Universe Alter Ego
1 Despertar da tigresa
Notas iniciais
Erika Fabella. Pronunciar o seu próprio nome não soa estranho? Enfim essa sou eu. Uma garota alta, de um longo e liso cabelo negro como uma noite sem lua, olhos castanhos claros, com algumas sardas, um sorriso prefeito e incrivelmente branco do qual me orgulho.
Minha historia de vida parece ter sido escrita por alguém impiedoso e cruel, pois todas minhas memorias são dolorosas e tristes. Quando tinha 5 anos meu pai se separou da minha mãe para casar-se com sua secretaria, deixando eu e minha mãe na miséria, hoje moramos de favor da casa de minha única tia. Mamãe hoje sofre de uma profunda e incurável depressão na qual se afunda mais com o consumo de álcool.
- A vodka cura toda a amargura e ressaca! – É uma das frases preferidas de mamãe.
Há um ano minha mãe tentou suicídio cortando os pulsos e minha única irmã, Elisa, que sozinha estava com nossa mãe, tentou dirigir o carro de tia Cecilia para levar nossa mãe ao hospital. No caminho Elisa se acidentou e ficou em coma no qual se encontra até hoje. Esse caso da Elisa realmente fez minha mãe, que falhou em seu suicídio, culpar-se e afundar ainda mais em sua doença.
Tia Cecilia sempre grita com a minha mãe mesmo sabendo do lamentável estado que ela se encontra. Tia Cecilia é uma mulher gorda e baixa, solteira aos trinta anos e sem filhos. Ela deixou-nos morar aqui, porem não creio que tenha sido por caridade e sim para abafar o grito de solidão que a assombrava.
Mamãe é magra e alta. Até hoje carrega em seus pulsos as marcas do atentado que cometeu contra si mesma. Raramente é vista sem seu copo de vodka na mão e seus vestidos pretos.
Moramos em uma mansão da qual sou lembrada constantemente por tia Cecilia que ela não me pertence.
Nunca derramei uma lagrima de tristeza ou felicidade em minha vida. Sinto que estou morta por dentro, simplesmente não consigo sentir nada. Amor ou ódio pelo mundo eu desconheço, apenas apatia por tudo e todos. Não recorri ao cianeto, pois sinto que deve haver algo nesse mundo que me faça despertar desse coma interior.
Você deve pensar “essa garota passou por varias tragédias e nunca ficou triste, eu queria ser assim.” É uma grande maldição, eu confesso! Nada me faz rir ou ficar emocionada. Peço a você que esta lendo que tenha pena de mim, pois se eu não posso sentir nada por mim, se você sente já sou grata...
Após esse fiasco de vida e pensamentos vou contar-lhes quando e como eu finalmente senti alguma coisa, quando eu finalmente despertei desse coma interior.
Era uma noite normal como de costume, votava da faculdade e já estava quase em casa. Quando estava virando à esquina para entrar na rua da casa de tia Cecilia escutei:
- Eu não tenho o dinheiro da coca! – Falou a voz de minha mãe.
- Então você também não vai ter mais vida vadia nojenta! – Retrucou uma voz masculina.
Corri apenas conseguido ver o minuto que o homem dispara com o revolver um tiro em minha mãe. Naquele momento eu sentia alguma coisa... MEDO. Fechei os olhos e chamei por ela em um grito incontrolável – Mãeeeeeeeeeee!
A essa altura eu estava ajoelhada no chão e não enxergava mais nada.
- Você tem força para proteger quem ama? – Perguntou a minha voz, porem não foi eu quem a emiti.
- Tenho mais determinação que qualquer um, mas força eu não tenho. – Falei.
- Eu lhe darei a força e veremos se você tem tanta determinação quanto diz! – Falou a voz ficando distante.
Eu estava em pé em uma fabrica cheia de engrenagens rodando e rangendo, a minha frente um robô com três vesses a minha altura disparava projeteis de seu braço direito contra mim. Os projeteis pareciam mover-se em uma velocidade lenta e com um mortal para trás desviei deles. Como eu havia feito aquilo? Não sabia porem era incrível e excitante. Eu me sentia incrível e o mais incrível eu sentia. Notei que em minha mão havia uma faca de cozinha com o cabo de madeira preta e sua lamina era de aço negro com um tigre desenhado. O robô disparou mais projeteis e então eu pulei para desviar. Eu tinha uma força realmente incrível pois quando pulei minha cabeça tocou levemente o teto da fabrica, que era tão alto que fazia o robô parecer um brinquedo. Quase no teto havia uma engrenagem que me refletiu e minha aparência estava completamente diferente, eu vestia um curto vestido verde-escuro que tinha um desenho oriental de um tigre dourado em sua estampa, usava botas de cano alto pretas, e meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto.
Quando estava caindo o robô voltou a disparar, não havia como fintar as balas em plena queda então por puro instinto desviei a bala com a faca de aço negro, eu sabia que uma coisa dessas não era possível, mas já que estava funcionando continuei, o numero de balas ia aumentando, porem não houve uma que me atingiu. Cai fazendo uma pequena cratera no chão da fabrica.
- Atrás do robô! Olhe! – Veio o pensamento em minha cabeça.
Olhei por baixo das pernas do robô e vi minha mãe presa a uma estranha maquina que tinha um enorme e pontiagudo prego que aos poucos se aproximava de seu pescoço.
Corri em direção ao robô para chegar a minha mãe, ele continuava a disparar e eu desviava de todos os projetei com saltos e movimentos miraculosos. Quando estava a poucos passos do robô e da maquina escutei em minha mente:
- A pedra vermelha controla tudo, a destrua e assim todas as maquinas pararam. – Falou novamente a minha voz não proferida por mim.
No peito do robô havia sob uma redoma de viro uma pequena pedra vermelha como sangue, um rubi. Pus-me diante do enorme robô e com um só golpe perfurei a dura redoma, porem só havia tocado o rubi. Em um uníssono toda a fabrica rangeu, mas ainda continuava a funcionar.
O robô em um rápido movimento esquivou-se para trás.
- O tempo esta acabando! — disse a voz em minha cabeça.
Olhei para minha mãe e o prego estava quase em sua garganta, em um movimento precipitado acertei a faca com uma voadora e o robô como um ultimo suspiro disparou um projetil que feriu parte de minha testa. Quando o rubi foi destruído a maquina que prendia minha mãe teve seu funcionamento suspenso e todas as demais da fabrica. Após a voadora cai no chão e desmaiei.
Acordei em um hospital e minha mãe estava ao meu lado. Minha cabeça doía e o resto do corpo também.
- Filha, graças a deus! Achei que havia perdido você como perdi... – Interrompeu-se com um surto de lagrimas.
- O que aconteceu? – Perguntei ajeitando meus cabelos. Minha mãe não estava em condições de responder então tia Cecilia respondeu.
- Sua mãe devia dinheiro para um vendedor de cocaína, ora veja só mora de favor com a filha e é viciada, enfim ele ia mata-la, mas você o surpreendeu com um grito e ele morreu de susto. Passou até na televisão. Que lastima enquanto ele estava sofrendo com o ataque de coração disparou e pegou raspando em sua testa. – Falou tia Cecilia como se deseja-se que eu tivesse morrido.
Quando cheguei em casa estava passando a reportagem com a seguinte manchete:
“Assaltante morre de ataque cardíaco durante um assalto na porta da residência da vitima.”
- Parece que na entrevista alguém omitiu a informação que o assaltante era um narcotraficante cobrando uma divida. – Disse tia Cecilia em um tom irônico.
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