Universo Paralelo
9 Capítulo IX
Notas iniciais
POV Maxon
Confesso que fiquei espantado com América. Como assim: Ah, eu vou achar uma roupa normal pra você usar? O que tem as minhas roupas? Depois do almoço, quando eu já estava no meu quarto, uma criada entrou. Ela, como todos as outras serviçais desse castelo, não me vez uma reverência, apenas me entregou um bilhete. Nele estava escrito:
Quero você na biblioteca daqui a quinze minutos! Quinze minutos!
Ames
Por algum motivo, receber aquele bilhete de América me fez ter um arrepio no estômago, mas sem nenhum motivo aparente.
Cinco minutos antes da hora combinada, eu estava descendo para a biblioteca. Cheguei lá na hora, mas tive que esperar mais uns cinco minutos até América aparecer.
– Desculpe!- ela disse assim que entrou. Carregava uma sacola plástica com alguma coisa dentro- Tive que brigar com Kota por isso!- ela sorriu e levantou a sacola.
– O que é isso?- perguntei chegando mais perto até estarmos bem próximos. Por mais que quanto mais perto dela eu chegasse, mais meu arrepio piorava, estava curioso, mas sem demonstrar, para saber o que tinha na sacola que ela trazia.
– Roupas- ela falou com a maior tranquilidade.
– Como?- será que eu tinha ouvido direito?- Você disse roupas?
– Disse. Como eu prometi.
– Mas... Por que?- sim, eu estava confuso.
– Você não pode sair na rua assim- ela disse com um movimento com a cabeça indicando a minha roupa. Só agora eu tinha percebido que ele estava com uma roupa beeeem normal. Vestia uma calça jeans escura e uma camiseta branca de manga curta.
Ela me entregou a sacola e disse:
– Agora suba e troque de roupa. Quero você no portão principal daqui a meia hora, para o nosso passeio. E se você se atrasar, vou sem você- ela falou a última parte em tom de deboche, mas não precisou de mais para me assustar.
Ela virou-se e saiu. Fiquei ali parado por mais um tempo, então olhei dentro da sacola. Tinha uma calça jeans, um pouco mais escura que a de América e uma camisa azul. Subi correndo as escadas e entrei no meu quarto. Entrei no closet e troquei de roupa. Estava pronto em minutos, mas resolvi não descer ainda. Faltava quinze minutos para o meu prazo acabar e decidi esperar até faltar cinco minutos.
Esperei, esperei, esperei e esperei... Até não aguentar mais. Dez minutos antes do horário combinado eu já estava descendo. Por algum motivo, estava ansioso. Talvez fosse somente a sensação de estar saindo de um palácio sem o medo de rebeldes. Que dizer, não poderia ser... ela? Tirei esse pensamento da mente.
Cheguei lá em baixo cinco minutos antes do combinado, e para minha surpresa, América estava lá, sentada em um banco, lendo um livro.
– América?- perguntei. Ela levantou os olhos do livro e sorriu.
– Finalmente!
– Mas eu estou adiantado!- olhei para o relógio novamente. Faltava quatro minutos.
– No horário de Illéa- ela falou e eu olhei novamente o relógio. Ela estava certa. Eu só tinha olhado os minutos. Estava três horas atrasado.
–Oops- disse.
– Tudo bem. Agora vamos, o motorista está esperando.
Andamos por toda Brasília, vendo pontos turísticos, parques e lugares que América gostava. Ninguém nos incomodava, apenas acenavam. Era espantoso como o Brasil era calmo. Fizemos milhares de coisas, uma delas foi antar de patins em uma pista coberta de gelo. Eu era realmente péssimo naquilo. Caia o tempo todo, fazendo América voltar para me ajudar a cada cinco minutos.
Eu tinha pego a prática dali um tempo. Estava a dez minutos patinando sem cair, quando, sem querer, esbarrei em América. Caímos no chão, ela em cima e eu em baixo. Estávamos muito próximos, e eu conseguia sentir o cheiro do perfume dela. Fiquei por um bom tempo olhando para os seus olhos, perdido naquele oceano azul.
Nos encarávamos e eu tinha consciência de que estávamos em um lugar público, e que todos olhavam pra nós. Senti alguns flashes mas não liguei. Nem eu nem América fizemos menção de se mexer. Ela estava com as mãos no meu peito e me encarava visivelmente. De algum modo começamos a nos aproximar mais, se é que isso era possível. Eu estava sentindo alguma coisa. Não sei explicar o que, mas era alguma coisa.
– Princesa América!- alguém gritou, quebrando nosso "transe". América corou e se afastou. Várias pessoas vieram ajuda-la a se levantar, e depois me ajudaram também. Olhei para América, mas ela sorria para as pessoas, agradecendo pela ajuda. Um homem veio me perguntar se eu estava bem. Assenti e voltei meus olhos para América, que me encarava de maneira impaciente, acenando em direção a limusine com o brasão do Brasil. Ela tinha tirado o patins, ficando de pés descalços. Ela disse:
– Tire os calçados, é melhor pra sair.
Obedeci. O chão estava frio... Não Maxon, estava quente! Ás vezes eu era tão idiota que surpreendia a mim mesmo. Ela se virou e foi em direção ao carro. Me apressei em segui-la. Entramos e ninguém falou nada a viagem inteira de volta. Apenas nos encarávamos. Então, quando vi, tínhamos chegado e o motorista desceu. Achei que ele fosse abrir a porta para nós, mas ele desceu e foi em direção ao palácio, desaparecendo dentro dos portões principais. Eu e América ficamos ali, olhando um para o outro. Ela abriu a porta e quando foi por um pé pra fora, fechou a porta novamente e, como se em um impulso, se inclinou na minha direção e me beijou. Se afastou com as bochechas da cor de seus cabelos e saiu pela porta do carro, me deixando ali. Olhei para onde ela ia, e a vi parada na porta do palácio. Ela olhava para o carro com o cenho franzido. Ela olhou para o céu da cor de seus olhos antes de desaparecer pela porta.
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