Unidas pelo Destino.
2 Meninas levadas recebem suas devidas punições.
Notas iniciais
.:Meninas levadas recebem suas devidas punições:.
Os raios de sol mal haviam tocado o horizonte, e ela estava com os olhos abertos, aguardando o despertador tocar, como fazia todas as manhãs, desde seu aniversário. Impaciente, desistiu de esperar, se levantou, abriu as cortinas e olhou para a torre Eiffel, através da janela.
Depois de apreciá-la, a menina resolveu se trocar para a escola. O primeiro dia de aula, temido por alguns, adorado por ela. Iria rever os tão estimados amigos, claro que os visitou durante todas as férias, mas agora, estaria começando o colegial. Tudo seria diferente.
Colocou as meias três quartos, vestiu a saia xadrez, e correu, apressada, até a cozinha. Abriu a geladeira, pegou a caixa de leite e fechou a porta, deparando-se com seu irmão mais velho, encostado no balcão.
- Leo! Quer me matar de susto? Se for esta a sua intenção, está quase lá! – Ela gritou exaltada.
Leonard Vincent Lefevre Bonnet Fontain, era seu super protetor irmão mais velho. O típico garoto popular, de cabelos loiros, olhos cor de safira, pele pálida. Extremamente alto, de lábios e feições finos. O aluno de ouro, o filho perfeito, representante de sala há dois anos e campeão deles courses au cheval. Esporte esse, também conhecido como corrida a cavalo.
Ela o amava mais do que tudo. Era seu melhor amigo. Mas não deixava de sentir um pouco de inveja dele. Ele fazia tudo parecer tão simples. Estudar, brincar, praticar esportes, ler, assistir TV. Ele equilibrava tudo com eximia perfeição.
- Bonne Journe! – Disse ele, com a mesma voz calma e casual de sempre — Perdoe-me soeur. Vi-te passando pelo corredor, e imaginei que tivesse tido outro pesadelo. – Disse ele, passando a mão nos cabelos ondulados.
- Você nem imagina. – Ela suspirou, enquanto comia lentamente o cereal de aveia, tentando gastar um pouco de tempo, enquanto pensava em seus recentes pesadelos. Se os sonhos são projetados pelo subconsciente, ela era mais perturbada do que pensava.
- Bem, Soleil, — Sim, era esse o nome da menina. E combinava com ela. Sempre sorrindo. Tão radiante como o próprio sol. — Vou vestir a farda, espere-me aqui embaixo.
E ela observou enquanto o irmão subia apressadamente a grande escadaria de mármore.
Alguma vez, na sua vida, você já sonhou em viver em uma casa enorme, cheia de empregados, com muito dinheiro, uma família contente e dezenas de amigos que te amam?
Ela tinha tudo isso, ou quase. Morava na parte rica de Paris, em uma enorme mansão, com sua mãe, Elisa, e o irmão, Leo. Quem os via, pensava que eram o exemplo da família perfeita, saudáveis, ricos e felizes.
Jamais saberiam o quão errados estavam. A mãe, muito ocupada com os trabalhos beneficentes, e a fortuna da família, quase nunca tinha tempo para os adolescentes, quem sempre cuidou deles foram os dois empregados mais antigos da família: Jasper, o chofer e Maria, a cozinheira.
Mas, de longe, o que mais lhes fazia falta, era a presença de um pai. Alguém para fazer companhia a mãe, ler o jornal durante o café, jogar bola com Leo, brigar com Soleil por causa dos horários e do tamanho das roupas, levantar os filhos nas costas quando eram menores. Alguém para contar histórias. Alguém presente e responsável. Alguém que jamais teriam.
Quanto os amigos? Eles jamais a abandonariam, estariam sempre ao seu lado. Pelo menos, era o que ela pensava. Mal imaginava o quanto estava enganada.
-Bom dia, senhorita, primeiro dia de aula. Como se sente?- A voz de Jasper a fez lembrar que do familiar frio na barriga.
-Como sempre, Jazz, ansiosa de mais para respirar. — Ele riu, tomando um gole de café, de uma xícara de porcelana.
-Estou pronto, podemos ir? — Seu irmão já havia voltado, com o uniforme perfeitamente alinhado, como sempre.
Como ele conseguia ser tão perfeito?
-Claro, mas antes deixe-me pegar meus sapatos. — A menina o fez, e juntos, seguiram para o carro, ainda um pouco sonolentos.
O sinal tocou assim que chegaram. Leo correu para classe, preocupado com o horário.
Mas Soleil jamais se preocupou com os estudos. Segundo ela própria, eles eram ‘ultrapassados’, e não precisavam ser levados a sério, uma vez que herdaria uma fortuna de sua família. Correu para o banheiro feminino do segundo andar, abriu a bolsa, tirando as garrafas de vodca e os cigarros. Mataria a primeira aula, e ficaria fumando e bebendo com as amigas. Como de costume.
Ela sabia que era errado. Sabia que se arrependeria. Mas era a única forma de esquecer os problemas. Esquecer de seu pai, que nunca conheceu. Esquecer da falta de atenção da mãe. Esquecer do garoto com quem terminara recentemente. Esquecer suas responsabilidades.
Quase sempre, ela se dava bem. Quase. Maldito foi o momento em que a menininha, do terceiro ano, entrou correndo no banheiro, com o cabelo castanho coberto de tinta azul. Não se sabe ao certo quem fez essa maldade com ela, mas certamente tinha inveja de seus belos cachos.
Algumas crianças, menos ingênuas, não teriam se assustado ao ver meia dúzia de garotas, com os olhos vermelhos, rindo alto, bebendo e com cigarros na mão.
Mas ela, pobre coitada, se desesperou, e saiu gritando pela monitora de corredor. As meninas tentaram, em vão, esconder o ‘material’.
A monitora, alta, de pele acobreada, e cabelos belamente ondulados, as escoltou até a diretoria, sem dizer uma única palavra. Elas não eram necessárias, sua expressão dizia tudo. E mais um pouco.
Mil pensamentos rodavam em sua cabeça. O que pensariam os outros alunos, ao descobrirem que a irmã do melhor aluno do colegial não passava de uma drogada? Uma viciada em nicotina, e mais algumas coisas piores? Claro, porque perto do que já fizera, os cigarros não eram nada. O que pensaria sua mãe? Iriam mandá-la para algum reformatório? Ela não usaria um daqueles horríveis uniformes laranjas. Isso com certeza não.
Desgostosa, arrastou a bolsa cor de rosa até a sala da diretora, e aguardou seu destino. Demoraram alguns minutos para avisá-la que ligariam para sua mãe. Como a garota poderia imaginar o quanto aquele simples telefonema mudaria sua vida tão radicalmente?
Leonard Vincent Lefevre Bonnet Fontain
Fale com o autor