Undertale - True Reset

26 Lembranças Parte 8 – O Verdadeiro Julgamento


Notas iniciais
Olááááá meus amores! Sei que falei para alguns que o capítulo ia sair perto da meia noite, mas, minha internet me deu um pé na bunda e só voltou agora de manhã... Bem, o que posso dizer sobre o capítulo de hoje... Muita tensão... demorei pacas para conseguir escrever... Sabe o que eu fiz? virei a mesa do pc, de forma a ficar sentada na cama enquanto escrevia, ao invés da cadeira, pq assim, toda vez que eu precisasse chorar era só me jogar para o lado e tinha um travesseiro lindo pronto para as minhas lágimas. Eu sou muito sentimental depois que me apego aos personagens, e esse capítulo foi especialmente tenso para mim. Começamos o capítulo como ponto de vista do Sans, mas logo em seguida, voltamos para o da Frisk. Espero que gostem! Vejam as notas finais para mais avisos! Tia Ly ama vocês ♥ *Peguem sua caixinha de lenços na entrada do capítulo, só por precaução.

[Sans]

Eu a esperava no corredor do julgamento, sabia que ela viria para cá, não sei com qual intenção, mas que ela viria, enquanto eu esperava, eu via cenas, lembranças de uma outra timeline, lembranças felizes, a última vez que vi, quem eu amava viva, porque eu ainda me recusava a acreditar que aquela pessoa que eu amei, que deu a vida pela liberdade de todos, se tornara naquele ser que nem monstro poderia ser considerado.

Enfim ela chegou, pude ver o brilho de seus olhos vermelhos, mesmo na escuridão, aquele era o demônio que havia transformado todos os monstros que havia encontrado em cinzas. Eu tinha medo de morrer, mas eu sabia que era forte o suficiente para derrotá-la também. Eu coloquei um sorriso no rosto, eu não ia dar o gostinho para ela, de saber que eu estava sofrendo, tudo o que observei dela, me dizia que ela gostava de ver o sofrimento alheio.

— Olá! Você esteve bem ocupada, não?

— Você não sabe o quanto!

— Acredite, eu sei.

Aquela voz, era tão errada, me soava tão errada, pois era tão distorcida, tão diferente da voz que eu lembrava. Eu não sabia o motivo que fazia com que aquela voz me fazia ficar muito mais furioso.

— Eu tenho uma pergunta para você: Você acha que até a pior pessoa pode mudar? Que qualquer pessoa pode ser uma boa pessoa, se apenas tentar?

— Ora querido comediante... Existem pessoas que nasceram podres, e outras que apodrecem no meio do caminho...

Eu ri com a resposta deste demônio. Eu olhava em sua alma, e eu via que seu LV era alto, mas também eu via que tinha algo que não me deixava ver tudo, como se algo estivesse sendo escondido de mim, isso me intrigava, isso me irritava, nunca ninguém conseguia esconder algo da minha magia, era por isso que o Rei havia me escolhido como juiz, pois não havia nenhum poder como o meu.

— Olha, eu não quero te enfrentar, não sou de fazer promessas, mas fiz uma, e não gostaria de quebrá-la, então vou dar a chance de que você dê a volta, saia desta timeline e não volte nunca mais.

Eu sabia que se ela fizesse isso, a timeline anterior iria se apagando na minha mente, até um dia não passar de uma lembrança de um sonho, mas eu tinha que pensar em todos.

Eu não lamentava só por minha promessa, eu lamentava por ser ela, eu não queria machucá-la, mas uma parte de mim queria, queria fazer ela sofrer, queria fazer ela sentir toda a dor que eu senti.

— Bem, eu tenho uma pergunta ainda melhor... Você quer passar por uns maus bocados? Porque se você der mais um passo, você não vai gostar do que vem a seguir.

Ela deu mais um passo, eu vi a faca em sua mão, ela queria mesmo me enfrentar.

— Bem, me desculpe moça, este é o motivo pelo qual eu nunca faço promessas. — Eu disse isso mais para mim do que para a criança diante de mim. — Sabe, está um dia bonito lá em fora, pássaros cantando, o jardim florescendo, em dias assim, crianças como você... Deviam estar queimando no inferno!

Eu não dei tempo dela se preparar, e já comecei atacando, vi seu olhar de susto quando ela percebeu que usei minha magia pra aumentar a gravidade sobre ela, mas ela logo se acostumou, ela não previa era que eu invocasse os Gasters Blasters.

Ela não passou de alguns segundos, rapidamente a matei, eu queria mostrar que não importava o quanto ela usasse o seu save, seu destino sempre seria morrer em minhas mãos. Mas ver seu corpo ali, mexeu comigo, eu lembrei de tudo o que passamos juntos, apesar de agora ela parecer apenas uma criança. Eu acolhi seu corpo sem vida, tão pequeno, tão frio, o toque de sua pele não era morno como eu me lembrava, era frio, sem vida, sem emoção.

Eu percebi que gotas caiam sobre seu rosto, levei uns segundos para perceber que se tratava de minhas lágrimas. Eu chorei sua morte, doeu mais do que a morte de Papyrus, pois esta, fui eu que causei.

Acordei no quarto, sentado na cadeira, tudo ao meu redor levitava, por causa da minha magia, que estava fora de controle, Entre as coisas que levitavam, estava o corpo dela, daquela maneira, ela parecia tão morta quando em meu sonho, saltei a pegando, a acolhendo, deixando todo o quarto desabar no chão.

— Por favor, por favor, não esteja morta...

Eu a acolhia e a apertava contra meu corpo, eu tinha que sentí-la, coloquei sua mão em meu rosto, e respirei aliviado quando senti o toque suave e morno de sua mão.Eu senti seu coração batendo, sua alma pulsando.

— Por favor, acorde, acorde para me dizer que tudo isso foi só um sonho, que nada dessas coisas ruins foram verdade... Eu to tão confuso...

Imagem Luta Sans e Frisk/Chara

[Frisk]

Mas como esperado, Chara esperava também, Sans apareceu diante de nós, após entrarmos no corredor do Julgamento, um lugar tão bonito, eu tinha tantas boas memórias desse lugar, memórias que eram igualmente tristes, eu sabia que não havia Asgore na sala seguinte, Chara o havia matado, mas na sala seguinte havia a barreira, e as outras almas dos humanos. O sorriso de Sans era tenso e um pouco cruel, eu sentia as ondas de dor, raiva e ódio que ele mandava em minha direção, apesar de tentar não demonstrar emoções, acredito que ele não queria dar essa satisfação para Chara. Eu senti Chara salvar.

— Olá! Você esteve bem ocupada, não?

— Você não sabe o quanto!

— Acredite, eu sei.

“Chara... por favor... não torne isso pior.”

“Calada!”

— Eu tenho uma pergunta para você: Você acha que até a pior pessoa pode mudar? Que qualquer pessoa pode ser uma boa pessoa, se apenas tentar?

— Ora querido comediante... Existem pessoas que nasceram podres, e outras que apodrecem no meio do caminho...

“Sim Sans... eu acredito que qualquer pessoa pode mudar.”

Sans riu diante da resposta de Chara, eu queria que ele pudesse me ver, saber que eu estou presa dentro dela, eu queria desesperadamente que ele me ajudasse.

— Olha, eu não quero te enfrentar, não sou de fazer promessas, mas fiz uma, e não gostaria de quebrá-la, então vou dar a chance de que você dê a volta, saia desta timeline e não volte nunca mais.

“Sans você não quer me ver nunca mais? Eu entendo... faz todo o sentido.”

“Viu sua idiota, não importa o quanto ele tenha te amado, tudo o que fizemos, vai fazer com que ele nunca te perdoe.”

— Bem, eu tenho uma pergunta ainda melhor... Você quer passar por uns maus bocados? Porque se você der mais um passo, você não vai gostar do que vem a seguir.

Chara de u mais um passo, ela queria muito enfrentá-lo, ele era o grande troféu dela.

— Bem, me desculpe moça, este é o motivo pelo qual eu nunca faço promessas. — Ele disse isso baixo, acho que era mais para ele do que para nós sabermos, mas eu sabia que ele se referia a Toriel, a nossa mãe, que o fez prometer que cuidaria de nós caso saíssemos das ruínas. — Sabe, está um dia bonito lá em fora, pássaros cantando, o jardim florescendo, em dias assim, crianças como você... — Suas órbitas ficaram negras, e eu senti a ameaça, senti sua magia agressiva pressionar a minha pele, nesse momento eu tinha certeza, ele iria fazer de tudo para nos parar. — Deviam estar queimando no inferno!

Seu ataque veio rápido, nem Chara nem eu estávamos preparadas, sentimos a luz de nossa alma ficar azul e fomos jogadas ao chão, Chara reagiu rápido, pulando com dificuldade, enquanto muitos ossos apareciam do chão, alguns chegaram a nos atingir, mas não causaram muito dano, tudo o que Chara fez, aumentou muito nosso HP. Mas quando ela mal conseguiu se desviar dos ossos que apareciam de toda a parte, apareceu uma grande cabeça de ossos gigante que abriu a boca e soltou uma rajada, fomos atingidas em cheio, vi nosso corpo ser jogado contra uma das colunas e cair sem vida no chão. Não duramos nem cinco segundos nessa luta, Sans era muito mais forte do que eu poderia imaginar. A dor era tão grande que pela primeira vez, Chara a sentiu comigo. Enquanto eu caía no vazio, antes de voltar ao nosso ponto de save, eu vi uma cena que cortou o meu coração. Eu vi Sans, andar lentamente até o meu corpo sem vida, o acolher e o abraçar, enquanto eu vi que ele estava chorando.

Lá no vazio era quando eu me dia diante de Chara.

“Isso é tão divertido! Tão sem coração! Tão cruel!”

E me mantinha quieta, ela sentiu toda a dor da nossa morte, ao invés disso fazê-la desistir, não, ela se sentia mais determinada em derrotá-lo, isso me dava medo.

Voltamos ao ponto onde Chara havia salvado, eu já esperava que Sans iria falar todo o seu discurso novamente, o que surpreendeu nós duas, é que ele não o fez, ele deu um sorriso satisfeito.

— Olá! Você parece frustrada com alguma coisa, acho que sou realmente bom no meu trabalho. — Ele zombou confiante.

Ele sabia! Sabia sobre o save, sabia sobre tudo, ele lembrava, isso me destruiu, ele lembrava de mim. Ele devia me odiar ainda mais. Ele sempre falava em timelines, mas nunca deixou claro que ele sabia do poder que eu tinha. Eu lembrei que ele me falou algo, em nosso encontro no MTT Resort, na outra timeline, mas eu acreditava que ele não soubesse nessa, eu ainda não sabia se ele lembrava da outra timeline, ou se ele simplesmente se lembrava dos saves que eu usava na mesma timeline. Para Chara foi uma total surpresa, isso a irritou, ela sabia que ele estava brincando conosco.

Uma nova batalha se iniciou, duramos um pouco mais, mas ainda não conseguimos passar dos Gaster Blasters, enquanto Chara ficava frustrada, eu só conseguia pensar na horrível situação em que Sans lembraria de tudo, e que tudo o que construí com ele fosse arruinado. Ele me odiaria, o que talvez justificasse esses ataques tão poderosos tão cheios de raiva.

Chara carregava o save, cada vez mais rápido, em cada vez Sans tinha algo novo a dizer, no começo ele mostrava que estava contando todas as vezes que nos matava, ele contava com uma exatidão assustadora, cada vez Chara durava um pouco mais, mas sempre morria, Sans sempre tinha algo novo a dizer, ele estava determinado a impedí-la. Depois de 13 mortes ele disse que estava cansado de contar e que era para nós contarmos as mortes a partir daquele ponto, isso não mudava o fato de que Chara estava ficando mais ágil com seus ataques, apesar dela não conseguir acertar um ataque nele. Ele parecia saber que Chara queria destruir tudo.

A batalha era difícil, Sans fazia muito mais danos do que qualquer outro oponente jamais conseguiu. Eu via um sorriso sádico em seu rosto quando ele nos envolvendo com sua magia, que para mim era familiar, mas ele tinha tanta raiva, que ela parecia milhões de agulhas perfurando o meu corpo, ao mesmo tempo que ele nos jogava por todo o salão, batíamos nas colunas, na parede, nas janelas, eu sentia cada osso do meu corpo se quebrando, meu corpo perfurado pelos meus ossos, pelos ossos de Sans, pelo vidro das janelas onde ele me arremessou. Era tanta dor.

— Eu notei uma grande anomalia no tempo-espaço. Timelines ficando confusas, com pontos de parada e retomada, indo e voltando. Isso é tudo culpa sua, né? — Sim, era culpa minha, eu ficava cada vez mais perplexa e curiosa do quanto ele sabia, do quanto ele se lembrava, ele era diferente de todos os monstros. Ele falava isso com a finalidade de desestabilizar Chara, e ele conseguia, ela não tinha noção nenhuma do que ele sabia, e cada vez que ele soltava um comentário desses, ela perdia o foco, que era onde ele a matava, devo admitir que era uma estratégia inteligente. — Você não deve saber como é isso, saber que um dia, sem nenhum aviso, tudo será resetado. — Eu fiquei bem na dúvida, ele falava isso da outra timeline? Eu vi uma pontada de tristeza no olhar dele, eu ainda me recusava a acreditar que ele se lembrava da outra timeline, pois isso faria eu me sentir ainda pior.

Cada vez que morremos para aliviar sua frustração, Chara ficava se imaginando matando-o, ela começou a imaginar tantos detalhes, era tão agoniante que muitas vezes eu cheguei a sentir uma dor real em perdê-lo. Ela imaginava com perfeição ela enfiando a lâmina em seus ossos, via a vida deixar seus olhos, o via se transformar em cinzas, eu não fazia nada além de chorar e lutar para tomar o controle de volta, mas ela era forte demais para mim ainda.

Em outra luta Sans disse algo que para Chara não tinha importância nenhuma, mas para mim, me deixou extremamente intrigada.

— Olha, eu desisti de voltar a muito tempo... E ir para a superfície, não me apetece mais, pois mesmo se fomos libertados, poderemos cair nas mãos de um demônio com o poder como o seu, e termos tudo resetado novamente, voltando à estaca 0, sem nenhuma lembrança disso. Mas eu lembro, eu desejava não lembrar, cada lembrança perdida dói muito mais.

Eu me desesperei, nesse momento eu tive a certeza absoluta do que estava diante dos meus olhos, mas eu me negava a ver, ele lembrava de tudo, ele lembrava de nós, e isso tornava a situação pior, pois eu passei a ver que escondido no sadismo dele, estava muita dor e tristeza, ele não entendia o que estava acontecendo.

Depois de mais de duzentas mortes, chegamos a um ponto de parada, Sans parou seus ataques, Chara estava frustrada e curiosa. Quando ele finalmente falou:

— Você realmente gosta de balançar essa coisa por aí né? — Ele falava da faca que mesmo com muitas tentativas de Chara, ela nunca conseguiu acertar um golpe nele, ele se teleportava e nos atacava em seguida. — Escuta aqui, eu sei que você não me respondeu antes, mas eu sei, eu posso sentir... Que dentro de você tem uma pessoa boa. — Como assim? Ele podia me ver? — Uma pessoa que alguma vez quis fazer a coisa certa. Que em outro tempo, pode ter sido uma amiga? Mais que uma amiga. — Eu não acredito, ele estava falando comigo.

Eu lutei como nunca para ter o controle, eu queria dizer que eu lembrava dele, que eu queria fazer a coisa certa, eu não queria machucá-lo. Chara só me jogou em um canto, ela estava curiosa demais para me responder.

— Vamos pirralha... você lembra de mim?

“Eu lembro Sans...”

— Por favor... se você está escutando, vamos esquecer isso tudo. — Eu vi lágrimas aparecerem em seus olhos, ele estava sendo sincero. — Só abaixe sua arma e... bem, meu trabalho ficaria muito mais fácil.

Ele estava nos oferecendo misericórdia. Eu lutei, lutei muito, eu precisava dar um sinal a ele.

“Chara por favor? Me deixa aceitar a misericórdia dele, podemos terminar isso sem mata-lo.”

Chara ria em resposta.

“Você não acha que ele vai nos poupar, né?”

“Acho sim, ele estava sendo sincero, eu posso sentir.”

“Depois de tudo o que fizemos? Não, ele vai nos matar!”

Eu não me importava, continuei a lutar, vendo ele diante de nós de braços abertos, meus sentimentos falavam tão mais alto, eu lutava e lutava.

“Okay, mas depois não diga que eu não te avisei.”

Ela riu e eu a senti se retirar, me dando o controle, ela não deixou totalmente o controle, se certificando que poderia retomá-lo quando quisesse. Eu não me importava. Quando me senti no controle, mal me lembrava como mexer meus membros. Soltei a faca que caiu com som metálico no chão, Sans olhou para mim e sorriu, ele parecia aliviado, ele abriu ainda mais os braços, me oferecendo um abraço, eu nem hesitei, tropeçando me joguei em seus braços, ele me deu um abraço apertado, eu me senti tão bem. Ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido.

— Chupa essa!

Ele se afastou levemente, o suficiente para não ser atingido pela quantidade de ossos que transpassaram o meu corpo. Me matando instantaneamente.

Vagando no vazio da minha morte diante de Chara, eu ri, não sei o motivo, mas as palavras dele me faziam rir, era algo tão típico dele.

Chara ria me provocando.

“Eu não te disse?”

“Eu não me importo!”

“Você é uma idiota apaixonada.”

“Eu não me importo!”

“Ele te odeia!”

“Eu não me importo!”

“Ele vai usar isso para continuar nos matando!”

“Eu não me importo!”

“Você não tem jeito mesmo...”

Chara voltou, mas ao invés de todo os ataques de sempre, Sans me ofereceu misericórdia novamente, ela sem dizer nada, me deu o controle, acho que ela queria saber a minha reação, dado o que aconteceu da outra vez, eu mais uma vez saí tropeçando para os seus braços, era tão bom sentir o seu cheiro, mesmo sabendo que ele ia me matar, valia a pena, dessa segunda vez, ele disse algo diferente.

— Heh... eu notei certo... você realmente não parece a pessoa com a qual eu estou lutando quando você vem e me abraça, mas não posso abaixar a guarda, não posso te dar essa chance.

E ele me matou novamente.

Ele me matou dessa forma uma centena de vezes, eu nem estava ligando para as mortes, eu podia sentir um pouquinho do carinho dele, mesmo sabendo que ele me mataria, eram minhas migalhas e eu as aceitava de bom grado, eu estava feliz, pois isso atrasava Chara, e talvez a fizesse esquecer os padrões de ataque do Sans.

De uma forma estranha, eu estava feliz que ele me matasse sempre. Com Chara, não poderiam haver chances. Depois de tudo o que ela fez, eu não esperava nenhuma piedade.

Chara estava ficando cansada de eu me jogar para a morte tantas vezes seguidas, e na ultima vez, ela simplesmente continuou no meu lugar, ao invés de aceitar a “misericórdia” de Sans, ela avançou para atacá-lo, ele parecia estar preparado, pois esquivou-se facilmente do ataque, iniciando a luta novamente, enquanto falava.

— Bem, valeu a pena a tentativa. Acho que você quer fazer as coisas do modo difícil né?— Sans voltou a atacar sem piedade, se é que ele tinha alguma. — Sabe, antes dessa tragédia toda começar, eu esperava secretamente que nos tornássemos amigos. Eu cheguei a acreditar que essa anomalia acontecia porque estávamos infelizes, e que se conseguíssemos o que queríamos, tudo ia voltar ao normal, era como um tente até encontrar a felicidade. Cheguei a imaginar que tudo o que você precisava era de... sei lá... umas risadas, junk food, bons amigos.... Mas isso é ridículo, não acha? Você é o tipo de pessoa que nunca vai ser feliz!

As mortes de Chara estavam começando a atingir várias centenas. Algumas vezes ela chegava mais longe do que em outras vezes, mas sempre morria. Eu já estava tão cansada de morrer. Eu só queria que tudo acabasse de uma vez. Toda vez que ela morria, ela ficava mais e mais irada. Eu não tinha percebido de início, mas depois de muitas vezes eu percebi que, o quanto mais irada ela ficava, mais o controle escorregava de suas mãos.

— Aprenda a desistir pirralha!

— Nunca!

Conforme a luta seguia, Chara jogava o controle sobre mim, para me fazer ataca-lo, mas eu sempre evitava atacar, muitas vezes me deixando morrer, causando mais e mais raiva nela. Eu não iria lutar contra ele, eu não iria machucá-lo, mesmo sabendo o que viria a seguir. Chara me observava, esperando que eu mudasse minha atitude, mas depois de um tempo ela percebeu que era algo impossível, ela só o fazia para poder descansar um pouco. Eu nunca daria a ela o ódio, a ira, nesse momento eu sabia separar os meus sentimentos dos dela, apesar dos dela serem tão poderosos que eu me sentia doente.

A luta estava atingindo níveis realmente desgastantes, já passávamos de mil mortes, Sans estava visivelmente desgastado, Chara também, eu só queria dar um fim em tudo isso, parecia que estávamos a uma eternidade nisso, eu poderia dizer sem errar, que se tudo isso fosse só em uma timeline, sem resets, sem loads, estaríamos lutando a mais de três meses seguidos.

Foi quando em um determinado momento eu senti o controle de Chara escorregar para valer pela primeira vez. Por um momento eu pensei em agarrar essa oportunidade, mas eu estava fraca, e caso perdesse para ela, ela ficaria mais alerta, ao invés disso, decidi esperar, não deixando ela desconfiar de minhas intenções. Ela estava muito envolvida na batalha para me dar muita atenção, e eu tinha que usar isso ao meu favor.

— Criança, você não desiste? Já te matei centenas de vezes.

Sans não esperou uma resposta de Chara, já preparou os ataques, ele estava visivelmente cansado, mas ele não desistia, eu via tristeza, decepção, ira, ódio, dor. Isso me destruiu, eu só fiquei torcendo para que ele continuasse a me matar, de novo e novamente. Chara desviava de todos os ataques com dificuldade, mas ela estava conseguindo, e isso me deixava em pânico, ela tentava acertá-lo, e errava por muito pouco.

— Você acha mesmo que eu vou ficar parado esperando você me acertar?

— É só uma questão de tempo.

— Desista, eu sou mais forte do que você!

— Mas eu sou mais determinada!

Sans dizia sem parar de atacar, eu percebi que ele queria distraí-la, para matá-la em um momento de desatenção.

— Maldito lixo sorridente!

Chara estava ficando impaciente, e Sans cada vez mais cansado, eu não aguentava mais, eu tentava me fechar, mas Chara me obrigava a ver, me obrigava a sentir, cada ataque que me atingia, ela agonizava comigo.

Morremos umas 3 vezes mais, a dor foi terrível, eu não queria mais voltar.

“Temos que voltar, estamos quase conseguindo. ”

“Quem te disse que quero matá-lo?”

“Ora, ele está te matando sem piedade nenhuma. Ele te odeia, ele nunca vai te perdoar.”

Eu me calava, Chara ganhava a discussão e recarregava o save.

Novamente, uma luta terrível, Sans extremamente cansado, Chara frustrada e tomada pelo ódio, eu imaginava a dor de sentir ele me matando novamente.

Chara fez algo que eu nunca imaginei que ela fosse capaz, ela juntou toda a sua determinação e direcionou para a faca, eu pensei que ela tentaria atingir Sans, mas eu me enganei, fiquei horrorizada com o que vi. A lâmina ficou vermelha, eu tinha um mal pressentimento quanto a isso. Ela direcionou a faca ao chão, mas a faca não atingiu somente ao chão, ela atingiu outra coisa, Sans podia ver também, pois sua expressão era de horror, Chara tinha acertado o tecido da Realidade.

— Mas que porra você fez?

Chara ria de uma forma doente.

— Ora, meu querido comediante, não é obvio? Eu quebrei o tecido da realidade, agora mesmo que você me mate, você nunca vai me impedir, pois mesmo que eu use o meu arquivo de save, isso é algo tão permanente, que não pode ser concertado com um simples reset.

— Bem... então é isso... Nunca pensei que você me odiasse tanto... O que te fiz? Para você resetar tudo e infligir tanto sofrimento? Lembro que nós te tratamos como família.

“Me perdoa Sans...”

— Então é assim que tudo acaba? Eu só quero que saiba, que eu me importei de verdade com você.

Sans caiu de joelhos, cansado, suor escorria por seu crânio, Chara viu a oportunidade perfeita de acabar com tudo, um único golpe e estaria tudo acabado, ela quase não tinha mais forças próprias, e tudo que ela fez foi avançar, ela não percebeu que o controle dela sobre mim estava por um fio. Eu lutei como nunca na vida, era a hora, ela ficou surpresa com a minha tentativa e lutou de volta, ela só precisava de um golpe, ele havia se rendido diante de nós, ele nos olhava, com um sorriso cansado, de quem fez tudo o que podia para cumprir a sua missão.

Enquanto lutávamos, pelo controle, Chara avançava, eu sabia que precisava do controle e precisava rápido, um segundo depois e tudo estaria perdido. Coloquei toda a minha determinação, eu senti a minha alma pulsar, ao mesmo tempo que vi a lâmina brilhando que se aproximou perigosamente de Sans.

Notas finais
Então meus amores? O que acharam? Me digam quais foram as suas reações, o que gostaram e o que não gostaram no capítulo, a Tia Ly adora responder vocês :3 Mostre a fic para um amiguinho que você quer que sofra com você :3 Avisos: Como eu já tinha dito no capítulo anterior, dia 13 irei viajar, eu vou passar uns dias no underground, bem, para onde eu vou, não tem internet e meu 3g mal pega lá (só pega em um lugar e tenho que ser quase uma macaca e ficar me pendurando pra ter sinal), logo, dias 13, 14 e 15 não terá fic, porém postarei um capítulo dia 12, e provavelmente outro dia 16, então, não sairemos muito de nossa programação, porém as respostas dos comentários que por ventura venham dia 13 a partir da tarde, poderão ser respondidos somente no dia 16, não surtem, eu não esqueci ninguém, só não terei acesso mesmo. Acho que é isso! Espero que tenham gostado! Tia Ly ama vocês (sempre bom reforçar) Não me matem pelo final do capítulo. Sei que vai ser difícil aguentar uns dias para ver como isso acaba! P.S.: Desisto de colocar uma desgraça de imagem, entre os pontos de vista tem o link da imagem...