Unlike Cinderella...
18 Capítulo 17 - First Kiss...
Notas iniciais
POV Ally
– Eu posso? – sussurrou próximo de mim.
– Beije-me, por favor. – peço, suplicando por contato. Aquela situação estava me levando a loucura.
Ouvimos a porta ser aberta, mas Austin e eu nem ligamos. Já estou cansada de sempre ter alguém para atrapalhar nosso beijo. Claro que eu estou curiosa para saber quem é que está no meu quarto a uma hora dessa, mas não tinha hora melhor para aparecer, não?
– Ah, foda-se. – após dizer isso, Austin me puxa pela nuca e me beija.
Eu não poderia descrever o que eu estava sentindo. Meu coração batia tão rápido que eu não duvidaria que ele estivesse ouvindo. Seguro seu pescoço, na tentativa de nos aproximarmos ainda mais. Eu nunca imaginei que um beijo pudesse ser tão incrível.
Minhas pernas tremiam de tanta emoção. Inexplicavelmente, aquele beijo era doce, sensual e mágico ao mesmo tempo. As emoções gritavam através de nosso beijo. Era como se o mundo não importasse mais. Minha sanidade estava sendo levada a cada instante em que se passava. Tudo o que eu sempre sonhei presenciar quando desse meu primeiro beijo estava acontecendo.
Parece até que sou uma princesa de contos de fada. As borboletas no estômago, sinos em meus ouvidos, vontade inexplicável de vivenciar aquele momento para sempre... É, eu sei, sou uma boba. Talvez seja só exagero da minha parte.
Ouço tosses próximos de nós. Provavelmente, as pessoas que abriram a porta estavam incomodadas com o que presenciavam. Afastamo-nos lentamente. Eu continuava de olhos fechados, mas podia sentir Austin perto de mim. Assim como eu, o loiro estava, completamente, ofegante.
Assim que abri meus olhos, encontrei o olhar de Austin e um belo sorriso em seus lábios. Inevitável não retribuir. Meu coração batia tão forte e descompassado, que eu juto que eu senti medo de passar mal.
– Oi, casal. Desculpa incomodar, mas será que podia nos dá atenção? – fala Dez, com ironia.
Afasto-me de Austin, um pouco assustada. Olho para a porta do meu quarto e Dez e Trish estavam de braços cruzados e sorrindo animados. Eu sentir minhas bochechas ficarem quentes.
– O que fazem aqui? – pergunta Austin, parecendo surpreso em vê-los. Olho para o garoto e o mesmo estava um pouco corado.
– Nós precisávamos falar com você e com Ally, mas, pelo visto, chegamos em uma hora errada. – diz Trish, segurando o riso.
– Aconteceu alguma coisa? – pergunto preocupada. Minha voz não saiu tão firme como eu gostaria, o que me fez corar um pouco mais.
– Não exatamente. – diz Dez, aproximando-se de nós, enquanto Trish fecha a porta. Os dois se sentam no tapete do quarto e o ruivo continua a explicar: — Não sei se Austin te contou, mas, muito em breve, ele e a banda fará shows em algumas localidades do país.
– Sim, ele contou. – confirmo, olhando para Austin, que sorria animado.
– Bem, esses shows são meio que uma prévia de uma turnê. Serão no máximo 10 shows e as cidades são próximas de Miami. – complementa, Trish, animada.
– Só que para isso acontecer, Jimmy quer que Ally componha mais músicas e que as entregue até o final do mês. – fala Dez.
– E quantas músicas seriam? – questiona Austin, estranhando o assunto. – Eu conversei com o Jimmy e ele não falou nada sobre músicas novas serem entregas até o final do mês.
– Um novo empresário quer financiar sua banda, Austin, mas parece que ele quer saber se vale a pena. Ele deu o prazo de um mês para ter 15 músicas prontas em suas mãos. – diz Trish, cuidadosamente.
– O que? São muitas músicas. Esse prazo é muito pequeno para compor tantas letras. – digo, assustada.
– E, além disso, estamos sem tempo. Ally está ocupada trabalhando na loja do meu pai a tarde. E eu, tenho que ensaiar com a banda e fazer os últimos ajustes dos shows. – fala Austin, surpreso com o que ouvia. – E quem é esse novo empresário?
– Jimmy não nos disse. Apenas pediu para avisar para os dois que devem providenciar as músicas o mais rápido possível. – explica, Dez, parecendo frustrado.
Olho para Austin e vejo que o mesmo estava preocupado. Eu não sei se conseguiria escrever tantas letras de música em tão pouco tempo, mas eu sei que isso é importante para a carreira de Austin. Suspiro, orando a Deus para que eu tivesse inspiração suficiente para isso.
– Tudo bem. Eu consigo. – digo, tentando ser o mais confiante possível. – Em um mês, Jimmy terá 15 músicas em suas mãos.
– Está falando sério? – questiona, Austin, surpreso com o que ouvia.
– Eu preciso fazer isso. Somos uma equipe, agora, não é mesmo? Como compositora de vocês, preciso dá o melhor de mim. – explico, sorrindo para eles, tentando demonstrar confiança.
– Obrigado, Ally. – agradece Austin, sorrindo aliviado.
– Nós vamos conseguir. – falo, sorrindo. Os outros três concordam com a minha afirmação e logo começamos a conversar sobre alguns detalhes sobre os shows e banda.
Algum tempo depois, Dez e Trish vão embora, deixando-me sozinha com Austin, sem saber o que falar. Estávamos lado a lado na cama, encarando a janela de meu quarto. Perdida em meus pensamentos, eu me perguntava o que se passava na cabeça de Austin.
– Hãn... Ally. Você quer ir festa de Brooke? – pergunta Austin, parecendo envergonhado, quebrando o silêncio desconfortável que estava entre nós.
– Não sei se é uma boa ideia. Quer dizer, a Brooke me odeia e não vou negar que o sentimento é reciproco. Ir a festa dela é o mesmo que declarar guerra, isso é, se ela já não fez isso hoje.
– É, você tem razão. – fala, desanimado.
– Por que a pergunta? – questiono curiosa.
– Nada. Eu só queria que você fosse me ver cantar. – responde, olhando em meus olhos e depois volta a encarar a varanda. – Essa seria a primeira vez que você me veria cantar para valer.
Olho para o rapaz, surpresa. Ele queria que eu fosse vê-lo cantar? Coro, sorrindo encantada. Como um garoto pode ser tão fofo assim?
– Eu vou adorar. – digo, depois de um tempo.
– O que? – pergunta, confuso.
– Ver você cantar na festa da Brooke. – respondo, sorrindo e vejo o brilho nos olhos de Austin se intensificar.
– Prepare-se para ver o melhor show de sua vida. – fala, sorrindo animado.
[...]
– Hum, alguém acordou de muito bom humor hoje, hein? – comenta Trish, rindo maliciosamente, quando se aproximou de mim esta manhã.
– Nem começa. – peço, envergonhada.
– Então quer dizer que aconteceu alguma coisa ontem? – pergunta Dallas, sorrindo animado. – O que houve?
– Não foi nada. – respondo, pegando meu livro de História, tentando não olhar para os três indivíduos que me encaravam com malicia.
– Não sei não, hein, Ally? Acho que aconteceu sim. – fala Dez, rindo e olhando para Trish de maneira cúmplice.
– Conta ai, Ally. Por favor. – pede Dallas, enquanto tentava me acompanhar, na minha tentativa, frustrada, de fugir dos três.
– Não tenho o que contar. – digo, envergonhada.
– Lógico que tem. Você... – interrompo Trish, antes que ela falasse alguma bobagem.
– Dez, Trish, os dois, parem por favor. O que eu menos quero agora é confusão com a bruxa. – falo, seriamente, encerrando o assunto.
– O que isso tem a ver com a Brooke? – pergunta Dallas, olhando para Dez e Trish.
– Contamos para você depois. – sussurra Dez para Dallas.
Desligo-me do assunto no qual os três conversavam. Na verdade, minha mente voltava a Austin. A vinda para a escola foi divertida, mas nada de tocar no acontecimento do dia anterior. Eu não tive coragem de perguntar qualquer coisa a Austin e o mesmo permaneceu quieto sobre isso. No entanto, eu estava feliz por ter dado meu primeiro beijo em Austin. Por mais que fosse algo impossível, eu consegui sentir que o loiro correspondia aos meus sentimentos.
O problema foi que o meu conto de fadas durou pouco. Assim que cheguei na escola, Austin estava beijando Brooke. Ele não parecia feliz com isso, mas confesso que me machucou ver aquela cena. E, por mais que eu odeie admitir isso, eu senti um pouco de inveja de Brooke. Ela podia demonstrar seus sentimentos a Austin, andar de mãos dadas com ele, aproximar-se dele. Eu, por outro lado, nem olhar para ele eu posso.
Não consigo me concentrar nas aulas. A cena de Brooke beijando Austin sempre voltava a minha mente, ao mesmo tempo em que eu me lembrava do beijo que Austin me deu. Ciúmes, angustia, medo. Tantos sentimentos misturados que estavam a ponto de me levar a loucura.
E, quando dei por mim, o intervalo havia chegado. Saio da sala sozinha. Infelizmente, na aula de Física, eu não tinha nenhum dos meus amigos perto de mim.
Guardo meus materiais e sigo em direção ao refeitório. No entanto, uma garota me para, avisando que a professora de Gramática queria que eu fosse a sala do terceiro andar, que raramente é usada, buscar um livro para ela. Suspiro, disfarçadamente.
– Ela disse que eu deveria ir? – pergunto desconfiada.
– Sim. – responde a menina, sorrindo de maneira forçada. – Ela disse que era para pedir a Ally Dawson para buscar o livro para ela.
– Tudo bem. Obrigada. – agradeço, cansada demais para discutir alguma coisa.
A garota acena um rápido tchau e sai. Trish, Dez e Dallas já devem estar no refeitório, por isso, resolvo ir logo atrás desse tal livro. Subo as escadas, um pouco desanimada. A única coisa que eu queria era me deitar. Com tantas coisas na cabeça, acabei indo dormir três da manhã.
Chego a sala dita pela garota e vejo que a mesma está quase vazia. Havia apenas uma estante alta, com vários livros cheios de poeira. Procuro por algum interruptor para acender a luz da sala escura. Infelizmente, pelo visto, a lâmpada estava queimada.
Deixo a porta aberta, na tentativa de encontrar o tal livro. Por sorte, não demoro a vê-lo. Estava na penúltima prateleira da estante. Vasculho o lugar a procura de alguma escada ou algo que me desse apoio para pegá-lo. É nessas horas que odeio ser baixa.
Não havia nada que pudesse me ajudar. Sem ter muita alternativa, começo a escalar a estante, apoiando-me nas prateleiras. De repente, vejo um vulto empurrar a estante e eu acabo caindo. E, para piorar a situação, a estante cai em cima de minhas pernas.
A dor que sinto é dilacerante. Minhas costas e minha perna esquerda doíam de maneira inexplicável. Provavelmente, eu consegui quebrar algum osso do meu corpo. As lágrimas de dor descem pelos meus olhos com força.
O barulho da porta do lugar sendo fechada, faz com que eu entre em mais desespero ainda. Tento me mexer, mas sinto tanta dor que acabo desistindo de tentar alguma coisa.
– Socorro! – grito, tentando chamar por ajuda. – Por favor, me tira daqui.
– Isso, é para você aprender a ficar bem longe do meu Austin, novata. – a voz de Brooke se manifesta do lado de fora.
– Brooke. Tire-me daqui. – peço, em desespero.
– Você não vai sair daí tão cedo. – fala a bruxa, rindo de maneira diabólica. – Eu vi quando você entrou no carro do meu namorado ontem na hora da saída.
– O que? Que namorado? – pergunto, chorando cada vez mais devido as dores.
– Não tente negar. – grita, com raiva. – Austin é meu. Fique bem longe dele!
– Ele estava apenas me dando uma carona. – tento explicar da maneira mais convincente possível. – Tire-me daqui, Brooke. Isso é loucura.
– Tirar você daí? – ela ri, como se eu tivesse tido a coisa mais engraçada do mundo. – Divirta-se, tentando achar uma forma de sair. Eu vou voltar para o meu namorado. Tchauzinho.
O som de seus passos se distanciando me fazem ficar mais desesperada ainda. Essa garota é louca. Como ela pode fazer esse tipo de coisa sem sentir nenhum remorso?
– Brooke! Brooke, volte aqui! – grito, chorando e tentando me mexer. – Tire-me daqui, por favor.
A falta de resposta só confirmava algo que estava bem óbvio. Eu estava sozinha, machucada e com fome. As chances de alguém me achar é mínima.
– Alguém me tira daqui, por favor! – grito, novamente. E, mais uma vez, recebo o silêncio em resposta.
Tento encontrar uma posição que melhore a dor que eu sinto, mas isso é impossível. A estante é muito pesada e meu corpo doía muito. A poeira do lugar incomodava tanto o meu nariz quanto meus olhos. Eu precisava sair dali.
Procuro pelo meu celular no meu bolso, mas eu havia deixado o mesmo dentro da minha mochila. Volto a clamar por alguma ajuda, mas eu sabia que ninguém viria.
Algum tempo depois, o sinal de fim do intervalo é tocado. Desespero-me ainda mais. As salas do terceiro andar nunca eram usadas, pois as mesmas funcionavam como depósitos. Trish me contou uma vez que alguns alunos iam ali para namorar ou fazer alguma coisa escondida. A minha esperança é que alguém tivesse a ideia de ir para o terceiro andar para fazer alguma coisa, pois assim, poderia me tirar dali. Com o fim do intervalo, as chances disso acontecer diminuíam radicalmente.
Choro mais ainda. As lembranças da última guerra que aconteceu em Krósvia retornam a minha mente. Mais uma vez eu estava sozinha, sem nenhuma certeza se aquilo acabaria bem. Mais uma vez, eu não tinha ninguém para me ajudar.
O rei de Martine queria conquistar Krósvia e assumir o poder de todo o país. Sabendo do perigo que era me deixar perto do conflito que estava acontecendo em minha amada Krósvia, meus pais resolveram me trancar em uma espécie de torre, para proteger a herdeira do trono de qualquer ameaça. Durante seis meses, eu não tive muito contato com pessoas. Guardas levavam comida e retiravam. Eles nunca conversavam comigo e jamais me diziam sobre o que estava acontecendo em Krósvia. De onde eu estava, conseguia ouvir os gritos de desespero das pessoas, o som de tiros e explosões. Meu reino estava em caos e eu estava sozinha. Uma criança de 13 anos, presa em um lugar escuro, longe das pessoas que amava e com medo do que veria quando saísse de lá.
– Socorro. – grito.
Minhas forças estavam se esgotando. As dores em meu corpo eram fortes demais. Eu sabia que poderia perder os sentidos a qualquer momento. Eu suava frio, tremia de dor e medo. E se ninguém me encontrasse? O que aconteceria comigo?
– Socorro. – peço, gritando, com o restante das minhas forças. — Tire-me daqui, por favor. Eu não aguento mais. – sussurro, cansada.
As horas se passaram e pelo último sinal tocado, a hora da saída havia chegado. Eu estava tão exausta e com tanta dor, que não tinha forças para gritar ou pedir por qualquer ajuda. As lágrimas apenas desciam pelo meu rosto. Minha garganta estava seca e meu estômago doía de fome.
Será que Austin notou que eu sumi? Será que eu ainda sairei daqui? Olho para a fresta da porta que deixava um pouco de luz entrar pela sala. Rezo para qualquer santidade existente. Peço que alguém me tire daquele lugar. Eu não sabia se suportaria mais algumas horas consciente.
– Alguém me tire daqui, por favor. – grito pela última vez.
Um pouco antes de perder meus sentidos, vejo um vulto abrir a porta e entrar na sala, assustado. Essa é a minha última visão antes de tudo escurecer e eu perder os sentidos.
[...]
– Ela vai ficar bem? – ouço uma voz masculina perguntar.
– Vai sim. Ela só precisa tomar um pouco de soro para se recuperar da desidratação e alguns remédios para aliviar as dores. – dessa vez foi uma mulher que disse, respondendo ao homem que havia lhe feito a pergunta.
O som do abrir e fechar da porta, em seguida, ecoa pelo lugar. Ouço passos perto de onde estou. Abro meus olhos com dificuldade. Minha cabeça doía e a claridade do quarto só piorava as coisas. Após me acostumar com a luz, consigo voltar a enxergar.
Analiso o lugar em que estou e vejo que não o conheço. Eu estava em um quarto todo branco, com alguns aparelhos hospitalares e um homem estava próximo a janela do quarto, observando a paisagem pela mesma.
– On... Onde estou? – sussurro, com a voz rouca e toda dolorida.
– Ah, você finalmente acordou. – fala o homem, sorrindo e se aproximando de mim. – Estamos no hospital.
– Hospital? – pergunto, confusa. Minha garganta estava seca e o homem parece perceber isso.
Ele pega um copo que estava perto de mim e o enche com água. Depois disso, ele me ajuda a tomar o líquido, levantando-me apenas o suficiente para consegui beber.
– Sim. Você me deu um susto e tanto. Não deveria está naquela sala. Para a sua sorte, eu estava meio perdido e acabei te encontrando. – responde, com sinceridade refletiva em seus olhos castanhos.
– Quem é você? – questiono, com a voz um pouco melhor.
– Pode me chamar de Prince. – fala, sorrindo. – E você? Qual o seu nome?
– Allycia, Allycia Dawson. – respondo.
Prince me olha assustado. Seu rosto empalideceu de uma forma brusca. Seus olhos estavam esbugalhados e sua boca estava um pouco aberta.
– Prince? Você está bem? – pergunto, preocupada.
– Você disse Dawson? Allycia Dawson? – questiona, ainda surpreso.
– Sim. Esse é o meu nome. – falo, começando a ficar assustada com a reação do homem. – Eu disse alguma coisa de errado? Você está pálido. Está passando mal?
– Quantos anos você tem, Allycia? – pergunta, com a aparência um pouco melhor e ignorando meus questionamentos.
– 17 anos. – digo.
Prince se afasta de uma vez. Parecia atormentado. Ele anda de um lado para o outro e por fim para, olhando-me, sorrindo com ternura. Ele aproxima-se de mim, mais uma vez e toca meu rosto com carinho, parecendo emocionado.
– Então é você mesmo? – sussurra para si mesmo.
– Você me conhece? – pergunto, estranhando a reação do moreno alto, de pele clara e a barba por fazer. Ele tem um sorriso gentil e os cabelos cor de chocolate, assim como os meus.
– Você é a princesa de Krósvia, Allycia? – questiona, parecendo curioso.
– Como você sabe disso? – assusto-me com o que Prince havia dito.
– Nasci em Krósvia. Vivi um tempo por lá e me mudei para Miami quando tinha 17 anos. – responde, alegre. – Nunca imaginei encontrá-la por aqui, tão longe de casa.
– Você é de Krósvia? – digo, surpresa com a informação. – Por quê...
– Ally! – sou interrompida pela entrada brusca de Austin, seus pais, Trish, Dez, Elliot, Kelvin, Mark, Pablo e Jason.
– Pessoal? – digo, feliz por vê-los.
– Você está bem? – pergunta Austin, aproximando-me, desesperado.
– Acho que sim. – respondo, olhando para Prince, pedindo explicação sobre o meu estado pelo o olhar.
– Ela está bem. Quebrou a perna esquerda e machucou um pouco as costas, mas os médicos disseram que ela vai ficar bem logo, logo. – diz Prince, sorrindo, divertido pelas caras de assustados dos meus amigos.
– Quem é você? – pergunta Tio Mike, com seriedade.
– Sou Prince. – responde.
– O que está fazendo aqui, Prince? – questiona Tia Mimi, analisando o moreno.
– Eu encontrei a Allycia machucada na escola. Avisei a Sra. Gibson do que aconteceu e a trouxe para o hospital. – explica, relaxado.
– Você a ajudou? – pergunta, Elliot. Após o aceno de cabeça de Prince, que concordou, o garoto continua: — Obrigado.
– Imagina. Foi um prazer salvar a jovem princesa. – fala, dando uma piscadela para mim e rindo em seguida.
– Você sabe que ela é uma princesa? – grita Dez, assustado.
– Dez! – repreendemos o ruivo por falar isso tão alto.
– Desculpa. – pede, colocando as mãos na boca, em seguida.
– Ele só está brincando. Ele é um idiota. – explica, Trish, rindo nervosamente.
– Está tudo bem, Trish. Ele sabe que eu sou a herdeira de Krósvia. – explico, tentando me levantar. Austin, vendo a minha agonia, ajuda-me com cuidado. – Obrigada. – agradeço, envergonhada.
– Você está bem? – sussurra o loiro, preocupado. Balanço a cabeça de leve e o mesmo suspira aliviado.
– Como você sabe disso? – pergunta Jason, desconfiado.
– Nasci em Krósvia. Antes de ir embora de lá, vi o nascimento da princesa. É uma surpresa encontrá-la aqui, após tantos anos. – diz, nostálgico, sorrindo com ternura para mim. – Nunca me esqueci da alegria do povo ao saber do nascimento da princesa. Foi uma época de muita luz e prosperidade por lá.
– Você é de Krósvia? – diz, Austin, quase não acreditando no que ouvia. Ele olha para os pais, desconfiados. – Quais são as chances disso acontecer?
– Mínimas, suponho. – fala Prince, sentando na poltrona próximo a mim. – Não se preocupem. Eu não sou um inimigo, se é isso que estão pensando.
– Como podemos saber? – diz Tia Mimi, colocando-se ao meu lado e segurando minha mão com força. – Não tenho provas de que você é mesmo alguém que quer protegê-la.
– Se eu quisesse matar a princesa, já teria feito isso a muito tempo. – responde Prince, sério. – Eu arriscaria minha vida, sem pensar duas vezes para proteger a vida de Allycia. Eu jurei, no dia em que a princesa nasceu, que a protegeria de qualquer perigo.
Tia Mimi continua a encará-lo com desconfiança, assim como Austin. Olho para Prince e vejo sinceridade em seus olhos. Ele não mentia. Alguma coisa me dizia que eu podia acreditar naquele homem. Prince me traz uma sensação de proteção e de amor e carinho.
– Ele está falando a verdade. Podemos confiar nele. – digo, com seriedade.
– Mas, Ally... – começa Tia Mimi, mas é interrompida pelo marido.
– Ally está certa. O rapaz ai diz a verdade. – fala Tio Mike, sorrindo para Prince.
– Como pode ter tanta certeza, pai? – questiona Austin.
– Apenas tenho essa sensação, assim como Ally, não é mesmo, querida? – fala Tio Mike, com ternura.
– Sim. – falo, sorrindo. – Prince me salvou, Austin. Podemos confiar nele. Eu sei que posso.
– Tudo bem. – responde o loiro, suspirando meio frustrado.
– Qual é, Austin? Precisa confiar em Ally. – comenta Mark, dando uma piscadela para mim.
– Eu confio nela. – diz Austin, repreendendo o amigo com o olhar. – Apenas não sei se devo confiar em alguém que acabei de conhecer.
– Como você pode ser tão desconfiado assim? – pergunta Pablo, rindo.
– Se a Ally e o Tio Mike confiam nele, por que não devemos confiar? – questiona Kelvin, tentando convencer Austin.
– Assim como você, Austin Moon, eu quero proteger Ally de todo mal. Admiro sua desconfiança, mas não irei fazer mal algum a minha princesa. – responde Prince, sorrindo com sinceridade.
– Como você sabe meu nome? – pergunta Austin, surpreso.
– Irei patrocinar sua carreira se você me mostrar que é capaz. – fala, aproximando do loiro e estendendo sua mão. – Espero que não me decepcione.
– Você é o empresário? – interroga Austin, completamente, surpreso. O loiro aperta sua mão e depois volta a encarar Prince, surpreso.
– Parece que sim. – diz Prince, olhando para mim, depois bagunça meus cabelos com carinho. – Estou louco para saber o que esse investimento me reserva, futuro rei de Krósvia.
✻
Continua...
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