Universo Paralelo
14 Capítulo XIII
Notas iniciais
Leiam as notas iniciais!
POV Maxon
Notei que, depois que o Rei Shalom disse que a família real britânica estaria vindo pra cá daqui a três dias, América ficou muito pálida. Foi como se a cor tivesse se esvaído de seu rosto. Eu por outro lado, fiquei feliz. Eu me dava muito bem com o Príncipe Lucca, e finalmente, finalmente, algum amigo naquele lugar.
América saiu do café um pouco cedo, e em nenhum momento olhou na minha direção. Será que estava arrependida? Que não gostava de mim como eu gostava dela? Sim, confesso, eu estou apaixonado pela princesa do Brasil, América Singer, e agora eu tinha certeza disso. Você deve estar pensando: Então você não tinha certeza? Passou uma noite daquele tipo com ela e não tinha certeza se gostava dela ou não? Pois bem. A resposta é: Sim. Eu não tinha completa certeza, mas tive esta manhã.
Enfim, voltando ao assunto. Não consegui pensar em um motivo de ela ter ficado tão abalada com a notícia de que os ingleses viriam. Será que não gostava deles? Não isso é impossível. Ninguém consegue não gostar deles. Continuei pensando nisso, mas sempre que imaginava outra coisa, minha mente vagava para América, ela era perfeita. Seus cabelos, seus olhos, seu rosto, seu corpo. Eu tinha decidido. Iria cancelar a Seleção e iria como tudo pra cima de América.
...
Nos três dias que antecederam a chegada da Inglaterra América fugia das minhas investidas. Ela nem me olhava mais. Só falava algumas palavras, geralmente "Bom Dia!", mas era só. Ela ficava com a mãe o dia todo programando a chegada dos ingleses. Serviria como uma festa de boas vindas pra nós também, já que eles não tinham tido tempo de organizar o nossa festa. No dia anterior a chegada deles o salão tinha ficado pronto. Era simplesmente magnífico! Tinha vários lustres espalhados pelo salão. Descobri, através da minha mãe, que o teto era completamente feito de ouro e as paredes, com suas colunas em estilo grego eram feitas de pedra branca pura e pedra negra pura. O chão era nada mais, nada menos que marfim. Tinha janelas gigantes que levavam ao jardim. Tinha castiçais do tamanho de pessoas espalhados pelas paredes ao redor do salão. Como eu disse, magnífico. Estava procurando Aspen quando parei no salão e dei uma olhadinha. Não tinha conseguido vê-lo (Aspen não o salão!) desde o dia que tínhamos chegado. Ele passava todo o tempo na ala dos guardas, junto com os guardas brasileiros.
Estava tirando minha cabeça da porta quando uma mão toca meu ombro. Dou um pulo por causa do susto e me viro para encarar justo quem eu estava procurando. Aspen estava com um sorrisinho no rosto.
– Aspen!- falei- Onde esteve esse tempo todo?
– Estava com os guardas oras!- ele responde revirando os olhos como se fosse óbvio- Lina me disse que queria falar comigo.
Espera, quem?
– Quem?
– Lina. Uma das criadas da Ames.
Pronto, agora até Aspen a chamava de Ames. Qual o problema do verdadeiro nome dela?
– Ames?- perguntei com um pouco de raiva na voz. Que direito ele tinha de chama-la pelo apelido se nem eu fazia isso?
– É Maxon. Ames. Ela deixa as pessoas chama-la pelo apelido. Todos, nesse país, chamam ela assim. O Brasil é um país mais descontraído! Não é tão rígido quanto Illéa. E devo dizer que é melhor.
Agora minha raiva veio com tudo!
– Illéa é rígida de mais para o seu gosto Soldado Leger? Se gosta tanto do Brasil, por que não casa com ele?- nem eu entendia direito o motivo da minha raiva, mas oras! Eu sou o príncipe de Illéa! Ele é só um guarda e deveria ter respeito pelo país em que vive!
– Quer saber? Acho que não chega ao ponto de eu me casar com o país, mas já que me quer fora do palácio, como está demonstrando, talvez eu me mude pra cá!- Ele disse com raiva enquanto eu o olhava chocado.
– Será muito bem vindo aqui Asp- disse uma voz feminina, que eu logo reconheci como sendo a da América. E que papo era aquele de Asp? Começou a temporada dos apelidos e não me avisaram?
– Obrigado Ames- ele sorriu e eu vi que ela retribuiu. Aquele sorriso que me deixava louco!- Mas suponho que eu só possa começar quando a família real de Illéa for embora, certo?- então ele estava falando sério? Iria mesmo se mudar para o Brasil?
– Claro que não! Se quiser pode começar amanhã!- ela deu mais um de seus sorrisos arrasadores.
– Puxa... Obrigado- ele falou.
–Aspen- chamei e ele se virou pra mim, com os olhos frios- Não pode fazer isso.
– Por que não Majestade? Eu sou um guarda e posso sair se quiser. Como sendo um guarda experiente, posso muito bem alistar-me e entrar para a guarda real brasileira!
Ele já me tratava formalmente e isso doía! América me olhou fria e disse para Aspen:
– Venha comigo Asp. Vou leva-lo ao chefe dos guardas, Nilson.
– Claro- ele sorriu e a seguiu pelo corredor, me deixando sozinho. Eu tinha perdido um amigo da vida toda, só por causa de um pequeno descontrole quando ele ofendeu o meu país! Não tinha sido nada, mas mesmo assim, consegui fazer bobagem e perdi meu melhor amigo.
...
No outro dia quando eu estava me aprontando para a chegada dos ingleses alguém bateu na porta. Uma das criadas, acho que seu nome era Mikaella, foi atender e logo deu espaço pra minha mãe entrar no quarto. Ela sorriu ao me ver tentando arrumar o meu cabelo rebelde e veio me ajudar.
– Sabe filho- ela disse- Tenho visto você e a Ames mais próximos ultimamente- até minha mão a chamava pelo apelido agora?- Será que vocês estão se envolvendo? Sabe que pode me contar tudo querido.
– Não mãe! Da onde tirou isso?- eu estava um pouco nervoso. Ela tinha descoberto sobre a noite que eu e América passamos juntos?
– Não é nada! Mas vocês estão andando mais juntos, sendo que nunca tinham olhado mais que duas vezes na cara do outro!
Eu iria responder, mas bem nesta hora tocou a campainha de sinos avisando que tinha uma visita real. Eu estava louco para ver meu amigo, o Príncipe Lucca, e a linda da irmã dele, Princesa Tatielle. Aquela garota era simplesmente uma gata! E o Rei Lorenzo e a Rainha Katrina? Pareciam meus segundos pais! Tinha ouvido dizer que Lucca tinha arranjado uma namorada, uma tal de Celeste. Eu tinha lido em uma revista britânica sobre ela, e descobri do namoro dela com Lucca. Ela era modelo. Era mesmo linda, mas tinha fama de pegadora. Já tinha traído centenas de namorados. Visitava uma balada toda noite, e sempre aparecia com um cara diferente. Os observadores já tinham visto ela trocar uns amassos com uns três homens diferentes em uma mesma noite! Não duvidava que Lucca já tivesse sido traído por ela com algum guarda do palácio.
Mas enfim, eu e a minha mãe descemos e encontramos meu pai no caminho. Fomos pra lá como uma verdadeira família. Encontramos o Rei Shalom, a Rainha Magda, Kenna, Kota, May e Gerad já cumprimentando os monarcas da Inglaterra. Só estava faltando América. Vi que o carro que trazia Lucca, Tatielle e a suposta namorada de Lucca, Celeste, estava entrando pelo portão. Eu e meus pais fomos até lá cumprimenta-los no exato momento em que o segundo carro estacionava e de lá saia as crianças reais. Tatielle saiu primeiro, mas vi que Lucca, assim que saiu, se virou para ajudar alguém a descer, talvez aquela Celeste. A menina saiu e eu vi que era ainda mais linda pessoalmente do que nas fotos. Não pude deixar de reparar no seu corpo, e por mais que a tivesse achado bonita, odiei o vestido, que a deixava vulgar. Era um vestido com a estampa de onça, que era comprido o suficiente apenas para cobrir a bunda da moça. Seu decote então, não tinha nem palavras para descrever. O decote era em forma de V e realçava seus seios fartos, deixando-a sexy, mas extremamente vulgar. Lucca assim que se virou pra nós, fixou seu olhar em algo atrás de nós, assim como Tatielle. A boca de ambos estava ligeiramente aberta. Me virei, e o que vi me deixou com a expressão igual, tenho certeza.
América estava maravilhosa! Ela estava com um vestido branco que era justo até a cintura então descia em camadas até uns três dedos abaixo do joelho. Na parte da barriga tinha alguns detalhes em rendas e flores rosadas. Usava uma sapatilha rosa claro e tinha prendido o cabelo em uma trança para o lado, como uma cobra de fogo descendo pelo seu ombro e vestido. Tinha escolhido uma coroa simples, de prata com uma pedra vermelha brilhante. Extremamente bonita.
Ela deu um sorrisinho quando viu que eu a estava observando. Eu logo me recompus. Quando América virou-se para a família real britânica vi que todos estavam boquiabertos olhando pra ela. Tatielle saiu do transe e se jogou nos braços de América com um abraço que ela retribuiu.
– Ames!- ela gritou- Que saudades de você!
– Eu também estava com saudades de você Elle!- América disse entusiasmada.
Estava na cara que América e Tatielle já se conheciam e eram ótimas amigas, de acordo com os olhos brilhantes de ambas. Mas então América voltou os olhos para Lucca e seu olhar endureceu, mas logo depois foi tomado por uma tristeza avassaladora, que eu tive que me segurar pra não ir até ela e pega-la no colo, dizendo que estava tudo bem. Olhei para Lucca e o seu olhar era de alguém culpado e arrependido. Eles se encaravam e ninguém ousava interromper. Eles pareciam trocar mil palavras em um só olhar, e ao mesmo tempo pareciam perdidos em pensamentos. Eles se encaravam e a cada segundo o olhar de tristeza de América e o olhar culpado de Lucca aumentava. Olhei para os reis e rainhas. Os monarcas da Inglaterra, assim como os do Brasil, tinham o olhar cheio de tristeza. Meus pais tinham um olhar confuso. Tatielle tinha um olhar de tristeza com uma pitada de raiva olhando para o irmão. Celeste encarava América reparando em seu vestido e pude ver o olhar de inveja que lançava a Princesa do Brasil. Quase pude ver as engrenagens maquinando na cabeça da modelo, bolando um plano de ter aquele vestido para si. Todos encaravam aos dois, se falar nada, e eu não estava entendendo nada. Até que Lucca quebrou o silêncio que tinha se instalado no local.
– Ames...- mas América o interrompeu.
– Não. Não fale. Não quero ouvir- só vi que seus olhos estavam marejados quando uma lágrima se desprendeu de sus olhos e rolou por seu rosto. O olhar arrependido de Lucca ficou mais grave quando viu que ela estava chorando. Eu não entendi por que ela estava chorando- Não quero ouvir suas desculpas esfarrapas. Já me magoou demais. Inventar uma desculpa só me machuca mais- ela falou com uma dor imensa, mas eu estava confuso. Por que Lucca teria que se desculpar? O que ele tinha feito, que a machucou?
– Ames, por favor...- ele suplicou. Parecia desesperado- Me desculpe! Não vou dizer de novo o que aconteceu, só quero que me perdoe!
– Um pouco tarde para pedir desculpas não acha?- ela respondeu fria, mas seus olhos azuis demonstravam uma tristeza sem tamanho, que parecia transbordar de suas íris. Ela olhou para Celeste e a tristeza em seus olhos aumentou. Ela se virou para o Rei Lorenzo e para a Rainha Katrina, que a olhavam com ternura- Majestades eu sinto muito não poder ficar, mas como vocês sabem, não gosto mais de ficar perto do seu filho- ouvi Celeste bufar indignada por falarem mal de seu namorado. O rei e a rainha assentiram e vieram dar um abraço em América, que deixou rolar mais algumas lágrimas, mas logo se recompôs- Sejam bem- vindos e tomara que aproveitem a estadia aqui. Com licença.
E com um último olhar de dor dirigido a Lucca e Celeste ela saiu correndo na direção da floresta. Lucca gritou:
– Ames! América! Espera!- ele fez menção de segui-la, mas Celeste colocou a mão em seu braço e falou sedutoramente:
– O que você quer com aquela ruiva sem sal? Eu sou muito melhor que ela- ela disse e se inclinou, mostrando o decote.
Lucca a olhou com nojo enquanto eu olhava a cena confuso. Quando ouviu o que a morena falou Tatielle gritou:
– Olha quem fala! Você não é nem metade do que América é! Sabe quando meu irmão aparece com uma marca de mão no rosto? Fui eu! Eu dou tapas no rosto dele por ser tão estúpido! Perder a Ames foi a maior burrada que ele já fez!- nessa hora eu a encaro mais confuso ainda. Como assim perder a Ames?- Quando eles namoravam, eram o casal mais lindo do planeta, mas então você apareceu! Você pode tê-lo agarrado, e a maior parte disso ser culpa sua, mas ele também é culpado! Ele não tentou te afastar! A América é minha melhor amiga, acha que eu e meus pais não sofremos por vê-la assim? Ela é e sempre será uma mulher muito melhor que você, sua prostituta! Eu te odeio, e tenho certeza que meus pais também! Tenho certeza que no fundo Lucca ainda ama a América e que não gosta de você mais do que gosta da unha do pé!
E fazendo essa incrível declaração Tatielle foi correndo na direção em que América tinha ido, mas no meu do caminho gritou por cima do ombro:
– E quando eu voltar com a Ames, não quero mais olhar pra sua cara Celeste!
Todos ficaram estáticos, então com um olhar de raiva na direção de Lucca e Celeste, Kenna, Kota, May e Gerad correram atrás das duas princesas, mas eu não prestei muita atenção nisso. Minha mente rodava. Lucca e América já tinham namorado? Era por isso que ela sempre recuava quando eu chegava perto? Era por isso que ela ficou parecendo um cadáver de tão pálida quando soube que eles viriam? Mas a pergunta mais importante era: Ela ainda o ama? Eu não suportaria se amasse. Não suportaria perde-la. Nos conhecíamos a poucos dias, mas ainda assim, eu a amava. Como nunca tinha amado ninguém. Ela era minha alma gêmea. Alguém com quem queria passar o resto da minha vida, mas antes tinha apenas um empecilho no nosso caminho, A Seleção. Agora tem dois, A Seleção e Lucca.
Os reis apenas observavam chocados, mas Lucca não. Ele se desvencilhou das garras, oops, unhas de Celeste e correu atrás da gangue que tinha ido até a floresta confortar América.
Todos os outros ficaram estáticos ali por pelo menos quinze minutos. Depois de algum tempo meus pais e Celeste foram levados até seus aposentos por aquele guarda da América, que lhe entregou a mochila no dia em que chegamos, Christoper Living. Alguns minutos depois Tatielle, Kenna, Kota, May e Gerad saíram da floresta com sorrisos gigantes nos rostos. Kenna e May sussurraram algo para os pais, e Tatielle fez o mesmo com seus próprios. Ambos os casais instalaram sorrisos alegres no rosto e entraram, me deixando ali, curioso.
Passaram- se mais alguns minutos e Lucca e América não chegavam. Resolvi ir dar uma olhada, talvez tivesse acontecido alguma coisa. Embrenhei-me na mata e segui a trilha que dava em uma clareira. Estava quase chegando na clareira quando ouvi uns barulhos vindo da mesma. Me escondi atrás de uma figueira, de onde poderia observar sem ser visto. Assim que avistei o motivo do barulho, desejei não ter entrado naquela floresta.
Ali, bem no meio da clareira, meu melhor amigo príncipe estava beijando América.
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