Universo Paralelo
29 Epílogo
Notas iniciais
A senhora de cabelos grisalhos olhou para o mar através da janela de seu quarto. Ela e o marido, quando se aposentaram, escolheram aquela casa a beira da praia para curtirem juntos a velhice. Com os dois filhos crescidos e casados, queriam um tempo sozinho para eles.
Foram felizes ali, assim como em todos os lugares em que moraram. A família crescia a cada ano que se passava, não só a deles, mas também a dos seus amigos. Gostavam de brincar que eram uma comunidade. Mas na noite anterior a comunidade perdeu um membro. A morte cerebral do marido aos oitenta e três anos abalou a todos.
A senhora deu um pequeno sorriso. Eram assim que imaginavam a morte dele, já que o Okala ocupando seu coração não pararia nunca.
“- Está nervoso? – Bella acariciou o rosto do marido.
Os dois estavam no hospital. Edward havia passado mal na noite anterior e ambos já sabiam o que estava por vir. Seus filhos, Rachel e Matty, estavam no hall entrando com a papelada da internação.
– Não. – Disse Edward fracamente, sob o aparelho que lhe ajudava a respirar. – Como você está?
– Desanimada, mas não triste. Sei que logo estarei ao seu lado novamente.
– Tenho certeza que sim. Eu te amo.
– Eu sei. – Bella deu um pequeno sorriso.
Com dificuldade, Edward segurou a mão da mulher que amava a mais de sessenta anos. Acariciou e a colocou sobre seu peito.
– Pode ser falso, mas bate forte toda vez que eu te vejo.
– Continua um conquistador barato, Majestade? – Bella brincou, despertanto um sorriso no marido. — Não tem mais idade pra isso. Já ganhamos até um bisneto do Matty.
– Vou sentir saudade deles.
Bella deixou duas lágrimas caírem.
– Eu te amo tanto Edward. Fala com Deus e pede para Ele me levar para junto de ti logo.
– Tenha certeza que sim. Vou encher o saco Dele.
Bella riu e apertou a mão de Edward com força.
– Bella, você sabe o que tem que fazer assim que eu partir, não sabe?
– Sei, meu amor.Eu sei.”
– Mamãe?
Bella ouviu seu filho mais velho lhe tirar dos pensamentos. Matty se aproximou devagar e abraçou a mãe. Bella estava sentada em sua cadeira de rodas que a ajudava a se locomover, assim como Edward também usava. Não que necessitasse, mas a idade avançada pedia.
Matty conduziu a cadeira de rodas até posicionar a mãe de frente pro sofá, lugar onde se sentou. Olhou para uma pequena caixinha de madeira que estava apoiada sobre as pernas de Bella, mas não deu muita importância a ela.
– Todos já foram embora. Estranharam você não descer para se despedir do papai.
– Eu me despedi dele no hospital, quando ainda estava vivo. Velório só deixa as coisas mais tristes do que são.
Matty mordeu o lábio inferior, costume que adquiriu da mãe.
– O que foi?
– Eu e Rachel estamos preocupados com você.
– Comigo? Por quê?
Matty segurou nas duas mãos de Bella.
– Mamãe, o papai foi o homem que você mais amou na vida. Você não está reagindo como se espera. Deveria estar pondo pra fora o que está sentindo e não agindo como se fosse um dia qualquer.
Bella sorriu mediante a preocupação do filho.
– Essa geração de vocês se preocupa por besteira. Meu filho, logo eu estarei junto de seu pai. Estou com saudade dele, é verdade, mas não demorará muito para que eu o encontre novamente.
Matty sorriu.
– E no meu velório não quero esse clima de tristeza! Quero que comemorem porque eu estou junto novamente da pessoa que eu amo!
– Tudo bem, Senhora Cullen.
Bella olhou para a caixinha apoiada em seu colo e a acariciou com as pontas dos dedos.
– Que caixinha é essa, mamãe?
Bella sorriu e segurou a caixinha com as mãos.
– Essa caixinha guarda algo grande que está envolvido em uma pequena redoma de vidro. Conserva uma história de milênios e milênios atrás. Somente o justo, aquele que deseja utilizar para o bem o legado deixado pelos sacerdotes, poderá possuí-lo. Mas ninguém pode ser proprietário. O legado é da humanidade, que deve passar do bom pai para o bom filho.
Bella entregou a caixinha para Matty. Minutos depois, mãe e filho flutuavam.
Notas finais
Quis enfatizar bem a passagem do Okala - do bom pai (Edward) para o bom filho (Matty, o primogênito)- pois a história girou toda em volta dele. Não tinha lógica eu colocar o casamento de Beward como epílogo, ou o nascimento do primeiro filho ou qualquer outra coisa. Ficariam muitas perguntas pendentes. Edward seria imortal? E o Okala? Como continuaria na Terra sendo um legado da humanidade? Para mim, esse Epílogo foi perfeito.
Pensei em colocar flashbacks, mas também ficaria um clima triste e de forma alguma queria transmitir isso. Se Bella estava bem, porque que a gente ficaria mal?
Então é isso.
Eu não sei se eu fico triste por ter acabado uma fanfic da qual eu dediquei 11 meses da minha vida, ou feliz por conseguir concluí-la com sucesso. A gente fica com um vazio no coração quando acaba uma fanfic, como se tivesse faltando algo. Eu me senti realizada com ela, como uma autora de mistério. Assim como me senti com a Melindrosa, uma fanfic de aventura, e No Limite Do Divórcio, uma fanfic de comédia romantica. E eu olho pro meu note e digo: já acabou? Como assim?
Assim que eu terminar de escrever essas notas finais vai ser o fim. Depois vou em "editar história" e colocar o status de "fanfic finalizada". E aí? Só isso? É o fim mesmo? Então eu vou prolongar essas notas finais. Arranjar um assunto estúpido e prende-las aqui para adiar ainda mais o momento em que eu clico no botão "Salvar a História".
É triste. Muito triste.
Mas é a vida.
Então aqui eu me despesso de vocês. Dou um tchau e um muito obrigada. Pelas recomendações, pelos comentários, pelas mensagens. Pelos elogios, pelas criticas construtivas, pelas tentativas de adivinhação. Pela persistência. Pelos "como você ousa parar aí??? Como???" / "é o Jasper, não é? Acho que pode ser a Esme, por favor me diiiiiiiiiz" / "AAAAAA POR FAVORRRRR, NÃO DEMORA PRA POSTAR SE NÃO EU MOOOOORRO" / "Fudeu, minha cabeça virou um nó" / "desisto! Não to entendendo mais nada." / "eu não acredito :O". E por aí vai.
Meu muito obriga por tudo. Mesmo.
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