Notas iniciais
Bom, aí vai o primeiro capítulo de verdade da história. Enjoy ^^
Capítulo I Cheguei a estação de metrô, conforme planejado. O metrô da cidade de Future City, capital da UCNM, é um dos orgulhos da engenharia da cidade. O sistema é composto por 2 grandes trilhos magnéticos que se cruzam perpendicularmente, nas direções norte-sul e oeste-leste, e então se ramificam para os diversos distritos da cidade. Um trilho magnético é uma estrutura metálica suspensa capaz de gerar um campo eletromagnético forte o suficiente para sustentar o enorme trem, sem que ele ao menos toque nos trilhos. A locomotiva possui dois motores de fusão que produzem o impulso necessário para mantê-la a uma velocidade de 3,5 mach. Assim, não é necessário dizer que apenas os mais empenhados conseguiam a proeza de se atrasar.

Entrei na linha ITPAJ, que se dirigiria à minha nova faculdade, e me assentei confortavelmente no banco, não que isso fosse necessário, já que em menos de um minuto o trem já estava parado na frente do enorme campus do instituto. Era início de ano, e aquela multidão de diferentes fofocas se misturava formando aquele ruído característico de uma escola. Ajustei a gravata do uniforme, e me dirigi até o auditório do edifício, onde o reitor da instituição, o Coronel McPherson iria fazer o tradicional discurso de início de ano. Como era meu primeiro dia na instituição, era natural que eu não conhecesse ninguém, assim, me assentei em qualquer lugar disponível, colocando minha pasta em cima dos meus sapatos- não queria que ela se sujasse. Assim o Coronel subiu ao palco, e os poucos murmuros tornaram-se em silêncio absoluto ao ver a figura daquele homem. Era alto, aparentava uns quarenta anos, apesar de já contar cinquenta e três. Um bigode bem aparado, lembrava aquelas figuras do século XIX, e uma cicatriz na região do supercílio, além da boca ressecada e os dentes amarelados, característica de quem fumava. Seus olhos castanhos encaravam todos os alunos, e a sensação que eu tinha é que ele sabia exatamente o que eu estava pensando. Sem delongas, iniciou seu discurso:

- Sejam bem vindos ao Instituto de Treinamento para Pilotos de AlphaJets, o ITPAJ. Se vocês estão aqui, significa que vocês passaram no teste de aptidão, o que, como devem saber, poucos conseguem. Mas só por isso, não significa que irão se tornar bons pilotos. O potencial, todos vocês possuem. Os AlphaJets não os teriam aceitado caso não tivessem. Mas apenas potencial não forma ninguém. O trabalho duro e o treinamento é a obrigação de todos os que receberam o dom de comandar um AlphaJet. Assim, nos próximos 4 anos, vocês serão instruídos e treinados em tudo o que é necessário para voar em um AlphaJet. Se forem assíduos, vocês não terão problemas em conseguir. Se não levarem a sério- interrompeu e abriu um pequeno sorriso no rosto- chorarão por terem passado nesta prova. É isso, estão dispensados.

Assim, todos saíram ordenadamente e se dirigiram aos dormitórios. O dormitório masculino ficava na ala norte do campus, enquanto o feminino ficava na ala sul. Assim cheguei ao meu quarto e acomodei ordenadamente minhas roupas na prateleira. O quarto era grande e luxuoso, possuía duas camas, o que indicava que eu teria que dividi-lo com alguém. Assim, tratei de manter o meu lado organizado, para evitar quaisquer confusões. Eu estava prestes a sair quando um cara loiro, olhos azuis, cabelo médio, e com o uniforme um tanto quanto amarrotado entrou no quarto.

-Ah, você deve ser o meu novo companheiro de quarto! Muito prazer, me chamo Wilhelm Blackenstein, mas você pode me chamar de Will!- disse estendendo a mão

-O prazer é todo meu, sou Peter Phelps, mas todos me chamam só de Pete.

Assim, após cumprimentar meu companheiro, fui caminhando rumo à sala de aula número 14. Me acomodei na primeira fila, já que as filas mais ao fundo já estavam ocupadas. Para ser sincero, sempre odiei sentar na primeira fila, mas como eu não tinha escolha, fiquei por ali mesmo. Abri minha pasta, e peguei meu notebook e abri no sfotware de anotações. A maioria das pessoas utilizava as tablets holográficas, mas, prefiro digitar a pressionar botões virtuais projetados sob minha mesa.

A professora entrou na sala de aula. Era jovem, deveria ter uns 26 anos, provavelmente recém formada. Tinha cabelos longos, morenos, olhos pretos e um olhar sério e matemático. Era do tipo de pessoa que fala apenas uma vez e não aceita discussão.

- Meu nome é May Marshall, eu serei a professora de vocês durante esse semestre. Vocês vão receber agora o cronograma para o semestre, e ele será cumprido à risca, portanto é melhor aproveitarem cada aula, ou serão reprovados. Bom, vamos às apresentações então, vou chamar os nomes pela ordem da chamada, então por favor apresentem-se e falem um pouco sobre vocês.

Não prestei muita atenção às apresentações, assim, fiquei absorto em meus pensamentos até que meu nome foi chamado.

-Peter Phelps?

-Sim, professora — levantei-me da carteira — Meu nome é Peter Phelps, 19 anos. Nasci aqui na cidade de Future City, e meus interesses são geologia e astronomia.

Depois das apresentações, a professora novamente começou a falar:

-Na primeira semana, vocês serão instruídos em tudo o que precisam saber sobre um AlphaJet. Semana que vem, começaremos os treinamentos práticos. Isso é tudo.

E assim, a primeira aula passou bem devagar. Logo após a aula, me dirigi até o meu quarto, estava muito cansado para jantar. Mal sabia eu o que o meu futuro me guardava...