Notas iniciais
Heeey, mais um cap., como ninguém comentou não sei o que acharam do cap. anterior, mas espero que tenham gostado, e também espero que gostem desse, boa leitura.

Os dias passaram sempre no mesmo.

Ryan ia comigo para a escola, me ignorava, e passava um bilhete com alguma desculpa no final da aula.

Àquela altura do campeonato, Ryan já estava famoso na escola. Todas as garotas babavam por ele, e ele já andava com a turma dos populares, pior, ele se tornou o líder deles. (Ainda estou tentando compreender como isso aconteceu).

O melhor nisso tudo era que eu não precisava falar com ele. Até aquela aula de química.

A Sra. Monroe, professora de química, decidiu fazer um trabalho em duplas.

Na minha aula de química tinha um número ímpar de alunos, então eu sempre acabava fazendo o trabalho sozinha, mas não neste dia.

—Muito bem turma, para o trabalho vai haver um trio. – Houve um burburinho na sala sobre quem formaria o trio. – CALEM A BOCA! – Gritou a Sra. Monroe assustando a todos. – EU vou escolher o trio, e também as duplas, então fiquem quietos, não quero ouvir um pio, e acreditem, será melhor para vocês.

Um engraçadinho na sala fez uma brincadeira, coisa que irritou muito a Sra. Monroe.

—Sr. Rodriguez, sua dupla será minha primeira escolha. O senhor fará o trabalho com a Srta. Shaw.

O espanto da sala foi total. Todos sabiam que os dois eram inimigos de infância, e que Rick Rodriguez já havia levado uma bela de uma surra da doce Lisa Shaw.

O silêncio na sala foi total.

Depois de alguns nomes a professora chamou:

—Madlen Thompson e... – Olhei para ela suplicando pra que chamasse, pelo menos, algum nerd tímido. Eu e a Sra. Monroe tínhamos uma boa relação, eu gostava dela, ela gostava de mim, e nós duas amávamos química. Ela, com certeza, não faria algo ruim para mim. – Ryan Carter.

Vaca!

—__**___

—Você não vai falar comigo, é isso? – Ryan perguntou parecendo super irritado.

Não respondi.

Estávamos na biblioteca da minha casa (sim, minha casa tem uma biblioteca, isso não é demais?). Enfim, estávamos tentando fazer o bendito trabalho de química.

Não estava dando certo, é claro.

Confesso que parte da culpa era minha. Eu havia perdido um pouco a vergonha de Ryan, afinal ele estava na minha casa até que seu pai se mudasse definitivamente para cá. Mas eu não queria falar com ele, e não era por causa da vergonha, Ryan era um imbecil, e eu já estava de saco cheio. Eu estava com raiva dele, e para melhorar, eu estava naqueles dias (meninas, vocês sabem como me sinto, não?).

—O que vamos fazer? – Perguntou ele sentando-se à minha frente.

Continuei calada observando meu livro em busca de alguma inspiração.

—Ok. Você não vai me ajudar? Ta, então vamos fazer... Vamos fazer... Uma máquina de choque, ou... Ou então, um canhão magnético!

Não pude deixar de corrigi-lo.

—Física e física. Não sei se você lembra, mas nosso trabalho é de química.

—Que tal você dar uma dica, espertalhona. – Ele disse com deboche.

—Vamos fazer uma lâmpada química sem eletricidade. – Respondi rapidamente.

—Não estamos estudando isso.

Dei de ombros.

—Ela não definiu sobre o que fazer. – Rebati.

—Ah, é? Ok, gênio, como vamos fazer isso?

—__**___

—Wow! – Foi o que ele disse depois que terminamos. – Agora me explique porque eu não entendi nada.

Meu sensor de futura química brilhante foi ativado.

—Quando aquecemos o fio de cobre, ele reagiu com o oxigênio do ar e formou um novo composto, o óxido de cobre. O átomo de oxigênio oxida a acetona, que libera gás carbônico e acetaldeído. Como essa reação é exotérmica, o fio de cobre continua vermelho e quente.

—Exo de quem?

—Exotérmica. Produz muito calor.

—Ah, sim. Eu sabia claro.

—Sim, claro.

Ryan ficou me olhando por um tempo.

—Você está bonita hoje. – Ele disse por fim.

O alarme de perigo começou a tocar bem alto na minha cabeça.

—Eu sei. – Falei seca.

Ryan pareceu captar a mensagem e ficou quieto.

Minha respiração começou a acelerar. Já bastava por hoje.

Fui embora sem disser uma só palavra.

—__**___

—Entra Calebe! – Falei quando ele bateu na porta do meu quarto, eu sabia que era ele porque só ele bate daquele jeito.

—Oi. – Ele disse entrando.

Calebe sentou-se em minha cama de frente para mim.

—Tem planos para hoje à noite? – Perguntou.

Neguei com a cabeça.

—Ótimo. – Ele sorriu. – Maratona de The Walking Dead, na minha casa, topa?

Meus olhos brilharam.

—Com certeza.

—__**___

Chegamos a casa de Calebe às 18:03.

Eu estava SUPER irritada, havíamos marcado de 18:00 mas, aparentemente, Ryan demorava mais do que eu para se arrumar. Sim, Ryan, Calebe o convidou também.

Fomos direto para o porão, que era usado como um tipo de sala de jogos.

Calebe havia arrumado três colchões no chão.

—Gênio, – Falei. – Estamos em quatro.

—Eu sei. – Ele sorriu. – Escolha seu par.

Simon gargalhou.

—Não vejo graça nisso. – Disse Ryan manifestando-se pela primeira vez. – Vocês não podem obrigá-la.

Simon gargalhou ainda mais.

-Idiotas. – Resmunguei percebendo que a TV estava do lado oposto dos colchões, e os sofás estavam na frente.

Simon estava quase morrendo.

Sentei-me no sofá. Ryan fez um gesto negativo com a cabeça e sentou-se ao meu lado.

O que?!

Eu estava quase dizendo que aquele lugar era de Simon, mas aquele traidor sentou-se no outro sofá sem se importar. Achei que seria muita falta de educação falar aquilo sendo que Simon não estava se importando.

Eram 05:15 quando os garotos concordaram que não aguentavam mais assistir. Eu, é claro, insisti, mas não tive chance.

Então restou o dilema. Estávamos em quatro, só tínhamos três colchões, e eu, claro, sou insuportável.

Se eu não estava louca, podia jurar que vi Ryan me lançar uns olhares um tanto... “perigosos”. Ok, tudo bem, essa não é a palavra que você usaria.

A “briga” durou até 05:30.

Por fim, Simon dormiu no sofá.

Eu, que reclamei tanto por ter que ir dormir, fui a primeira a capotar, e os outros idiotas que queriam tanto ir para a cama, ficaram acordados até quase sete da manhã.

—__**___

Eram 10:30 quando acordei.

Simon e Calebe tinham sumido e Ryan estava sentado em sua cama (leia-se colchão), mexendo no celular.

Quando ele percebeu que acordei sorriu.

—Bom dia sunshine. – Ele disse ainda olhando para o celular.

Achei que ele não estivesse falando comigo.

—Estou falando com você, querida Srta. Thompson. – Ele disse como se lesse meus pensamentos.

—Não me chame de sunshine. – Foi a única coisa que consegui dizer na surpresa do momento.

Ryan olhou para mim.

—Por quê?

Tentei não olhar para os olhos dele, eu ficaria completamente perdida se o fizesse.

Apenas dei de ombros.

—Bem, já que estamos morando temporariamente na mesma casa, poderíamos ao menos nos dar bem, não acha?

Neguei com a cabeça. Meu pai provavelmente me mataria se soubesse disso (se você for o meu pai, devo pedir que ignore esse parágrafo).

Sem dizer nada me levantei e fui me trocar no banheiro.

Quando abri a porta para sair dei de cara (na verdade não tão de cara porque eu batia no seu peito) com Ryan, e quase que caíamos.

—O que está fazendo? – Falei quase sussurrando.

—Eu estava esperando você para acompanhá-la até a cozinha.

—E não podia esperar em algum outro lugar no cômodo?

—Eu queria levá-la o caminho todo. – Eu não olhei para ter certeza, mas suspeitei de que ele estava sorrindo.

Dei de ombros novamente.

Ryan me acompanhou e, um pouco antes de chegarmos à cozinha, sussurrou no meu ouvido:

—Você está bonita hoje.

Notas finais
Então, o que acharam? Por favor, comentem, a opinião de vocês é muito importante. Beijocas da Mary