Under the mask
5 Me explique essa história.
Notas iniciais
Consegui chegar em casa em paz, e graças aos deuses a Astrid não veio me procurar. Consegui dormir por um bom tempo, até que senti alguém me cutucando.
—Soluço – meu pai me sacudia na tentativa de me acordar.
—Hm....
—Filho acorda – fui abrindo meus olhos aos poucos me acostumando com a claridade.
—O que aconteceu pai? – perguntei ainda meio desorientado.
—A Astrid está lá embaixo procurando por você, e não está com uma cara muito boa – sabia que não iria demorar muito – O que você fez dessa vez?
—Nada – me sentei na cama e me espreguicei – deve ser só o Melequento atazanando ela outra vez, ou quem sabe algum piloto novo.
—Bom eu vou ter que sair agora, espero que se resolva com a sua namorada.
—Ela não é a minha namorada pai.
—Sei...- ele saiu do meu quarto rindo.
Me espreguicei mais um pouco e depois me vesti. Fui acordar o Banguela, afinal não posso enfrentar a fera sozinho.
—Vamos amigão preciso da sua ajuda – o dragão reclama a princípio, mas depois se levanta.
Desci as escadas como se nada tivesse acontecido e encontrei ela sentada a mesa muito, mais muito impaciente. Que Thor me ajude por que dessa vez vai ser difícil.
—Bom dia my lady – sorri pra ela que me fuzilou com o olhar.
—Que história é essa de você estar contratando um espião.
—O que?
—Não se finja de burro Soluço, eu sei de tudo.
—Tudo o que?
—Aaaaaaa está com amnésia agora? Que judiação, deixa eu refrescar a sua memória – ela pegou um mapa e jogou na minha cara com toda a força.
—Aí Astrid – disse pegando o mapa e olhando para ela – qual o seu problema?
—Qual o meu problema? Qual é o SEU problema? – ela se levanta visivelmente agitada e nervosa – Pensei que tivéssemos conversado sobre você ir atrás do Ryker e do Viggo.
—E conversamos ué.
—Pelo jeito não adiantou muito, não é mesmo?
—Por acaso eu fui atrás deles?
—Indiretamente sim.
—Eu prometi pra você que não iria, mas não prometi nada em relação a mandar alguém. – e é agora que ela me mata.
—Então é assim?
—É – disse desafiando ela.
—Você está me desafiando Soluço Haddock?
—Estou Astrid Hofferson – eu definitivamente não tenho medo de morrer.
Ela se virou e começou a sair da minha casa sem dar nenhuma explicação.
—Ei aonde você vai?
—Vou embora.
—Pra onde?
—Não é dá sua conta – ela saiu da minha casa batendo a porta, mas como eu sou teimoso fui atrás – é melhor você não estar me seguindo.
—Você sabe muito bem que eu te seguiria até o final do mundo furacão Astrid – é incrível a minha capacidade de fazer piadinhas para provoca-la até em momentos como esse.
—Soluço eu não estou de brincadeira – ela se virou, e eu pude ver a raiva em seus olhos.
—Por favor me escuta, eu quero esclarecer tudo – segurei a sua mão enquanto a encarava nos olhos.
—Você já deixou bem claro que minha opinião não tem importância para você, então porque eu deveria te escutar agora?
—Por que eu sei que está com raiva, e que essa raiva não vai passar tão cedo.
—E você acha que explicando tudo vai conseguir fazer minha raiva passar?
—Talvez – ela deu uma risada sarcástica.
—É incrível a sua capacidade de ser um completo idiota.
—E por que eu sou um idiota Astrid? Por querer salvar Berk e os Dragões? Por querer acabar com os planos do Viggo? Por me preocupar tanto com a sua vida a ponto de mentir para não te envolver nisso?
—Você é um grande idiota por não perceber que eu quero te ajudar, e não importa se estou arriscando a minha vida ou não.
—Astrid você não entende a seriedade da situação.
—Seriedade do que? Do Viggo nos sequestrar – aquele “escândalo em praça pública” estava chamando muita atenção, então sai puxando ela para um beco mais escuro e vazio, longe de qualquer curioso – aonde está me levando?
—Meu problema não é o Viggo, meu problema é meu pai.
—O seu pai?
—Sim, se ele descobrir pode ficar furioso e nos acusar de traição. E você sabe muito bem que a punição por traição é o exilio.
—Ele não faria isso.
—Ele já fez isso por muito menos, sem contar que ele estava bem sério quando conversamos sobre isso.
—E você ainda teve coragem de ir contra as ordens do seu pai?
—Foi por um bom motivo.
—Foi por curiosidade, isso sim.
—Foi para salvar a todos.
—Você é incorrigível.
—Vamos voltar a discutir de novo?
—Não Soluço, não vamos mais discutir – ela começou a sair de onde estávamos.
—Por favor não me deixa aqui falando sozinho.
—Ué você fez tudo sozinho até agora, conversar sozinho não vai ser um problema – ela continuou andando até sumir da minha vista, e eu não tive coragem de ir atrás dela.
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Eu não vejo a Astrid desde a nossa discussão ontem de manhã. Sabe estou um pouco preocupado, ela não é de ficar assim comigo. Talvez ela tenha realmente ficado sentida com o que eu fiz.
Tive que afastar esses pequenos pensamentos de minha mente por um tempo, tinha algo mais importante para focar agora. Tinha que pensar um modo de explicar ao meu pai e aos cavaleiros de dragão sobre o ataque que o Viggo iria realizar, e eu tenho certeza que isso irá se tornar uma grande dor de cabeça. Como eu explicaria um plano inimigo que eu nem sei ao certo, como? Ai que os deuses me ajudem por que isso vai ser bem, bem difícil.
Em meio aos meus devaneios percebi a presença de um Nadder bem familiar brincando com o Banguela. Estava em uma ilha um pouco afastada de Berk, onde não havia muita coisa para se explorar, então me surgiu a questão, o que é que a dona Hofferson está fazendo aqui? Fui dar uma olhada, afinal ela não deveria estar longe. A encontrei a beira de um lago, batendo os pés na água como uma criança, resolvi me aproximar a conversar em vez de esperar o furacão passar.
—Oi – ela olhou pra mim fez uma cara feia e voltou sua atenção a água batendo os pés com mais força, típico dela- sei que está chateada com razão, mas queria que você me desse a chance de te dar uma explicação sobre tudo.
—Encerramos essa conversa ontem Soluço – ela falou de forma hispida.
—Não Astrid, não encerramos, você encerrou, mas eu tenho certeza que está extremamente zangada, — ela deu uma risadinha sarcástica – mas eu sei que também está curiosa, e não vai descansar enquanto não souber respostas.
—Quer saber, – ela se levantou e me encarou- você tem razão –isso, ponto pro Soluço – mas dessa vez eu vou procurar as respostas ao meu modo, sem sua ajuda. E não espere que eu te defenda ou perdoe quando tudo vier a tona – placar final Soluço 0 x Astrid 10.
E assim ela simplesmente saiu me deixando sozinho e com um milhão de dúvidas em minha cabeça.
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