Undisclosed Desires
19 18 - Blowing Minds & Losing Control
Notas iniciais
P. O. V Autora:
Sempre sobra pra minha pessoa narrar os encontros entre Afrodite, Hera e Perséfone. Só espero sair viva dessa brincadeira toda, com os cabelos lindos, com um marido e... Tá: contento-me com minha vida e os cabelos bonitos: maridos dão muito trabalho, Hera ta aí para provar essa teoria.
Enfim, aqui estou eu no Olimpo, mais precisamente numa cafeteria divina ― que serve mais néctar do que café ―, onde Afrodite e Hera falam, por meio de M.I, com Perséfone. Estranhamente elas escolheram um lugar público para tratar de um segredo, mas considerando que não se esconde nada dos deuses, isso pouco importaria.
― Fico até feliz de estar de volta ao Mundo Inferior: dessa forma não posso levar culpa caso algo dê errado nessa O. P. E! ― a deusa da primavera diz tranquilamente, e em minha quietude a invejo enquanto transcrevia sua fala.
― Se eu cair, eu te arrasto junto! E o Tártaro é mais próximo da sua casa do que das nossas! ― Hera ameaça.
Parece que não sabe fazer outra coisa... Ameaçar, jogar filhos de lugares altos, e apagar a memória dos outros... Que deusa da família, não é mesmo?!
― Ninguém vai se dar mal nessa história, todos serão beneficiados! Os dois terão a companhia um do outro, eu terei mais um casal fofo e unido, e vocês não verão seus maridos tão preocupados assim! ― Afrodite enumera os benefícios de se juntar um ex-pinheiro com um ex-milho.
― Meu marido não estava preocupado quando Thalia estava na caçada! ― Hera ressalta.
― É, mas com ela fora, e namorando, ele vai pensar duas vezes antes de ter outro filho ou filha com uma mortal! Afinal, ele já terá perdido sua princesinha dos Raios!
― Acho que meu pai não a trata assim! ― Perséfone reflete.
― Sempre esqueço que sou sua madrasta também! ― Hera reclama.
― Mas, seguindo a linha de raciocínio de Hera, acho que Hades não estava muito preocupado com Nico! Sabe, ele tem companhia agora: Hazel e Lucas, e aqueles filhos malucos de Apolo, que te perturbam mesmo quando só se quer paz...
― De que adianta companhia, se você não pode contar seus segredos mais profundos? Confessar seus desejos mais secretos? ― Afrodite argumenta. ― Acham que, por serem adolescentes atemporais eles não têm desejos?
As deusas ficam em silêncio, por falta de contra-argumentos. Elas não conheciam seus enteados ― mesmo que uma delas tenha-o transformado em um dente de leão―, mas Afrodite conhecia suas presas!
(Oh, perdoem-me, ela disse que os dois não são suas presas, e sim seu projeto de inverno, mas vocês podem chamar de: “duas partes de um mesmo; yin e yang; raio e sombra*; coisinhas fofas da titia Dite” e o que você quiser, menos presas.)
― Enfim, já que não temos escapatória, além de compactuar com essa loucura, o que você tem em mente, Afrodite? Fazer Nico seqüestrar Thalia? ― Perséfone usa todo o sarcasmo aprendido com o marido.
Bem que dizem que você é o que você come, não é mesmo?!
― Isso seria muito clichê! Talvez Thalia devesse seqüestrar o Nico! ― Hera diz cética.
― Ladra de idéia! – Perséfone lança um olhar mortal para a madrasta.
― Filha bastada!
― Mas menos traída! ― ela dribla, chuta, marca e é goooooool. Perséfone 1, Hera 0
― Ok, parou as duas! ― Afrodite berra impaciente. ― Estão fazendo meus cabelos saírem do lugar e...
― Perséfone, meu amor, com quem você tá gritando? ― ouvimos a voz de Hades perguntar, aparentemente chegando ao castelo depois de um chá da tarde com alguns escribas ― Por favor, me diga que não está estressada por ter voltado... ― ele continuou falando, não me perguntem o quê, já que Perséfone desfez a ligação.
Afrodite ficou olhando para o espaço vazio, que antes era a mensagem. Foi por um triz que seus planos não foram por água a baixo.
― Então, você dizia? ― Hera a pressiona para continuar.
Eu compartilhava sua pressa, embora eu soubesse que não mudaria nada para mim: eu ainda tinha uma história completa para escrever, editar etc.
― Eu dizia que, Thalia e...
― O que é que tem a Thalia e... Seja lá quem for? ― Zeusa poderosa, digo, Zeus, aparece.
Perdoem-me pelos devaneios: preciso me distrair um pouco em meio ao estressante trabalho de contar histórias, especialmente as de amor. Não me entendam mal, mas eu gosto de tragédias tanto quanto Afrodite gosta de romance.
― É, o que tem a Thalia? ― Ártemis também pergunta, sentando-se de frente para Afrodite.
― Hã... Eu... hã... ― Afrodite começa a gaguejar.
Quase ser descoberta duas vezes no mesmo dia? Tique estava de sacanagem com a cara dela.
― Afrodite me contava que Thalia e Valentina estão arrancando suspiros na escola, e olha que estão apenas na primeira semana de aula. ― Hera mente, mostrando mais uma de suas habilidades.
― É! Tenho que tomar conta dessas duas; sabem como é, algo de ruim, pior do que se apaixonarem, pode acontecer. ― Afrodite entra rapidamente no jogo.
― Mas Valentina já é apaixonada por Eleazar! ― Ártemis faz uma careta, e não sei se é por repulsa a casais, ou por estar desconfiando da deusa do amor.
― É! E por isso estava pensando em pedir ajuda pra Thalia: pedir pra ela tomar conta de Valentina, sabe, pra ela não cometer nenhum erro! ― Hera continua o raciocínio ― Mas Afrodite acha que Valentina nunca faria nada contra Eleazar, porque o que os dois sentem é amor, e não paixão.
― Legal, mas o que você falava sobre a Thalia? ― Zeus pergunta, desconfiado.
― Do quanto ela é linda, e precisa de um par! Ela merece, depois de tudo pelo que passou! ― Afrodite desconversa, e sinto que estava usando e abusando do charme. ― Mas Ártemis, o que faz acordada a essa hora, aqui no Olimpo? Veio visitar seu irmão?
― Não muda de assunto, Afrodite! ― Ártemis se inclina um pouco para frente, mirando seus olhos gélidos nos da outra deusa. ― Apenas saiba que, se for achar alguém para Thalia, que seja alguém que nunca a trocaria por poder!
E eu preciso dizer a quem a conversa se referia? Acredito que todos sabem que se trata de Luke Castellan, o filho de Hermes, mas não vamos evocar os mortos. Pelo menos não esse, que pode provocar tanta dor.
― Já disse que não foi culpa minha, Eros que é um desesperado! Ou melhor, Cupido! Eros é um amor de filho!
― Literalmente! ― um cheiro de maresia invade o ar.
A chegada de Poseidon deixa Zeus enciumado e ainda mais desconfiado. Porque vocês sabem, nunca se sabe quando seu irmão mais velho vai tentar tomar o poder.
― Estou me escondendo de Anfritite: ela está um saco hoje, e eu to sem paciência! Não se preocupe, não vou tentar tomar seu trono! ― ele responde, sentando-se ao lado de Hera ― Fala, maninha, como anda a fazenda?
Não posso deixar de rir. As piadas sobre Hera jamais deixariam de ter graça.
― Muito engraçado, Poseipeixe! ― Hera revira os olhos.
― Gente, olha à hora! ― Afrodite murmura, erguendo-se de sua cadeira. ― Tenho muito que fazer, muitos casais pra juntar, muitos para manter unidos! Vou indo, beijinhos de glitter para vocês! ― e desaparece, indo para seu castelo.
E eu? Eu estou a serviço da deusa do amor, portanto fui obrigada a segui-la. Afrodite realmente tinha muitas coisas para fazer, e eu para editar, portanto deixarei a narração na mão dos personagens por um tempo... Mas não se preocupem: eu voltarei.
P. O. V Aria:
Eu estava muito bem com meu namorado, num dos raros momentos em que não nos importávamos em demonstrar afeto em público, quando todas as sensações externas do meu corpo sumiram e eu me vi num castelo cor de rosa.
Pensei: então, é isso o que querem dizer com viver um conto de fadas?! O amor é tanto que a gente se auto-transporta para o universo da Barbie? Pensei nisso, até que vi quem estava ao meu lado.
― Cadê o Lorenzzo? ― Catarina questiona ― Ah, não, de novo não!
Por um momento fico confusa com a frustração de Lyra, até que me viro para a mesma direção que ela olhava, e me dou conta de que compartilhava de seus sentimentos. A paz resolvera me abandonar naquele semestre final de 2013.
― Ain, desse jeito você me magoa! ― Afrodite choraminga, tomando uma xícara de chá.
― O que você quer dessa vez? ― pergunto impaciente
― Precisamos apressar nossa operação! Só hoje, Hades e Zeus quase descobrem tudo! Zeus esteve mais perto que nunca. ― a deusa nos informa.
Catarina e eu nos entreolhamos. Não sei o que minha amiga achava, mas em minha opinião, Afrodite queria mesmo era se divertir um pouco antes de concretizar o casal Pinheiro-Espectral. Do contrário, não estaria demorando tanto tempo.
― Então os faça se apaixonar de uma vez, sem líderes de torcidas exageradas no meio! ― Cathy reclama, ecoando meus pensamentos.
― Toda magia tem um preço...
― Eu assisto Once Upon A Time, não precisa bancar o Rumplestilskin! ― a filha de Apolo continua reclamando.
―... E o amor é a magia mais preciosa que existe! Não vem tão fácil quanto pensa! ― Afrodite nos repreende e explica seu trabalho ― Mas darei um jeito nos dois; na verdade, já comecei! Não vêem como eles estão próximos hoje? ― ela nos mostra o carro de Lorenzzo, onde o corpo de Cathy olha pela janela, e no banco de trás, Nico e Thalia estão conversando e cantando, abraçados.
De vez em quando, ele beijava alguma parte do rosto ou pescoço dela, enquanto ela brincava com as mãos dele. Trocavam sorrisos e se aproximavam cada vez mais.
― O dia que os dois ficarem juntos, serão extremamente fofos. ― murmuro, enfim compreendendo porque Afrodite os queria juntos ― Vou perder meu posto de casal fofura! ― vejo os dois rirem, e se encararem. Do jeito que você para de rir até que alguém puxe um assunto de novo.
― Entenderam por que precisamos ser rápidas e me ajudarem? ― Afrodite pergunta séria.
― Eu tava vendo isso de perto! ― Catarina assente. ― Ownt, ele ta dizendo que ela canta muito bem. E ta tocando a música favorita dele.
― Como você sabe a música favorita dele? ― pergunto quando a intro de Boulevard Of Broken Dreams começa a tocar.
― Pesquisa de mercado! ― ela dá de ombros.
Ainda achava arriscado querer unir os filhos de dois dos Três Grandes, mas era impossível não achar Thalia e Nico fofos, pelo menos eram quando não estavam discutindo. Comecei a acreditar que o fato de serem atemporais não passava de um plano das Parcas: pelo que eu via, eles pareciam destinados a se encontrar.
― Preciso que eles fiquem juntos logo. Devolva-nos para nossos corpos, para que possamos conversar de uma forma decente! ― peço a deusa.
― Tudo bem! Qualquer coisa, vocês sabem como me encontrar! ― ela faz um gesto, e volto para o banco de trás do carro de Eleazar, de volta aos braços de John.
― Eu te amo, Q.Izinho! ― meu namorado sussurra em meu ouvido, soando fofo como sempre. ― Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida!
Olho para ele, vendo seus olhos castanhos brilharem ao focarem em mim. Havíamos discutido bastante antes de ficarmos juntos, mas de alguma forma parecia certo estarmos junto agora.
― Eu posso dizer o mesmo, Matinho! ― sorrio para ele, beijando-o levemente nos lábios.
Afrodite tinha razão: o amor era mesmo uma magia poderosa. E todos deveriam ter o direito de experimentá-la.
P. O. V Autora:
Eu disse que voltaria, e volto no exato momento em que a consciência de Cathy toma conta de seu corpo novamente. A filha de Apolo, que antes se deixava distrair com a música e com a beleza do namorado, passou a presta atenção na conversa que acontecia no banco de trás.
― Não sabia que gostava tanto do Green Day! ― Thalia estava espantada ao ver que Nico conhecia todas as letras do American Idiot.
Além disso, lembrou-se da noite em que resgatara Nico e Bianca, seis anos atrás, e sugerira a Grover que tocasse Green Day no baile de Westover Hall. Era quase irônico estar ouvindo a banda no momento.
― Não posso dizer que é minha banda favorita, mas com certeza Boulevard Of Broken Dreams é a minha música favorita ― Nico responde, com a voz um pouco abafada.
Achando o fato curioso, Catarina olha pelo espelho, e o vê com o rosto encostado no cabelo de Thalia, que não parecia incomodada com tanto contato físico.
― Se eu soubesse disso, eu teria sugerido essa música para cantarmos naquela aula. ― a filha de Zeus ri, pensando em como perdera tempo tentando descobrir uma música para cantarem, quando a resposta estava em sua banda favorita ― Acho que teria me saído melhor.
― Você foi maravilhosa! ― Nico a corrige, sem notar que a fizera corar com o elogio ― E deveria cantar Boulevard Of Broken Dreams sozinha: eu a acompanharia com a guitarra, no máximo.
― Mas é sua música favorita! ― ela levanta a cabeça de seu ombro.
― Por isso mesmo! Vai que, eu canto e não me saio tão bem? ― ele ergue as sobrancelhas, o rosto dos dois próximos demais.
“Pelos deuses, se beijem logo!” Catarina pensava, sem se preocupar se estava ou não projetando seus pensamentos para o namorado... O que de fato fazia.
“Tá querendo juntar aqueles dois?” Lorenzzo projetou a pergunta para ela. Ele também prestava atenção na cena que acontecia em seu carro.
“O quê?! Não, imagina...” Catarina desconversa, não querendo envolver o próprio relacionamento em seus negócios com Afrodite.
“Eu acho que seria engraçado! Mas também acho que eles já podiam se beijar de uma vez” E Lorenzzo, de certo, ecoava os pensamentos de todos. Inclusive desta autora que vos narra as cenas.
― Você canta bem, Nico! Canta melhor do que ergue líderes de torcida! ― Thalia faz uma careta, enfim expondo seus sentimentos em relação ao “incidente” da aula de educação física.
― De novo essa história, Lia? ― mais alguém notou o uso constante desse apelidinho?! ― Vamos voltar a como estávamos antes? Estava mais confortável! ― ele revira os olhos, quando ela se afasta.
― Não, lembrei que estou com raiva de você! ― ela lhe dá língua, e ele toma a melhor medida possível.
Ele a beija! Sim, senhoras e senhores, ele a beija ― finalmente, e não acredito que sobrevivi para narrar este fato. ―; Nico di Angelo seguiu o velho ditado de que “quem dá língua pede beijo”, e se inclinou para frente, segurando o rosto de Thalia e tomando os lábios da garota nos seus.
Depois de passar a maior parte da noite refletindo sobre o quase beijo da noite anterior, e até mesmo sentindo medo e culpa pelo ocorrido, o filho de Hades resolveu seguir o conselho que quase todos os seus amigos lhe davam e foi espontâneo mais uma vez. Dessa vez era sua intenção beijá-la, sentir a maciez com a qual seus lábios se ajustariam e descobrir o sabor dos de Thalia; contudo, não estava em seus planos sentir o coração acelerar, ou querer se aproximar ainda mais.
“Até que enfim!”. Catarina suspira em sua mente, mais uma vez ecoando meus próprios pensamentos.
“Seus poderes proféticos não estão tão bons quanto antes, mas com certeza alguém lá em cima ouviu seus pensamentos”. Lorenzzo sorri diante da comemoração silenciosa da namorada.
Se ele soubesse o quão bons estão os poderes dela estavam, chamaria Catarina de despudorada...
― O que raios foi isso? ― Thalia praticamente grita quando Nico se afasta.
Os dois se encaravam ofegantes e vermelhos. Seus lábios estavam inchados e até mesmo doloridos.
― Eu já te pedi desculpas de todas as formas que eu conhecia, e resolvi experimentar uma nova forma. ― Nico respondeu, dando seu melhor sorriso cafajeste ― E pelo visto deu certo!
― Di Angelo, eu vou... ― mas a ameaça de Thalia fica pela metade, pois o garoto se inclina novamente, beijando-a de novo.
“Tem dedo seu nisso, não é?”. Lorenzzo lança um olhar suspeito para Catarina, desviando a atenção do casal no banco de trás.
“Não sei? Quem sabe? Pode ser!”. Catarina responde, rindo por dentro.
E todos nós tínhamos motivos para rir: apesar da surpresa, dessa vez Thalia corresponde ao beijo, segurando o rosto de Nico também, mostrando que Afrodite realmente não brincava em serviço quando queria que um casal acontecesse.
Fale com o autor