University Chasers

3 O maestro que eu quero


Notas iniciais
E estamos aqui mais uma vez, postando uma vez por semanaaaaaa!!!!!! Isso, senhoras e senhores, é o que eu chamo de vitória. A quem acompanha, espero que gostem! PS: Quem se interessar em ouvir a música apenas mencionada, deixarei o link aqui: https://www.youtube.com/watch?v=osg_WmeLxQk

A torcida fervilhava, e o barulho de gritarias e conversas animadas preenchia o mini estádio do Campus, lotado. Todos estavam à espera do esporte mais concorrido da Universidade. Futebol, o esporte mais tradicional e assistido do país. E, para a felicidade da Grand Chase, o time era suficientemente bom para entreter todo mundo.

No meio de toda aquela gente, duas amigas procuravam pelas arquibancadas a garota a qual tinham conversado no dia anterior.

—Odeio quando as pessoas ficam me encarando — resmungou Amy, tentando se encolher

—Quem mandou ser bonita?- levantou uma sobrancelha — E com um cabelo rosa NATURAL.

—Não me enche, não pedi pra nascer assim — deu um empurrãozinho em Lire, depois sorriu — Não que eu odeie meu cabelo….

—Como se não bastasse, sua blusa é rosa, sua saia é branca com detalhes rosa. Seus brincos, seu tênis tem tons de rosa. Aposto que até a sua calcinha deve ser rosa.

—Já entendi! — exclamou baixinho, com as bochechas vermelhas depois de alguns caras a terem encarado pela última frase de Lire — Reclame com os deuses por terem me dado a paixão pela cor mais bonita de todas- jogou uma mecha do cabelo para trás, depois apontou para ela- E você que está estranhamente toda de branco à espera do noiv...

—É a cor do time, idiota! — colocou a mão na boca de Amy

—Ahggggfffff

—Vai ser difícil achar a Lin no meio de tanta gente — Lire soltou Amy, percorrendo o olhar pela arquibancada à procura da albina

—Não deve ser tão difícil achar uma mulher de cabelos brancos — ficou na pontinha dos pés

—Mais fácil ela nos achar — puxou de leve o cabelo pink de Amy

—Se você não tivesse saído correndo ontem, eu teria pegado o contato dela — cruzou os braços

—Na próxima pensa duas vezes antes de me atirar em cima de um cara que eu nem conheço — apertou as bochechas da rosada

Amy deu risada, vendo Lire sutilmente ruborizada.

—Como ela é do conselho estudantil, deve ter um lugar reservado. Podemos ficar perto das salas até ela aparecer

—É uma ideia — concordou

Ao saírem andando, lembraram que não conheciam absolutamente nada daquele local, o que acabou levando-as a parar em frente ao vestiário masculino bem na hora em que os jogadores começaram a correr em direção o campo. Amy, que estava na frente, foi praticamente atropelada pelos jogadores de futebol

—Vocês não cansam de serem derrubadas — Lass estava encostado na parede, olhando-as com um ar de ironia

—Eu avisei que o caminho não era por aqui — levantou o rosto, para olhar o albino — A Amy que insistiu….

—Olha só quem está por aqui — ele sorriu, olhando Amy no chão tentando se levantar — Não esperava te encontrar jogada aos meus pés tão cedo

—Oi, Sieg, tudo bom? — ela se levantou, deu uma batidinha na saia, e pigarreou — Tudo fazia parte do plano, só queria desejar boa sorte.

Sieg olhou bem para Amy e percebeu que a rosada olhava de canto para sua amiga. Ao direcionar seu olhar para a loira, percebeu que ela estava meio sem graça com a presença de Lass

—Sei, acho que entendi seu plano — deu uma risada, balançando a cabeça- E você, loirinha? Algo a acrescentar?

—Consegue me falar onde Lin está? Não é muito confortável ficar na frente do vestiário masculino

Lass deu alguns passos até a entrada e apontou para uma porta

—Segundo andar. Só entrar ali e bater na primeira porta à esquerda. Ela irá atender vocês.

—LASS, SIEG — um grito feminino irrompeu pelo corredor — Vamos logo, não me façam entrar aí!

— Essa é a nossa deixa, tchau, garotas. Vocês não irão querer ver aquela louca enfurecida aqui não- Sieg saiu correndo, rindo que nem um idiota.

—Boa sorte, Sieg! — Amy acenava

—Boa sorte pra você tambem, Lass — Lire acenou com um sorriso de leve

Lass agradeceu com a cabeça e começou a caminhar normalmente.

—Não é melhor você se apressar? — alertou Amy

—Não preciso, a Elesis só bate no Sieg — respondeu, dando de ombros

—Elesis não é a companheira de quarto da Arme? — Lire arqueou as sobrancelhas

— E isso importa? — agarrou a mão da loira e começou a correr — Vamos ver o jogo!

—Por que virei amiga disso mesmo? — resmungava Lire, enquanto era arrastada pelo furacão Amy

Xxxxxxxxxx

—Ainda bem que encontraram o Lass, estava achando que nunca chegariam aqui — disse Lin, encostada na janela, olhando para o campo

—Tiramos a sorte grande de fazer amizade com alguém com um privilégio como esse- os olhos de Amy brilharam ao olhar para o jogo

—Me avisem quando acontecer algo de especial — Lire se sentou no sofá, pegando uma revista qualquer

—Por que veio então?- Lin achou graça

—Ela prometeu me acompanhar — Amy sorriu, triunfante, depois fez uma careta — Mas nas próximas vezes eu falo direto com você — mostrou a língua para lire

—Fique à vontade — virou uma página da revista — como está o jogo?

—Estamos ganhando de 2x1 — respondeu Lin — mas o jogo está acirrado

—Sieg joga mesmo bem — olhava para o campo, impressionada — Tá explicada sua posição como capitão — Correu os olhos para o goleiro — Lass também não fica atrás. É engraçado o quanto a posição de goleiro combina com ele, sempre na dele

—ele joga mais por hobby — Lin estava apoiada na borda da janela — Não sou fã de futebol, mas como nos conhecemos desde sempre, comparecer aos jogos virou uma tradição nossa

Lire deu uma espreguiçada e se levantou

—Garotas, vou encontrar uma amiga, tá legal? A Arme tá por aqui. Já que você não vai ficar sozinha, tem problema, Amy?

—Não, pode ir — sorriu, dando um tchauzinho

Então Lire saiu caminhando

—Então — Lin se virou para Amy, indicando as poltronas para se sentarem — Está gostando daqui? O campus é realmente grande, mais ainda para os calouros. Qualquer coisa é só perguntar. Sou a vice do Grêmio estudantil, então acabo sabendo de tudo um pouquinho

Amy entrou em um dilema. Não poderia negar para si mesma que não estava interessada sobre Jin depois daquele episódio no teatro. Porém, ao mesmo tempo, não queria parecer mais uma garota que caiu aos encantos do cara mais gato do Campus.

Decidiu ser sutil.

—Me conta mais sobre o grêmio estudantil — ela se sentou na poltrona ao lado da albina- Tenho um amigo lá, o nome dele é Ronan — fez um gesto com a mão como se fosse só mais um nome qualquer, enquanto Lin se virava para olhá-la.

Logo Amy sentiu o olhar pregado nela. Deu uma tossidinha, disfarçando.

— E já que você conhece tudo tão bem... Fiquei muito curiosa sobre o maestro do concerto — ela girou uma mexa do cabelo, como quem não queria nada — Amo concertos— disse, enfatizando a palavra “concertos” — Você sabe se o maestro é bom mesmo?

—Qual dos dois você quer saber primeiro? Ou você você usou o Ronan para disfarçar o interesse pelo Jin? — sorriu interessada, com uma sobrancelha arqueada. Ela era, visivelmente, uma garota intuitiva.

—Claro que eu quero saber do Ronan primeiro — fez um gesto com as mãos como se a resposta fosse óbvia — Não sei que disfarce é esse que você está falando

Amy enrubesceu de leve. Droga, pensou ela, tinha deixado tão na cara assim? Jurava que tinha sido discretíssima. Estava morrendo de curiosidade para saber absolutamente tudo sobre o ruivo. Tudo mesmo.

Mas, ao mesmo tempo, a súbita aparição de Ronan no dia anterior a tinha feito perder um pouco a compostura. Ele parecia tão… diferente.

Só queria que Lin parasse de fitá-la e deixá-la ainda mais vermelha. Que diabos essa garota tinha de magia? Ela teria que se esforçar se quisesse continuar enganando a albina, concluiu Amy.

—Bem… — Lin pareceu refletir — o Ronan está sempre ocupado com suas tarefas, apesar de sempre disposto a ajudar todo mundo. Ele é um cara focado — olhou de soslaio para a rosada, esperando alguma expressão — O conselho estudantil tem poucos integrantes. O Ronan e eu cuidamos das atividades dos clubes aqui no Campus. A Mari é a secretária, é ela quem agenda e coordena todas nossas atividades e o calendário do Campus. E, por último, temos o Lass. Ele é o responsável pela decisão e coordenação de todo o dinheiro que circula pelos clubes do Campus, baseando os investimentos em conquistas, objetivos e metas — seu orgulho ao falar sobre o rapaz não passou despercebido por Amy — E, principalmente, seleciona o quanto de dinheiro disponível temos para cada evento. Mais alguma pergunta sobre isso, ou podemos ir pro mais importante? — sorriu

—”Ocupado”. Essa é mesmo uma ótima palavra para definir o Ronan — murmurou a rosada, com um resquício de ressentimento que não se lembrava de ainda ter. Depois olhou para Lin, arqueando uma sobrancelha — Acho que o grêmio estudantil faz coisas muito mais importantes que um simples maestro — ela deu uma olhadinha de lado, com um sorrisinho de canto — Se bem que, se o maestro for talentoso, ele pode chegar a atingir o mesmo nível de importância

— Não sei se ele é tão incrível como falam — ela deu uma pequena risada — Mas posso afirmar, com toda a certeza, que ele é quase como uma celebridade neste Campus. Onde ele vai, se formam filas. E, frequentemente, a mulherada pergunta sobre ele, sabe como é, né? — sorriu para si mesma, se lembrando de todas as vezes que passou por isso

—Ah, é mesmo? — uma pequena antena de interesse brotou em Amy — E como é que ele lida com esse fã clube?

— Até onde eu sei, quando ele percebe que a garota se aproxima por puro interesse, ele dá um jeito pular fora da conversa. Mas, quando percebe que não tem nada demais, ele trata com muita gentileza. E aí, em qual delas você se encaixaria? — ela lançou a questão, curiosa, se divertindo com a situação.

—Nunca me encaixei em versões de pessoas convencionais — ela deu de ombros e abriu um sorriso brilhante — Então não sei como responder sua pergunta

— Interessante — sorriu, audaciosa. Tinha gostado de Amy — Bom… Digamos que eu tenho informações privilegiadas sobre ele, algumas que praticamente ninguém sabe. Eu até poderia compartilhar com uma amiga — colocou um dedo em seu queixo, jogando a ideia, inocentemente- Em troca de alguns favores

— Você é uma mercenária! — a rosada caiu na risada, empurrando Lin de leve — Pensarei duas vezes antes de te passar a perna. Mas admiro sua tática — deu uma pausa — Mas cá entre nós… Que tipo de favores?

Amy sabia que tinha sido pega assim que Lin disse “ninguém sabe”. Não conseguia deixar informações privilegiadas para trás, era uma heresia.

Lin abriu um sorriso.

—Todo ano, temos uma espécie de “ritual” para as novatas no Campus, onde todas são quase que obrigadas a participar de algum clube — começou a falar, em um tom confidencial — Ano passado, minha braço direito se formou e teve que sair do Campus. Naturalmente, o lugar dela ficou vago, e preciso de uma nova gerente de esportes. Vi suas notas — deu um sinal de aprovação — Você é inteligente, e posso deduzir que também seja organizada. Sei que você quer entrar para algum clube científico, e isso não será problema junto deste cargo. — sem perder tempo,pegou o celular e abriu uma foto para mostrar a Amy — Não passou informações sem provas.

Amy olhou para foto e viu uma versão mais nova de Lin abraçada com outras duas pessoas, um albino e um ruivo. Não era muito difícil decifrar quem era quem.

—Você é uma negociadora nata — admitiu para a albina — Não posso deixar de dizer que sua proposta é tentadora, mas não posso simplesmente aceitar um cargo a mais que me tiraria várias horas importantes só por algumas poucas informações — ela cruzou os braços, devolvendo um sorriso astucioso — O que eu realmente ganho com isso?

— Você é mais esperta do que aparenta, senhorita Amy — Lin sorriu, satisfeita. Depois soltou um suspiro sincero — Eu realmente preciso de alguém nesse cargo, e ter alguém com chances de ser uma grande amiga, seria perfeito — subitamente, ela levantou um dedinho, confiante, começando a explicar as possíveis vantagens- bom, além da gerente poder frequentar a quadra de atletismo — colocou a mão do lado da boca, como se fosse um segredo — A qual Jin volta aparece correndo por lá. E eu deixo você fazer alguma proposta também.

Amy tinha que admirar uma boa negociadora quando via uma. Lin era suave e sagaz, ser uma amiga para ajudá-la não parecia ser uma má ideia.

—Gostei de você, Lin. Acho que iremos nos dar muito bem — ela deu um sorriso alegre, passou o braço pelo ombro da garota — Vou te dar uma força como gerente, e você — abraça ela mais — Vai me prometer que não vai me deixar pagar mico quando eu aparecer ali na quadra de atletismo sem querer. Combinadas?

— Combinadas — ela deu risada — Já que nos demos bem, irei deixar uma pequena informação que eu sei — deu um sorriso travesso para sua nova amiga — Acho que você já ouviu falar da Edel, certo? A pomposa do teatro- revirou os olhos — Bom, o grande segredo é que o “namoro” deles é fake para afastar qualquer pessoa de perto dele — começou a rir — Esse namoro é de fachada para suavizar a pressão da família. E o jin não gosta desse “status”. Tchauzinho

Lin se levantou e vazou rapidamente da sala, enquanto ria. Amy não soube bem o que fazer, até que percebeu que Lin tinha deixado um papel cair propositalmente. Quando se agachou e pegou, percebeu que era um ingresso para um concerto, estreando a primeira aparição da orquestra no ano. Dirigida por ninguém menos que Jin.

O ingresso era na primeira fila.

Sabia que não deveria se empolgar tão rápido. Se o ruivo tinha um namoro de fachada, ser próxima a ele só poderia significar uma coisa: problemas. No entanto, quando ela se deu por si, já tinha corrido até seu quarto e colocado uma de suas roupas mais bonitas e elegantes. Estava louca para ir ao concerto.

Ao terminar de se arrumar, olhou no espelho. Sorriu. Sabia quando estava deslumbrante.

Depois de uma corridinha elegante pelo Campus, Amy chegou no salão principal. Estava empolgada e eufórica, amava concertos, e a chance de ver Jin em ação a tinha deixado mais ansiosa que o normal. Em sua cabeça, estava tão atrasada, que a falta de movimento no local parecia perfeitamente normal. Decidiu que a melhor maneira de compensar o atraso seria abrir a porta principal e entrar o mais rápido possível.

Sem hesitar, girou a maçaneta. No instante em que ela puxou para abrí-la, o vento arrastou a porta para trás, fazendo-a se chocar contra a parede, provocando um estrondo enorme e agudo. Em questão de milésimos, todos os integrantes pararem o ensaio e desviaram sua atenção para a rosada parada na porta, que estranhamente estava extremamente bem vestida.

Amy ficou sem ar. O horário estava errado! Ai, meu Deus!

O maestro também tinha reparado na rosada, e logo se ouviu um pequeno grito, dizendo: “Uma pequena pausa, pessoal!”. Enquanto o grupo se dissipava, ele começou a caminhar em direção a Amy.

— Posso ajudá-la? — Jin se aproximou suavemente, com um sorriso amistoso — O período de testes é só amanhã logo após as aulas. Se bem que — ele reparou em como ela estava toda arrumada — Como você já está aqui, acho que posso abrir uma exceção — ele estendeu a mão, sem perder o carisma amigável e educado- Prazer, meu nome é Jin.

Amy apertou sua mão, que era o dobro do tamanho da sua. Seu coração deu um pulinho.

—Desculpa, acho que vim no horário errado — ela pigarreou, desviando o olhar, enquanto suas mãos se separavam e suas bochechas queimavam — Não queria atrapalhar o ensaio

Amy não sabia onde enfiar a cara, só queria dar meia volta e sair correndo para debaixo do cobertor onde se esconderia seu embaraço do mundo.

—O horário está mesmo errado — ele deu uma leve risada — Mas, como você parece estar pronta para a ocasião e o palco está vazio — estendeu o braço para o palco, em convite — Não posso te deixar sair de mãos vazias depois de tanto trabalho — piscou, começando a andar e a esperando o acompanhar- Qual instrumento você toca?

Jin tinha um andar elegante e confiante, quase hipnotizante. Era alto, em forma, e vestia uma camiseta preta que lhe caia muito bem.

Amy ficou entorpecida por alguns segundos imaginando como seria ser envolvida por aqueles braços longos e fortes. Chacoalhou a cabeça. Amy, foca! Se tocou que ele estava falando algo sobre instrumentos e decidiu prestar atenção.

— Eu toco um pouco de piano — ela apontou para o instrumento de corda ao canto, enquanto acompanhava Jin até o palco, sem saber o porquê — Mas nunca cheguei mesmo a tocar em um deste porte.

—Bom, sempre tem a primeira vez — ele lhe deu um sorriso incentivador e ficou de pé, ao lado do piano — Pode escolher a música. Lembre-se que você tem um grupo de 50 pessoas para agradar — ele indicou com a cabeça o pessoal que estava pelo salão, conversando — Mas, sem pressão, é claro

Jin correu os olhos pelo salão e percebeu que a curiosidade dos presentes havia sido despertada. Começaram a prestar mais atenção neles, principalmente na garota de cabelos rosa, que já estava caminhando para o piano.

—Ora, Jin — ela o olhou, confiante, sentando-se no banco do piano — Preciso de mais que isso para me sentir pressionada

Jin sorriu para ela, e ela sentiu as bochechas ferverem. Olhe para as teclas, Amy, elas não te deixam nervosa. Ela respirou fundo e colocou as mãos sob as teclas. Foi tomada por uma tranquilidade familiar. Estava em seu habitat natural.

— Tocarei o concerto que meu irmão adora- disse ela, esboçando um sorriso de canto ao se lembrar de Duel.

Finalmente, quando Jin já estava se distanciando, ela alongou, os dedos, fechou os olhos, respirou fundo, e tocou a primeira nota. O acorde deu início ao concerto n1 de Bach em D menor.

Amy tocava com facilidade. Era pianista há anos e, sempre que podia, praticava até os dedos doerem. Gostava de tocar porque esses momentos sempre proporcionavam paz em sua família. Além disso, era uma das principais maneiras que ela e seu irmão, Duel, gostavam de passar o tempo juntos.

Enquanto as notas ecoavam pelo salão, o corpo de Amy dançava junto às notas. Cada acorde, cada melodia, cada som a fazia balançar em sincronia com a música. As pessoas que antes conversavam espalhadas, começaram a prestar mais atenção em Amy que em suas próprias conversas. O burburinho de vozes foi diminuindo até chegar ao ponto em que o som do piano tomou conta do local, transformando aquele grande salão em um palco cheio de harmonia e vida.

Após tocar a última nota, Amy levantou levemente a cabeça e percebeu que todos haviam irrompido em aplausos eufóricos, todos estavam animados. Principalmente Jin, que caminhou até ela com um sorriso satisfeitíssimo.

— Você é boa — ele se sentou ao seu lado, com os braços encostando nos de Amy — Se você não se importar, tenho algumas dicas para passar — ele esticou as mãos e, com naturalidade, tocou algumas notas enquanto olhava para a garota — Nessa parte, acredito que você se daria melhor fazendo desta forma — disse, simpático. Depois parou e se levantou- Segundas, quintas e sextas às 20 horas,

Um alarme soou na cabeça de Amy. Espera, o quê?

—Se algum dia precisar faltar, por favor, me avise com antecedência — ele a puxou e deu um abraço rápido de congratulação — Parabéns, você está dentro.

O quê? O queeeee???

O cérebro de Amy ficou frenético. O que estava acontecendo? Não tinha se inscrito para nada! Tentou organizar os pensamentos. Ok Amy, recapitulando.

Primeiro, tinha pegado um ingresso deixado por Lin e, de repente, estava sendo congratulada pelo cara mais gato do Campus inteiro, a aceitando em seu concerto que, para começo de conversa, ela não tinha nem planos de entrar. Não podia ficar, isso afetaria seus sonhos no campo científico. Isso estava 100% fora de todas as suas possibilidades. No entanto, ver o quanto todos tinham gostado de sua pequena apresentação tinha a deixado surpreendentemente feliz, fora que tinha adorado tocar naquele piano.

Além disso, ver Jin sorrir esperançoso para ela, ficou na dúvida.

Por fim, suspirou. Sabia que não podia simplesmente deixar de lado um sonho por um sorriso de um cara que tinha acabado de conhecer. Seria muita burrice. Teria que recusar a admissão.

— Jin? — chamou ela, discreta, tentando disfarçar o sorriso meio envergonhado, — Posso falar com você um minuto?

Jin se virou para ela.

—Essa frase nunca é seguida de um bom final — ele suspirou, meio chateado — Claro, vamos até minha sala.

Quando ambos começaram a caminhar, Jin virou-se para trás e olhou para Edel, que tinha dado uns passos para se juntar a eles.

— Sozinhos — ele enfatizou, e voltou a andar para sua sala. Amy percebeu os olhos de Edel cravados nela, e fingiu demência.

Entrando em sua sala, Jin sentou em sua cadeira e olhou para a rosada.

— Você não tinha planos para entrar no concerto, não é?

— Isso mesmo — ela encolheu os ombros, se desculpando — Aquela música é tão especial para mim que eu devo ter me empolgado demais. Não queria te pressionar a me colocar no concerto. Eu amo tocar, só isso.

—Entendo — ele bateu os dedos no braço da cadeira enquanto, insatisfeito — Infelizmente, eu não conseguiria me perdoar se eu perdesse uma pianista tão talentosa como você — ele levantou os olhos e a fitou — Principalmente quando estou sem um pianista decente -

Ele se levantou, suavemente, e caminhou a passos lentos até chegar pertíssimo de Amy, apoiando seu braço na parede e a olhando de cima, com seus olhos castanhos intensos. Ela conseguiu sentir seu perfume masculino e deu uma pequena estremecida. Meu Deus, ele era cheiroso demais.

— O que você acha de fazermos um combinado? — ele abriu um sorriso devastador. Amy sabia que ele tinha plena consciência de sua influência masculina sobre as garotas. Apesar de ser educadíssimo, ele não era bobo — Me ajude enquanto eu não encontrar outra pianista

Amy, que também não era boba coisa nenhuma, percebeu que era Jin estava tentando encantá-la para que aceitasse sua oferta sem que precisasse arcar com nada. Não era só ela que estava encantada, ele também estava. E, mais do que isso, ele precisava dela. Ela sorriu satisfeita, poderia usar isso a seu favor. Não iria entrar em seu joguinho persuasivo como qualquer outra garota.

—Você pode ser bem persuasivo, Jin — Amy sorriu, colocando seus cabelos para trás e olhando em seus olhos — Mas, como eu disse pra uma amiga, não sou como as suas fãs. Se eu realmente tiver que colocar meu tempo para ajudar sua orquestra, eu quero algo em troca. E um sorriso bonitinho não é uma troca

— Você é interessante — ele abriu um sorriso, com os olhos faiscando. Inclinou seu corpo para que seus rostos ficassem bem próximos — Infelizmente, eu não tenho muito mais a oferecer

Os dois não mexeram um centímetro.

—Sei que você vai pensar em algo muito interessante para me oferecer. Ambos sabemos que posso ser uma de suas melhores pianistas — ela retirou um papel do bolso e anotou um número — Você tem até amanhã de noite para me fazer uma boa oferta. Senão, te desejo apenas boa sorte- ela colocou o papel no bolso de Jin, sem tirar os olhos dele. Com um movimento suave, saiu de perto dele devagar e deu as costas, saindo pela porta. Deteve-se por um segundo, quando parou e virou seu corpo para olhá-lo novamente e lançar um sorriso — A propósito, meu nome é Amy — jogou um beijinho com as mãos e saiu andando — Não se esqueça desse nome.

Sorridente, ela saiu andando em direção a saída, despertando olhares em sua direção. Em especial, da tal da Edel, que resmungou algo como: “não precisa voltar”, que a rosada simplesmente ignorou. Não via a hora de contar as novidades para Lire, talvez até para Lin.

Enquanto isso um certo ruivo estava sentado dentro de sua sala, pensativo.

— Amy, é? — ele sorriu de canto, olhando a porta por onde ela tinha acabado de passar. Ainda conseguia sentir seu perfume doce no ar — Fazia tempo que uma mulher não me desafiava. Da última vez, isso deu problema — refletiu, apoiando os pés em cima da mesa. Em seguida, retirou o papel do bolso e sorriu para si mesmo- Isso vai ser interessante.

Notas finais
Nephus, amamosss seu comentário!! Obrigada por reativar a conta ♥ PS: Quem estiver acompanhando, não esquece de marcar como "capítulo lido" para o Nyah avisar quando os capítulos forem lançados! Essas tecnologias...