanto, quando isso acontece, ele tende a não saber a hora de parar e sempre faz besteira.
– Droga! – digo e Cassidy me encara sem entender.
– O que? – pergunta a loira, um pouco ofegante, enquanto corríamos.
Eu conseguia ver que Ally e Elliot estavam discutindo. Acelero o passo, temendo as próximas reações de Elliot. Mas, apensar de dar o máximo de mim, os ferimentos e as dores no corpo devido ao treinamento do dia anterior e a briga ocorriada a pouco tempo dificultavam os meus movimentos.
– Isso não vai dar certo. – afirmo, sentindo o nervosismo tomar conta de mim.
– O que não vai dar certo, Austin? Quer fazer o favor de ir direto ao ponto?! – reclama Cassidy, enquanto corríamos.
– Elliot está fora de controle. Não sei do que ele é capaz de fazer. – digo e logo vejo a loira ficar mais apreensiva ainda.
A uma distância de poucos metros, já era possível escutar a discussão dos dois. As coisas já estavam começando a ficar fora de controle. De alguma forma, eu sentia que se continuasse assim, isso não terminaria nada bem.
– Vai embora, Ally! – grita Elliot, empurrando a garota, que por muito pouco não cai. Seu equilíbrio estava bem menor, por causa do gesso.
– Sai de perto dela, Elliot. – grito, aproximando-me de Ally e verificando se a morena estava bem. – Você está bem?
– Sim. – ela concorda, um pouco assustada.
– Deixe-me sozinho! – fala o moreno, desequilibrado.
– Elliot, por favor, acalme-se. – pede Cassidy, percebendo que o garoto estava fora de si.
– Elliot, perdoe-me, por favor. – fala Ally, preocupada. – Você é uma pessoa incrível, mas...
– Mas eu não sou o suficiente para você, não é mesmo, Ally? – Elliot usava o sarcasmo. – Só me deixem em paz. Vocês não vão me ver tão cedo. Eu não vou atrapalhar vocês.
– O que quer dizer com isso? – pergunto, preocupado. Elliot me olha surpreso, como se tivesse dito algo que não deveria. Ele olha para alguma coisa atrás de mim e me viro para ver o que tanto ele encarava. – Brooke...
Assusto-me ao ver a cobra nos observando com um sorriso maldoso moldando seu rosto. Ela estava distante, mas eu conseguia ver com clareza a sua expressão de divertimento.
Ela pega seu celular e mexe no mesmo por alguns instantes. A garota leva o aparelho até o ouvido e começa a conversar. Olho para Elliot, mais uma vez e ele, de alguma forma, parecia saber o que a garota estava fazendo.
Por último, Brooke desliga o celular e acena para nós e parece dizer um “adeus”. Todos encaravam a cena, surpresos. Ela lança um sorriso sarcástico e se vira, indo embora, deixando-nos desconfiados.
– O que ela está aprontando? – murmuro, ainda encarando o lugar onde, até poucos minutos atrás, Brooke estava.
Antes que mais alguma coisa fosse dita, uma van preta estaciona de maneira bruta próximo de nós. Dentro da mesma, cerca de seis homens, com máscaras e roupas escuras, descem do veículo, segurando algumas espadas, assustando meus amigos e eu. Todos possuíam uma tatuagem composta por brasão com uma espécie de águia desenhada no braço esquerdo e uma frase em um idioma que eu não soube identificar.
– Olá, princesa. – fala um dos homens.
– Quem são vocês? – pergunta Ally, sem se deixar intimidar.
– Ora princesa, acredito que isso não seja algo que precise saber. – outro cara diz, usando um falso tom de gentileza.
Coloco-me na frente de Ally, preparando-me para o quer que viesse a acontecer. Eu estava sem nada em mãos, então, caso precisasse lutar, as coisas poderiam ser tornar bem mais difíceis do que já seriam se eu estivesse armado.
– Austin. – chama Cassidy.
A loira, parecendo entender o que eu estava pensando, pega uma adaga para ela e outra para mim. Ela se coloca na frente de Ally, assim como Elliot, formando, assim, uma barreira humana.
Seguro a adaga com força, torcendo para que os anos de luta que meus pais me obrigaram a fazer, funcionem mais naquele momento do que quando eu lutei com Manu.
– Saiam da frente, pirralhos. – fala um dos homens a nossa frente.
– E se não quisermos? – desafia Cassidy. Ela estava com medo. Eu conseguia ver por suas mãos estarem tremendo, no entanto, ela lutaria para defender a amiga. – Vão embora!
Os homens começam a ri, achando graça da fala de Cassidy. A raiva toma conta do meu corpo. Sinto a mão de Ally aperta meu braço, fazendo-me olhar para ela.
– Fica calmo. – sussurra, com seriedade e firmeza.
– Acho melhor escutarem a garota. – dita Elliot, se colocando em posição de ataque. – Eu não estou de bom humor.
– O que estão esperando, seus idiotas? Não temos o dia todo! Acabem logo com essas crianças tolas e peguem a princesa. O chefe nos deu um prazo, esqueceram? – grita o motorista da van, impaciente pela demora.
Antes que tivéssemos tempo de pensar, eles começam a nos atacar. Por reflexo, consigo desviar um pouco da espada de um dos inimigos. No entanto, ainda conseguem me ferir.
Em um dos movimentos feito por um dos inimigos, eu acabo perdendo o equilíbrio e caio no chão. Aproveitando-se da minha situação, o homem vai para cima de mim com uma espada, mas consigo rolar para o lado, evitando que a espada me acertasse. Encontro um pedaço de uma barra de ferro e defendo-me de uma das invertidas do bandido usando o material.
Olho para Ally, na tentativa de ver onde a mesma estava. Ela lutava usando um grande pedaço de madeira que havia encontrado próximo de si e, por sorte, conseguia impedir que os inimigos chegassem perto dela.
Volto a me concentrar em minha luta. Sou atingido de raspão algumas vezes, mas conseguia atacar quando havia oportunidade. Não estava sendo fácil, confesso, porém, eu precisava me concentrar ao máximo no combate para ir ajudar Ally.
Quando o homem estava prestes a atingir meu estômago com a espada, ele acabou abrindo um pouco a sua guarda e, com isso, consegui acertá-lo na cabeça com a barra de ferro. Ele cai, inconsciente, próximo a mim.
Olho para Elliot e o mesmo parecia estar tendo dificuldade de se proteger sem nenhum tipo de armamento, recebendo, assim, inúmeros ataques. Chamo a sua atenção e jogo para o mesmo a adaga que Cassidy havia entregado a mim. O moreno agradece e volta a se concentrar. Para a minha surpresa, Elliot sabia manejar muito bem a arma.
Pego a espada do homem que eu havia lutado, recentemente, que estava ao seu lado, e corro na direção da minha morena. Infelizmente, antes que eu pudesse alcançá-la, um dos inimigos se pôs na minha frente, deixando claro que não iria me deixar passar.
– É melhor desistir, pirralho. – sugere o homem, apontando sua espada para mim.
– Saia da minha frente. – digo, sentindo meu sangue ferver.
O homem balança a cabeça, negativamente, e faz seu primeiro movimento e, sem que eu tivesse tempo de reagir, o mesmo consegue me acertar, fazendo um corte em meu braço. Uivo de dor e me afasto rapidamente. Seguro a espada da melhor forma possível e começo a me defender dos ataques do inimigo.
As espadas batiam de forma bruta, fazendo um forte som do tilintar das mesmas soar alto. As lutas seguiam de maneira intensa e, para a sorte de todos, não havia ninguém por perto para presenciar a loucura que estava ocorrendo.
Eu estava ficando cansado de me defender. Eu não conseguia achar nenhuma brecha que pudesse ser usada para atacar o homem. Sua incrível habilidade com a espada era surpreendente.
– Você luta bem, garoto. Pena que está do lado errado. – comenta o homem, ironicamente. – Que tal se juntar a nós? Se nosso rei conseguir a vitória, ficaremos com muita glória e fama. Basta, apenas, darmos um jeito nesses monarcas.
Rio, ironicamente, ao ouvir tais palavras. Sua fala só me fez ficar mais irritado ainda. Com isso, concentro-me mais na luta, deixando claro que nunca desistiria de defender Ally.
O homem parece surpreso com a minha mudança de atitude. A ideia de que um ser tão inescrupuloso como ele pudesse machucar Ally, faz com que eu ganhe forças que jamais imaginei possuir.
Conforme a luta ia se desenrolando, mais o inimigo ia se cansando e, automaticamente, abaixando mais e mais a sua guarda, dando-me vantagens e conseguindo atingi-lo diversas vezes.
Ao longe eu conseguia ver Ally lutando. A morena estava tendo dificuldades, já que seu gesso tornava tudo muito mais complicado. Ela estava cercada e Cassidy a ajudava da melhor maneira que conseguia, já que sua arma era muito menor, comparada as espadas que os inimigos usavam.
Vejo o desespero de Ally, em um curto instante, mas foi o suficiente para que eu percebesse que não poderia continuar a lutar contra o homem a minha frente.
Afasto-me um pouco do mesmo e analiso a situação. Ele parecia cansado, mesmo que eu não conseguisse ver o seu rosto, devido a sua máscara, pois respirava com dificuldade e seu corpo tremia de exaustão.
Atacando-o de surpresa, eu o derrubo e, sem alternativa, acabo cravando a minha espada em seu peito. O homem se debate por um tempo, mas não demora a parar de se mexer de vez.
Respiro com dificuldade. Pela primeira vez na minha vida, eu havia matado alguém. Meu coração batia de maneira descompassada e minhas mãos tremiam fortemente. No entanto, antes que eu tivesse um ataque, ouço o grito de Ally e vejo que não tenho tempo para pensar no que eu havia feito.
Corro para mais próximo de meus amigos e não demoro a encontrar mais um inimigo. Mais alguns caras descem da van para se juntar aos outros e, antes que eu percebesse, eu estava cercado por dois homens, nada felizes pelo rumo que as coisas estavam tomando.
– Acabem com esses pirralhos, seus idiotas! Estão mesmo, apanhando de criancinhas? – o homem que estava dirigindo a van desce do carro e começa a gritar para os seus comparsas. – Não ousem perder para eles! Mors monarchia!¹
– Mors monarchia! – gritam os homens que continuavam de pé, em resposta.
Nos instantes seguintes, as coisas se tornaram mais complicadas. Eu estava tendo dificuldade para me defender e atacar, pois estava lutando com dois ao mesmo tempo.
Pego a barra de ferro que havia usado antes e que estava a alguns metros de mim e volto ao combate. Não foi fácil pegar o jeito de lutar usando a barra e a espada, simultaneamente, no entanto, quando eu consegui, a luta se tornou um pouco mais equilibrada.
Consigo acertar um dos homens em seu ombro direito, fazendo o mesmo soltar sua espada e gritar em agonia pela intensa dor. Aproveitando que a arma havia sido abandonada, pego a espada, agilmente, e me livro da barra, mais uma vez.
Os inimigos, vendo que eu havia conseguido mais uma espada, tentam me atacar, mais uma vez, mas consigo acertar a minha espada no estômago de um, puxo a espada de volta e faço um corte no pescoço do outro. Ambos caem no chão apertando os ferimentos, na tentativa de estancar o sangue.
O problema é que mais inimigos chegam ao local e eu já não estava em condições de luta contra todos. Meus amigos e eu estávamos exaustos e feridos. Sem contar que com a briga que tive com Elliot, mais cedo, eu ainda estava bem machucado e dolorido.
Houve um momento da briga que um dos inimigos perfurou a perna de Elliot com sua espada, fazendo o mesmo cair. Penso em correr até o moreno para ajudá-lo, mas Ally e Cassidy começavam a cansar e a ficarem em desvantagem. Eu já estava bem machucado e todo cheio de cortes. Alguns eram superficiais, mas haviam aqueles que eu sabia que levariam pontos e que tornavam meus movimentos mais lentos.
Para a nossa sorte, Manu e Prince chegaram. Eles descem do carro com suas armas e se colocam a lutar. A habilidade de espada que existia entre eles era incrível.
Manu acertava os inimigos com uma precisão inacreditável. Ela era ágil e bem flexível, tornando quase impossível, para os homens que lutavam contra a mesma, atacá-la ou se defender de seus ataques. A morena demonstrava que não tinha pena de quem enfrentava e não perdia tempo com movimentos frívolos. Com certeza, Manu é a mulher mais perigosa que conheço.
Prince lutava como um verdadeiro guerreiro. Assim como Manu, ele era veloz e lutava com exatidão. Ele acertava um a um em pontos vitais, não dando nenhuma chance para o inimigo sobreviver.
Todos nós lutamos até o último inimigo cair. Cansados e feridos, Cassidy, Elliot, Ally e eu respirávamos com dificuldade. Foi inevitável não soltar um suspiro de alivio ao perceber que aquele terror havia chegado ao fim. Ally se senta no chão e estica o pé quebrado e, depois, coloca a mão sobre o rosto, como se tentasse acreditar no que tinha acontecido.
– Vocês estão bem? – pergunta Prince, preocupado.
– Não sei. – digo, vendo o terror nos olhos das meninas e meu amigo tentar levantar com dificuldade.
– Quem eram eles? – pergunta Cassidy, aproximando-se de Manu e Prince.
– Isso é o que nós queremos saber, também. – diz Manu, olhando a cena ao nosso redor. – Precisamos dar um jeito com esses corpos, Prince.
– Eu sei. – afirma o moreno. – Mas, algo está muito errado.
– Tirando o fato de termos sido atacados por espadas e que queriam levar a Ally embora? – pergunto, não conseguindo evitar o uso da ironia.
– Ally vive sendo vigiada pelos guardas da realeza de Krósvia e os empregados de Tyler, justamente para proteger vocês de qualquer ataque que pudesse ocorrer. – explica Prince, ignorando meu comentário.
– Acha que pode ter acontecido alguma coisa com eles? – pergunta Elliot, aproximando-se de nós, enquanto mancava.
– Isso é bem provável. – fala Manu, parecendo preocupada. – Acho melhor ligar para Tyler e pedir que o mesmo se encarregue de evitar que a polícia chegue aqui, antes de nos livrarmos desses corpos.
– Tudo bem. – concorda Prince, pegando o celular e ligando para o amigo. – Alô. Tyler? Sim, sou eu. Preciso que mande uma equipe para cuidar de corpos de inimigos próximos da escola de Ally. – Prince para de falar por algum tempo, ouvindo o que Tyler tinha a dizer. Ele arregala os olhos e volta a falar: – O que? Tudo bem. Faça o que achar melhor. Mas, eu realmente preciso dar um jeito por aqui. Você tem razão. Eu vou falar com a diretora dos meninos e vejo o que consigo da parte dela. Certo. Obrigado. Até mais.
Prince desliga o telefone e o guarda em seu bolso. Ele suspira frustrado e, por sua expressão, consigo ver que as notícias não são boas.
– O que houve? – pergunta Manu, cautelosamente. – O que Tyler te disse?
– Os homens que Tyler havia contratado para cuidar da segurança de Ally, Austin e todos ao seu redor foram atacados e a maior parte deles foram mortos, assim como, os guardas reais. Ele já está mandando uma equipe para ajudar os agentes de segurança, mas ele não sabe se vai conseguir uma equipe para cuidar dos corpos, já que a APP² está um caos. Ele, sendo o chefe da área mais importante da agência, não conseguirá voltar cedo, pois precisa cuidar dos problemas envolvendo os agentes feridos. – explica o irmão de Ally, preocupado. – Teremos que pedi ajuda a Nina e rezar para que ela consiga dar um jeito nessa confusão.
– Droga! – exclama Manu, irritada. – Isso não deveria ter acontecido hoje.
– Nós vamos conseguir dá um jeito nessa situação. – afirma Prince, com convicção.
A morena concorda e começa a analisar os homens que estavam caídos. Enquanto isso, Prince começa a cuidar do ferimento de Elliot. Cassidy caminha até Ally, que, até o momento, estava sentada no chão, e a ajuda a levantar. As duas se abraçam com força e sussurram frases positivas.
Permaneço em meu lugar, sem saber como reagir. O peso de ter matado pessoas cai sobre meu corpo. Eu jamais imaginei que precisaria, realmente, chegar a esse ponto. Suspiro frustrado e balanço a cabeça, tentando fazer as cenas saírem de minha mente.
– Prince. – grita Manu, chamando a atenção do moreno. – Você precisa ver isso.
– O que? – pergunta, caminhando em direção a morena.
– Essas tatuagens. – ela levanta o braço de um dos caras desacordados. – Veja! Elas são...
– Não pode ser. – fala Prince, assustado, analisando a marca no braço do homem. – Droga!
– O que? – pergunta Ally, caminhando até mim. Ela estava um pouco machucada e respirava com dificuldade. Quando a mesma chega perto de mim, eu a abraço com força e junto nossos lábios, em um demorado selinho. Eu já nem me importava mais com a presença de seu irmão. Eu só queria ter certeza de que estávamos vivos.
– Isso não vai ficar assim! – grita o cara que estava dirigindo a van. Ele se levanta, com dificuldade, tirando a máscara do rosto, revelando sua identidade. O homem de cabelos negros sorri diabolicamente. – Mors monarchia! Mors monarchia!
Após gritar tais palavras, o homem pega uma arma que estava no cós da calça e aponta na direção de Ally. Não tive tempo de reagir. Antes que eu fizesse qualquer coisa, sinto meu corpo ser empurrado com força.
Caio no chão e escuto o som do tiro e, em seguida, mais dois tiros são disparados. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sabia o que pensar. Levanto-me com pressa, tentando ver se Ally estava bem. Meu coração estava disparado e o medo se apossou de mim de maneira avassaladora.
– Ally! – grito, desesperado.
– Eu... Eu estou bem. – responda a garota a poucos metros de mim.
Corro até a morena e a abraço com força. A beijo várias vezes e analiso seu rosto, procurando algum sinal de que ela havia sido atingida. Eu a abraço e sinto a mesma corresponder com a mesma intensidade. Beijamo-nos mais uma vez, mas dessa vez de maneira mais calma, como se confirmasse que nada de ruim havia acontecido.
– Elliot! – grita Cassidy, fazendo Ally e eu nos separarmos assustados.
Olho na direção de Elliot e Cassidy e percebo que algo de muito ruim havia acontecido. Ajudo Ally a se levantar e andamos com rapidez até os meus amigos.
Prince e Manu estavam agachados ao lado de Elliot e ambos possuíam a expressão de preocupação. Quando chego mais perto vejo que Elliot havia sido atingido pela bala. Manu pressionava um pedaço de pano sobre o ferimento, mas parecia que a situação era mais grave do que o esperado.
– Elliot! – grita Ally, começando a chorar em desespero. – Meu Deus! Elliot...
– A... Ally. – diz o moreno, com dificuldade, devido a dor.
– Elliot! – Ally se joga ao lado do moreno e agarra sua mão. – Fique calmo. Você vai ficar bem.
A garota chorava, assim como Cassidy. Prince falava ao telefone e Manu continuava a tentar estancar o sangue, enquanto passava algumas informações a Prince. Eu permanecia estático, em estado de choque. Ele havia protegido Ally de levar um tiro.
– A... Ally... Vo... Você... Está... Bem? – pergunta o moreno, pegando no rosto da garota, tentando secar as lágrimas que caiam com intensidade.
– Elliot, permaneça quieto! – repreende Manu. – Você está perdendo sangue. Não se esforce.
– Fique quieto, Elliot, por favor. – pede Ally, pegando a mão do moreno e a apertando. – Você vai ficar bem.
– I... Isso nã... Não é... Verdade. – responde Elliot, sorrindo tristemente. – Eu... Sinto... Sinto muito... A... Ally.
– Pare, por favor. – pede Ally, em desespero.
– Só... Me... Escuta... – diz Elliot, ignorando os pedidos da garota.
– Elliot, por favor, pare. – peço, sentindo as lágrimas descerem. – Escute a Ally e a Manu.
– Droga! – exclama Manu. – Prince, quando a ambulância vai chegar?
– Eles já estão a caminho. – responde o moreno, voltando a se aproximar da garota.
– Aus... Austin... Proteja Ally. – pede Elliot, olhando com dificuldade para mim.
– Eu vou proteger. – prometo, em desespero. – Agora, pare de se esforçar.
– O... Obrigado. – responde, sorrindo de maneira aliviada. As lágrimas desciam pelo rosto de Elliot. – Eu... Eu te... Amo... Ally.
Após dizer tais palavras, o moreno dá um último suspiro. Manu pressiona mais ainda o ferimento, mas já era tarde. A morena passa mão pelo rosto de Elliot, fechando os olhos do mesmo e balançando a cabeça de maneira negativa.
– Elliot? Não, por favor. – fala Ally, desesperada. – Você não pode ir. Não, por favor!
Ela se joga em cima do corpo do amigo e chora desesperadamente. Sinto minha garganta arder e o meu corpo tremer. Eu não podia acreditar. Elliot havia, realmente, se sacrificado por Ally? Meu peito dói mais ainda ao ouvir o grito de dor, pela perda do amigo, de Ally. Foi então que a ficha caiu. Não estamos em um conto de fadas. Elliot morreu e não conseguimos evitar a tragédia.
Ally se joga em meus braços e me abraça com força. Enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto, correspondo ao gesto com intensidade. A dor de perder um amigo era muito pior do que eu poderia imaginar.
E agora? O que aconteceria? Nós conseguiríamos a vitória? Quantas pessoas morreriam para que vivêssemos em paz? Inúmeras perguntas começam a rondar a minha mente.
– Shii... Vai ficar tudo bem. – sussurro para Ally, afagando sua cabeça, enquanto a garota soluçava e tremia.
– O... E... Elliot... – a garota tenta falar, mas não conseguia completar nenhuma frase. – Ele...
Acaricio o rosto da morena, desejando que tudo isso não passasse de um pesadelo. O que aconteceria se Elliot não tivesse se jogado na frente de Ally? Meu coração se aperta ao ver o tão próximo de perder a mulher que tanto amo eu fiquei.
Aperto Ally contra meu corpo, tentando fazer as sensações ruins irem embora de mim. Elliot foi um herói. Ele morreu salvando a pessoa que mais amo em minha vida.
– Eu vou te proteger, Ally. Eu prometo. – sussurro, sentindo mais lágrimas descerem pelo rosto.
– Aus... Austin? – fala Ally, sem entender o que eu havia dito.
– Eu juro pela minha vida. Eu te protegerei até o meu último suspiro. Não permitirei que nada aconteça a você. – juro, olhando nos olhos castanhos de Ally. – Não permitirei que o sacrifício de Elliot tenha sido em vão.
✻
Continua...
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