Universo Paralelo
2 Capítulo 1
Notas iniciais
voltando com mais um capítulo para dar início ao nosso drama!
bjss e espero reviews!
Só se ouvia o barulho do salto de madeira chocando-se com o chão do corredor deserto da universidade. Já eram dez horas da noite e o dia letivo já havia acabado há quatro horas, mas ainda havia alguns jovens em frente aos dormitórios combinando um lugar para beber no final de semana e extravasar a pressão das aulas.
A mestranda e professora de Física da Universidade de Harvard olhava apressada para seu relógio de pulso. Droga, estou atrasada. Nada imperdoável, porém odiava ser impontual. Procurou a porta que a levaria ao laboratório de Física, local onde sempre trabalhava em sua dissertação com o orientador especializado em Física Moderna. Marcavam a noite devido ao silêncio e a tranquilidade que o horário permitia.
A mulher de 24 anos colocou uma mecha atrás da orelha que insistia em cair de seu coque mal feito. Os cabelos longos, castanhos e cacheados faziam contraste com sua pele branca. Os lábios rosados acompanhados dos olhos verde-esmeralda, das boas curvas nos lugares certos e da altura mediana faziam com que os hormônios dos jovens universitários saltassem pelos poros. Era desejada não só por seus alunos, mas também por seus colegas de trabalho, porém não dava muita atenção a isso. Era do tipo de mulher “pega e não se apega” e jamais daria atenção para homens que pertenciam ao seu ambiente de trabalho.
Ajeitou o jaleco branco que cobria o vestido vermelho soltinho antes de entrar no laboratório.
- Carlisle?
Viu o seu orientador de 42 anos sentado no sofá, encarando seriamente a televisão onde passava o telejornal das dez. A expressão preocupada do homem que era quase um pai para ela fez com que ela também ficasse preocupada. Carlisle Foster foi seu professor na faculdade e logo os dois se identificaram. Tinha ele como seu mentor, seu ídolo, não só como profissional, mas também como pessoa. Carlisle a tinha como filha e depois que seus pais morreram em um acidente de carro há três anos, assumiu de vez o papel que conquistara no coração da bela mulher.
- Carlisle! – O chamou novamente e dessa vez ele escutou. Olhou assustado para ela.
- Oh! Bella, não vi você entrar. Sente-se aqui.
Estranhou. Toda vez que ela chegava depois dele, Carlisle tratava logo de desligar a televisão para começarem a trabalhar. Porque hoje seria diferente? Fez então o que ele pediu e Carlisle voltou a prestar atenção no jornal. Colocou a bolsa no colo e dirigiu sua atenção para o que o jornalista dizia.
“A Terceira Guerra Mundial foi iniciada como já prevíamos. Japão, China, Indonésia e Itália invadiram a Espanha no início da noite, madrugada na Europa. Em resposta, os aliados do país invadido, França, Alemanha, e o nosso país, os EUA, mandaram tropas para a China, a grande mentora da guerra.
Não se sabe os planos das nossas tropas, mas sabemos que a nossa tecnologia não nos deixará na mão. Jovens já foram chamados para servirem ao nosso país e defenderem a liberdade. O motivo principal da guerra é a ambição desses países sobre os territórios desenvolvidos.
Mas sempre devemos lembrar: nosso país sempre estará do lado dos certos.”
Bella ficou bestificada com o patriotismo mentiroso da mídia. Ela era facilmente manipulada pelos governantes. A professora acreditava que em uma guerra não havia certos ou errados, justos ou injustos. No campo de batalha todos eram desumanos, egoístas e sanguinários. Bella olhou para Carlisle que agora tinha o rosto escondido atrás das mãos. Certo que a guerra era uma notícia horrível, mas Carlisle parecia estar apavorado. Se ele tivesse um filho entre 18 e 30 anos entenderia seu medo, já que essa era a idade para que um rapaz fosse intimado a lutar pela nação. Mas Carlisle se quer tinha uma namorada.
- Carlisle, você esta bem?
Carlisle levantou o rosto lentamente e engoliu em seco. Precisava contar o que estava acontecendo a Bella. Rezava para que esse dia não chegasse nunca, pois se algo desse errado poderia acontecer uma catástrofe. Porém confiava em sua orientanda. Se ela aceitasse...
Era a única chance.
- Não Bella, eu não estou bem. – Disse se levantando e indo até uma porta que havia no canto do laboratório. – Me acompanhe.
Bella franziu o cenho. Nunca viu aquela porta destrancada e confessava que morria de curiosidade para saber o que havia lá dentro, porém só Carlisle entrava naquele lugar já que era o chefão da área de Física de Harvard. Esse era o mau dos físicos: a curiosidade. Carlisle digitou uma senha e colocou o polegar no identificador digital. A porta se abriu e ela seguiu Carlisle sem pestanejar.
O lugar parecia ser a continuação do laboratório. Nas paredes haviam lousas com cálculos impossíveis até para um aluno da universidade. Havia computadores, bancadas com peças que sozinhas eram inúteis e outras engenhocas que Bella não fazia a mínima idéia do que fosse. Porém, o que se destacava era uma grande máquina cilíndrica no meio da sala. Ela ia do chão até o teto, sua cor era branca e nela havia milhares de botões acoplados.
- Carlisle, o que está acontecendo?
Carlisle passou a mão na testa enxugando o suor. Só Deus sabia o quanto era difícil para ele colocar a sua garotinha no meio disso tudo. Mas era necessário, era a única em que ele confiava plenamente.
- Pode me contar o que está acontecendo com você Carlisle? Está pálido. Quer um copo d’água?
- Não é preciso Bella. Eu...
- Esse seu nervosismo todo tem a ver com a guerra?
- Tem tudo a ver com isso. – Carlisle respirou fundo e encarou Bella de vez. – Mês passado o General do exército americano me procurou. – Bella franziu o cenho. – Eu estava em casa quando eles me obrigaram a ir imediatamente até a sede da Agência de Segurança Nacional (NSA).
- Eles te levaram até lá? Mas NSA é secreta, ninguém sabe onde fica! – Disse a física empolgada.
- Eu também não sei, me levaram até lá com uma venda nos olhos. Eu entrei em uma sala que parecia ser de reuniões e me deparei com físicos e químicos que também não tinham a menor idéia do que estavam fazendo lá. Sentamos na mesa e esperamos alguém nos explicar o que estava acontecendo.
Carlisle respirou um pouco e enxugou mais uma vez o suor da testa, notando que sua mão começara a tremer. Não era fácil, não era mesmo.
- Eles queriam que nós ajudássemos com pesquisas para a guerra. No início eu achei estranho já que eles têm pessoas de altíssima inteligência trabalhando na NSA. Além disso, a NSA só trabalha com matemáticos, pois a única função da área de inteligência da NSA é descobrir mensagens codificadas. Mas eles não queriam os matemáticos, eles queriam físicos e químicos.
- Pra quê? Que eu saiba os físicos e químicos que trabalham para o governo ficam na CIA e não na NSA.
- É uma área feita recentemente, sendo na NSA e não na CIA para ser ainda mais secreta. Todo esse segredo feito para um único motivo. O verdadeiro motivo pelo qual a guerra começou. Não tem nada a ver com conquista de territórios ou seja lá qual a mentira que a mídia conte. Na verdade acho que até a mídia está sendo enganada. A verdade Bella, é que a terceira Guerra Mundial é um “caça ao tesouro”.
- E qual seria o tesouro?
- O Okala.
- E o que é o Okala?
- A maioria acredita que seja um elemento, mas ninguém sabe ao certo. Eu só sei que o Okala é único e que pode fazer maravilhas, coisas inacreditáveis! Quando estive na NSA eles citaram milhares de coisas que suspeitavam que o Okala poderia fazer.
- Você está me deixando tonta Carlisle. – Bella procurou uma cadeira no laboratório e se sentou. Carlisle a acompanhou e sentou-se na cadeira a sua frente.
- Há um manuscrito recém descoberto de que essa preciosidade realmente exista. Não me pergunte como todos esses países descobriram de uma vez só a existência do Okala, mas a primeira nação que descobriu foi a Indonésia.
- Eles acham que estão na Europa. – Carlisle afirmou com a cabeça. – Mas então, por quê os EUA invadiu a China?
- Para que o mundo realmente ache que a terceira Guerra Mundial seja por territórios. Esses países se uniram fazendo dois grupos e se um achar o Okala, terá que dividir os benefícios com seus aliados. Mas a questão é que eu acho que sei em que país exatamente está o Okala. De acordo com as minhas reflexões, é claro.
- Onde?
- Na Inglaterra. As mudanças climáticas, mudanças na vegetação, na hidrografia, no relevo... A natureza da Inglaterra se mostrou muito instável ao longo dos anos. Com o Okala é a mesma coisa. Ele é instável e teoricamente sendo um elemento, age como a natureza. É o lugar mais adequado para ele estar.
- Como assim instável?
- O Okala é líquido, é sólido, é gasoso. É um cubo, uma esfera, uma pirâmide. É gelado, é quente. Ele é o que quiser, no momento que quiser, na hora que quiser. A única certeza é da cor: prata.
- Que loucura.
As informações ainda se processavam na mente de Bella. Como era possível existir um elemento único, capaz de fazer coisas inimagináveis e que se transformava no que queria, quando queria? Isso sim era um grande motivo para eclodir a terceira Guerra Mundial. Países ambiciosos que não mediam esforços para ser a maior potência mundial. Tinha vergonha de seu país.
- Eu me recusei a participar. Não queria ser responsável mesmo que indiretamente da morte de milhares de pessoas. Mas isso é só o começo Bella.
A física se ajeitou na cadeira. Sabia que naquela noite não trabalharia mais na sua dissertação. Não tinha mais cabeça para isso, na sua mente só rondava o mistério do Okala. Se para Carlisle aquilo era pouco, imagine o que viria a seguir.
- Sou toda ouvidos.
Carlisle se levantou e enxugou novamente a testa. O pior vinha agora e se conhecesse bem sua menininha, saberia que ela iria aceitar. Era jovem, com espírito de justiça e muita energia. De última hora pensou em mais alguém que tivesse inteligência suficiente para lhe dar com a situação e que ao mesmo tempo confiasse plenamente.
Nada. Ninguém.
- Há quinze anos eu venho trabalhando nisso. – Carlisle colocou a mão na máquina cilíndrica, a olhando com orgulho e tristeza. — Desde que eu me tornei doutor em Física Moderna criei uma fantasia em minha mente. Fantasia essa alimentada pela Teoria da Relatividade, de Albert Einstein.
- Carlisle, vá direto ao ponto, por favor. Eu já não agüento mais tanta introdução. – Bella mordeu os lábios como sempre fazia quando estava nervosa.
- Isso aqui Bella, é uma máquina do tempo. – Bella abriu a boca ao ouvir o que Carlisle dizia. – Ao saber que a possibilidade de viajar para o futuro era real eu entrei em êxtase. Mas a minha ambição de jovem me fez querer ir mais além e provar que era possível viajar para o passado também.
- Carlisle. – Bella respirou fundo antes de continuar. – Isso é inacreditável. Mas como funciona?
Carlisle foi até o notebook que estava conectado diretamente a máquina do tempo e acessou um programa. Bella, tomada pela curiosidade, se levantou da cadeira e foi para seu lado.
- Como você já sabe, para um homem ir ao futuro ele teria que viajar a uma velocidade de 300.000.000 m/s – a velocidade da luz — o que ainda não conseguimos alcançar, porém estamos próximos. Quanto a viajar ao passado, os cientistas ainda acreditam ser impossível. E eu, sendo jovem na época em que me tornei Doutor, queria provar ao mundo a minha importância. Queria entrar para a lista dos físicos mais importantes do mundo, assim como o meu ídolo: Albert Einstein.
Carlisle suspirou fechando os olhos. Engoliu em seco e continuou.
- Eu descobri o que poderia mudar a história do mundo. Eu imaginei milhares de linhas do tempo onde cada uma havia uma história para Terra. Como se uma linha do tempo houvesse um passado, um presente e um futuro diferente de outra linha do tempo, que só foram diferenciadas devido a decisões distintas que nós humanos tomamos.
“Já a natureza foi a mesma para todas as linhas do tempo. No início, antes da existência dos homens, as linhas eram idênticas. Os animais agiam iguais, as plantas eram as mesmas, o clima e a temperatura de cada linha do tempo não se diferenciavam. Se chovia nessa linha do tempo em exata hora do dia, nas outras também chovia na mesma hora.”
“Porém, após o povoamento dos homens na Terra, cada linha seguiu seu rumo. Acredito que há linhas do tempo em que a Terra já sofreu o apocalipse. Outras em que ainda há humanos andando nus. Outras em que pode haver uma pessoa dominando o mundo ou sei lá mais o que. Você entendeu?”
- Acho que sim. Mas, Carlisle, como você sabe que isso é verdade? Digo, isso tudo você imaginou.
- A minha máquina me provou que eu estava certo. Ela conseguiu localizar a imensa quantidade de fótons (partículas responsáveis pelo eletromagnetismo) que possui nessas linhas, provando que eu estava certo. Elas estão espalhadas pelo universo e não são visíveis.
Bella se sentia como se estivesse em seu primeiro dia de universitária. Tudo era novo, curioso, parecia mágico. Sentia-se um pouco idiota ao lado de Carlisle que havia construído uma máquina revolucionária.
- E qual o tamanho dessas linhas?
Carlisle sorriu diante da pergunta.
- Não pode ser medida por comprimento e sim por anos. E foi assim que descobri a verdadeira idade da Terra: 6.997.864.312 anos. Todas as linhas tem a mesma idade, todas estão em 2011 d.C. Isso prova que ninguém em 2011 de nenhuma das linhas do tempo conseguiu viajar ao futuro.
- Você ainda não me disse como funciona a máquina do tempo. – Bella mordeu o lábio inferior em sinal de ansiedade.
Carlisle suspirou. Havia chegado a hora.
- Antes disso Bella, eu tenho que lhe explicar a relação entre a guerra, o Okala, a máquina do tempo e você.
- Eu? – Bella arregalou os olhos.
- Sim. Essa guerra pode levar a conseqüências gravíssimas Bella. As armas estão muito mais devastadoras e os países não vão moderar em sua forma de ataque. Eu não estou falando apenas de pessoas mortas e países devastados, eu estou falando de apocalipse. Eu estive na NSA e soube do que eles são capazes. Foi então Bella, que eu tive uma idéia.
Carlisle passou as mãos pelo cabelo e colocou as mãos nos bolsos de seu jaleco branco.
- Que idéia? – Disse Bella com o cenho franzido.
- A única forma de essa guerra acabar é destruindo o Okala antes mesmo dele ter sido descoberto pelo autor do manuscrito.
Carlisle olhou para Bella transmitindo sua idéia através do olhar. Bella estava desnorteada.
- Espera um pouco. – Bella se afastou de Carlisle rapidamente, passando as mãos pelo cabelo. – Você esta me propondo viajar para o passado para destruir o Okala. Isso é... é... é loucura! É loucura!
- Você acha que eu queria meter você nessa? Loucura é saber que o mundo pode acabar e tendo a solução, não fazer nada! Bella, você é a única pessoa em que eu confio plenamente e que porta uma inteligência sensacional. Eu estou apavorado e se você ouvisse o que eu ouvi também ficaria apavorada.
Bella ficou de costas para Carlisle apoiando suas mãos em uma bancada. Ainda tentava digerir tudo que havia descoberto, mas o que mais lhe atormentava era a proposta de Carlisle. O pior de tudo é que ele fazia sua consciência pesar mesmo sem querer. Carlisle colocara em sua mão o poder de evitar uma catástrofe e ela sabia que não havia outra pessoa que pudesse fazer isso. Além do mais nunca que gostaria de decepcionar o homem que tinha como segundo pai.
Mas o que ela perderia indo? Era uma aventura que não caia do céu. Entraria em contato com pessoas de outra época, saberia como elas pensavam e se os historiadores estavam realmente certos. Era arriscado, porém tudo apontava que ela deveria ir.
- E pra que ano eu vou?
Carlisle sorriu, mas não deixou seu semblante de preocupação. Bella foi novamente para seu lado.
- Para a Inglaterra do século XV, exatamente em 24 de março de 1408, ano do manuscrito. Foi a época mais gloriosa da Inglaterra se tratando de satisfação dos ingleses. E era difícil ver um povo tão satisfeito com seu Rei no período medieval.
- Quem era o Rei?
- Edward Cullen III. Ele deveria ser príncipe, porém seu pai faleceu antes do tempo o obrigando a se tornar Rei antes de se casar. Mas em março de 1408, ele já estava noivo de sua prima de segundo grau, Tânia Denali. Relatos históricos dizem que, apesar de Edward III ser um Rei honesto, foi o homem mais impiedoso que povoou a Inglaterra. Era temido e respeitado por seus súditos.
- Ok. Mas enfim, em que cidade você acha que está o Okala?
Carlisle sorriu sem graça.
- Eu não sei. – Bella olhou pra ele como se estivesse louco. – Não faça tanto drama Bella. A Inglaterra é um país pequeno e além disso, eu tenho certeza de que o Okala está em alguma floresta ou caverna, em contato direito com a natureza instável do país. Então, eu irei mandá-la para Londres que na época era a cidade mais verde da Inglaterra.
- E como eu vou achar? – Bella elevou a voz. – Sair cavando toda a Inglaterra atrás de algo que não possui uma característica física fixa? Eu não vou conseguir.
Carlisle segurou a mão da física e a apertou com força, como se quisesse passar segurança.
- Você é capaz. Eu não lhe daria uma tarefa se eu soubesse que não conseguiria realizá-la. Mas não se preocupe com a forma do Okala, o manuscrito diz que uma pessoa sabe quando está próximo dele. Não sei de que forma, mas sabe.
- Sinceramente Carlisle, eu acho que você caducou. – Ele deu uma risadinha baixa. – Mas vamos lá, me explique como funciona essa coisa.
- Não fale assim da Mary, a criei com tanto carinho. – Disse o físico com humor e Bella sorriu de leve.
- Desculpe Mary. — Disse Bella irônica.
Ele digitou algo no notebook e girou a tela na direção de Bella. Havia uma reta dourada na vertical e com o plano de fundo preto.
- Esta é a nossa linha do tempo. Nós estamos aqui. – Apontou para o fim da linha. – Como 2011 é o último ano, corresponde ao final da linha. O início da linha corresponde ao primeiro ano da Terra. Sendo assim, 1408 corresponde a região mais próxima do fim. – Carlisle apontou para a região onde poderia estar 1408.
“Funcionará assim: a máquina lançará uma força magnética muito grande, focalizada apenas onde fica 1408. Essa região se curvará, formando um semi-circulo que irá se fechar em 2011, ou seja, no fim da linha. Lembrando que a causa do semi-circulo se fechar justamente em 2011 é porque a máquina está fazendo o processo nesse ano.”
“ Continuando, quando os anos de unirem tudo que estiver no interior da máquina será sugado para a região de 1408. Esse processo ocorre em milésimos de segundos pois a máquina não tem força suficiente para manter a linha sugando tudo que puder por mais de um segundo. Assim que o processo acabar, a linha voltara ao normal rapidamente, pois é bastante flexível.”
Bella ficou em silêncio apenas pensando em tudo que acabara de ouvir. Parecia história de ficção científica. Mas se havia uma coisa que aprendera quando fez seu curso de Física era que grandes físicos quando contaram pela primeira vez sua teoria, eram considerados loucos até conseguirem provar que ela era verdadeira. O próprio Einstein foi completamente ignorado por grandes físicos ao apresentar sua Teoria da Relatividade, porém ouve alguns gatos pingados que acreditaram que ela era possível. E foram justamente eles que ajudaram Einstein a provar a maior descoberta da humanidade.
Ela estava diante do maior físico da atualidade: Carlisle Foster. Aquele que havia criado uma máquina que faria o que nenhum físico acreditava ser possível: voltar ao passado. E por que não acreditar nele? Acreditar na maravilha que ele havia feito. Se havia ainda alguma dúvida em Bella sobre acreditar ou não na sanidade de Carlisle, ela havia sido tirada.
- Carlisle, você tem certeza que esse treco funciona?
- Claro que sim. Você acha mesmo que eu usaria você como cobaia? – Bella sorriu sem graça sob o olhar ofendido de seu orientador. – Você é minha filha Bella e eu só colocaria você nesse “treco” estando certo de que ele funciona perfeitamente bem.
- E como você tem certeza?
- Eu peguei um chimpanzé no laboratório de experiências com animais e Emmett colocou uma câmera...
- Espera um pouco. O Emmett sabe da máquina do tempo?
- Claro que sim Bella. Emmett é meu assistente e eu confio completamente nele. Foi o Emmett que me ajudou a criá-la, acho que não conseguiria sozinho.
Emmett McCarty. Vinte e nove anos, pele levemente bronzeada, cabelos e olhos negros, sorriso infantil acompanhado por um par de covinhas. Seus grandes músculos — que o fazia ser comparado a um urso — e sua personalidade boba e humorista contradiziam com o cérebro privilegiado que possuía. Era daqueles que não prestavam a mínima atenção na aula e não se matava de estudar em casa, porém respondia qualquer pergunta sobre Física — e talvez até outras matérias — que lhe fizessem. Era um conquistador nato, sua beleza, seu corpo e sua mente encantava mulheres de qualquer idade.
Sua fama de “computador ambulante” se espalhou por Harvard e Carlisle quando soube entrou logo em contado. Simpatizou de cara e como estava precisando urgentemente de um assistente tratou logo de o contratar. Emmett se tornou doutor em Física Moderna por inspiração em Carlisle, já que o tinha como modelo de profissional. Carlisle resolveu contar a Emmett seu projeto quando o último tinha 23 anos. Desde então os dois vinham trabalhando juntos no projeto revolucionário. Emmett já estava sabendo do Okala e da possível guerra.
Foi impossível evitar que o ciúme infantil tomasse conta de Bella. Como Emmett poderia saber de uma coisa tão importante e ela não? Por que Carlisle havia contado pra ele e não pra ela que considerava como sua filha? Não que não gostasse de Emmett, ele era legal e seu jeito bobão a fazia rir. Gostava dele como um irmão, mesmo com suas implicâncias idiotas, mas mesmo assim...
Carlisle, adivinhando seus pensamentos, falou sorrindo diante do comportamento ciumento da filha.
- Eu não queria meter minha garotinha no meio disso tudo.
- Mas eu queria saber! Queria participar dessa descoberta. – Disse Bella revoltada.
- Pare de ser boba querida. – Carlisle abraçou Bella e afagou seus cabelos. – Tudo isso é perigoso demais. O governo não pode nem sonhar que eu estou escondendo isso deles. Posso continuar a contar como foi minha experiência com a máquina? – Bella sorriu e ele se afastou. – Como eu ia dizendo, eu peguei um chimpanzé no laboratório de experiências com a animais e Emmett colocou uma câmera pendurada no pescoço dele. Como você sabe, chimpanzé é um animal que adora tirar foto de tudo. Colocamos ele na máquina e o mandamos para um ano em que existia dinossauros. – Carlisle voltou a mexer no seu notebook e depois de um tempo o apontou para ela. – Essas são as fotos tiradas por ele.
No computador havia fotos de grandes árvores e dinossauros herbívoros e voadores. Bella arregalou os olhos.
- Sabe que uma foto dessa vale uma fortuna não é? – Carlisle suspirou afirmando com a cabeça. – Como o trouxeram de volta?
- No pé dele nós colocamos uma tornozeleira conectada a máquina. E depois repetimos o mesmo processo feito para levá-lo, dobrando a linha do tempo. Quando isso ocorreu, a tornozeleira identificou quem era para voltar para esse ano. Tem mais uma coisa que você não sabe Bella: uma hora no passado equivale a um minuto aqui. Isso porque a linha do tempo quando leva alguém para uma época que não é dela, sofre distorção, deixa de ser perfeitamente reta para ter uma imperceptível curvatura. Acho que é isso que altera o tempo.
- Boa noite! – Emmett chegou com seu costumeiro sorriso. Deu dois tapinhas no ombro de Carlisle e um selinho em Bella.
- Já falei pra não fazer isso, seu idiota! – Disse Bella com a cara emburrada. Emmett sorriu e soltou um beijo.
Emmett riu.
- Ah Bella, sua boquinha rosada é linda. Eu não resisto.- Bella fez uma careta. – Bom, pela cara de boba da Bella sugiro que você já contou a ela.
- Ei!
Carlisle sorriu vendo a discussão boba e costumeira dos dois. Pareciam dois irmãos que mesmo brigando por coisas bobas, se gostavam muito. Bella já havia dito a Carlisle que Emmett era como um irmão mais velho deveria ser: implicante e amável.
- Contei sim Emmett.
- E ai, topou? – Disse Emmett ansioso.
- Topei sim.
-Essa é a minha garota! – Emmett deu um abraço de urso nela e a rodou. – Eu juro que vou resistir a minha vontade louca de te deixar em 1408 pra sempre. – Bella estirou língua para ele. – E Carlisle, eu ia chegar mais cedo, só que a gostosa da minha vizinha tava dando uma festinha, aí já sabe né.
- A sem cérebro? – Bella sorriu achando graça.
- Essa mesma! Você sabe Bella, são as minhas preferidas. Elas não lembram de mim no dia seguinte.
- Alguém já te disse que você é um idiota? – Disse Bella.
- Só você. – Emmett sorriu torto e Bella revirou os olhos.
- Voltando ao assunto principal, crianças. – Provocou Carlisle. – Nós teremos que providenciar um vestido de época para você. Quando chegar lá, você ficará de casa em casa até encontrar o Okala. Também terá que estudar mais sobre a vida de Edward Cullen III. Conhecer seu Rei é bastante importante.
- Confie em mim Carlisle. Encontraremos o Okala e o destruiremos.
- Eu confio.
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