Unidas pela guerra

5 Aurora e a partida rumo à guerra


Notas iniciais
Primeiro quero pedir desculpas pela demora. As aulas da faculdade voltaram, então fiquei numa correria enorme nas duas última semanas, na verdade, ainda estou na correria. Mas prometo adiantar vários capítulos no carnaval. Enquanto isso, aproveitem esse.

Aurora despertou quando ouviu Filipe conversar com alguns soldados do lado de fora da cabana.

– Certo, então está tudo pronto? – Perguntou Filipe.

– Sim, senhor! As carruagens já estão abastecidas com as armas e os mantimentos. Agora é só organizar todo mundo e podemos partir. – Respondeu uma voz masculina jovem, mas madura.

– Então, podem acordar o pessoal. Partiremos em uma hora.

Aurora viu Filipe entrar na cabana. Sua feição era de preocupação.

– Meu amor, mas já está acordada?

– Acabei despertando mais cedo. Está tudo bem? Você parece preocupado.

– Nós estamos indo para uma guerra, é claro que estou preocupado. Mas nada fora do normal. Agora vamos acordar Patrick e nos despedir dele e da sua mãe. – Disse Filipe, depois ele se abaixou e deu um beijo na testa de Aurora.

O café da manhã foi banhado por uma despedida longa e deprimente. Estavam todos preocupados, mas tentavam não transparecer isso. Patrick havia chorado um pouco quando lhe contaram que ele ficaria sozinho no acampamento com a avó. O garoto tinha implorado para não ser separado dos pais, mas tudo o que puderam lhe dar foi uma promessa: “Prometemos que não vamos demorar a voltar. Você nem vai perceber quanto tempo passou.” disse Aurora.

Após o café da manhã, Patrick foi para a cabana com a avó, enquanto Aurora, Filipe e o rei se dirigiam às carruagens.

– Você tem certeza de que quer ir, meu amor? – Perguntou Filipe, mas na verdade parecia que ele estava pedindo para que ela não fosse.

– Tenho sim, meu bem. Vai dar tudo certo. Nós vamos voltar juntos! – Aurora abraçou ao Filipe com todas as suas forças. Ela sabia que não podia ter certeza do que acabara de dizer, mas queria acreditar inteiramente nisso.

Ao chegarem onde as carruagens estavam estacionadas, avistaram Robin Hood e Pedro dando algumas informações.

– Filipe, venha aqui! Você irá ficar com a equipe que dará apoio à distância na primeira batalha. Como você e Mulan estão acostumados a lutarem juntos, ela será seu apoio direto e vocês lutarão lado a lado. Esses são os outros soldados que vão lhe acompanhar juntamente com os arqueiros. – Disse Robin Hood apontando para um grupo de homens que estava ao seu lado direito.

– Eu liderarei a equipe que irá atacar diretamente, vocês irão comigo. – Disse Pedro ao apontar para outro grupo de homens que estava à sua frente.

– Por tanto, vocês irão comigo cobrir a retaguarda da equipe de ataque. – Finalizou Robin Hood ao se dirigir ao último grupo que estava à sua esquerda.

Depois de mais algumas instruções dadas, sobre como proceder no campo de batalha, todos seguiram para suas carruagens. Aurora, Filipe e o rei foram juntos. Mulan e Izabel foram juntas em outra carruagem, com mais alguns soldados.

A viagem parecia não ter fim. Aurora não tinha mais noção de quanto tempo havia se passado. O sol parecia já estar descendo do céu, então com certeza já se passava do meio dia. Sua ansiedade só aumentava conforme se aproximava do destino final, o que parecia loucura, já que ela nem entraria na batalha. Mas Filipe entraria. Seu pai entraria. Mulan entraria. Três pessoas que ela amava incondicionalmente iriam marchar rumo a uma batalha da qual poderiam não voltar. Aurora balançou a cabeça para tentar afastar esses pensamentos. Daria tudo certo. Eles invadiriam os três castelos. Tomariam todos. Ninguém voltaria ferido. Ela estava implorando aos céus para que isso acontecesse.

Finalmente a carruagem parou. Durante toda a viagem ninguém havia dito uma palavra, o que deixava claro como estavam todos tensos. Mas assim que pararam Filipe disse:

– Nós vamos conseguir. Vamos recuperar nossa casa e as casas de nossos aliados. Vamos voltar todos juntos! – Dito isso, ele abraçou Aurora e depois a beijou. Um beijo longo e intenso, que ela esperava não ser o último.

Aurora também abraçou seu pai fortemente, deixando claro o quanto o amava.

Os três desceram da carruagem e se juntaram ao restante do grupo.

– Bom é aqui que nos separamos. Cada um junto da sua equipe e vamos partir. Aos que ficarão: espero vê-los em breve. – Anunciou Robin Hood.

Aurora viu Mulan a alguns metrôs de distância, então foi até ela para se despedir e desejar boa sorte.

– Vou ficar aqui rezando para que tudo dê certo pra vocês lá. Por favor, volte. – Após dizer isso abraçou a amiga, tão forte quanto havia abraçado o pai e tão intenso quanto havia beijado Filipe.

– Eu voltarei e trarei Filipe em segurança. – Retrucou Aurora.

– Eu sei que não nos conhecemos muito bem. – Disse Aurora dirigindo-se agora para Izabel. – Mas também vou esperar que você volte sã e salva. – As duas então se abraçaram rapidamente.

Cada equipe se organizou com seu devido líder.

As pessoas que ficariam no acampamento começaram a descarregar as carruagens e a montar as barracas. A grande maioria eram mulheres, jovens, entre 20 e 50 anos. Mas havia alguns homens que estavam impossibilitados de ir à guerra, idosos, inválidos, doentes e adolescentes entre 14 e 16 anos.

Depois de alguns minutos os soldados começaram a partir. Aurora observou Filipe e Mulan, com Izabel na garupa, lado a lado em seus cavalos. Então se lembrou do que Robin Hood havia dito “vocês vão lutar lado a lado”. Eles vão se proteger. Eles vão ficar bem.

Depois que todos haviam partido, a equipe que ficou no acampamento começou a cuidar dos afazeres. Preparar comida, limpar e cuidar das armas que haviam ficado no acampamento e arrumar as barracas.

Aurora estava perdida em seus pensamentos, agora que estava finalmente sozinha desde que descobrira sobre o romance de Mulan. Sua melhor amiga estava realmente namorando outra mulher e parecia completamente apaixonada. Mas o que mais a incomodava era que Mulan havia assumido ter se apaixonado por Aurora. Aquilo não saia de sua cabeça. Quando percebeu que estava pensando nisso se repreendeu, tantas coisas mais importantes e preocupantes acontecendo e ela se preocupando com algo que já havia passado.

Durante o resto do dia Aurora procurou manter a cabeça ocupada, ajudando em tudo que pudesse no acampamento. Cozinhou, limpou, arrumou, colheu, até tentou caçar, mas ela era uma negação com o arco-e-flecha. “Se fosse Izabel não teria errado.” pensou ela involuntariamente.

Quando anoiteceu e todos estavam jantando ao redor da fogueira, com alguns garotos tocando violão e cantando algumas cantigas românticas, Aurora se sentiu completamente sozinha e desesperada. A primeira noite da guerra finalmente chegara. Nesse exato momento, enquanto ela estava ali sentada perto do fogo e se alimentando, Filipe e Mulan estavam no meio de uma batalha. Suas vidas estavam correndo perigo.

Depois de gastar mais algumas horas ajudando em outras coisas, Aurora finalmente foi para sua barraca dormir. Era um local extramente pequeno, que supostamente era pra caber ela e Filipe, mas mal dava para uma pessoa ficar deitada lá dentro sem ter que se encolher.

Aurora deitou, se cobriu, fechou os olhos e se perdeu em pensamentos. Mulan e Izabel se beijando. Mulan assumindo o romance para ela. Mulan assumindo que já estivera apaixonada por ela. Mulan se despedindo dela três anos antes. E se Aurora não tivesse dito que estava grávida? Será que a Mulan se declararia mesmo para ela? E se ela se declarasse, será que Aurora ficaria com ela? “Não, é claro que eu não ficaria!” pensou Aurora. “Eu amo o Filipe, eu sempre o amei e sempre vou ama-lo. Mulan é apenas minha amiga.”. Aurora ainda estava em dúvida se isso era mesmo verdade ou se ela só queria que fosse.

Finalmente pegou no sono e sonhou. Ela e Aurora. Juntas. No quarto. Em um beijo intenso e repleto de paixão. De repente despertou, suada e ofegante. Esse tinha sido o sonho mais real que já havia tido. Seu coração estava acelerado e sua cabeça mais confusa do que antes de dormir. Fechou os olhos novamente e se forçou a limpar seus pensamentos. Precisava descansar, pois amanhã eles voltariam da batalha e ela precisava estar disposta para ajudar no que fosse preciso. Além disso, precisava estar concentrada, não podia se perder em pensamentos. Amanhã ela saberia o que havia acontecido nessa noite no campo de batalha. Amanhã ela abraçaria seus dois grandes amores. Era tudo o que ela queria.