Universo Paralelo
4 Capítulo 3
Notas iniciais
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Esse capítulo mostra o primeiro contato com Edward. É pequeno, mas a história só vai começar a andar mesmo no quinto capítulo, que não irá demorar pq já está escrito.
Só precisa de uns ajustes.
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Sobre a capa da fic, ela ficará em aberto até o post do capítulo quinto, pois vocês terão uma idéia melhor para fazer a capa. Já recebi algumas muito legais, mas teve leitora que pediu para a história decorrer mais para a capa ficar mais aprimorada, e eu concordei.
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Beijos minhas flores e até o proximo capítulo!
A ardência em todo seu sistema respiratório fez com que ela abrisse o olhos rapidamente e enxergasse o fundo de madeira. Tentou respirar, mas só o que conseguiu foi intensificar a dor, notando então que sua cabeça estava imersa à água. O susto conduziu seu corpo involuntariamente a se agitar e soltar em forma de um grito, o resto do oxigênio que guardava.
Antes que desmaiasse novamente, seu cabelo foi puxado violentamente para trás e, apesar da dor, sentiu-se aliviada quando o oxigênio entrou em seu pulmão. Tossiu, expulsando a água que havia invadido seu corpo, e quando pôde respirar normalmente, ouviu uma voz próximo a ela.
- Olha General, a espiã acaba de acordar. – A voz do homem que puxava seu cabelo, era fria.
À sua frente, dois soldados olhavam atenciosamente para ela. O que aparentava ser o mais velho tinha o olhar sério e maldoso. O mais jovem, olhava com curiosidade e parecia não gostar de estar naquele lugar. Um pouco tonta, analisou o local em que se encontrava: a grade de ferro na janela redonda e na porta larga denunciava uma prisão. Em sua cela havia muito capim e a sua frente uma bacia de madeira com água sob uma mesa quadrada. Do lado de fora tinha corredores que levava a outras celas iguais a dela.
Assustada com a situação tentou se mover, mas só o que conseguiu foi receber outro puxão no cabelo. Notou que suas mãos estavam presas por uma algema de ferro.
O soldado mais velho, que tinha em uma plaquinha presa no uniforme azul marinho escrito “General Uley”, se aproximou dela com a postura ereta e com um olhar superior.
- Atenção prisioneira! Sou o General Sam Uley e sirvo com orgulho e lealdade ao exército real da Inglaterra. Mas algo me diz que você já sabe disso, não é? – Sam apoiou as mãos na mesa onde estava a bacia e ficou cara a cara com ela. – Eu vou fazer uma pergunta bem clara e se você não me responder por bem, vai me responder por mal. Quem é você?
Bella engoliu em seco ainda confusa. O que responderia a eles? “Sou do futuro e vim evitar o apocalipse que é bem capaz de ser causado pelo meu próprio país. E a propósito, vocês nem tem idéia de que o meu país existe, mas não se preocupem, o colonizarão no próximo século.” Olhou para o General tentando pensar em algo aceitável, mas nada veio a sua mente.
- Paul! – O comando alto e firme de Sam foi a última coisa que ela ouviu antes de sua cabeça ser empurrada contra a bacia.
Quando já se debatia com a falta de oxigênio, seus cabelos foram novamente puxados e ela tossiu, colocando a água para fora de seu pulmão.
- Vai me responder ou prefere morrer afogada?
Não conseguia mais pensar. A água que entrava pela boca, nariz, e ouvidos a impedia de raciocinar e encontrar a melhor resposta que não a mataria e a que pudesse procurar o Okala em paz. Com sua relutância em responder, empurraram-na contra a bacia mais uma vez. Demorando mais do que antes, Paul puxou seu cabelo.
- Eu não sei! – Bella disse em meio às tossidas.
Sam bufou e se afastou dela, passando as mãos em seu cabelo.
- Estou perdendo a paciência. PAUL!
Paul empurrou a cabeça da prisioneira mais uma vez enquanto revirava os olhos, já cansado do movimento repetitivo. Aguardou o sinal do General Uley e puxou para si o cabelo da mulher. Ela tossiu, cuspindo a água que havia engolido.
-EU JURO! Eu juro que não me lembro de nada. — A mulher perdeu as forças nas pernas e só não caiu porque ele a segurou, grudando o corpo dela no seu. A prisioneira até podia ser uma espiã, mais era bastante atraente.
Sam cruzou os braços e encarou-a com raiva. Antes que ele desse novo sinal para Paul, Bella contou o que conseguiu pensar mesmo com a quantidade de água acumulada em sua cabeça.
- Eu não sei bem... – Fingiu confusão. – Tudo que eu lembro é de uma floresta.
- Acha mesmo que eu vou acreditar nisso? – Sam falou cético.
- Mas é a verdade! O que quer que eu diga? – Começou a chorar pensando em comover o soldado. – Eu não me lembro de nada. Só de árvores e mais árvores.
Sam rosnou não acreditando no que a moça dizia. Ele era o General do Exército Real da Inglaterra e não seria enganado por uma simples desconhecida. Já servia nesse cargo 15 dos seus 25 anos no exército e desde cedo demonstrou competência e responsabilidade para assumir o cargo de General. Sempre fora fiel ao seu país e se orgulhava disso. Apesar de a prisioneira ter talento para a mentira, não seria ela que o enganaria. Afinal de contas, ela era uma mulher e ele, o General do Exército Real da Inglaterra.
Já iria mandar um novo sinal para Paul quando ouviu a voz tímida do Sargento Seth Clearwater no canto da cela.
- Com licença General. Se me permite falar, acho que a mulher pode ter razão. – Sam levantou uma sobrancelha. – Ela caiu daquela árvore enorme, pode ser que o impacto da queda ou até mesmo algum galho que tenha batido com força em sua cabeça, tenha feito com que perdesse a memória.
Paul estalou a língua e fez uma careta, menosprezando as idéias do Sargento Clearwater.
- Ela é uma espiã! Aqueles malditos espanhóis a enviaram para descobrir nossos segredos. Olha como ela está vestida! – Apontou com a mão livre para o corpo de Bella. A calça jeans colada estava imunda e rasgada no joelho, enquanto a blusa azul estava com uma alcinha rasgada. – Com roupas de baixo. Eles querem que ela nos seduza!
- Isso não são roupas de baixo. – Falou Seth olhando confuso para as roupas de Bella. – Isso é alguma coisa esquisita. Além disso ela é uma mulher.
Bella segurou a careta de desagrado. Se havia algo que odiava era homem machista. Não suportava quando alguém duvidava que ela fosse capaz de realizar alguma tarefa por ser mulher. Mas sabia que estava em outra época e portanto, tinha que relevar. Agradeceu internamente por ter nascido no fim do século XX.
- Mas os espanhóis são esquisitos! – Continuou Paul. – E é justamente isso que eles querem que nós pensemos: mulheres não seriam mandadas como espiãs. Provavelmente eles acreditam que uma mulher pode se infiltrar com sucesso no território inimigo. E eu mesmo não duvido disso. As mulheres têm suas armas naturais. Essa mesmo poderia me seduzir se eu não soubesse quem ela realmente é.
Bella olhou para o General e percebeu que ele estava aceitando as idéias de Paul. Tinha que fazer algo, porque se ele acreditasse naquela história de espiã iria depressa para a fogueira, forca ou seja lá qual eram os métodos usados para criminosos naquela época.
- Eu não posso ser espanhola. – Disse Bella atraindo os olhares para si.
Sam sorriu debochado, seus olhos brilhavam maldosos.
- Engraçado, até alguns minutos você não se lembrava de nada?
- Não é preciso saber de tudo para perceber que meu sotaque não é espanhol. – Bella disse com raiva. Já estava farta daquele homem que se achava o dono do mundo por ser o General do Exército e blá blá blá.
- Mas com certeza não é inglês. – Disse Seth alheio ao olhar raivoso que Sam direcionou a prisioneira após a resposta. – General, acho que a decisão do que fazer com essa mulher já não cabe mais a nós.
- Apesar de ainda achar que ela é espiã de algum país, concordo com o Sargento Seth. – Afirmou Paul, soltando o cabelo de Bella e segurando seus braços para manter a moça em pé, já que ela ameaçava cair a qualquer momento.
Sam suspirou derrotado. Sentia-se um incompetente toda vez que passava a decisão para o Rei, um homem que mal saíra das fraldas e sem nenhuma experiência se comparar a dele. Sentia falta do reinado de Edward II, onde as coisas funcionavam melhor. Apesar da situação econômica e social da Inglaterra estar indo melhor com o Rei Edward III, o país era mais temido na época em que o pai dele governava.
Para o General Uley, o bem estar dos cidadãos ingleses era muito ruim. Gostava quando passava nas ruas e os camponeses e artesãos o olhavam com medo de serem levados e condenados a morte por qualquer motivo, relevante ou não. Mas agora ele servia a outro Rei, um Rei fraco e sem a mínima noção do certo e errado. Do que era bom e do que era ruim para a Inglaterra.
- Sargento Seth? – Disse Sam com a voz firme.
- Sim senhor.
- Chame o Rei Edward Cullen III.
[...]
Bella sentia todo seu corpo protestar por descanso. Estava sentada em um monte de capim com Paul em pé ao seu lado. Ele estava mais delicado desde que soubera que ela não era espanhola, porém ainda mantinha firme a possibilidade dela ser uma espiã de algum país inimigo. Pelo que entendera, a Espanha era o maior dos inimigos da Inglaterra e o ódio ali instalado era grande.
Já o General Uley olhava com raiva e superioridade para ela. Não era preciso ser um gênio para saber que por ele, Bella estaria a caminho da forca. Ele havia despertado raiva em Bella e ela implorava aos céus por uma oportunidade de chutar o traseiro dele. Pode demorar, mas ainda faço isso antes de voltar para o futuro.
O silêncio na prisão foi interrompido quando passos firmes e ritmados foram ouvidos. Alguns presos começaram a se agitar e gritar, mas logo foram cortados por ameaças dos guardas. Paul segurou Bella e a levantou. Com as mãos em sua cintura, impediu que ela desmoronasse. Paul e Sam assumiram posturas rígidas e eretas ao olharem através da grade da cela. Bella seguiu o olhar deles e entendeu o porquê de todo aquele alvoroço.
Seth vinha à frente e assim como Paul e Sam, sua postura estava ereta e seu rosto sério. Atrás dele, um homem loiro com cabelos ondulados e olhos cor de mel, tinha o rosto jovem sem expressão e um tanto misteriosa. Uma de suas mãos segurava o punho da outra atrás do corpo. Mas ele não estava sozinho.
Apesar de estar sem a coroa, ela identificou sem nenhuma dificuldade que homem ao lado do loiro era o Rei. Sua postura ereta, o queixo erguido e o olhar confiante acompanhado dos passos firmes e precisos denunciava sua soberania. Edward III tinha o cabelo em um tom acobreado e os olhos eram de um verde tão intenso quanto o dela. Com aparentes 1,85 m, tinhas os ombros largos e músculos ideais, cobertos pela pele levemente bronzeada.
Seth abriu a grade e se afastou para que os dois que o seguiam entrassem primeiro e Sam e Paul fizeram suas devidas reverências. O olhar do rei varreu toda a cela até chegar a pequena figura sustentada por Paul.
Bella pela primeira vez se sentiu intimidada por um homem. Ele a olhou minuciosamente, como se a estudasse, e em nenhum momento ela viu a surpresa passar por seus olhos. Seu rosto continuava sério e ele só retirou o olhar dela quando Sam o chamou.
- Creio que o Sargento Seth já lhe contou do problema que temos aqui, Majestade.
- Em meu reino não há problemas, apenas contratempos que são rapidamente resolvidos. Creio que já lhe disse isso, General Uley. – Sam afirmou com a cabeça, envergonhado. – Sim, o Sargento Seth já me deixou informado.
O Rei olhou para Bella e ela o encarou novamente, mas dessa vez com o queixo erguido como se o enfrentasse. Não era porque um homem a intimidava que se comportaria como um ratinho assustado.
- Ela diz que não se lembra de nada, nem mesmo seu nome. Chegamos à conclusão de que ela não é espanhola, mas o Sargento Paul acredita que ela seja espiã de algum país. Já o Sargento Seth, acredita que nenhum país mandaria uma mulher para espiar um reino tão poderoso como a Inglaterra. – Sam resumiu.
- E você, General Uley? – Disse Edward desviando o olhar da prisioneira e o direcionando para Sam.
- Eu... Eu estou confuso, Majestade. – Sam desviou o olhar para seus próprios pés.
- Tenho certeza que meu pai não o nomeou General para ficar confuso e se submeter às conclusões de seus subordinados. – Disse Edward estreitando os olhos. – Sargento Seth, quero que me diga o porquê de seu pensamento.
- Majestade, ela é uma mulher. Nenhum país que tivesse potencial para espionar o nosso mandaria uma donzela. Ela deve ser uma atriz de teatro de rua, isso explicaria as roupas estranhas.
- Sargento Paul?
- Creio que começo a acreditar na teoria do Sargento Seth, Majestade. Ela é delicada demais e não tem força alguma para se defender.
Delicada? Delicada é a mãe! Como assim eu não tenho força? Tenho sim! Eu consigo levantar uns... er... humm... alguns quilinhos aí. E ela tinha feito karatê quando era criança, chegou até a faixa roxa. Devia se lembrar de alguma coisa. O suficiente para se defender.
- Entendo. Enquanto eu decido o que fazer com a prisioneira, quero que a levem para a enfermaria do palácio antes que morra. Isso só ocorrerá se eu decidir e não por causa de infecções.
- Sim Majestade. – Sam disse com a voz baixa.
- Há outra coisa, Rei Edward. – Seth se aproximou do Rei e o entregou um par de brincos, uma pulseira e um colar. Todos de ouro. – Estava com ela.
Bella ficou alarmada. O colar que Seth dera ao Rei era sua única forma de se comunicar com Carlisle e Emmett. Se o tal Rei descobrisse que não era um colar comum, tudo estava perdido. Edward passou as jóias para o loiro ao seu lado, sob o olhar atento de Bella, e ele analisou-as cuidadosamente.
- Tem algo escrito aqui. – Disse o loiro estreitando os olhos. – Bella Swan. Deve ser seu nome. Não conheço nenhum Swan em Londres.
Bella ficou surpresa já que não sabia que Carlisle tinha gravado seu nome no colar. Só não sabia se isso era bom ou ruim.
- Também não conheço, Conselheiro Whitlock. – Disse Seth.
- Sargento Seth, devolva as jóias à prisioneira. – Disse Edward, fazendo com que Bella segurasse o suspiro de alívio. – Sargento Paul, leve-a para a enfermaria. E você, — Edward apontou para ela, transbordando superioridade. – Ouse fugir e as coisas ficarão bem piores para você. De uma coisa tenha certeza: eu posso te achar em qualquer lugar.
Bella fechou a cara. Quem ele pensava que era para lhe ameaçar desse jeito? Podia ser o Rei da Inglaterra do século XV, mas não mandava nela. Se achava superior a todos mas não passava de um menininho mimado que mal sabia tomar um banho sozinho. Achava que a vida era boa para todos só porque a vida havia sido boa com ele. Estava longe de alguém como aquele reizinho lhe dar ordens.
O Rei foi embora acompanhado do estranho Conselheiro. Seth então entregou à Bella suas jóias, antes de acompanhar o General que saia cuspindo fogo. Bella terminava de por seus pertences quando Paul a interrogou.
- Devo te pedir desculpas?
Bella o encarou sarcástica.
- Por quase me afogar e por puxar meu cabelo? Sim deve. — Paul sorriu torto.
— Desculpe- me, Senhorita Swan. – Fez uma reverência.
- Por favor, me leve logo na enfermaria que acho que vou desmaiar a qualquer momento.
Aproveitando-se do momento, Paul segurou-a em seu colo com delicadeza, aproximando-a do seu corpo o máximo que pôde, e seguiu o caminho da enfermaria do palácio. Não demorou muito para ela desmaiar de cansaço. Olhou o rosto alvo da estranha, com traços delicados e lábios rosados. Ela era muito bonita e extremamente atraente. Seria muito bom se ela não fosse condenada a morte por espionagem.
[...]
Acordara com um gosto ruim em sua boca. Antes de estar ciente de que repousava na enfermaria do palácio, pensou que tudo não havia passado e um estranho sonho quando sentiu a cama fofinha onde estava deitada.
Sentou-se, sentindo sua cabeça rodar, e analisou seu corpo cheio de curativos. Passou a mão em seu cabelo assanhado, colocando-o para trás, e depois coçou os olhos a fim de enxergar melhor. A enfermaria estava escura devido à noite sem lua e as poucas lamparinas acesas para iluminar o lugar. Havia várias camas com lençóis brancos, onde apenas ela e um homem com o pé engessado e que roncava alto, estavam deitados. Cada cama vinha acompanhada de um cabideiro, porém suas roupas não estavam no seu. No fundo da grande sala tinha um armário de metal, onde provavelmente estariam alguns remédios.
As lembranças do que acontecera naquela tarde vieram na sua mente de uma vez só e imediatamente, Bella levou sua mão até o pescoço procurando o colar que Carlisle lhe dera. Segurou o pingente com força — como se aquilo a fizesse acreditar que o colar realmente estava ali — e buscou seu nome gravado nele. Com letras caprichadas, “Bella Swan” estava escrito com ouro branco, contrastado no ouro amarelo do colar.
Olhou mais uma vez para o homem completamente desmaiado de sono. Ao constatar que não acordaria tão cedo, girou o ganchinho que prendia o cordão ao pingente como Carlisle havia lhe dito: três vezes para a direita e duas para a esquerda. O pingente se abriu e a imagem cinza-azulada do holograma apareceu.
“Não era pra você estar aqui. Ninguém te chamou!”
“Não preciso de permissão para ficar preocupada com a Bella”
“Ficar preocupada não te da o direito de invadir o MEU laboratório!”
“A porta estava aberta, logo, eu não invadi.”
“A culpa é sua Emmett”
“MINHA? O que foi que eu fiz?”
“Deixou a porta aberta para essa Senhora entrar.”
“Senhora é a sua mãe! Sou bem mais nova que você, seu caduco!”
“Bella entrou que nem um furacão aqui. Quem ligaria para a porta, caduco. Ops! Carlisle”
“Engraçado. Ria mesmo Emmett! Da corda para essa louca. Você não podia abrir a boca para contar tudo para essa maluca!”
“Já já eu lhe mostro quem é a maluca...”
“Ela é amiga de Bella, é de confiança. Além disso ela já tinha ouvido muita coisa antes de percebermos que ela estava aqui.”
“Claro! Uma pessoa que invade laboratórios alheios e que acusa o DONO do laboratório de ‘Cavalo assassino de amigas’ merece total confiança. Ela precisa ir para uma clínica psiquiátrica!”
“MAS EU VOU ACABAR COM ESSE ENGOMADINHO!”
- CHEEEEGA! – Bella gritou o máximo que pôde para não acordar o homem da enfermaria.
“Bella?”
“Bella!”
“Bellinha! Você ta viva!”
- Esme? O que você está fazendo ai? Alguém pode me explicar o que aconteceu?
Carlisle e Esme falavam ao mesmo tempo, acusando e xingando um ao outro. Bella revirou os olhos, passou a mão no rosto sem paciência e bufou enquanto não entendia nada que os dois falavam. Mandou um olhar assassino para seu amigo-urso que gargalhava da situação. Nem pra separar os dois ele servia!
- PAREM! – Carlisle e Esme olharam para Bella assustados e depois cruzaram os braços, virando a cara emburrada um pra cada lado do laboratório. – Mas que coisa, parecem duas crianças birrentas. Emmett, sua mula, tire esse sorriso idiota da cara e conte o que aconteceu aqui.
- A parada é o seguinte: Esme ficou preocupada quando você saiu correndo que nem uma louca e resolveu te seguir. Ai ela te viu entrando no laboratório e foi junto. Escutou o que nós dissemos e deduziu que você estava em perigo. Assim que você foi pro passado, ela apareceu chamando Carlisle de “Cavalo assassino de amigas”. Carlisle pirou quando a viu aqui e tentou a convencer de que tudo não passou de um mal entendido. Mas como eu conheço Esme e sei o quanto ela é teimosa e esperta demais para acreditar nisso, resolvi contar logo tudo a ela. Carlisle quase teve um infarto e os dois começaram a se xingar e trocar farpas. Fim.
- Eu fiquei preocupada com você Bella. – Esme disse olhando para os próprios pés. – Por favor, não fique com raiva de mim.
- Claro que não Esme. – Bella sorriu afetuosa. Gostava tanto de Esme que era quase impossível ficar com raiva dela. – Carlisle, ela é de confiança. Não precisa ter medo, ela não vai abrir a boca. Deixe-a ai participando de tudo.
Carlisle olhou para Esme contrariado. Aquela ruiva havia o tirado do sério quando invadiu seu laboratório se achando no direito de o acusar de praticamente assassinar sua princesinha. Já tinha visto Esme andando pelo campus e quase fez uma careta quando lembrou que tinha admirado sua beleza de longe. O ditado mais certo que havia era “Beleza não põe mesa.”. Se pusesse, ela não seria uma maluca intrometida.
Mas agora era Emmett e Bella a favor da ruiva baixinha e problemática. E se os dois a conheciam e a queriam por perto, ele não poderia ir contra. E mesmo que se recusasse a permitir a entrada de Esme e sua participação efetiva no plano, sabia que ela arranjaria um jeito de participar.
- Tudo bem. – Carlisle suspirou e Esme sorriu vitoriosa. – Mas ela tem que me obedecer e também passar o tempo todo aqui dentro, assim como eu e Emmett. Dormir aqui e só sair para ir ao banheiro.
- Ok. – Esme estirou a mão para Carlisle e ele apertou. – Eu vou obedecer esse babaca apenas no que se tratar dessa tal viagem no tempo.
- Pronto, olha que lindo. Dois amiguinhos agora. – Disse Bella e os dois reviraram os olhos. – E respondendo a pergunta que vocês fizeram a mim assim que eu entrei em contato, eu estou bem, não precisavam se preocupar.
Como um estalo, os três tomaram consciência de que Bella realmente estava viva e estava no passado, desafiando todas as afirmações da física de que era impossível viajar para o passado. A encheram de perguntas e ela respondeu a todas. Os três prestavam atenção em cada detalhe que Bella dizia, esquecendo tudo ao seu redor, mergulhados apenas no que parecia ser um filme de ficção científica.
- Sabe Carlisle, você estava errado quando disse que as linhas do tempo são invisíveis. Eu acho que sei onde elas estão. – Carlisle fez um sinal para que prosseguisse. – O lugar é tão escuro, como se nenhuma iluminação chegasse até lá. Como se elas estivessem... além do universo. Meio que do lado de fora entende? Considerando que o universo teria um fim, é limitado, as linhas do tempo estariam do lado de fora das fronteiras do nosso universo.
- É uma teoria a ser considerada. Mas, sinceramente Bella, eu não vou me aprofundar nisso. É muito perigoso caso alguém com má fé descubra. É melhor permanecer na ignorância do que em um mundo inteligente e ambicioso. Eu não quero ser um Santos Dumont que se suicida ao ver sua brilhante invenção ser usada para a guerra. Assim que tudo se resolver, eu mesmo destruirei essa máquina do tempo e a esquecerei. Estou completamente realizado só por criá-la.
- Entendo. – Bella suspirou compreendendo o amigo. — Bom, eu vou dormir que eu estou exausta. Não me recuperei ainda e meus neurônios estão queimando de curiosidade para saber o que aquele idiota vai fazer comigo. Tchau gente.
- Tchau Bellinha furacão. Te pego quando voltar, gostosa!
- Tchau Bellinha. Estarei sempre aqui te acompanhando, amiga. – Esme soltou um beijo para ela.
- Tchau princesinha.
Bella fechou o colar se sentindo um pouco melhor. Saber que podia contar com eles a fazia sentir-se menos sozinha. Estava em uma época estranha, não sabia como agir e tinha que pensar em seus atos e palavras para não assustar os ingleses. Seria um pouco difícil no início, mas não duraria por muito tempo... Assim que ela fosse liberada, entraria na primeira mata de Londres e então não precisaria mais fingir.
Seria rápido e fácil. Se livraria do General orgulhoso e do Rei mimado de uma vez só. Mas ela também era muito azarenta. De tantos lugares para cair tinha que ser logo nas terras do palácio?
Deitou-se na cama e se cobriu com o cobertor de flanela. Ouviu ainda os roncos do desconhecido antes de dormir profundamente.
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N/a: Sobre a criação da capa da fanfic, leia as notas do capítulo.
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