Undisclosed Desires in your Heart !
13 Um passeio no boliche: Sucesso ou Desastre? - Parte 2
Notas iniciais
Nós três também nos levantamos e o seguimos.
— Como todos sabem, o objetivo do boliche é fazer um strike. Mas para isso é preciso escolher a bola com o peso certo e jogá-la de modo preciso. E quem fizer mais pontos, ganha. Neste painel colocaremos nossos nomes e ele contabilizará nossos pontos — disse Jason apontando para um painel que ficava um poucos antes da escada pra pista — Serão oito rodadas. Quem quer ser o primeiro a jogar em toda rodada?
—Eu — disse Hanna e foi digitar o nome dela no painel.
— Depois sou eu — disse Jason.
— E então eu — disse Brian — e por último a Pitoko.
— Okay – respondi.
Hanna estava usando uma saia jeans bem curta que revelava suas pernas esbeltas, uma blusa branca de manga com um decote em V que valorizava seus seios, sapatilhas vermelhas, brincos vermelhos e uma faixa vermelha no cabelo. A observei tirando as sapatilhas para jogar, ficando descalça, e subindo para a pista. Ela escolheu uma bola de boliche, se posicionou e jogou a bola que seguiu na reta onde Hanna provavelmente havia mirado, fazendo um strike. Hanna desceu da pista e parou perto de mim.
— É assim que se faz — Hanna disse com um ar de superioridade.
Em seguida Jason e Brian jogaram, e ambos fizeram também fez um strike. Agora era a minha vez eu não fazia a mínima ideia de que bola jogar parar fazer um strike, ou qual a posição melhor para jogar. Quando estava subindo para a pista, Jason segurou meu braço.
— Quer ajuda? — ele perguntou.
— Verdade, se precisar de ajuda, pode contar comigo também — Brian disse.
— Não, eu posso jogar sozinha — eu respondi com um tom de voz áspero.
Terminei de subir a escada de três degraus e fiquei olhando e testando qual bola de boliche era melhor para mim. A preta era muito pesada, a cinza era menos pesada que a preta e a bege era a mais leve. Escolhi a bege. Posicionei-me assim como eles haviam feito quando jogavam, e olhei atentamente para o pino no centro. Mirei nele e joguei a bola. Depois fiquei decepcionada ao ver a bola rodar na pista e ir pra vala onde as bolas erradas iam parar. Desci da pista e mesmo de cabeça baixa, sem olhar para Hanna, podia sentir o olhar dela de superioridade ficar maior sobre mim.
— Faz parte pitoko, na próxima você consegue — Brian disse e afagou meu cabelo, tentando me consolar.
— Daqui a pouco você vai parecer uma profissional no boliche, pois a prática leva a perfeição, ou a quase isso — Jason disse com um sorriso terno.
— Obrigada — eu respondi e me afastei da pista para Hanna poder passar e jogar.
Quando ela passou, eu levantei a cabeça e fingi indiferença ao olhar dela. Outra rodada iniciou com Hanna fazendo um strike. Jason acertou apenas oito pinos e Brian acertou nove. Percebi que até mesmo quem já tem certa experiência pode errar alguns pinos, então isso aumentou minha confiança pra jogar. Dessa vez, escolhi a bola de boliche cinza, me posicione e joguei. A bola de boliche conseguiu derrubar cinco pinos. Fiquei tão feliz que dei um grito.
— Se não sabe jogar, não atrapalhe o jogo de outros — disse um garoto na pista ao lado — Você me fez perder a concentração e por isso errei.
Fingi não ouvir esse comentário, mas fiquei constrangida e envergonha porque gritei e atrapalhei outros apenas por derrubar uns pinos de boliche. Desci da pista e vi Hanna rindo do mico que paguei.
— Olha não é que ela já aprendeu um pouco — Brian disse.
— Logo estarei jogando melhor que você, assim como no just dance — eu respondi e dei uma piscada.
— Parabéns Nath — Jason disse com um sorriso, e eu retribui da mesma forma.
Outra rodada se iniciou. Hanna fez mais um strike, Jason também, Brian acertou sete pinos e eu também acertei sete usando a bola de boliche cinza. Na quarta rodada todos fizeram strike, por incrível que pareça, até eu. Escolhi a bola de boliche preta nessa rodada, e fazer um strike com ela foi muito fácil.
Conforme as rodas passavam o jogo ficava acirrado. Já estávamos na sexta rodada, Hanna estava com 60 pontos, Jason com 50 pontos, Brian com 50 e eu estava com 45. Estava perdendo apesar de ter feito strikes nas últimas três rodadas, mas ainda tinha esperanças de que ganharia de Hanna. Quando a sétima rodada iniciou-se, Hanna não acertou nenhum pino.
— Olha até a hábil jogadora de boliche Hanna Berry erra — eu disse com um sorriso e um tom nitidamente irônico.
Ela me respondeu com o silêncio. Jason jogou e acertou três pinos, Brian acertou nove pinos e eu também. Agora a pontuação estava: Hanna com 60 pontos, Jason com 53, Brian e eu com 55. A rodada decisiva iniciava-se. Já fazia 40 min que estávamos jogando.
Hanna subiu a pista. Depois de posicionar-se, ficou um tempo olhando para o lugar que pretendia acertar. Era fácil ver que ela estava tensa, com certeza queria vencer. Ela jogou a bola e todos olhavam atentamente, e todos ficaram surpresos quando a bola de boliche derrubou apenas quatro pinos. A decepção dela era evidente no rosto. Logo em seguida Jason jogou, fazendo um strike. Mas Hanna continuava ganhando. Depois de Jason, Brian jogou fez um strike. Hanna já não poderia mais ganhar e isso aumentou minha confiança de que poderia ganhar.
Em minha consciência, ganhar tornou-se questão de honra, de provar a Hanna que ela não é tão boa assim. Subi a pista e estava totalmente tensa. A vitória seria minha ou de Brian, e isso estava em minhas mãos. Escolhi a bola de boliche preta, pois queria fazer uma jogada mais precisa. Posicionei-me e mirei o pino que deveria acertar para obter um strike. Fechei os olhos por uns segundos, e então joguei a bola de boliche.
Quando vi apenas oito pinos caírem, fiquei um pouco decepcionada mas ao menos havia sido Brian o vencedor, e não Hanna. Desci da pista de boliche com uma expressão de criança emburrada e Brian bagunçou meu cabelo.
— Você deu o seu melhor pitoko — Brian disse com um sorriso sincero — Mas ainda perdeu pra mim — ele concluiu mostrando a língua.
— Idiota — respondi o empurrando de leve no ombro, e nós dois rimos.
Andamos até a mesa onde estavam Gustavo, Luke e Adam.
— Quem ganhou? Hanna? — perguntou Luke.
— Fui eu — disse Brian.
—Não acredito! Você? — disse Adam com uma expressão de espanto — Mas Hanna geralmente é invencível no boliche!
— Parabéns, você é incrível! — disse Gustavo para Brian e depois se levantou — Agora vamos jogar? Estamos perdendo tempo aqui.
— Verdade — disse Luke.
Os quatro se retiraram em direção a pista de boliche onde anteriormente estávamos jogando.
— Parabéns Nath! — Jason disse enquanto estava em pé, ao meu lado — Você jogou bem, tanto que eu fiquei em último lugar na pontuação, e olha que eu sou um bom jogador.
— Ah você é? Então por que perdeu? — perguntei a ele.
— Por que você está linda e me distraiu! — ele disse com aquele mesmo sorriso ofuscante e um olhar que não consegui entender.
— Deixe de bobagens, você está louco! Eu? Linda? — eu disse dando risada — Até parece!
— Você está louco mesmo amor, onde já se viu isso ser linda? — Hanna disse sentada enquanto me media dos pés à cabeça com um olhar de puro ódio. Estava demorando pra ela falar algo, acho que a derrota a calou por uns instantes.
— Amor? Quem está louca é você Hanna! — Jason disse a ela. Eu decidi ignorar a provocação dela e observá-la falar com Jason.
— Por que diz isso? — ela já estava alterando o tom de voz.
— Não namoramos a meses. Somos apenas amigos — Jason respondeu com cara de quem dizia o óbvio.
— Não precisa dar uma de macho perto dessa baranga não — ela disse com um tom extremo de sarcasmo.
— Me respeite que não sou suas amiguinhas — respondi a ela.
— Escute aqui querida — ela começou a dizer, mas cortei a chance dela terminar de falar.
— Eu não sou sua querida! — disse também alterando levemente meu tom de voz.
— Parem de implicar uma com a outra, parecem duas crianças! — Jason disse já estando irritado.
— Criança é você, que finge que quer essa aí, mas todo mundo sabe que você me quer! — ela disse se levantando e colocando as mãos apoiadas sobre a mesa com toda força, fazendo um barulho chato.
— Ah é? Posso te provar o contrário agora! — Jason disse se virando para mim e me puxando pelo braço.
Jason começou a me beijar. Não sabia o que sentir em relação ao beijo, mesmo que por uns segundos gostei dele, mas ao perceber o porquê daquele beijo estar acontecendo, me afastei empurrando Jason. Hanna estava pálida e sentada de tão chocada que ficara, e Brian que estava no banheiro durante tudo o que aconteceu, havia chegado na hora do beijo e me olhava com cara de espanto.
— Uau! Fico fora por uns minutos, e quando volto vejo isso. Pra quem não queria vir você parece estar curtindo muito hein Nathalie! Parabéns — Brian disse com um tom irônico e bateu palmas.
— Não preciso ouvir isso de você! — respondi pegando minha bolsa e andando em direção a saída.
— Já vai tarde, suma daqui — ouvi Hanna dizer quando cruzava a saída do boliche.
Comecei a caminhar mais rápido depois disso, tinha que chegar logo em casa e entrar em coma pra esquecer o dia de hoje. Quando estava chegando ao primeiro andar, fui segurada pelo braço. Era Jason, ofegante e aparentemente cansado, causando uma nostalgia de segunda-feira passada.
— Você anda rápido quando quer hein — ele disse, ainda segurando meu braço.
— O que você quer? — respondi curta e grossa. Não estava fim de papo com Jason.
— Você está chateada? E achei que você tivesse gostado! — ele disse com a maior naturalidade possível.
— Você é retardado? Você acha que eu vou gostar de lembrar futuramente que meu primeiro beijo foi roubado por um garoto que queria provocar a ex-namorada? — disse com um olhar de repulsa direcionado a ele.
— Primeiro beijo? É sério isso? — ele disse com um olhar espantado.
— Sim, algum problema?
— Não! — ele disse e abriu um sorriso — Me sinto privilegiado.
— Privilegiado? Por quê?
— Por que eu fui o primeiro a te beijar ué.
— Você fez isso só pra provocar sua namoradinha, você estragou meu dia, e minhas futuras lembranças de um momento único! Você não deveria se sentir privilegiado, e sim se sentir culpado! — vociferei quase gritando para Jason.
— Acho que você entendeu errado — ele respondeu.
— O quê?
— Não te beijei para provar Hanna. Eu já queria fazer isso! Só que acabei fazendo isso no momento errado, desculpe — ele disse com olhar de cão arrependido.
— Como é que é? — perguntei, pois não acreditava no que havia acabado de ouvir.
— Eu queria te beijar já há um tempo — ele disse dando um passo a frente, ficando bem perto de mim — E não pretendo parar nesse beijo.
— Você está me deixando con — tentei dizer, mas fui interrompida pelos lábios dele tocando os meus.
Dessa vez pude realmente sentir os lábios doces dele se pressionando contra os meus, enquanto eu tentava de forma desajeitada corresponder, sem nem saber o porquê de estar colaborando com aquele beijo. Só paramos uns minutos depois, porque nós havíamos perdido o fôlego.
— Pra quem nunca havia beijado você até que esta indo bem! — ele disse sorrindo maliciosamente.
— Ei! — disse o empurrando e rindo — Mas olha aqui Jason, isso não muda o que você fez.
— Eu sei, desculpe. Que tal sairmos juntos, só nós dois para que eu possa me redimir? — ele sugeriu.
— Não, obrigada. Ainda quero que sejamos apenas amigos — respondi séria.
— Por quê? — ele disse num tom de choro enquanto fingia que ia chorar.
— Assim é menos complicado. Você já causou confusão suficiente em minha mente.
— É mesmo? — ele disse se aproximando novamente.
— Pode ir parando aí Jason — respondi dando um passo para trás.
— O que foi? Não posso fazer isso? — ele disse me puxando para outro beijo, ao qual eu não consegui resistir.
— Não pode não — respondi apenas tendo tempo para dizer isso antes dele puxar para outro beijo.
— Você não consegue resistir a mim — ele disse com um sorriso no rosto, depois de o beijo ter terminado devido à falta de fôlego.
— Ah é? Minha vez de lhe provar o contrário! Você que não resiste a mim!- eu disse numa tentativa falhada de um olhar sedutor.
— Não mesmo, ainda mais com esse olhar — ele respondeu e riu — Mas então, vamos sair quando?
— Não vamos. Não estou brincando.
— Para Nath! — ele disse pegando minha mão.
— Tchau Jason — respondi soltando minha mão da dele — Até segunda.
— Sua chata! Ainda vou lhe convencer do contrário, pode ter certeza! — ele disse confiante.
— Quer apostar? — respondi com um sorriso de criança travessa.
— Amo apostar, sempre ganho as apostas que eu entro. E nessa, eu com certeza estou dentro.
— Okay. Segunda-feira acertamos os termos da aposta. Tenho que ir.
— Não quer que eu lhe acompanhe?
— Não, obrigada.
— Tchau Nath — ele disse dando um beijo em minha bochecha.
— Tchau Jason — respondi e me virei rapidamente, queria esconder minha feição de vergonha, pois só agora havia lembrado que estávamos o tempo todo num corredor do shopping.
++++++++++
Cheguei a casa às 21:30. Notei que a luz na sala estava acesa, mas subi ao banheiro do segundo andar, indo direto tomar um banho para relaxar. Minha mente estava realmente uma confusão. Ainda estava processando o que havia acontecido, e tentando saber verdadeiramente quais eram meus sentimentos quanto a isso.
Foi tudo muito rápido! Aprendi a jogar boliche, quase ganhei o jogo, Hanna deu seu showzinho e eu beijei Jason. Na verdade, ele me beijou. Quer dizer, eu correspondi ao beijo, foi uma ação mútua. Mas quanto ao primeiro dos beijos, o meu primeiro beijo, não sei o que pensar. Ele foi bom, mas o motivo pra ter acontecido foi ridículo. E isso me levava a questionar se Jason queria mesmo me beijar nas outras vezes ou se aquilo foi uma forma de disfarçar e se redimir pelo primeiro beijo. Uma parte de mim diz que há algo errado nisso tudo, mas uma parte de mim diz que estou sendo paranoica. Não sei qual lado ouvir, então vou apenas deixar pra pensar nisso depois, ou então vou demorar tanto no banho que a água de todo Estado de São Paulo acabará de uma vez.
Depois de sair do banho e me trocar, desço em direção a cozinha. Saí cedo de casa e não tive tempo de comer algo lá, então já estava com fome.
Para chegar à cozinha de casa, precisava passar pela sala. Quando cruzei a sala vi minha mãe sentada no sofá assistindo TV, algo tremendamente raro.
— Boa noite — eu lhe disse ao passar por ela.
— Boa noite. Pode vir aqui um minuto? — ela disse indicando que me sentasse ao lado dela, e assim o fiz.
— O que foi? É que estou com fome, ia comer alguma coisa agora — disse a ela.
— Então serei direta, de quem são essas rosas? E para quem? — ela disse com um olhar desconfiado.
— São para você, do meu amigo que me convidou para sair — respondi sem hesitar.
— Amigo? Tem certeza? Para me trazer rosas, querendo me agradar assim, ele deve ser mais que isso.
— Mãe! Deixe de ser paranoica! — eu disse com um tom de voz já alterado.
— Não estou sendo paranoica, estou cuidando de você. Você é muito nova minha filha, ainda tem muito tempo para viver e aprender. Não se prenda a alguém tão cedo.
— E quem falou em fazer isso? — respondi indignada.
— Calma, estamos apenas conversando — ela disse num tom apaziguador, mas que de nada serviu.
— Já terminou? — retruquei rispidamente.
— Já. Agradeça a seu amigo pelas rosas.
— Pode deixar. Se me da licença — disse me levantando e indo a cozinha.
Minha mãe às vezes passava do limite. E ultimamente isso estava acontecendo com frequência. Ela não entende que tentar controlar minha vida, de nada irá adiantar. E isso me deixa irritada. A fome já tinha até passado, fiz apenas um chá para me acalmar. Depois fui dormir, pois aquele dia já havia sido muito longo e cheio de emoções. Amanhã era domingo e tinha um dia inteiro livre para fazer o que quisesse. Pois então, se houver amanhã, pensarei em minhas preocupações.
Fale com o autor