Notas iniciais
olá terrestres!
.
esse capítulo demorou mais que os outros né? Bom, mas é mais ou menos esse tempo de post dessa fic, ou menos.
agora que eu arranjei um trampo pra mim nessas férias -dinheiro é sempre bom - vão demorar mais, mas não um milênio como antes na fic NLDD.
sobre esse capítulo, eu achei mt fofo. Adorei escrevê-lo. Boa leitura pra vcs! e até o próximo capítulo!
.
Bjs!

CAPÍTULO 6

- Edward! Finalmente achei você. — Disse Alice entrando no escritório.

Apesar de já fazer dois anos desde a morte de seu pai, ainda era estranho ver que quem ocupava atualmente a cadeira grande e acolchoada era Edward. Lembrava-se com clareza dos gritos e ordens que seu falecido pai dava naquele cômodo. Ao contrário do irmão, Alice não odiava seu pai. O sentimento certo seria pena.

Para Edward II, Alice era indiferente. Sua filha mais velha, Rosalie, era sua maior dor de cabeça. Edward III era seu filho homem e, consequentemente, herdeiro de seu trono. Porém, apesar de todas as revoltas de seu filho do meio, ele ainda era o preferido. Já sua filha mais nova, Alice, era tratada como resto, o que sobrou. Doce demais, feliz demais, enjoativa demais. Não desperdiçava atenções a ela.

Alice observou o olhar vago do irmão que parecia não ter notado sua presença no escritório.

- Edward! Estou falando com você!

O homem enfim levantou a cabeça. Observando a irmã que parecia ter acabado de acordar, mostrou-lhe as olheiras que ganhou depois de uma noite mal dormida.

- Eu sei Alice. O que você quer de mim? — Disse rabugento.

- Você está horrível. Pesadelos com a festa de noivado? — Alice perguntou.

Com tudo. Era uma mistura de Tânia, com Espanha, com sua ferida, seu pai, Rosalie e o pior de tudo: Bella Swan. Geralmente isso acontecia quando algo lhe incomodava. E atualmente tinha todos os motivos do mundo para ter uma noite de insônia.

- Sim. — Omitiu Edward. Não é de todo uma mentira.

- Se eu fosse me casar com Tânia também teria pesadelos. — Edward a repreendeu com o olhar. — Que é? Não gosto do jeito esnobe dela.

- Independente disso, ela é a primeira na linha sucessória. É a tradição.

Alice bufou.

- Tradições podem ser mudadas. — Alice elevou a voz. — Edward, ela não é a única da linha sucessória. Tem também a Leah Brandon.

- Alice, chega! — Disse Edward firme. — Você sabe que não há como mudar. E além disso, Tânia é uma moça de família. É só isso que você tinha pra me dizer?

Alice entristeceu. No fim Edward tinha razão.

- Eu só queria ver você feliz. — Sussurrou Alice.

- Eu serei.

Edward encarou Alice. Não gostava de ver sua irmã assim. Ela era tão pequenina e tinha a impressão que poderia se quebrar a qualquer momento. Sempre fora alegre e obediente, era a filha perfeita, mas nunca fora reconhecida por seu pai. Mas ela não entenderia. Não bastava ele não querer se casar com Tânia. É tudo muito maior que um simples casamento.

- Sabe onde está Bella? Não a vi desde que acordei.

Edward resmungou. Era só o que faltava para piorar a manhã: ouvir o nome dela. A vontade que tinha era de esganar aquela mulher que persistia em lhe desafiar. Tinha impedido que se deitasse com Jéssica. Ele era rei e merecia ser respeitado. Queria que ela se explodisse! Que fosse pro inferno! Ela e aquele olhar perturbador que possuía.

- Na forca, eu espero.

Alice riu.

- Engraçado, acho que ela desejaria o mesmo pra você. — Edward levantou uma sobrancelha.

- Vocês conversam sobre mim?

- É claro que sim. Conversamos sobre tudo, afinal ela é minha dama de companhia. — Alice soltou um sorriso malicioso. — Por que, Edward? Está interessado?

- O que vocês conversaram? — Ignorou a pergunta de Alice.

- Não interessa, conversa de mulheres. Tchauzinho. — Alice saiu correndo e sem perceber a presença de Jasper a sua frente, chocou-se contra o peito dele.

- Princesa Alice? Você está bem? — Jasper segurou delicadamente os braços pequenos de Alice, porém a expressão serena que possuía não o abandonou.

- Sr. Whitlock! Perdoe-me. Eu sou uma idiota. — Disse Alice, ignorando seu coração que batia rápido.

- De forma alguma. Só ande com mais cuidado para não se machucar.

- Tudo bem. Meu irmão está no escritório. Com licença. — Alice se encaminhou até a escada, mas foi chamada por Jasper.

- Na verdade, eu queria falar com você. E depois com seu irmão, é claro.

- Co-comigo? — Alice começou a ofegar.

- Sim. — Jasper deu uma sombra de um sorriso. — Eu presumo que irá ao baile esta noite. Então... eu queria saber se me daria a honra de acompanhá-la.

Alice abriu a boca. Parecia um sonho. Desde que Jasper entrara naquele castelo, sua paixão por ele só aumentara de grau. Talvez seu jeito sério e calmo, com ar de mistério, a deixara encantada. Mas nunca tentou uma aproximação. Pensava que Jasper não dava a mínima pra ela. Mas pelo jeito ela estava enganada.

- Claro, claro Jasper! — Não se segurou e deu um abraço no estático conselheiro.

Jasper não sabia o que fazer. Será que retribuía? Sempre achara Alice encantadora, mas ela era irmã de seu melhor amigo. Não devia tê-la convidado, não devia! Fora mais forte que ele. Porém tê-la ali em seus braços foi maravilhoso. Circundou então sua cintura, permitindo que ela ficasse mais um tempo por ali.

- Será uma honra tê-la como acompanhante, Princesa Alice. — Disse já afastado.

- A honra será minha. Sr. Whitlock, por acaso sabe onde está minha dama de companhia?

Jasper escondeu a cara de desagrado. Quando dissera a Edward para manter os amigos próximos e os inimigos mais ainda, não quis que esse inimigo fosse dama de Alice. Logo da Alice! Estava colocando ela em perigo. Era pequena, frágil e delicada demais. Naquele dia discutira feio com Edward, mas no fim o rei se negou a mudar sua decisão.

- Está na cozinha ajudando Sue com o buffet. Ela está tendo muito trabalho e chamou todas as criadas para ajudá-la.

- Obriga Sr. Whitlock. — Alice sorriu. Seu coração ainda estava explodindo de alegria.

- Disponha princesa. Até mais ver.

Whitlock fez uma reverência e entrou no escritório. Era sempre assim. O rei se trancava em um cômodo com o conselheiro e eles ficavam conversando horas sobre um assunto que Alice não fazia a mínima idéia do que era. Não se lembrara de seu pai conversando tanto com seu conselheiro. Na verdade, ele só era solicitado em alguma ocasião especial.

Deve ser impressão minha.

[...]

- Como andam os docinhos, querida? — Bella ouviu a voz de Sue do outro lado da enorme e tumultuada cozinha.

A professora olhou para o beijinho em suas mãos. Não era a melhor confeiteira do mundo, mas sabia moldar um doce em forma de bolinha e mergulhá-lo no açúcar.

- Já se foram dez pratos. — Informou Bella, olhando para a grande quantidade de docinhos nas bandejas em cima da mesa. E só estamos no começo.

A cozinha naquele dia estava um caos. Todas as criadas foram chamadas para ajudarem a cozinheira a fazer o buffet. Cada uma com seu papel, Bella se juntara a Jéssica e a Ângela — uma simpática criada a quem Bella já havia sido apresentada no primeiro dia que passou no castelo — para cuidar dos doces. Não foi difícil notar o olhar frio que Jéssica lhe enviou assim que a viu pela primeira vez naquela manhã. Bella a ignorou.

Não sabia bem o porquê daquilo, mas Jéssica a culpava por não ter dormido com o rei. Qual o problema dessas garotas? Não viam que aquele rei idiota só queria usá-las? De qualquer forma, ela não tinha culpa se Edward não quis mais dormir com Jéssica. Só porque ele olhou Bella — de uma forma assassina — que iria deixar de se deitar com aquela criada? Não tinha o mínimo sentido. Talvez ele não fosse tão burro pra notar que ela era um tribufu. Sim, porque o cabelo dela parecia um ninho de rato. E aquela espinha na testa parecia um vulcão. Também tinha os dentes dela que não eram alinhados. Um verdadeiro dragão.

- Não duvido nada que essa comida seja cuspida por uma das criadas. — Sussurrou Ângela. — Ninguém está feliz com esse casamento. Ou porque queriam estar no lugar de Tânia, ou porque não a suportam mesmo. É o meu caso o de Sue.

- Pois eu estou felicíssima. Tânia é um demônio e vai fazer a vida do rei um verdadeiro inferno. — Resmungou Bella, mergulhando o docinho no açúcar. Ângela riu.

- Eu entendo sua implicância com a Majestade. Estar trancada aqui deve ser difícil para você.

- Aqui estão os cravos. — Disse Jéssica, chegando com uma bacia cheia deles.

Bella imediatamente parou o que fazia, olhando vidrada para os pequenos pauzinhos marrons e cheirosos. Cravos vinham de árvores. E se essas árvores estivessem em uma floresta? Uma floresta próxima?

- Cravos? — Interrogou Bella, fazendo Jéssica bufar e revirar os olhos.

- Claro. Ou você queria que os beijinhos não tivessem cravo? Será que essa sua cabeça desmemoriada te impediu de raciocinar também? — Resmungou Jéssica.

- Pare com isso Jéssica! — Ralhou Ângela.

- Aonde você os colheu? — Disse Bella, ignorando o desaforo.

- O que te faz pensar que eu responderia a você?

- Numa floresta aqui perto, Bella. — Respondeu Ângela, ignorando o olhar cético de Jéssica sobre si. — A mesma em que você foi achada. Tem um monte de árvores de cravo-da-índia por lá.

Bella segurou o sorriso.

- Engraçado, eu não me lembro de ter sentido o cheiro de cravo. Bom, segura aqui um pouco as pontas que eu já estou voltando. Preciso falar com a Princesa Alice.

- Certo, mas volte logo. — Disse Ângela e Bella confirmou com a cabeça.

- O quê? Não! Quem ela pensa que nós somos? Suas criadas?

Bella já não ouviu a resposta de Ângela para Jéssica. Rezou para que encontrasse Alice no andar de baixou para que não fosse necessário subir aquelas enormes escadas com o peso daquele vestido. Por sorte, viu a princesa assim que saiu da cozinha, dando pequenos pulinhos enquanto possuía um sorriso imenso no rosto.

- Bella! Estava te procurando a um tempão! — Disse Alice correndo até ela. — Você não sabe o que aconteceu! Jasper me chamou para acompanhá-lo no baile de hoje! Não é fantástico?

Por um segundo, Bella esqueceu o que falaria. Qual é o problema de Alice? Não era possível que ela estivesse apaixonada por um cara tão esquisito quanto o conselheiro. Frio, não sorria nunca, e parecia que ia aniquilar qualquer pessoa que entrasse em seu campo de visão. Mas o que falaria a ela? Estava tão animada em ir com aquele esquisitão que não poderia simplesmente acabar com sua felicidade.

- Uau! — Fingiu empolgação. — Você é apaixonada por ele? — Diga que não, diga que não.

- Desde que ele pôs os pés neste castelo. — Disse a princesa sonhadora.

É mais sério do que eu pensava.

- Que bom. Fico feliz por você. Alice, eu queria falar contigo. Será que a gente poderia passear pelo reino amanhã? Queria conhecer as terras além do castelo.

Alice pareceu empolgada.

- Claro! Vai ser divertido. Mas... você lembra que meu irmão terá que aprovar e, se aprovar, terá que ser acompanhado de um dos soldados? — Disse Alice com pena.

É óbvio que não tinha esquecido daquilo. Era um dos vários itens de sua listinha imaginária que continha os motivos para odiar o rei Edward Cullen III. Não escondeu de Alice a sua cara de desagrado ao ouvir ela falando aquilo.

- Eu lembro.

- Terá que falar com Edward.

- O quê? Não! Alice, por favor, pede você pra ele. — Suplicou Bella.

- Se eu pedir, com certeza ele não vai deixar. Conheço meu irmão, ele vai adorar ver você pedindo pra sair. Duvido que ele a deixe sair comigo sem antes não te ver suplicar.

Inferno!

- Tudo bem! Amanhã eu peço. Agora eu tenho que voltar para a cozinha. Tchauzinho!

Bella fez uma reverência e voltou para a cozinha. Ter que se humilhar na frente dele para poder sair? Bem típico do rei mesmo. Mas precisava daquilo. Carlisle achava que o Okala estava em uma floresta e esta perto do castelo seria a primeira em que ela o procuraria. A causa era nobre e maior do que a raiva que ela sentia por Edward. Ainda planejaria como se livrar do soldado que ele enviasse, mas saberia que conseguiria. Tinha que conseguir.

De alguma forma.

[...]

Era possível ouvir a animada música no andar de cima. O grande baile de noivado havia começado a mais ou menos quatro horas e ela pôde enfim ficar sozinha. Por ser dama de companhia, sua obrigação era obviamente acompanhar Alice, mas esta havia lhe dispensado por preferir o acompanhamento do sexo oposto. Ela, pela primeira vez desde que soube qual seria seu ofício, agradeceu por não ser uma criada comum, ou agora estaria lá em cima servindo de garçonete para a nobreza, o clero, os burgueses, e o pior de tudo: o rei.

Sentiu a água morna na tina banhar seu corpo dolorido. Ficara de pé o dia inteiro ajudando a gorda e simpática cozinheira com o buffet. Mas soube que já era hora de sair ao ver seus dedinhos enrugados. Pegou a toalha e enrolou-se nela, saindo da tina. Olhou-se por um momento no espelho do banheiro, localizado no dormitório feminino da criadagem. Os cabelos cacheados estavam presos em um coque mal feito e a toalha não havia enxugado toda as gotinhas em seu colo. Dane-se, me enxugo melhor no meu quarto.

Era estranho ver aquele corredor que levava aos vários quartos do dormitório, vazio. Porém, era de alguma forma tranquilizador. Não ter todas aquelas pessoas estranhas do milênio passado andando por ali era bom. Normalmente, achava que estava andando entre fantasmas, afinal, todos eles já haviam morrido.

Distraída, abriu a porta de seu quarto, soltando em seguida um gritinho ao ver o grande homem vestido de azul marinho, carregando as inúmeras medalhas reais, e com um aro de ouro incrustado de pedras preciosas na cabeça: uma coroa. Era a primeira vez que via Edward assim, formalmente vestido. Jamais admitiria, mas ele estava extremamente charmoso naquele uniforme.

Não esperava encontrá-la assim. Na verdade, não queria encontrá-la, o que era ridículo já que o quarto era dela. Mas aquilo o havia pegado desprevenido. A visão que teve antes dela esconder seu corpo atrás da porta, era extremamente sensual. As gotículas de água que não foram enxugadas corriam de sua nuca até o vale entre os seios, onde a toalha ainda não cobria. O corpo enrolado no pano felpudo era pequeno, mas com curvas perfeitamente desenhadas. Foram três segundos, mas que o deixaram completamente sem ação.

- O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO NO MEU QUARTO? — Gritou Bella, colocando apenas a cabeça pro lado de fora da porta.

- Primeiro: abaixe seu tom de voz comigo. Sou o seu Rei! — Bella revirou os olhos. — Segundo: esse castelo é meu e eu entro onde eu quiser! E terceiro: não interessa a você o que eu faço ou deixo de fazer aqui.

Não contaria a ela que estava fugindo de toda aquela corja de aproveitadores. Desde pequeno não os suportava. Mas infelizmente não poderia dar uma festa de noivado familiar, seus súditos manipulados o repreenderiam por não seguir uma tradição.

Estavam todos lá: a hipocrisia do clero, os elogios com intenções econômicas dos burgueses, a nobreza competindo entre si quem tinha o mais puro sangue azul. Era sempre a mesma coisa.

Com a desculpa de ir à cozinha ver como as coisas andavam, se afastou de Tânia e foi até a ala dos empregados — que estava vazia por causa da festa — e curtiu o silêncio, apenas ouvindo a música que animava todos na festa, menos ele. Foi quando olhou para o dormitório feminino e imediatamente lembrou-se da noite passada e de sua prisioneira.

Involuntariamente, foi até a porta onde vira Bella. Girou a maçaneta com cuidado e a abriu, revelando um quarto simples mas extremamente limpo. Haviam duas camas de solteiro com velhos colchões e, ao lado de cada uma delas, um criado-mudo. Pôde reconhecer qual era a de sua prisioneira: em cima do criado-mudo que correspondia à sua cama, jazia um colar de ouro em formato de coração, onde estava escrito: Bella Swan.

Abriu o armário que as duas criadas dividiam e pôde reconhecer facilmente os vestidos de Bella. Eram os mais bonitos — já que eles antes pertenceram à sua irmã — e tinham o número menor. Tirou um deles e se surpreendeu.

- Realmente são pesados.

Fechou o armário e já ia em direção à cômoda, quando a porta foi aberta e apareceu sua prisioneira só de toalha para lhe deixar em transe. Inferno!

- Que se dane! Você não me dá paz nem na hora de dormir! — Bella bufou. — Será que dá pra você me dar licença para eu me vestir, oh ilustríssimo e excelentíssimo Rei Edward Cullen III? — Bella fez uma reverência exagerada.

Edward sorriu cínico e se jogou na cama de Bella.

- Não estou afim.

- Está sujando minha cama com sua bota, seu idiota!

Sem se dar conta do que realmente fazia, Bella finalmente saiu de trás da porta e foi até o rei, empurrando seus pés para fora da cama. O olhar que Edward lhe deu deveria ter sido constrangedor, mas por alguma razão, ela se sentiu à vontade. Por que ele tinha que ser tão bonito?

- Quer saber? — Bella respirou fundo e se afastou o máximo que pôde dele. — Pode ficar aí. Fique à vontade. Se quiser DURMA aqui. Está feliz?

- Muito. É bom saber que sou querido pelas pessoas. — Edward lhe mandou um sorriso sínico, fazendo-a revirar os olhos.

Foi até o armário e pegou uma camisola. Saiu do quarto, deixando o rei ainda deitado em sua cama, e voltou ao banheiro para se vestir. Ainda esperou uns minutos na esperança de Edward ir embora, mas quando voltou ao quarto, o rei permanecia deitado no mesmo lugar.

Bufando, foi até a janela de seu quarto, observando os convidados que estavam no jardim. Era interessante, parecia que estava dentro de um filme medieval. As pessoas desfilavam com roupas volumosas, homens com perucas brancas — algo que ela sempre achou horroroso -, mulheres com penteados exagerados. Era cômico de se ver.

Entre eles, pôde ver Tânia correndo de um lado para o outro, perguntando algo para os convidados. Provavelmente onde estava o noivo dela. Foi então que tudo fez sentido.

- OH MEU DEUS! — Bella caiu na gargalhada, recebendo um olhar curioso de Edward. — Você está fugindo de Tânia!

Edward se sentou imediatamente na cama, desconfortável diante da descoberta dela. Tentou pensar em algo que a fizesse parar de rir, mas nada veio a sua cabeça.

- Mas que bonito. — Disse Bella ainda rindo. — Um rei que já enfrentou diversas batalhas e que carrega suas vitórias simbolizadas em medalhas no uniforme, fugindo da noiva em plena festa de noivado.

E ela riu mais ainda, fazendo Edward corar. Bella tinha razão de estar rindo dele, mas ele não aguentava essas festas. Preferia mil vezes enfrentar batalhas do que ter que ficar sorrindo para todos.

- Dá pra você parar? Tânia é o menor dos problemas. — Disse à Bella que agora se acalmava. — Eu enfrento essa palhaçada desde criança. Isso não é uma festa, isso é um inferno. Você tem que discutir sobre hereges com o clero, fazer acordo com os burgueses, rir das piadas sobre plebeus que a nobreza conta...

- Então por que convidou eles?

- Por que se não convidasse ia ser pior. As críticas sobre a minha gestão surgiriam.

- Mas o que isso tem a ver com a festa?

- Tem a ver que quem critica são os que não foram convidados. — Edward foi até a janela, se colocando ao lado de Bella, e observou os abutres. — Eu odeio esse teatro, mas tenho que aguentá-lo.

Bella por um instante teve pena do rei. Devia ser difícil para ele. Ele era um idiota, arrogante, egocêntrico e extremamente irritante. Mas depois dessa conversa, chegara à conclusão que ele não era má pessoa. Não tanto.

- Não gosta nem de dançar? — Perguntou Bella.

Edward deu um sorriso torto sem emoção, ainda olhando para a janela.

- Até isso é ensaiado.

- Quer dançar comigo? Eu não sei a coreografia, então seria natural.

Edward a olhou cético, como se ela tivesse falado algum absurdo. Bella bufou e saiu de perto dele rapidamente. Colocou o colar que estava em seu criado-mudo e deitou-se na cama, cobrindo seu corpo com o lençol.

- Esqueça o que eu disse, ok? Boa noite.

Fechou os olhos com força. Eu sou uma idiota mesmo. Da onde ela havia tirado a idéia de chamá-lo para dançar? Pessoas que se odeiam não dançam juntas. Eu sou muito boa. Essa era a razão. Havia se solidarizado com ele, mas daí chamá-lo pra dançar? Com certeza havia perdido seu juízo em algum lugar do século XV.

Ela era observada por um rei que travava uma guerra interna. Apesar de não gostar de sua prisioneira, ela havia sido gentil com ele. Jasper o havia alertado sobre o perigo que ela representava, mas qual seria o problema em dançar com ela? Edward gostava de dançar e pelo jeito ela também. Ela é tão petulante! Mas era bonita. Talvez fosse uma parceira interessante para dançar. Ou talvez só quisesse lhe confundir e o deixar sem ação como fizera uma hora antes, quando estava só de toalha.

Perturbadora.

Edward se aproximou dela. A respiração acelerada denunciava que ela não estava dormindo. Então tomou a decisão. A mão delicada que estava em cima do travesseiro foi puxada de maneira grosseira por uma outra calejada, fazendo com que o corpo deitado na cama se erguesse com rapidez e os cabelos cacheados se movimentassem livremente. Bella soltou um gritinho agudo.

Os olhos verdes e confusos dela encaram outros olhos verdes que estavam determinados.

- Me conceda uma dança. Agora!

Bella sorriu.

- Uma trégua?

- Só por essa noite. — Edward deu um leve sorriso.

- Só por essa noite. — Bella concordou.

Taylor Swift — Safe And Sound

http://www.youtube.com/watch?v=5K4PGpXsOAI

Ao som de uma nova música que tocava na festa, Bella se levantou e colocou uma mão no pescoço de Edward, enquanto este aproximou os dois corpos com sua grande mão que passava pela cintura fina da mulher a sua frente. Com a mão livre, Bella retirou a coroa de Edward, depositando-a em sua cama.

- Esta noite, enquanto estiver aqui comigo, você será só uma pessoa sem qualquer obrigação. — Bella juntou sua mão com a de Edward e os dois se esqueceram do mundo.

Seguindo o ritmo lento da música, o casal dançava calmamente. Edward a rodopiou várias vezes no pequeno espaço, e Bella acompanhou com perfeição seu passos. As íris verdes se encaram com um misto de diversão e novidade. O longo cabelo cacheado de Bella roçava na mão de Edward a cada movimento, trazendo uma estranha sensação de paz para ele.

Era bom não ser o rei. Era bom não ter obrigações. Sua prisioneira exibia um pequeno sorriso travesso, enquanto o acompanhava graciosamente. No final, tudo era desafiador e inimaginável. Nunca que pensaria que um dia estaria dançando com ela, mesmo que fosse em uma trégua de apenas uma noite. Mas era bom. A naturalidade era algo que Edward nunca havia experimentado e, por uma triste e ridícula ironia do destino, era sua prisioneira, uma mulher odiosa e atrevida, que havia lhe mostrado aquela maravilhosa sensação.

Instintivamente, aproximou seu rosto do dela, encostando sua bochecha nos cabelos da morena-arruivada. Bella então soltou sua mão da dele e a colocou no pescoço do parceiro. Edward fez o mesmo e colocou a sua na cintura dela.

Seus passos foram ficando cada vez mais lentos e suas respirações ofegantes, até que pararam. Lentamente, encostaram as testas e os narizes, se olhando intensamente. Não sabiam bem o que acontecia, mas seus corações estavam disparados.

O cheiro instigante de morangos que saia do corpo da mulher a sua frente era embriagante e perigoso. Como se o fizesse perder os sentidos, restando-lhe apenas a visão, que era direcionado inteiramente a ela.

Bella não pensava mais. Naquele exato momento, ela não conseguia ver Edward como o homem grosso e ignorante que odiava com todas as forças. Ele não era rei. Ele só era um homem lindo que a hipnotizara com seu hálito quente que abrangia seu olfato. Seu olhar tão intenso fez com que não quisesse se mover dali nunca mais.

Edward segurou a cintura de Bella com mais força e ela acariciou os cabelos cor de bronze. No momento em que os dois iriam unir os lábios, a música encerrou, e a gravidade pesou. Os dois se afastaram rapidamente e Bella foi até a janela, ficando de costas pra ele, enquanto Edward recuperava o fôlego. Dois minutos se passaram até que ele se pronunciasse.

- Vou voltar para festa, minha noiva me espera. Boa noite. — Ele se virou e foi com rapidez até a porta.

- Edward!

O rei virou-se instantaneamente, como se esperasse que ela falasse algo. Bella mordeu os lábios e apontou para a cama.

- Sua coroa.

- Claro. — Disse desconcertado.

Edward pegou a coroa e colou-a em sua cabeça.

- Boa noite. — Disse Bella.

- Boa noite.

Edward correu até a porta e a fechou com força, saindo o mais rápido que podia do dormitório. Mas que merda aconteceu comigo? Eu quase a beijei! Não entendia nada. Devia ser o momento. A dança, o corpo atraente que sua prisioneira possuía. Ele a havia visto quase nua! Misturando também o que ela lhe falara ao tirar sua coroa, mexendo com ele. Foi isso!

Distraído, não viu Jasper na cozinha, chocando seu corpo contra o dele.

- Hey cara! Está cego?

Jasper franziu o cenho quando viu Edward branco como um fantasma, respirando ofegante e transtornado com algo. Havia acontecido alguma coisa. Nunca vira Edward assim antes.

- O que aconteceu?

- Nada! Que mania você tem de se meter na minha vida! Você devia estar com a minha irmã. — Desconversou Edward.

- Vim pegar uma bebida para ela. — Disse Jasper, desconfiado. — Você sumiu, Tânia está que nem uma louca atrás de você. Os convidados já perceberam sua ausência.

- Estou indo.

Edward então lhe deu as costas e saiu. De uma coisa tinha certeza: essa seria mais uma noite que não conseguiria dormir. Só não sabia que a prisioneira que jurava odiar teria o mesmo problema de insônia naquela noite.

[...]

O conselheiro do rei observara Edward partir agoniado, enquanto segurava dois espumantes na mão. Tinha certeza que havia acontecido alguma coisa para deixá-lo assim, tão esquisito. E ele iria descobrir, ou não se chamaria Jasper Whitlock.

Notas finais
PS: Eu achei essa música linda e com um rítimo meio medieval. Espero que tenham gostado.
.
Esperando reviews e recomendações em?! BJS