Notas iniciais
"Nada é por acaso, o destino nos une ou nos separa por motivos que nem mesmo nós sabemos." - Leandro Ribeiro

Segunda, 12 de Outubro de 2015:

3h e 40m da madrugada. Acordo e não consigo mais dormir. É um misto de ansiedade com preocupação. Estou ansiosa para ir ao primeiro dia no curso de inglês. E estou preocupada se tomei a decisão certa sobre me afastar de Jason. Uma parte de mim diz que sim, que é uma proteção mantê-lo longe. Outra parte diz que estou sendo boba por afasta-lo por causa do que Lily disse, afinal, ela pode ter exagerado um pouco porque tem raiva e culpa Jason pelos erros do pai deles. Essa parte também diz pra não deixar Hanna me intimidar e que se deixa-lo longe, na verdade perderei uma oportunidade de conseguir algo muito importante, mas não sei o que pode ser. Engraçado que semana passada eu estava decidida quanto a isso: Iria me afastar de Jason a qualquer custo. Mas agora estou confrontado essa pequena luta sobre o que fazer.

Acho que fiquei indecisa depois de ler Se houver amanhã do Sidney Sheldon mexeu comigo. A mocinha suspeita e desconfia tanto do mocinho, mas no fim das contas ele simplesmente a amava e eles foram tão felizes. Não que Jason fosse meu grande amor, mas talvez pudesse ser um grande amigo e por desconfiança eu estava impedindo isso. Não sei o que vou fazer quanto a isso, mas pretendo pensar antes de agir como uma criança sendo precipitada.

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Já estou a caminho do primeiro dia no curso de inglês. Estou com sono, afinal não dormi quase nada. Estou menos preocupada e ansiosa pra primeira aula de inglês do que estava pra primeira aula de dança. Eu sempre gostei de inglês e sou uma aluna razoavelmente boa nessa matéria, então não tenho que me preocupar com meu conhecimento de inglês. Mas acho que aprofundar meu conhecimento desse idioma pode me ajudar a arrumar um emprego futuramente. E a Linguagem perfeita vai ser a escola certa pra isso. Ela é uma ótima escola de idiomas. Na escola há turmas que estudam os mais diversos idiomas, de inglês a japonês. Por isso ela é tão conhecida.

Chego rapidamente a escola do curso, pois fica no centro do Tatuapé, há uns 30 minutos de minha casa. Ficava próximo aos shoppings Tatuapé e Boulevard Tatuapé. A parte externa era como qualquer outra escola boa da região, mas ao entrar senti uma atmosfera diferente. No pátio havia várias pessoas e prestando atenção nelas era fácil perceber que cada rodinha de pessoas estudava um idioma diferente. Mas todas pareciam felizes e se dar bem. Como vou me adequar a um ambiente assim? Será que consigo? Esses pensamentos permeavam minha mente, até o momento que vi Jason numa rodinha rindo. Ele ainda não aparentava ter me visto, então virei-me e comecei a andar em direção a escada, pois minha turma ficava no terceiro andar.

— Nath! — uma voz gritou quando estava chegando perto da escada.

Obviamente era Jason. Fingi não ter escutado e comecei a subir a escada, mas parei quando senti uma mão tocar meu ombro. Virei-me e vi Jason, que estava ofegante.

— Não me ouviu chamar? — ele indagou — Corri muito pra te alcançar, estou até cansado!

— Não ouvi, desculpe. Mas o quê você quer comigo? É tão importante que em vez de deixar pra falar amanhã na escola, você teve de correr? — vociferei com um tom carregado de ironia.

— Não necessariamente. Mas é que ultimamente não temos nos visto na escola e não queria deixar a oportunidade passar — ele respondeu, parecendo um pouco desconcertado.

— Entendo.

— Enfim, você está bem? Você é nova aqui né?

— Estou sim e você? Sou, estou começando hoje.

— Que legal! E eu também estou bem. Que idioma você vai estudar?

— Inglês.

— Eu também! Mas já faz quatro anos que estudo aqui. Esse é meu último semestre — agora o tom de voz dele demonstra empolgação.

— Que legal! — disse e forcei um sorriso.

— Então, eu vim até aqui pra te fazer um convite.

— Convite? Pra quê garoto? — respondi com desdém.

— Eu e uns amigos, aos quais incluem garotas, vamos ao boliche do shopping aqui ao lado, o Boulevard. Vamos sábado às 19hrs. Queria que você fosse também — ele disse sorrindo.

— Por que você quer que eu vá?

— Pra você fazer novos amigos. Nunca à vi com alguém além de mim ou Emily. E seria legal passar um tempo com você pra te conhecer melhor.

— Isso soa suspeito aos meus ouvidos.

— Por quê?

— Acho que existe alguma má intenção por trás desse convite.

— Está vendo! Você está tão acostumada a ser sozinha que quando um amigo lhe convida você suspeita que haja más intenções por detrás do convite.

— Somos amigos? — indaguei e notei que Jason ficou chocado com essa pergunta.

— Por que não seríamos? — ele disse com um tom levemente alterado. Acho que o deixei zangado.

— Vai saber né.

— Enfim, vai ir ou não?

— Não sei, vai ser tarde e não sei se minha mãe deixará — disse, obviamente tentando arrumar uma desculpa pra não ir.

— Se for esse o problema eu te levo e te busco em casa.

— Mas...

— Não tem mas, você vai e ponto Nath.

— Quem você acha que é pra mandar em mim?

— Um amigo que quer seu bem Nath. Me passe seu número de celular e você me passa seu endereço por mensagem.

— É sério isso? Mas sua amiguinha Hanna vai também?

— Sim, algum problema?

— Nenhum, mas não sei se vou ir — disse eu tentando mais uma vez se esquivar desse passeio super legal.

— Você vai, nem que eu tenha que lhe sequestrar — ele disse com uma expressão seria no rosto.

— Veremos você acha que — eu disse, mas fui interrompida pelo sinal — Vou subir, não quero chegar atrasada no primeiro dia.

— Está certa, vou pegar minha bolsa e subir também. Na hora da saída me espere, pois ainda não peguei seu número de Telefone.

— Okay — respondi e comecei a subir. Mas era óbvio que não ia esperar.

Quando cheguei à minha classe, a professora ainda não tinha chegado. Não tinha muitos lugares disponíveis pra sentar, pois quase todos haviam chegado à sala e escolhido os melhores lugares. Por isso sentei na fileira da parede esquerda, primeira carteira, ou seja, em frente a mesa do professor(a).

Demorou uns minutos e a professora chegou. O nome dela era Alessandra. Ao se apresentar ela deixou claro que o modo como ela pretende nos tratar depende de como nos comportarmos. Ela pode ser um amor, ou então um tirano opressor. Gostei dela. Gosto de pessoas assim. Ela fez chamada e começou a passar na lousa o básico do inglês, mas que todos sabem, o verbo To Be. Enquanto ela escrevia alguém bateu a porta. Quando ela abriu, não pude acreditar em quem vi. Era Brian.

— Poderia te ajudar? Está procurando algo? — disse a professora Alessandra.

— Aqui é a classe 1B de Inglês? — Brian perguntou.

— Sim. Não diga que você é o aluno que não respondeu a chamada? Isso são horas? — disse Alessandra com uma expressão de indignação na face.

— Relaxa prof, eu vim né? Não é isso o que realmente importa? — ele respondeu com a maior naturalidade. Eu dei risada. A professora me olhou, e depois voltou a atenção dela para Brian.

— Você está de brincadeira comigo! Garoto eu vou ficar de olho em você! Dessa vez você entra, mas na próxima vez que se atrasar, você não entrará de jeito nenhum — ela disse quase gritando, depois deu licença para ele entrar e se virou para mim — Hey garota que acha que está num circo assistindo palhaços e riu, passe pra carteira de trás, pois esse garoto folgado vai sentar à minha frente!

Eu fiz o que ela disse sem contestar. Não era culpa dela, era do Brian por ser idiota. Ele se sentou e a professora repetiu o que tinha dito quando se apresentou. Quando ela terminou e foi passar a lição na lousa, Brian se virou para trás.

— Hey Nath.

— Você deveria estar copiando a lição Brian, vire para frente.

— Que grossa! Você está bem pitoko?

— Me respeite garoto — eu disse num tom intimidador que ele pareceu ignorar- O que você faz aqui?

— Acho que... Curso de inglês?

— Não diga! Não acredito! — respondi sendo irônica. Brian riu.

— Desculpa, não podia deixar essa passar. É que minha mãe diz que será útil, e ela e meu pai me obrigaram a vir. E ainda tenho que ser um dos melhores alunos- ele disse com um sorriso no rosto.

— Espero que você consiga, se uma pessoa como você tiver capacidade suficiente pra isso- eu disse e mostrei a língua. Ele riu novamente.

— Certo, vou te provar que tenho tanta capacidade quanto você, ou até mais. Mas acho melhor copiarmos a lição da lousa ou seremos colocados pra fora da sala.

— Certo — eu disse e então ele se virou pra frente e começou a copiar a lição. Eu fiz o mesmo.

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A aula transcorreu tranquila. A professora ficava fitando a mim e Brian, mas nós não demos motivos pra ela brigar conosco. No fim da aula fui descendo as escadas conversando com Brian.

— E como vai Zoey? — eu perguntei.

— Minha mãe? Está bem, quer que eu mande algum recado?

— Diga a ela e sua mãe que eu lhes mandei beijos.

— Brian o que faz aqui? — Disse um terceiro, interrompendo nosso diálogo. Era Jason.

— O que isso te importa irmãozinho caçula? — Brian respondeu com hostilidade.

— Nada. Como vocês se conheceram? — Jason perguntou.

— Desculpa querido, mas isso é importante pra você? — Eu respondi a Jason.

— Não, desculpe minha intromissão. Enfim, vim aqui para falar com você lembra? — ele disse com um sorriso torto no rosto.

Droga. Fiquei distraída com Brian e esqueci que tinha que ir embora rápido para fugir de Jason.

— O que você quer com a pitoko? — Brian perguntou e afagou meus cabelos.

— Acho que ela que deveria saber. Então, passa seu número pra mim agora Nath? — Jason pediu.

— Mas eu não sei se vou ir — respondi a ele.

— Aonde? — Brian perguntou.

— Ao Boliche. E você vai sim dona Nathalie! — disse Jason com uma cara de repreensão.

— Opa maninho, ela vai se quiser. Você quer ir Nath? — Brian respondeu por mim.

— Não sei, não vou conhecer ninguém e não sei se minha mãe deixa.

— Mas é esse o objetivo, você conhecer pessoas novas e fazer novos amigos. Então você vai ir — Jason disse mais uma vez.

Parece que estou sem saída.

— Se ela vai ser obrigada a ir, eu vou junto pra assegurar que ela se sinta bem — Brian sugeriu e Jason fez cara de desentendido.

— Não convidei você, convidei a Nath. O que você quer fazer Nath?

— Você que decide pitoko, o que você quer fazer? Quer ser obrigada a ir e ficar onde você não conhece ninguém, ou ir e ter alguém conhecido por perto caso você se sinta desconfortável? — Brian argumentou.

— Não tem uma terceira opção, uma que eu fique em casa?

— Não! — eles responderam em uníssono.

Fiquei olhando para eles, sem saber o que seria pior. Pensei rápido e tomei minha decisão.

— Pode ir Brian — disse e suspirei.

— Onde nos encontramos? — Perguntou Brian com um sorriso sinceramente lindo nos lábios.

— Nos encontramos sábado às 19hrs no boliche do shopping Boulevard — Jason disse com cara de desgosto enquanto olhava Brian, e se virou para mim — Então agora você poderia passar seu número de telefone pra irmos embora? Daqui a pouco eles nos trancam na escola, só resta nós aqui.

— Ok — disse pegando um caderno da bolsa e uma caneta pra anotar meu número de telefone.

— Eu também quero pitoko — Brian disse com olhar que era impossível negar seu pedido.

— Está bom — disse e suspirei.

Depois de passar meu número de telefone a eles, me despedi e fui pra casa. Quando cheguei em casa, fui direto tomar banho, pois queria dormir. Minha mente está mais confusa e cansada que nunca. Esses garotos querem me deixar louca! Eles me obrigaram a aceitar sair com eles. Jason principalmente, e eu ainda nem tinha decidido dá-lo ou não uma chance de ser meu amigo! Parece que ele decidiu por mim. Vou aproveitar a oportunidade pra decidir definitivamente o que fazer. Mas de qualquer forma, meti-me numa cilada: Vou sair com dois irmãos que amam se provocar, e com Hanna, uma garota que me ama tanto que esbarrou em mim e fez-me cair. Agora é esperar pra ver o que acontece sábado. Mas, estranhamente sinto um bom pressentimento quanto a isso. Deus me ajude que esse pressentimento esteja certo, e que o remédio ajude essa dor de cabeça passar.

Notas finais
Gostou? Comente :3 Agora história vai começar a levar seu rumo. as coisas ficarão interessante. Aguardem o próximo capitulo. ~Beijinhos da tia Gih