Understatement
4 A Luta.
Notas iniciais
A Luta.
“Aya, corre!”, gritei correndo pela cidade.
Aquela chuva de Akumas parecia gostar de brincar com nós três. Kanda, um exorcista sem graça e muito rabugento, estava lutando contra dois A. de nível 2, enquanto eu e a Ayami, irmã do Kanda, totalmente o seu oposto já que era alegre e carinhosa, estávamos correndo por entre as ruas, procurando por algum habitante que não havia sido evacuado do vilarejo.
Olhei para trás, procurando pela morena e me assustei. Ela não estava ali. Parei de correr e pulei para o teto de uma casa, para que pudesse ter uma visão melhor da rua, porém ela não estava ali e aquilo sim me preocupava. Não podia simples gritar ao Kanda para que me ajudasse, era meu dever proteger a Ayami enquanto ele estava ocupado. Corri pelas casas olhando para os lados, ignorando os Akumas que me perseguiam. Não me importava se eles queriam me encher de balas, me contaminar com seu vírus, mas a Aya poderia estar em perigo e se isso acontecesse, Kanda ficaria irritado demais para se concentrar na missão e eu também.
De repente, em meio as minhas preocupações, escutei um barulho imenso e logo em seguida senti o telhado da casa desabar e me levar junto. Só tive tempo de pensar em uma coisa.
“Innocence! Hatsudou!”, gritei.
Ela se materializou. Duas pistolas surgiram em minha mão, seguidas por uma corrente prata, brilhante, que as ligava. Aquela sim era a minha Innocence, adquirida com muito suor no treinamento com a 'Generala' Klaud. Minhas pistolas – Kitai e Yoru – projetavam balas de ar comprimido e quando disparadas, abriam o caminho mais facilmente, deslocando o ar a sua frente e acertando com força o alvo. Já a minha corrente – Kyo -, aumentava sua extensão ou a diminuía de acordo com o que me era necessário no momento.
Naquela situação, Kyo se estendeu, prendendo-se em uma madeira do telhado, impedindo que eu caísse. Meu corpo ficou balançando até perder a força e parar, no mesmo momento que xinguei alto o desgraçado do Conde do Milênio. Aquilo era tudo culpa dele.
Pulei para baixo, batendo com força no chão e perdendo o equilíbrio, caindo com força nos destroços. Senti um ardor na minha coxa e no meu rosto. Toquei ambos os lugares e notei que cortes fundos foram feitos graças às pontas das telhas quebradas e do concreto. Levantei-me arrumando a roupa e colocando a Kitai e a Yoru nos coldres, enquanto a Kyo desaparecia temporariamente. Rosnei irritada. Aquilo já estava passando dos limites.
“AYA!”, gritei, tornando a correr pela rua, pressionando o olho esquerdo quando o ar tocava a ferida, a fazendo arder.
“HIKA! Aqui!”, ela gritou ao terminar de destruir um Akuma de nível 1.
“Uuufa! Que bom que você está bem!!”, sorri ao vê-la intacta.
“Mas e você? O que aconteceu?”, Aya perguntou observando o ferimento na minha coxa direita e o corte na minha face esquerda.
“Nada demais... E o Kanda-kun?”, e antes que ela respondesse uma barreira de papel feita pela Innocence da Ayami nos protegeu de tiros dados pelos Akumas.
“Ai, ai...”, ela estava com a face preocupada. Porque eu havia falado do Kanda, mesmo? Oh raiva!
“Ayami! Hikaru!”, a voz do Kanda soou da parte de trás do escudo. “Que tal pararem de conversinha e lutarem? É mais produtivo da parte de vocês.”, o tom de irritação era bem conhecido em sua voz.
“Carinhoso como sempre Kanda-kun.”, respondi e quase comecei a rir, mas a Ayami tapou a minha boca o mais rápido possível, para que não o irritasse ainda mais. Segurei o riso e logo depois a olhei, assentindo com a cabeça.
“Pronta?”, ela me perguntou.
“Sempre!”, exclamei puxando as duas pistolas, as engatilhando.
“Então... Vamos lá!”, ela gritou, tirando a barreira que nos protegia.
Surpreendi-me com a quantidade absurda de Akumas que nos rodava. Tinham uns trinta a quarenta. Antes de correr em direção a eles, escutamos um grito de dor do Kanda e isso de fato, nos tirou a atenção.
“YUU!!!!”, dei um passo para o lado depois do grito absurdo da Aya ao meu lado.
“O que...?”, o Akuma de nível dois havia perfurado a barriga do Kanda com sua garra, deixando o sangue escorrer sem descanso pelo ferimento aberto.
A vi correr em direção a ele e mordi o lábio inferior, respirando fundo. Enquanto ela ia protegê-lo, eu teria de proteger os dois.
“Aya! Eu te protejo, mas proteja o Kanda!”, gritei. “Eu lhe dou cobertura. Foge daqui antes que aquele ferimento piore!”
Virei a Kitai em direção a dois Akumas que corriam em direção a Ayami, disparando com vontade nos dois. Enquanto com a Yoru, distraía a atenção de mais dois que se aproximavam, fazendo-os cair.
Vi quando a Aya levou o Kanda para longe, fazendo um pássaro grande de papel sair voando para uma montanha longe do vilarejo. Sorri levemente, pelo menos eles estavam a salvo. Virei-me sorrindo para os outros 36 ou 26, não sabia ao certo. Não parei para contar, mas sabia que era impossível lutar contra todos. Comecei a correr pelos telhados, atirando para trás e para os lados, à medida que encontrava com alguns no caminho. Estava tão concentrada em acertar os atrás de mim e dos meus dois lados, que não notei quando uma dor alucinante se fez presente em minhas costas. Perdi o equilíbrio, escorregando do telhado e caindo para o lado, soltando a Kitai e a Yoru que, sem estarem em contato comigo, perdiam seu poder.
Senti o vento brincar com meus cabelos e minhas roupas, balançando-os na direção contrária. Por um instante, vi todas as cenas que havia passado até ali. Os dias com o Deak. Nossa separação. O encontro com o Conde. O treinamento com a mestra. A chegada na Ordem Negra. Treze anos que passei da minha vida procurando por ele e nada. Nenhuma pista. Aquela era a sensação de morte? Aquele vazio no peito? O mesmo vazio que existia antes de encontrar o Conde? Então eu estive morta por tanto tempo sem nem notar. Não pude deixar de sorrir levemente com aquele absurdo. Todos os meus esforços, todo o meu desejo. Nada. Nada parecia ter valido a pena.
“Kuro-chan! Agarra ela!”, uma voz desconhecia soou em meio as minhas lembranças.
“Pode deixar, Lavi.”, senti alguém me amparar e logo em seguida, uma pontada na altura do meu pescoço. Não tornei a abrir os olhos, apenas senti que mergulhava mais fundo na minha própria escuridão.
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