Unintentionally loved you
2 Capitulo Um - Infantilidade
Notas iniciais
Suspirou e balançou a cabeça negativamente, entrou naquele cômodo silencioso e escuro e aproximou-se de uma das paredes. Segundos depois, o quarto se iluminou com os fortes raios de sol, que entravam pela janela recentemente aberta. Ouviu, um resmungo totalmente irado vir do ser que dormia na cama de casal que havia no centro do quarto, a indignação a tomou, como poderia alguém dormir tanto?Virou-se e o viu deitado, com um dos travesseiros sobre o próprio rosto, novamente balançou a cabeça de forma negativa e aproximou-se da cama, parando de frente para a mesma, cutucou os ombros desnudos e quase levou um soco que faria um bom estrago, se a mesma não tivesse desviado.
– Me deixe dormir! – bradou ele, irritado.
Um sorriso sacana tomou conta dos lábios finos, enquanto pensava na forma que o acordaria. Afastou-se um pouco da cama, posicionando-se perto da porta e começou a correr em direção da cama.
– Acorda Grimmjow! – gritou, pulando em cima do mesmo, que soltou um gemido de dor, por conta do impacto.
Segundos depois, a mesma se levantou e o encarou divertida. Grimmjow sentou-se na cama enquanto tossia um pouco, claro que, amaria acordar todas as manhãs, com ela sobre si ou ao seu lado, mas isso não significava que ela deveria, pular sobre ele. Ela riu da expressão irritada dele, enquanto observava-o levantar-se com calma.
– Nelliel! – gritou, aproximando-se dela, que ria descontroladamente – Eu vou te matar!
Ela recuou alguns passos, enquanto ainda ria – E-eu tentei t-te acordar Grimmjow – disse entre risadas – M-mas, você n-não acordou, e-então tive q-que ape-lar!
Ele nada respondeu, pôs-se a correr atrás dela por todo o apartamento, havia no mundo, apenas três coisas que o irritava rapidamente e uma delas, era ser acordado em seu dia de folga. A garota corria e ria do amigo, que a perseguia com raiva no olhar. Com certeza, se vingaria dela e se vingaria agora, um sorriso sádico surgiu em seus lábios, ao imaginar sua vingança, talvez assim ela aprendesse, a não mais acordá-lo daquela forma.Quando finalmente a alcançou, a pôs sobre seus ombros e começou a caminhar em direção ao banheiro.
– O que você vai fazer Grimmjow? – perguntou temerosa, reconhecendo o caminho que seu melhor amigo fazia.
– Acho que você deve tomar um banhozinho Nell-chan – respondeu o mesmo, rindo maldosamente – De preferência bem gelado! – deu ênfase no “bem” fazendo a menina, arregalar os olhos e se debater.
– Não! Por favor, Grimm-kun! – pedia, batendo nas costas másculas – Você não pode fazer isso comigo, com sua “irmãzinha”.
Ignorou a dor de seu peito, ao ouvir a frase “Sua irmãzinha” e apenas riu. Abriu a porta de seu banheiro e correu para o Box, ligando o chuveiro no gelado e enfiando Nelliel embaixo do mesmo que se debateu tentando fugir da água gelada.
–Não! Não! – gritava, tentando sair – Me solta Grimmjow! Ta muito ge-gelado!
O garoto apenas ria sadicamente, enquanto deleitava-se se vingando de sua melhor amiga. Quando a viu totalmente encharcada e achou que já era o suficiente, a soltou e fechou o chuveiro. Ela tremia de frio e o encarava emburrada, com um biquinho que denunciava o desagrado da mesma.
Ele apenas riu e saiu do banheiro, sendo seguido pela garota, que pegou uma toalha e começou a se secar – S-seu retar-retardado! – disse nervosa, os dentes batendo de frio – Co-mo vou p-p-para ca-sa agora he-in? Mi-minhas roupas, e-estão to-das m-m-molhadas!
Ele soltou uma gargalhada alta, caminhou até seu quarto e trancou a porta, deixando-a para trás e extremamente nervosa. A garota bufou, aproximou-se da porta e a esmurrou com força.
– Grimmjow Ja-Jaegerjaquez! Não m-me ignore as-sim! – esmurrou com mais força e sua resposta foi uma risada zombeteira – Idi-ota! A-abra a por-ta!
Ele riu, achou uma forma de irritar a amiga mais ainda. Aproximou-se da porta e a abriu, encarando-a e tentando a todo custo, não rir da pobre menina que corava violentamente com o que acabava de ver.
– Pronto está aberta.
– G-Grimm...Jow... S-seu... S-s-seu... – gaguejou, visivelmente envergonhada. – Pervertido! – gritou e tampou o rosto com as mãos – Vá vestir uma calça!
Ele riu – Ué, eu estava fazendo isso, mas você interrompeu, disse para abrir a porta, eu a abri.
– Poderia ter v-vestido uma calça pelo menos não?
Em resposta riu zombeteiro. Levou uma onda de tapas agressivos vindo dela, que estava com o rosto virado para o lado, não queria ver seu amigo apenas de cueca.
– Vá vestir uma roupa Grimmjow!
– Ta bom então – respondeu rindo.
Ele fechou a porta novamente, para minutos depois a abrir já devidamente vestido e com algumas roupas moletons, estendeu sua mão para ela, entregando os moletons para a mesma e sorriu.
– Vai se trocar antes que você pegue um resfriado e me culpe por isso.
Sem nem olhá-lo, ela pegou as roupas e entrou no quarto, trancando-se no mesmo e aproximando-se da cama. Depositou as roupas no móvel e começou a se despir. Assim que suas roupas molhadas estavam a seu pé, começou a vestir os moletons, que como imaginará, havia ficado três vezes maior nela. Sério, cabia ali três Nelliel’s e ainda sobrava espaço! Aah, isso tudo graças à infantilidade de seu amigo, que quis se vingar de um “pulinho” que ela dera sobre ele.
Suspirou e olhou para a cama. Uma pontada em seu peito, se fez presente. Fantasiava o dia em que, acordaria todas as manhãs ao lado dele, naquela mesma cama, o dia em que seriam um casal de namorados e não de amigos e viveriam o resto de suas vidas juntos, mas a realidade era cruel demais com ela, ele a via apenas como sua amiga, como sua irmã mais nova, a quem deve cuidar e proteger dos maus que existem no mundo a fora. Sentiu seu coração se apertar. Para sua infelicidade, sua Linha Vermelha do Destino, não estava ligada ao dedo mindinho dele. Pelo menos, era o que ela pensava.
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– O que eu falei sobre apelações, Nell? – gritou, visivelmente nervoso.
– Ah! Não reclama! Você ta jogando, com o mais apelão dos personagens! – disse prestando atenção na tela, enquanto executava o ultimo golpe contra o adversário e ganhava o roud, pela quinta vez seguida – Uhul! Ganhei mais uma vez, uhul – levantou os braços sorrindo.
– Humpf! Idiota! – disse largando o controle e dobrando os braços, visivelmente nervoso, odiava perder em jogos de luta e odiava mais ainda, quando perdia para Nelliel.
– Awn! O bebezão ficou nervoso? – perguntou, fazendo voz de criança – Quer chupetinha quer?
– Fica quieta Nelliel! – disse atacando a almofada no rosto da mesma – você ganhou, por que eu deixei!
– Haha! Muito engraçada sua piada Grimmjow! Vamos assuma, você perdeu para sua melhor amiga, porque simplesmente não é bom o bastante!
– Cale-se logo! Humpf! – virou a cara emburrada para o lado.
Ela sorriu. Amava aquele jeito de criança dele, da mesma forma que era irritante era extremamente fofo o que a deixava mais apaixonada por ele. Amaria continuar vendo-o daquela forma, mas a aspereza com que ele a trataria depois, não valeria a pena. Sabia a única forma que iria tirar aquela feição emburrada do rosto de Grimmjow e fazê-lo esquecer aquela partida de videogame.
Aproximou-se dele, ficando de joelhos no sofá e próximo o suficiente dele. Fez a cara mais inocente que conseguia, tombou a cabeça para o lado deixando os longos cabelos esverdeados caídos sobre os ombros e o chamou, com a voz mais delicada possível.
– Grimm-kun... – na hora ele percebeu o que ela iria fazer, não moveu um músculo sequer, seu orgulho era maior do que qualquer coisa.
– Grimm-kun... Olha pra mim... – disse ela, cutucando de leve o ombro dele.
Novamente ele não se moveu. À vontade de ceder aquela voz delicada e olhá-la era enorme, queria virar-se e se deparar com os belos e perigosos olhos esverdeados, que sempre o dragava e o afogava, sem que o mesmo perceba. Olhar as bochechas levemente coradas e a boca pequena e perfeita, em um pequeno biquinho, tudo formando uma expressão infantil, que ele julgava como a expressão mais fofa que ela consegue fazer.
Mas, mesmo com seu próprio cérebro ordenando seus músculos e ossos a se moverem e a olhar, ele não faria. Era orgulhoso demais e sabia, que se fizesse reconheceria a verdade que lhe era estampada. Infantilidade por parte dele, apenas por causa de um jogo de videogame? Claro! Ele se importava com esse fato? Com todo a certeza do mundo, a resposta é um claro: Não.
–Vamos Grimm-kun... Fale comigo... – apoiou os braços, nas costas dele, encostando o queixo sobre o cotovelo, enquanto observava parte do rosto de Grimmjow.
Ele quase se moveu. Foi por pouco. Mas, novamente o orgulho falou um pouco mais alto. Apenas respirou fundo e bufou, nervoso com si mesmo, por ser “manipulado” tão facilmente por ela, sem a mesma nem perceber. Com certeza, se ela soubesse o efeito que tinha sobre ele...
– Vamos Grimm-kun... Fale comigo, um pouquinho assim ó! – e afastou o indicador do polegar, alguns centímetros e pôs a mão na frente de Grimmjow, indicando com os dedos a quantidade, em uma atitude totalmente infantil – Por favorzinho...
Depois de um pedido desses, nem mesmo o orgulho dele resistiu. Ele virou o rosto e a observou de lado. Sorriu de canto e sacudiu a cabeça de um lado para o outro, negativamente. Ela conseguia, fazê-lo passar por cima do orgulho e reconhecer algo, que ele não gostaria de reconhecer. Mesmo isso sendo totalmente infantil.
– Eu quero revanche. – disse, vendo-a sorrir abertamente.
– Ok então! – respondeu, iniciando uma nova partida.
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– Que horas são? – perguntou ela distraída.
– Quatro e meia – respondeu, olhando em seu relógio de pulso e voltando a acariciar os cabelos esverdeados.
– Hum... – respondeu suspirando.
– Hey, de quem era aquela blusa verde, que você usava no meu aniversário?
– Minha – respondeu olhando o teto
O silêncio se instalou entre eles novamente. Aquela tarde estava desanimada demais, nenhum feriado havia sido, tão chato como aquele estava sendo. Achar assunto era algo que, estava mais difícil do que, trazer os mortos de volta a vida.
– Por que?
– Por que, o que? – respondeu confuso.
– Por que, você queria saber de quem era a blusa verde? – levantou as esmeraldas para o rosto belo, encarando-o.
– Ela não ficou bem em você – respondeu, torcendo o nariz.
– Mentiroso, ela ficou perfeita em mim!
– Ficou nada, a pessoa que te disse isso, mentiu.
– Humpf! Homens! – revirou os olhos – Não entendem, nada de moda – começou a encarar a parede a sua frente.
Novamente o silêncio se fez presente. Ele havia mentido em relação à blusa, a peça parecia ter sido, feita sob medida para Nelliel. E mentiria de novo se ela aparecesse, usando uma blusa justa como aquela. A blusa havia ficado linda nela, mas fazia Nelliel, chamar atenção mais do que o normal. Principalmente a atenção masculina, ela era dele e só dele, mesmo se ela não tivesse concordado com esse fato. Ainda...
– Vamos tomar um sorvete? – perguntou, levantando o olhar para ele.
– Nesse frio? Pirou é? – respondeu, abaixando o rosto para encará-la.
– Ah... Eu to entediada, sua casa é muito... Chata às vezes – levantou-se e se sentou no sofá – Quero fazer alguma coisa.
– Tipo? – agora, foi ele que deitou a cabeça no colo dela, encarando-a de baixo.
– Sei lá. Não quero mais jogar videogame e não passa nada de legal na televisão – começou a acariciar os cabelos azulados.
– Vamos assistir algum filme, então – disse ainda encarando-a.
– Ah, não... – respondeu com um bico – Quero sair um pouco!
Suspirou: — Ok, vamos! – se levantou e pegou as chaves de seu carro.
– Eba! – disse se levantando também, e dando pulinhos de alegria, enquanto batia as mãos sorrindo.
O rapaz apenas sorriu e se aproximou da porta do próprio quarto: — Só vou me trocar, e então a gente sai. Ainda temos que passar em sua casa, pra você se trocar.
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Esfregou uma mão na outra na esperança de aquecê-las, enquanto esperava do lado de fora, do duplex. Nem mesmo as luvas que usava, esquentava suas mãos. Aquele era um dia, frio e totalmente fechado e mesmo gostando de dias assim, aquele passava dos limites.
Bufou. Deveria ter entrado quando ela o convidou. Talvez assim, poderia apressá-la e não congelaria do lado de fora. Suspirou cansado, Fazia uma hora, que estava ali fora, no frio, esperando Nelliel terminar de se vestir, ou de fabricar a roupa que vestiria.
Ouviu a porta ser aberta e fechada instantes depois. Olhou em direção da mesma e sentiu o ar sumir dos pulmões. Ela estava simplesmente linda. A blusa branca, combinava perfeitamente com o par de botas prateadas. A calça jeans de lavagem escura, combinava com a jaqueta preta de couro. Os cabelos presos deixavam o rosto angelical, mais a mostra, expondo toda a beleza da mulher.
– Pronto. – disse parada de frente para ele – Vamos, Grimm-kun!
E então, ele saiu do transe que estava, soltando o ar que até então, nem sabia que segurava, percebeu que ela estava a sua frente, como ela havia ido parar lá tão rápido? Ele não sabia, mas isso sempre acontecia, quando ele a via arrumada. Sorriu de canto e entrou no carro, sendo acompanhado por ela.
– Onde você quer ir? – perguntou, dando a partida.
– Ah... Vamos ao shopping primeiro – respondeu olhando a janela – Depois a gente vê outro lugar.
Ele concordou com a cabeça e rumou para o shopping mais perto. O caminho todo foi silencioso. Ele prestava atenção nas ruas e ela se distraia vendo a paisagem urbana, passar rapidamente por seus olhos. O transito naquele feriado estava bom, a maioria da população, havia viajado o que resultava em poucos carros pelas ruas.
Logo chegaram no shopping. Grimmjow estacionou o carro no estacionamento e ambos adentraram o recinto, conversando banalidades. Ao longe, Nelliel avistou duas pessoas andando de mãos dadas. Um ruivo e uma morena. Sorriu, os reconhecendo de imediato.
– Ichi-kun! Kia-chan! – chamou, puxando Grimmjow pelo braço e correndo em direção do casal – O que fazem por aqui?
Rukia sorriu: — Olá Nell-chan! Estamos, dando um passeio apenas. E vocês, o que fazem por aqui? Eu e Ichigo achamos que você iriam viajar, como sempre fazem aos feriados.
Era costume deles viajarem. Todo feriado, ou estavam em uma das inúmeras praias de Okinawa ou em uma das maravilhosas pousadas de Kyoto. Era raro, as vezes em que não viajavam, e essa era uma dessas vezes, onde escolheram ficar na cidade, do que viajar.
– Escolhemos ficar na cidade dessa vez – respondeu Grimmjow – Mas, seria melhor se tivéssemos viajado. Estamos tentando espantar o tédio a horas.
– Entendemos perfeitamente – dessa vez, foi Ichigo que respondeu.
– Bom... – começou a esverdeada, sorrindo – Que tal, aproveitarmos que nos encontramos aqui e vamos até a praça de alimentação? Comer, conversar...
– É, vamos lá! – respondeu a morena sorrindo e puxando o namorado pela mão.
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– Mas, eu quero um sorvete. – rebateu, exaltada.
– Mas, você vai pegar uma gripe nesse frio! – respondeu, já nervoso com a teimosia da amiga.
– Aff! Você é muito chato Grimmjow! Um sorvete, não faz mal a ninguém!
– Vai fazer mal a você! Já pegou muita friagem hoje!
– Porque, você me jogou embaixo do chuveiro gelado!
Ichigo e Rukia, apenas observavam os amigos discutirem. Ainda não entendia o motivo da briga. Tudo começou, porque ele roubou uma batata frita dela e então, começaram a brigar. O ruivo e a morena, não sabiam se paravam com a briga ou se riam, do que era discutido no momento. Sorvete, banho gelado e videogame. Era sempre assim. Eles eram melhores amigos, viviam brigando, mas também não desgrudavam um do outro. A morena sorriu. Se como amigos brigavam assim, como namorados brigariam por muito menos, como o fato de Grimmjow ter a mania de não abaixar a tampa do vaso sanitário.
– Você é um idiota! – gritou ela.
– Você também é! – rebateu, nervoso.
– Chega os dois! – gritou Rukia, parando com a briga – Pelo amor de Deus, parem de brigar! Tão até parecendo um casal em crise! – eles coraram.
– É, chega já – concordou Ichigo – Vocês, brigam mais do que eu e Rukia quando ta de TPM. – a morena o fuzilou com o olhar.
– Humpf! – resmungaram juntos.
– Ela é muito teimosa.
– Ele é muito idiota.
– E vocês, são muito infantis! – respondeu o ruivo.
Nelliel se levantou: — Eu vou comprar um sorvete – e saiu, em direção do quiosque mais próximo.
Grimmjow bufou: — Se ficar doente, a culpa não vai ser minha.
Ela o ignorou e continuou andando. O casal, balançou a cabeça negativamente. Ambos fitaram Grimmjow, que os encarou nervoso.
– O que foi? Eu fiz algo errado por acaso?
– Ai, ai... Vocês merecem uma surra... – comentou Rukia.
– Verdade... – concordou Ichigo.
– Belos amigos vocês...
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