Eu estava sentada na ponta da mesa encarando a caneta, tentando desesperadamente não escrever sobre ela. Falhei. A mesma lembrança de quando a vi outra vez no bar, voltava de forma constante para me lembrar que tudo vibrava em mim, inclusive a sensação que ela deixou abandonada em meu peito naquela sexta feira à noite, e eu carreguei comigo durante todas as madrugadas que fiquei sem dormir. A cor da caneta escolhida é a vermelha, para combinar com o leve tom natural que estava em seus lábios durante a noite inteira, meus dedos deslizavam refazendo cada traço das tatuagens que preenchiam parte de seu braço e deuses... como eu adoro aquelas tatuagens.

Pela primeira vez eu a havia visto com os cabelos completamente soltos, na mesma lembrança que vibra em minha mente, os fios agora soltos, deslizavam delicadamente ao lado do rosto, na maior perfeita harmonia. Ela por inteiro soava como uma melodia. Como um heavy metal começaria suavemente, e logo se intensificaria. Eu poderia passar horas a observando, encarando aqueles olhos castanhos, aquele rosto tão frágil e tão rústico, que como diria Charles Bukowski, parecia estar marcado por mil ressacas e mil tragédias.

Eu estava sentada na ponta da mesa me convencendo de não escrever sobre ela, mas cheguei a conclusão que se eu a colocasse no papel, talvez saísse de mim.

Eu nunca escrevo de caneta vermelha.

E muito menos me apaixono por garotas como ela.

Notas finais
Gente eu só me fodo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!