Notas iniciais
Lá embaixo!

Medo. Era isso que eu estava sentindo toda vez que via o Tommy entrar e sair do quarto em que Felicity estava ele passava por mim e nem olhava na minha cara, ele passava por mim correndo e isso aumentava o meu medo. Eu só queria ouvir um “Está tudo bem, Oliver” “Eles estão bem, Oliver”. Mas não, Tommy nem se dava esse trabalho. Eu estava tremulo e me sentindo fora de órbita, a mulher que eu amo estava lá dentro ferida, e meus filhos correndo risco.

Tinha acabado de chegar à casa do John quando Thea me ligou dizendo que Felicity havia sido atropelada e o desgraçado que fez isso não teve a decência de prestar socorro, deu ré e fugiu. A sorte era que Thea estava com meu pai no telefone na hora do ocorrido, rapidamente meu pai se prontificou em mandar seu melhor grupo do Pronto Socorro. Thea disse que ela havia batido a cabeça, e que havia sangue em suas pernas. Esse era o meu maior medo.

John foi para o shopping pedir imagens do acidente, eu precisava saber quem foi o desgraçado que fez isso. Ele não precisava fugir, já que havia sido um acidente. O erro dele começou quando não prestou socorro. Minha mãe, minha irmã e Katerine estavam na sala de espera, e eu estava sentado no chão do corredor do quarto de Felicity, ninguém me deixava entrar e eu só queria notícias dela e dos meus filhos. Eu não me via sem eles, nada podia acontecer com os três.

— Oliver, vai pra sala de espera – meu pai apareceu se agachando ao meu lado

— Eu não vou sair daqui enquanto não tiver notícias – encostei a cabeça na parede – você não sabe como é.

Meu pai deu um longo suspiro e se sentou ao meu lado.

— Quando sua mãe estava grávida de você, ela quase te perdeu.

— Eu não sabia – olhei

— Acredite, filho, eu já passei pelo que você está passando, sei exatamente o que ta sentindo. – olhou para a porta do quarto, mas eu sabia que ele só estava lembrando – Estávamos dando um almoço, o primeiro almoço na Mansão Queen, quando sua mãe rolou escada abaixo. Eu nunca vi ela sangrar tanto daquele jeito, Oliver – suspirou e me encarou – Ela estava com sete meses de gestação, por pouco nós não te perdemos

— Vocês nunca me contaram isso, pai.

— Não sentimos que fosse preciso. Mas eu nunca perdi a fé de que você ficaria bem – sorriu – Eu sabia que você nasceria forte e daria muito orgulho. Eu amo sua irmã, muito... Mas você, meu filho, eu quase te perdi. Te mimei muito por isso.

— E eu só te dei desgosto – abaixei a cabeça

Meu esperava que eu fosse um bom filho, um filho que lhe desse orgulho, um filho que ele pudesse contar nos momentos difíceis, meu pai queria que eu fosse um bom homem. E eu o decepcionei em todos os sentidos. Eu precisava reparar esse erro, eu queria que meu pai olhasse para mim e sentisse orgulho, assim como daqui a uns anos que queria sentir esse mesmo orgulho dos meus filhos.

— Não, claro que não. Você foi culpa minha e da sua mãe, nosso desespero de te perder foi tanto que quando você nasceu demos tudo que você queria, com Thea não cometemos esse pequeno erro e também...

— Pai, eu sinto muito. Por tudo que eu já fiz de errado – coloquei a mão em seu ombro – Estar com Felicity me fez perceber que a vida e muito mais do que eu imaginava. As responsabilidades fazem parte da vida, e as minhas maiores responsabilidades estão dentro desse quarto – cocei a testa – Se não fosse por você, se não tivéssemos esse hospital, acho que o pior já teria acontecido.

— Eu fiz o que qualquer avô faria, Oliver. Acredite, eu amo esses bebês!

— Eu sei, pai. O que eu to querendo dizer que, quando o senhor tiver pronto para sair, eu estarei pronto para entrar. Quero construir um futuro para os meus filhos, quero que eles tenham orgulho de mim igual eu tenho de você.

— Ah, Oliver! Você ta querendo dizer que... – ele se levantou e eu o segui

— To querendo dizer que eu vou assumir seu lugar na presidência do hospital, se meus filhos e Felicity saírem bem dessa, eu juro que darei o meu melhor por esse hospital assim como o senhor fez.

— Vem aqui meu garoto – e me puxou para um abraço. E então a porta do quarto abriu e um Tommy sério saiu de lá.

— Você vai virar meu chefe? – perguntou me olhando

— Como eles estão, Thomas? – perguntei ignorando sua indagação

— Entrem, — deu espaço para que eu e meu pai passássemos – explico tudo que dentro.

— Vai você, filho, vou avisar aos outros – meu pai falou – Vou pedir que só entrem quando você chamar — e deu as costas

Entrei no quarto e meus olhos caíram nela, Felicity estava com um curativo na testa e com a semblante pálido mas tinha um sorriso no resto.

— Ora, ora, quem acordou – Tommy falou sorridente. Se o Tommy estava sorrindo era porque estava tudo bem, certo? Ou ele só estava querendo nos reconfortar?

— Vocês falam muito alto – Felicity falou devagar e baixinho – O que aconteceu? – arregalou os olhos e levou as mãos até a barriga – Oliver... – me olhou desesperada, acho que o meu semblante não era diferente do dela.

— Lissy... – Tommy começou

— Está tudo bem com meus bebês? – ela perguntou com lágrimas escorrendo. Aquilo foi demais para mim, cortei o espaço que havia entre nós e parei ao seu lado beijando a sua testa. Acho que ela entendeu meu ato de outra forma, porque começou a soluçar mais ainda – Oliver, eu perdi nossos bebês

— Hey, hey, calma – Tommy disse – Vocês não me deixam falar. Os bebês estão bem. Quem merece uma bronca é a mamãe aqui. Você está com anemia, Felicity. – começou a ler um papel na prancheta assumindo um tom profissional – A pancada na sua cabeça hoje foi muito forte, a neuro ficou com medo de um traumatismo, mas ela reverteu o caso rapidamente. Ela já já vem aqui.

— E os bebês – perguntei passando a mão nos cabelos dela

— Bom, — suspirou – Como eu disse ela está com anemia, sei que não sou nutricionista para te receitar alimentos, mas comece a comer as principais fontes de ferro. Pode tomar em forma de suplementos. Algumas multivitaminas para grávidas já incluem o ferro, mas o vou te prescrever alguns suplementos especiais. Pode ser que o suplemento piore os seus enjoos você pode tomá-los à noite em vez de pela manhã , às vezes ajuda. — Olhei para Felicity que parecia que não estava prestando atenção em nada, ela apenas olhava para a pequena barriga e a alisava, como se estivesse em uma conversa telepática com os bebês. – Entendeu, Lissy? Oliver?

— Thea disse que ela sangrou.

— Eu sangrei? – me olhou assustada, e de arregalou os olhos provavelmente lembrando – Eu sangrei... Tommy?

— Eu já ia chegar lá – sorriu – Felicity está entrando no terceiro trimestre, nesse período normalmente ocorre o deslocamento da placenta que se fixou no lugar errado dentro do útero, ela fica mais próxima a saída ou mesmo no colo do útero e essa posição pode causar sangramentos rotineiramente. – gesticulou com as mãos Isso se dá por conta de esforço da gestante ou mesmo simplesmente pelo peso da barriga. – ele começou a anotar algo.

— Então eu teria sangrado com ou sem acidente – ela falou suspirando de alívio. – Layla teve isso. Não é um sangramento grave, mas ela sempre ia ao médico quando acontecia, porque pode se agravar não é?

— Isso, menina esperta – Tommy sorriu – Está tudo bem com os meus afilhadinhos. E vamos ficar de olho caso sangre de novo.

— Você está se sentindo bem? – perguntei olhando para ela

— Nossos filhos estão bem – ela sorriu fraco – Eu vou ficar bem.

—Duas coisas que quero te pedir, Lissy – Tommy falou cauteloso – Repouso, dê um tempo da loja pelo menos até eles estarem formados e fora de qualquer risco, sem estresse.

— Sem ir trabalhar? – resmungou

— Pode deixar que vou manter ela em casa – a olhei de rabo de olho – Qual era a segunda coisa?

— Vocês tem dois bebês ai, quero escolher o nome de um – sorriu

— Nem pensar – Felicity gargalhou – Ai! Rir dói – fez uma careta colocando a mão na cabeça

— Pelo menos da menina, vai Oliver... Deixa!

—Se contente com o Theo, Merlyn. – sorri

— Theo e Theodora – falou piscando

— Qual o problema de vocês? Thea também cismou com esse nome, minha filha não vai se chamar Theodora – Felicity bufou – Tchau, Tommy, eu quero dormir.

— Isso me magoa muito – Tommy falou se fingindo de ofendido

— Vai procurar o que fazer, Thomas! – disse apontando pra porta. Ele riu e saiu.

Olhei para Felicity que me encarava com um sorriso no rosto. Eu estava desesperado e essa mulher sorria despreocupada. Ela literalmente era a luz e a calmaria que faltava na minha vida. Ela estava aliviada em ver que os bebês estavam bem, e eu estava aliviado em ver que ela estava bem, em ver que meus filhos estavam bem. É... Acho que agora realmente estava tudo bem.

— Descansa, vou avisar para ninguém vir te incomodar – beijei seus lábios

— Oliver, o que aconteceu?

— Não sei – suspirei – Realmente não sabemos. Thea ficou desesperada, disse que nem olhou pra placa do carro. John foi até aquele maldito shopping pra tentar olhar as câmeras, aquele desgraçado nem prestou socorro. – fechei minhas mãos em punho – Você não sabe o ódio que eu to sentindo.

— Hey, está tudo bem agora, estou bem. – segurou uma de minhas mãos

— Você não vai mais sair sozinha. John vai estar sempre com você agora.

— Não é como se alguém tivesse tentando me matar, isso não é filme – inclinou a cabeça para o travesseiro e fechou os olhos – Foi só um acidente, meu amor.

— Eu já decidi. – ela somente assentiu, acho que o cansaço tomou conta que em questão de segundo ela já estava respirando suavemente e com o semblante sereno, longe de qualquer preocupação. Beijei sua testa e sentir na poltrona ao lado da maca, ninguém me tiraria dali.

Mandei uma mensagem para Thea avisando que Felicity havia dormido, ela respondeu dizendo que voltariam na manhã seguinte.

Quando liguei a TV do quarto para assistir um jogo qualquer, meu celular tocou. Era John. Tratei de atender antes que acordasse Felicity.

— Fala, Dig. Conseguiu algo?

— Sim, o nome do dono do carro é Ted Grant. Esse nome não é familiar?

— Não, John, não é. – suspirei

— Pensa um pouco Oliver... Com quem Laurel Lance namorou quando vocês terminaram?

— Eu não prestava muito atenção na vida dela depois disso, John – falei sem paciência

— Laurel namorou o Theodore Grant Junior

— Essa porra desse nome ta me perseguindo.

— O que?

— Tommy e Thea querem que o nome da minha filha seja Theodora porque combina com o deles – John gargalho do outro lado da linha

— Mas que merda, cara

— Ta querendo dizer que o ex da Laurel atropelou Felicity?

— O carro era dele, mas ele tem um álibi, e eu acho que esse álibi não é falso.

— Como pode ter tanta certeza?

— Roy Harper trabalha na academia de Ted, eles estavam comprando equipamentos novos do outro lado da cidade quando isso aconteceu.

Eu sabia que meu cunhado trabalhava em uma academia, ele era faixa preta em algumas artes e eu sabia o quanto Roy era honesto e o quanto ele gostava de Felicity, ele não mentiria para acobertar ninguém. Não com seus afilhados em perigo.

— Mas...

— Mas ele deu um carro de presente para a ex namorada.

— Dig, não quero que conte nada disso para Felicity. Laurel tentou atropelar ela. John você vai seguir Felicity para todos os lugares. Eu não quero ela sozinha, ou é comigo ou é com você. Entendido?

— Calma, Oliver. Laurel pode ter vendido o carro, pode ser só coincidência.

— Eu não quero a Felicity sozinha.

— Ela não vai ficar.

— Não fala nada disso pra ela

— Pode deixar. – e desligou

Eu sabia que tinha sido Laurel, eu tinha certeza. Eu relevava os ataques que ela dava por me sentir culpado. Acho que as coisas ruins que aconteceram na vida dela foram tudo por minha culpa. Ela me pegou na cama com irmã, ela se afogou na bebida por minha causa, mas nada disso dava direito dela ferir alguém. Ela ia pagar por isso.

Notas finais
Não gostei desse capitulo. Faltou algo nele, sei lá, não fiquei satisfeita. Mas ta aí. Antes de escrever eu pesquisei todos os tipos de complicações possíveis para um sangramento na gravidez, esse foi o mais coerente, simples e comum. Comentem!!! No próximo capítulo vai pular mais uns meses e vamos descobrir o sexo dos babys ♥ A fic ta com pouco comentário :( Chegando a 15 eu posto o próximo que já esta pronto pela metade ;) Beijos, meus amores! Comentem!