Notas iniciais
chegando...

Alice se olhou no espelho. Estava deslumbrante segundo sua dama de companhia. Seu vestido azul bebê misturado com o rosa do mesmo tom e com flores em aplique havia sido escolhido por ela mesma, mas jamais imaginaria que seria usado para aquela ocasião. Nem em seus piores pesadelos.

Desde a anunciação feita por sua mãe de que Edward havia cedido às suas intenções maldosas, Alice não havia saído do quarto. Seu irmão também não fizera questão de vê-la, pelo contrário. Meu próprio irmão me traiu. Não o vira desde então. Nem ele nem ninguém, a não ser sua dama de companhia, sua mãe e Tânia, que parecia ser a seguidora fiel de sua futura sogra.

Naqueles dias de molho, pôde refletir sobre sua vida e finalmente enchergou a realidade. O mundo de contos de fadas que alucinara por todos seus 20 anos havia sido destruído. Ela não era mais a mesma. Pela primeira vez pôde ver o quanto a sua vida era medíocre. O peso da realeza sobre sua família era uma maldição. Edward não podia ficar com Bella; Rosalie havia sido deserdada por não se portar como uma princesa deveria; ela iria se casar com um homem que não amava. Tudo por causa de uma maldita coroa e suas obrigações.

Tudo estava tão claro agora! Como pudera ter sido tão infantil durante todos esses anos? Como achara que Jasper a pediria em casamento em uma manhã de sol, perto de um lago com cisnes nadando e um violino tocando de fundo. Era tudo tão ridículo!

Ouviu a porta proferindo três batidas e com um leve “Entre” permitiu que Bella adentrasse no quarto. Seu vestido com certeza não era o mais apropriado para a festa, mas a máscara que carregava em sua mão mostrava que sua ex-dama de companhia pretendia participar do baile. Provavelmente para encontrar-se com Edward sem que fosse reconhecida. Um estalo veio a sua cabeça. Era por causa de Bella que Edward quis que o baile fosse de máscaras. Agora estava explicada a exigência de seu irmão que nunca havia se metido na organização de um baile, principalmente aqueles realizados por sua mãe. O que um homem apaixonado não fazia? Eu nunca saberei.

– Oi Lice. – Bella se aproximou, dando um abraço na amiga. – Como você está?

– Realista. – Bella franziu o cenho. – Eu fantasiei um mundo cor de rosa durante todo esse tempo, mas aqui estou eu, uma jóia rara prestes a ser leiloada. Como pude ser tão infantil achando que eu me casaria com alguém que amasse?

Bella suspirou e segurou suas duas mãos.

– Alice, você confia em mim? – Alice a olhou confusa.

– Como assim?

– Confia ou não confia?

– Confio.

– Então acredite: isso é para seu bem. Não! Não! Não para o bem do reino, da Rainha ou da sua imagem perante os súditos. É para o seu bem. Edward jamais faria algo que não fosse o melhor para você e que te deixasse infeliz.

– O que você quer dizer Bella?

– Só confie em mim. No final dessa festa você será a mulher mais feliz do mundo.

Uma pontinha de esperança surgiu no coração da princesa.


[...]


– Eu não acredito nisso!

Emmett rosnou ao ver a imagem de Jasper. Ele não estava arrumado para a festa que já rolava lá embaixo. Sentado na cama e olhando para a janela, segurava um copo de vidro com whisky. Não estava bêbado, mas o clima de depressão era quase palpável.

– Tchau Emmett! – Resmungou Jasper, ainda na mesma posição. Bebeu um gole de seu copo.

– Não! – Emmett arrancou o copo da mão de Jasper, fazendo este se levantar furioso.

– Vá pro inferno!

– Você é um homem ou um idiota alcoólotra?

Jasper suspirou, esfregando as mãos no rosto. A essa hora, Alice deveria estar se arrumando para os babacas para quem ela iria se apresentar. Era tão estúpido. Nem digno dela se achava.

– Caramba Jasper! – Começou Emmett. – Há quanto tempo você ama Alice? Há quanto tempo insiste em observá-la de longe, sem nunca se aproximar-se dela além de uma dança? Você a entregou de bandeja àqueles homens.

– Edward a entregou...

– Não Jasper, foi você. Você e a sua covardia. Acha que Alice esperaria mais quanto tempo para que você se declarasse? Até que ficasse velha e você finalmente virasse homem e tomasse coragem? Não ponha a culpa no Edward. Se alguém tem culpa aqui, esse alguém é você.

Jasper o olhou envergonhado, jogando-se em sua cama. Passara tanto tempo culpando Edward que não percebera que ele mesmo que causara tudo isso.

– Você tem razão. E agora eu que aguente as consequências.

– Ha! É aí que você se engana! – Emmett foi até o armário de Jasper, escolhendo uma roupa para o amigo e jogando a mesma na cara dele. Jasper resmungou. – Você vai sair deste quarto, vai se arrumar e vai ao baile.

– Para quê? Para assistir Alice ser pedida em casamento por um idiota?

– Não. EU vou assistir VOCÊ pedir Alice em casamento. Mas você é um idiota, então sim, Alice vai ser pedida em casamento por um idiota. Coitadinha, não tem sorte mesmo.

Jasper deu um soco no braço de Emmett.

– Eu não sou o melhor partido desta festa.

– Como não? Alice te ama, você ama Alice, tem boa índole, é amigo de confiança de Edward, tem um alto cargo na realeza...

– Você acha que Edward me concederia a mão de Alice?

Emmett mordeu a língua para não falar que o propósito do baile era justamente esse: Edward conceder a mão de sua irmã à Jasper. O rei pedira para Emmett convencê-lo de ir ao baile e pedir a mão de Alice. Emmett aceitou prontamente, muito mais por querer ajudar seu amigo com a mulher que amava do que para tirá-lo do quarto tempo suficiente até que Rose achasse a chave da passagem secreta. Ao constatar isso percebeu o quão ligado estava aos novos amigos. Seis bilhões de pessoas. Seis bilhões de pessoas.

– Tenho absoluta certeza.


[...]


Emmett seguiu ao lado de Jasper, que estava uma pilha ao seu lado. A máscara ajudava a esconder o estado do conselheiro, assim como ajudava Emmett a não ser reconhecido como empregado do castelo.

O físico lançou o olhar sobre a multidão procurando uma cabeleira loira, que olhava em sua direção. Sem que o loiro ao seu lado percebesse, movimentou os lábios sem que saísse som, esperando Rosalie entender que perguntava sobre “Bella”. Sua parceira negou.

Certo. Bella ainda estava com Alice. A princesa seria a última a desocupar o andar do quarto de Jasper. Depois que Bella descesse anunciando que faltava pouco para a entrada triunfal de Alice, Rosalie ficaria em alerta e se prepararia para entrar em ação.

Sentiu um olhar queimar suas costas. Virou-se para trás e reconheceu Edward escondido sob a máscara. Sorriu para ele e foi correspondido.

Jasper saiu do quarto. Agora é só esperar.


[...]


Edward abriu o quarto de Alice, encontrando-a com sua mãe, a dama de companhia de sua irmã e... Bella. Sem que ninguém percebesse, Edward e Bella trocaram sorrisos.

– Está pronta Alice? Já está na hora de você entrar.

– Ela já está indo. – Disse a rainha ajeitando os fios soltos do penteado da filha.

– Swan, preciso de você lá fora.

Bella pediu licença e tirou a máscara de dentro da gaveta do criado mudo de Alice, onde escondeu quando a rainha e a dama da princesa entraram no quarto. Os dois saíram e Edward a beijou rapidamente.

– Está linda.

– Nem vem Edward, esse vestido nem está apropriado para a festa.

– E desde quando precisa de vestidos magníficos para ser linda? Sinceramente, fica mais bonita sem eles.

– Idiota. – Bella deu um tapinha em seu braço, recebendo um beijo na bochecha. — Eu vou indo, antes que nos encontre aqui.

– Ok. Até mais tarde. – Bella saiu do andar pela escada designada aos empregados do castelo.

Sobre o decote do vestido, Edward reconheceu a corrente dourada embaralhada ao colar que Bella já tinha quando fora encontrada em suas terras.

Sorriu.


[...]


Rosalie viu Bella descer a escada lateral, designada aos empregados. As máscaras escondiam o rosto das duas, mas ambas se reconheceram. Com um olhar discreto, Bella se afastou. A nova dama de companhia de Alice desceu em seguida. Foi o tempo da loira ouvir Edward anunciar a entrada de Alice, que desceu acompanhada pela rainha.

Rosalie procurou Emmett com o olhar e quando o achou, o físico meneou discretamente a cabeça, mostrando que estava tudo bem. Alice inicou uma dança com seu primeiro pretendente.

Havia chegado a sua hora.


[...]


– Só tem babaca como pretendente de Alice.

Emmett olhou divertido para Jasper.

– Tomando por você, sim... só tem babaca mesmo. – Jasper deu um soco no braço músculo de Emmett. – Ah, qual é! Foi uma brincadeira. Você é o super Jez- Jez, conquistador de princesinhas inocentes.

Jasper revirou os olhos, constatando que estava menos nervoso com as brincadeiras idiotas de Emmett. De fato, gostava dele. Olhou para Alice. Podia ver de longe o quanto ela estava triste e desconfortável dançando com o Barão viúvo de 63 anos.

– Só uma pergunta. O super Jez-Jez pretende se apresentar para Alice como pretendente agora ou depois que ela se casar com o velho babão com quem está dançando? Só uma pergunta inofensiva.

– Eu não sei se sou capaz! Eu... eu não sei, não sou digno e...

Jasper sentiu um forte empurrão nas costas, vindo do amigo imbecil dele, que o impulsionara até o salão, na frente de todos. O público o observou, concluindo que ele se candidatara a ser marido de Alice.

Engolindo em seco e com as mãso suando, se aproximou do casal. Quando Alice o viu parou de dançar. O Barão olhou para trás e viu a figura trêmula do rapaz loiro. Com um aceno e um olhar desgostoso, entregou a mão da princesa ao concelheiro.

– Jasper. – Alice disse baixinho. – Não sabia que você queria... se casar comigo. – Jasper abriu a boca algumas vezes, mas o som da sua voz não saía. – Você está bem?

– Você casar quer se comigo casar se?

– O que?

Jasper suspirou e de olhos fechados falou:

– Você quer se casar comigo?

Alice sorriu, deixando duas lágrimas caírem.

– É tudo que eu mais quero!

De longe, Edward observou Alice e Jasper dançarem. Faziam um belo casal e sabia que deixava sua irmã mais nova em boas mãos. Procurou Emmett e demorou algum tempo para que este lhe devolvasse o olhar. Sorriram cúmplices.

Plano executado com sucesso.


[...]


Rosalie entrou no quarto banhado pela escuridão. Apenas as lamparinas do lado de fora do castelo eram responsáveis pela penumbra do cômodo. A sensação de deja vu tomara conta de si. Já esteve lá, nos pequenos momentos alegres de seu passado mais infeliz. Brincava com Edward e Alice diversas vezes ali – já que o maior quarto pertencia ao herdeiro, o primogênito. Mesmo já estando moça e não vendo mais a mesma emoção nas brincadeiras infantis que via antes, tinha que proporcioná-las aos seus irmãos. Eram crianças e não tinha quem as incentivasse a brincar, nem a mãe e muito menos o pai. A função só cabia a ela – a irmã mais velha — e a cumpria com gosto, sendo recompensada com as gargalhadas infantis.

Mas foi também ali que Edward se tornara o homem respeitador que era hoje. Quantas vezes cantara para que ele dormisse e esquecesse os gritos das criadas sendo estupradas por seu pai? E toda noite em que esse ato de terror acontecia, Edward lhe confidenciava ao pé do ouvido que jamais mal-trataria uma mulher. Na época, o mesmo também lhe segredara que jamais se casaria com ninguém, já que adotava uma filosofia comum nos meninos com até dez anos: “Meninas? Eca! Elas são nojentas e tem doenças.” Bella que o diga.

Espantou os pensamentos de sua mente. Não é hora para isso. Tinha que focar. Fechou a porta atrás de si, deixando o quarto ainda mais escuro. Não ousaria acender nenhuma lamparina. Tinha que se virar com a pouca iluminação que tinha. Os difíceis – mas incríveis – anos que passara longe do castelo deveriam servir para algo tão simples como achar uma chave na penumbra.

O primeiro lugar a olhar foi a cômoda. Tirou pacientemente as roupas e buscou por algum fundo falso nas gavetas, mas nada achou. Arrumou impecavelmente o que havia tirado, lembrando-se da exigência de Bella. “Tudo exatamente igual a como você deixou.”. Vasculhou cada pedaço de móvel existente no quarto do conselheiro, mas foi no pé da cama que encontrou algo estranho. Havia quatro pedras pesadas, cada uma com duas tiras de couro e fivela, como se fosse um cinto. Mas não foi isso que focou a atenção da loira.

Uma parte do assoalho era diferente do resto dele. Rosalie se agachou e alisou o pequeno pedaço e madeira, constatando que este era mais áspero que o resto dele. Continuou tateando o objeto, até notar a rachadura perfeitamente reta que separava a pequena parte estranha do restante. Tentou retirar a peça puxando-a, mas seus dedos eram demasiadamente grandes para a pequena fissura.

O canivete em seu bolso pareceu pesar toneladas. Pegou a pequena faca e infiltrou na fissura. Moveu o lado largo para frente, e puxou para cima, trazendo consigo o falso assoalho. Aos olhos de Rosalie, a pequena peça de ferro se sobressaltou em toda a escuridão do quarto. Sem esperar mais, segurou-a e re-colocou o falso assoalho, encaminhando-se para o banheiro do conselheiro.

Com o punho fechado, bateu em toda a parede do banheiro revestida de madeira, até que escutasse o barulho oco. Toc toc. Agachou-se e, conforme Bella havia lhe dito, forçou a abertura bem discreta que havia na junção da madeira da parede com o piso do chão. Puxou-a contra si com força até que ela desgrudasse do resto da parede, revelando a grossa porta de carvalho.

Enfiou a chave na fechadura e girou para esquerda duas vezes, ouvindo os estalitos que denunciavam que a porta estava destrancada. Rosalie colocou a mão na maçaneta e imediatamente sentiu seu corpo inteiro formigar, causando a sensação de dormência que Bella descreva. O Okala! Quando Bella conhecera o lugar em que o elemento se desenvolvia ao longo dos anos, a sensação foi a mesma. Agora tudo estava feito! Era só aguardar o fim do mês para que eles voltassem para casa.

Aquela constatação alertara Rose. Eles iriam embora, e ela? Ficaria sem a sua melhor amiga e seu atual namorado. Foi tirada de seus pensamentos por um barulho vindo do quarto, em seguida, a porta fechando. Alguém me viu? Com rapidez, trancou a porta e recolocou o revestimento sobre a porta de carvalho. Ao chegar no quarto, viu uma peça de estátua de bronze jogada no chão. Se bem lembrava, ela estava em cima da cômoda.


[...]

– Alguém te viu? Como assim alguém te viu? – Bella perguntou nervosa.

– Eu estava vendo se a fechadura da porta conferia com a chave, quando ouvi o barulho de algo caindo e em seguida da porta se fechando. Alguém entrou no quarto e acho que me viu.

– Certo... o quanto isso é ruim? – Emmett se levantou da cama de Bella, passando a mãos nos cabelos. – Pergunta idiota, eu sei. Há alguma possibilidade de ter sido Jasper?

– Não, eu o vi conversando com Edward o tempo todo. O que é ainda pior. O que vamos fazer? – Bella perguntou.

– Nada. – Declarou Emmett. – Só que vamos ter que passar a noite acordados para que a chave não seja roubada durante a noite. Antes do sol nascer temos que passar no chaveiro para fazer duas cópias. Caso uma chave seja roubada, ainda teremos a outra. Bella, Edward tem dormido aqui, não é?

– Sim.

– Então eu e Rose ficaremos encarregados disso.

– Ótimo. O chaveiro é tio de Ângela, irmão de Mary. Eu o conheci quando fiquei hospedada na casa dela. É um homem super discreto, não acho que sairá por aí comentando que uma deserdada e um cavalo entraram em sua loja para tirar a cópia de uma chave. – Bella arrancou uma gargalhada dos dois.

– Ainda bem que ele é discreto. – Rosalie disse rindo.


[...]


– Sue, você sabe onde está o rei? — Bella entrou na cozinha, encontrando a mulher mexendo no calderão. O cheiro de canja de galinha impestiou as narinas de Bella.

– Até onde eu sei ele está na tenda do exército.

– Tão cedo? Ontem foi dia de festa, todo mundo acorda tarde. O que ele está fazendo lá?

– Não sei, segredo de Estado. — Sue eleveou o caldo até a sua boca. Em seguida despejou o sal no caldeirão. — Mas sei que o rei tem recebido muitas cartas daquele maldito rei espanhol. Talvez tenha a ver com isso. Temos que estar preparados para tudo.

Bella absolveu a informação. Edward nunca tinha lhe dito que recebera cartas da Espanha. Nunca havia visto nenhuma correspondência com o selo real espanhol sobre sua mesa. Escondeu-as de mim? Por quê? Com um aceno, despediu-se de Sue e se encaminhou para o escritório.

Uma vez lá, sentou-se na cadeira de Edward e vasculhou a mesa dele. Papéis e mais papéis foram lidos e relidos, até que encontrou o que procurava. Um bolo de envelopes contendo mais ou menos trinta cartas eram envoltos por um barbante, todos eles contendo o selo real da Espanha. Sabia o que aquilo significava. Uma ameaça de guerra estava por vir.

E Edward não me contou.


[...]


Edward entrou no escritório molhado de suor e com a espada ainda desempanhada. Após bolarem as estratágias de batalha, havia treinado com seus soldados, testando-os, obtendo ótimos resultados. Seu exército estrava preparado para qualquer guerra.

Assustou-se ao ver Bella sentada em sua cadeira com uma cara não muito boa. A sua frente, em cima da mesa, suas cartas espanholas — que até outrora acreditara estarem bem escondidas — estavam fora dos envelopes, dando-lhe a entender que Bella as lera.

Merda.

– Até quando pretendia esconder isso de mim? — Bella arrodeou a mesa, prostrando-se de frente a ele.

– É segredo de Estado.

– Segredo de Estado? — Bella desprezou. — Eu sou sua parceira Edward. Eu não sou uma cidadã inglesa como qualquer outra. Isso daqui — Elevou a mão que segurava uma carta, que a aquela altura já estava amassada. — é uma ameaça de guerra.

– Ora, não me diga! — Ridicularizou. — Você fala como se você precisasse saber disso.

– Porque eu preciso! É assim que um casal se comporta. Eu duvido que essas ameaças não te abalaram nem um pouco. Que não esteja nem um pouco preocupado.

– É claro que estou! É meu reino.

– Pois então divida isso comigo. Você não está mais sozinho, Edward. Está comigo. Estamos juntos.

– Não me trate como uma criança órfã que acaba de ser adotado por uma mãe.

– Então pare de se comportar como uma! Pare de achar que você está só nessa.

– É para isso que eu tenho o meu conselheiro. Por isso pare de se preocupar comigo, eu já cresci.

– Então diga eu te amo para Jasper e lhe dê um anel com “E.C.” gravado nele. E eu sinto muito, Edward, mas enquanto você estiver com esse seu traseiro sentado nessa cadeira, eu continuarei me preocupando com você! Seu imbecil!

Bella empurrou a carta contra seu peito, fazendo-o cambalear para trás, e saiu do escritório batendo a porta com brutalidade. Edward suspirou.

Maravilha!


[...]


– Finalmente encontrei vocês! — Disse Bella.

Uma vez que saíra para o jardim a fim de xingar todos os antepassados de Edward, encontrou Rosalie e Emmett namorando. Quando se aproximou, analisou o semblante dos dois, constatando que estavam tranqüilos. Deduziu por si só que tudo correra bem.

– Uou! Que cara é essa de assassina. — Perguntou Emmett.

– Se você não parar com essas gracinhas eu não vou ter só a cara de assassina.

– Isso tem a ver com o Edward. — Advinhou Rosalie.

– Não me fale nesse idiota!

– Vocês terminaram? Não podem terminar. — Agonizou a loira. — Fala para ela Emm! Fale que eles são um casal lindo.

– Eu mesmo não. Não quero inaugurar a vida de serial killer da Bella. — Defendeu-se Emm, fazendo Bella revirar os olhos.

– Não terminamos. Mas brigamos feio. Enfim, não quero e nem posso falar sobre isso. Conseguiram tirar cópias das chaves? — Bella sussurrou a última parte.

– Vamos até a mata para termos mais.... privacidade. O que está acontecendo? – Emmett e as duas mulheres olharam para trás, observando as vozes alteradas, porém inteligíveis, de Carlos e Ângela.

– Já é a terceira vez nessa semana que eu os pego brigando. Edward comentou comigo que Carlos está tentando proteger Ângela de um rapaz com quem ela está se encontrando. Parece que ele não é bom sujeito. – Falou Bella, observando Ângela se afastar pisando firme e Carlos passar as mãos pelos poucos fios grisalhos, preocupado.

– Mas Ângela é uma mulher ajuizada.

– Para você ver o que o amor não faz! – Emmett tascou um selinho rápido em Rosalie, recebendo um sorriso carinhoso. Ganhei meu dia.

Os três se encaminharam para o meio da floresta. Quando já não podiam mais ver a torre mais alta do castelo, sentaram-se em círculo na grama um pouco alta. Emmett retirou de dentro da blusa um cordão grosso de nylon verde, que envolvia os buracos vazados de duas chaves.

– As cópias ficarão comigo o tempo todo. Rosalie já entrou no quarto de Jasper, que estava namorando com Alice em Londres, para colocar a original onde achou. Está tudo bem, agora é só aguardar o dia certo. Bella, precisamos manter Carlisle e Esme informados.

Sem dizer nada, Bella retirou seu colar com pigente de coração, que estava enrolado no que Edward lhe dera. Idiota! Depositou-o na grama e depois realizou os movimentos certos para que o pingente revelasse o que escondia.

A imagem cinza-azulada mostrou uma Esme escabelada, com as pernas circulando a cintura de Carlisle, que também estava com os fios loiros revoltos. Os dois se beijavam com ardor, enquanto mantiam suas mãos passeando no corpo um do outro. Emmett gargalhou alto, despertando a atenção dos dois, enquanto Bella olhava bestificada a amiga se agarrando com o homem que considerava um pai e Rosalie parecia envergonhada e assustada, porém não mais que os protagonistas.

– Agora eu entendi! Eu era o empata-foda do lugar. Por isso que Carlisle me mandou praticamente aos chutes para cá.

– Cale a boca, Emmett. — Resmungo Esme, ajeitando a roupa e o cabelo. — Isso foi algo... do momento.

– Do momento? Só isso? — Indignou-se Carlisle.

– Depois nós conversamos, ok? Não faremos isso na frente deles.

– Fará em um quarto escuro não é? — Emmett riu malicioso. — Onde vai rolar muita sacanagem?

– Oh Deus! Eu podia dormir sem ter visto isso. Minha mente ficará manchada para o resto da vida. — Lastimou Bella. Voltou-se para Rosalie, que parecia desconfortável. — Acredite Rose, o futuro não é essa baixaria não, ok?

– Bells! — Carlisle protestou. — Não é pra tanto, assim ela vai pensar que eu sou um devasso.

– Vocês estavam se comendo, Carlisle! — Incentivou Emmett, ainda rindo.

– Emmett McCarty! Se você continuar com isso eu lhe aconselho a não voltar mais para cá, porque senão eu te mato com as minhas próprias mãos!

– Falou a promíscua. Tisc tisc, que vergonha!

– Vamos parar com esse assunto, ok? Eu já não agüento mais. — Ralhou Bella, antes que Esme viesse para o passado só para socar Emmett. — Carlisle, nós só ligamos para contar como estão as coisas.

Bella preferiu relatar ao invés de Emett, que ainda tentava se controlar para não falar nenhuma besteira. Rosalie já havia sido apresentada para eles, quando uma vez Emmett entrara em contato para mantê-los atualizados. Rose ouvia tudo, imaginando como seria sua vida sem eles. No tempo em que estiveram no passado, Rose ganhou uma amiga para a vida toda e um namorado que com um simples sorriso apaixonado a transformava em uma garotinha boba que sempre teimara em não ser.

– Para quando a máquina do tempo ficará pronta? – Perguntou Emmett.

– Dia 30 de Junho de 1408. Comecem a se preparar psicologicamente e... emocionalmente. – Carlisle falou sugestivamente.

A despedida dos três não seria nada fácil, o físico Doutor sabia como estavam envolvidos. Solidarizou-se até mesmo com a loira, que não conhecia tão profundamente. Mesmo aterrorizada com o avanço tecnológico prematuro (pelo menos para ela), preferiu ajudá-los em nome de sua amizade com Bella. Não conseguiu imaginar a situação dos três.

Bella com Edward, Rosalie e Alice; Emmett com Edward, Jasper e Rosalie. Rosalie com Emmett e Bella.

No momento, a única certeza que Carlisle tinha era de que Bella e Emmett não voltariam do jeito que foram.

Bella viu Rosalie se levantar rapidamente e arregalar os olhos, distraindo-se do assunto.

– Rosalie?

– Vocês ouviram isso? – Rosalie olhou em volta.

– Isso o quê? – Estranhou Emmett.

– Um barulho. Algo como... folhas secas sendo pisadas.

– Acho que você está estressada, Rosalie. – Bella disse cuidadosamente. – Depois do que aconteceu ontem, não é para menos.

– Nós não ouvimos barulho algum, ursinha. Venha, sente-se. – Disse Emmett, batendo no lugar vago ao seu lado.

Rosalie sentou desconfiada. Seu ouvido era treinado ao contrário dos deles, meros físicos. Passara tantos anos em alerta que sua audição se acostumara a ouvir os menores ruídos. Não acreditaria que estava sobre stress.

Alguém esteve aqui.


[...]


The Only Exception — Paramore

http://www.youtube.com/watch?v=YVRhQ_-XwNQ


30 de Junho de 1408, 4:30


Os fios de cobre estavam sendo acariciados pela pequena mão da física. Seu dono permanecia de olhos fechados, mergulhado em algum lugar de seu subconciente e alheio aos pensamentos angustiantes da mulher deitada ao seu lado, na pequena e barulhenta cama de solteiro.

O coração de Bella parecia que iria implodir de tão apertado que estava. Aquela era a última vez que dividiria uma cama com Edward, a última vez que o observava dormindo, nu e com a boca entreaberta. Lembrou-se das vezes em que brigavam, onde a reconciliação trazia nas mãos de Edward uma rosa vermelha, mesmo quando ela estava errada. O sexo era imediato, não importava que horas ou onde estavam.

O amava e sabia que a partir daquele dia estaria fadada ao insucesso amoroso. Não conseguiria mais se doar com intensidade a mais nenhum outro homem. Não acharia os olhos verdes dele em lugar nenhum. Era seu fim emocional. Morreria solteira e imaginando Tânia e Edward com seus filhinhos loiros de olhos verdes. Aquele pensamento produziu uma careta na viajante do tempo.

– Que carinha agoniada é essa? – Edward a trouxe de volta a Terra, dando-lhe um beijo em seu pescoço.

Bella ronronou, enroscando sua perna na de Edward e dando-lhe um beijo em seu peito. Olhou para ele intensamente, como se quisesse gravar cada traço de seu rosto.

– Você acredita que eu te amo, Edward?

Edward franziu o cenho.

– Acredito. O fato de você usar esse colar me prova isso.

– Além de qualquer colar, Edward. Qualque coisa material. Eu te amo e quero que saiba disso sem qualquer dúvida, com toda transparência. Quero que saiba que jamais encontrarei outro homem que me faça amá-lo mais do que amo você.

– Bella, eu sei que você me ama, e eu também te amo. Ontem, hoje e sempre.

Bella o beijou com ardor, sendo correspondido por Edward que sentiu a aflição de Bella. Suspirou mentalmente. Algo aconteceria hoje. Ao contrário do que acreditava, ou quisera tão miseravelmente acreditar, Bella não havia perdido a memória ao viajar no tempo. Ela esteve consciente todos esses meses.

Sabia que ela era do futuro e tanto quanto tinha certeza disso, ele também tinha certeza do amor que um tinha pelo outro. As circunstancias é que os levavam a trajédia. O comportamento de Bella nesta madrugada lhe alertara de que algo aconteceria naquele dia, algo que colocaria o amor deles em prova. Algo relacionado ao que ela veio fazer naquele século.

Precisava falar com Jasper imediatamente. Acabaria com a alegria do amigo em estar noivo de sua irmã, mas as circunstâncias exigiam isso. Vigiariam Bella de longe.

O dia todo.


[...]


07 de Julho de 2011, 22:30


Carlisle observou a pequena luzinha acoplada à maquina do tempo mudar de laranja para amarela.

– Esme? – A ruiva se aproximou de Carlisle, observando o mesmo que ele. – Está carregada.


[...]


30 de Junho de 1408, 6:30


Bella entrou na cozinha, parando logo em seguida ao sentir o clima pesado do local. Ângela segurava um copo com água com força, seu olhar era inexpressivo. Sue acariciava seus cabelos negros, dirigindo-lhe um olhar solidário. Lauren e Jéssica a olhavam com pena. Mais afastados, Emmett e Rosalie permaneciam calados.

Ao vê-la, os dois foram até ela, guiando-a para fora da cozinha. Certificando-se de que estavam sozinhos, Bella foi a primeira a falar:

– O que está acontecendo?

– O tio de Ângela foi assassino com cinco facadas no abdômen.

Bella demorou alguns segundos para entender o real significado daquilo.

– Esperaí. O tio de Ângela é chaveiro! Foi com ele que vocês tiraram as cópias da chave!

– Ele foi morto na sua loja, mas nada foi roubado. Exceto... – Emmett falou.

– Exceto a chave-modelo que ele usou para tirar as cópias da chave de Jasper.

– Espera um pouco. – Bella ofegou. – Vocês estão me dizendo que alguém, que por acaso é um assassino, está com uma chave que dá acesso a passagem secreta?

– Exatamente. – Emmett e Rosalie disseram juntos.

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LEIAM AS NOTAS FINAIS

Notas finais
Well, you are the only exception
Well, you are the only exception
Well, you are the only exception
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eu seeeeei, eu sei que eu disse que iria dar um gostinho de descoberta nesse capítulo, mas é que ele ficou muuuuuito grande (2º MAIOR CAPÍTULO DA FIC, COM QUASE 5000 PALÁVRAS). Então o próximo será a desvendação total!
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Eu também disse que iria liberar um dossiê para vocês ainda hj, mas é que eu vou viajar e volto amanhã a noite, ou seja, só irei postar no domingo. EU SOU UMA MENITORSA SEM PALAVRA! ;(((((
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Logo, não se animem pensando que é um novo capítulo. Este só sairá depois de um tempo (PUTA QUE PARIU, QUEBREI UMA UNHA!) para eu organizar minha ideias e colocá-las aqui no papel, sem que eu não me esqueça de nehuma interrogação da fic.
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então até o dossiê!