Under the Starlight
1 Céu estrelado
Notas iniciais
OBS para os leitores da minha outra história: só tenho que revisar o capítulo e já posto, não me matem, viu?
Pela primeira vez em anos, senti que o mundo não estava contra nós.
Senti, também, que cada uma das estrelas nos homenageava ao permitir-nos vê-las cair. Afinal, a nossa união era algo tão raro quanto esta chuva de meteoros.
Mas, mesmo com dois fenômenos acontecendo ao mesmo tempo, você olhava para cima tranquilamente, como se tudo aquilo fosse comum. Enquanto eu, deitado ao seu lado neste gramado verde, pensava se algum dia os seus olhos voltariam a brilhar tão intensamente quanto as estrelas.
Ou, quem sabe, olhassem para mim com este brilho.
Mas é claro que eu nunca diria isso em voz alta.
— Dazai... — Chamei, e senti meu rosto ficar quente quando seus olhos castanhos se voltaram para mim — O que será que vai ser nós daqui pra frente? Já fazem anos que estamos neste vai e vem.
— Você já cansou de ser meu amante secreto? Achei que você gostava de fingir que me odeia na frente dos seus amiguinhos e de noite fazer amor comigo. — Ver o seu sorriso malicioso me deixava mais constrangido, mas o seu olhar continuava me prendendo como um imã.
— Engraçadinho. — Me esforcei para ignorar quão cômico Dazai Osamu falar que “faz amor” — Estou falando sério. Você poderia voltar... Demoraria um pouco para recuperar a confiança, mas sei que te aceitariam de volta. Ninguém coloca ordem naquele lugar como você.
— Eu nunca mais vou voltar para lá. — O homem com olhar sério e voz imponente apareceu mais uma vez, não que eu esperasse uma reação diferente. — Poderíamos fugir. Voltaríamos a nos denominar Soukoku, só que em vez de matar as pessoas nos dedicaríamos a fazer surpresas românticas um para o outro.
— Você tá piadista hoje, né?
A brisa suave e o farfalhar das plantas em meio ao silêncio carregavam uma paz que nenhum de nós ousou quebrar. Fechei os olhos por alguns segundos, tentando concentrar apenas no que estava a nossa volta — finalmente um momento calmo em nossas vidas sempre tão agitadas. Tive a sensação de que amanhã tudo voltaria ao normal, e, se o destino colaborasse, nos reencontraríamos para mais provocações (em todos os sentidos que se pode imaginar).
Mas é óbvio que o destino nunca age como nós esperamos.
Eu já deveria ter aceitado que a nossa vida vai ser um eterno vai e vem, como se o nosso akai ito estivesse preso, na realidade, a um ioiô.
Eu poderia ter aceitado viver nisso... E por você, eu aceitaria e faria muitas coisas.
Mais uma vez os meus olhos encontram os seus pela segunda vez, mas desta vez eu não consigo mais fingir que está tudo bem. A cada toque o desespero se alastra, ouvir até mesmo sua risada irônica faz meu peito se apertar.
Se eu soubesse como tudo isso iria terminar, eu nunca teria escondido o quanto eu amo as suas visitas de madrugada.
Ou o quanto eu amo sentir o calor do seu corpo no meu.
E o quanto eu amo até a forma que você fala da minha altura.
Não é justo que toda a nossa história termine assim.
Eu sinto a minha garganta fechar enquanto a tentativa de conter as lágrimas falha definitivamente. Isso não sai da minha cabeça.
Foi um dos únicos dias em que a Máfia do Porto e a Agência de Detetives Armados fizeram uma trégua. E eu não tive nem coragem de te dar um adeus digno.
Mas sei que, pelo menos, pude garantir que você fosse para o inferno com o terno branco que você sempre amou.
Mas Chuuya chorando na frente do Dazai
Eu não imaginava que isso seria possível nem nos seus sonhos mais sádicos.
— Então eu... Ah, entendo. — E me abraçou com tanta força que quase me puxou para cima de você, algo que não acontecia há muito tempo. Sentir o calor de seus braços me rodeando era tão reconfortante... e ao mesmo tempo fazia tudo doer em dobro.
Pelo menos dessa vez, sua reação foi diferente das outras, mas, como sempre, você entendeu na hora o que tinha acontecido. Isso tudo pode ser fruto de uma mente fértil, mas ainda assim é uma mente que te conhece quase melhor do que você mesmo.
Só tem uma coisa que eu nunca soube sobre você.
— E você não se prestou nem a explicar o porquê... Seu idiota! — Eu juro que tentei bater nele, xinga-lo ou qualquer outra coisa, mas eu não tinha forças para qualquer uma dessas coisas há dias.
— ...Sinto muito. — Ele também não sabia o que falar.
E pelo jeito, vou ser condenado a passar a eternidade sem saber.
E eu poderia ter passado dias e horas ali, sendo consolado pela mesma pessoa que me fez chorar. Mas eu sabia que o tempo já estava terminando, então eu o beijei ignorando o gosto do vinho de quinze reais e das lágrimas salgadas se tornando um só. Quanto mais eu sentia os seus lábios nos meus, mais parecia que tudo havia sido um sonho e que, na verdade, essa era a realidade.
E Dazai foi a única razão do beijo ter chegado ao fim, com sua boca hesitando e suas mãos delicadamente segurando meu rosto, porque eu poderia ter continuado ali até todo o ar dos meus pulmões se esgotar.
— Ei, Chu — De repente, o apelido que eu odiei a vida inteira se tornou a coisa mais preciosa do mundo para mim. Sua cabeça se moveu para o céu, olhando para a lua — Você não acha um desperdício estar em um lugar como esse e sequer olhar para as estrelas?
— Você acha mesmo que essa é a minha prioridade agora? Eu só quero aproveitar o máximo que puder com você, por favor. — Jamais me imaginei pedindo por favor, muito menos para ele, mas aconteceu.
— Presta atenção. Eu quero que você faça um pedido para as estrelas cadentes.
— Você tá de sacanagem.
— É sério. Por mim.
Abri a boca para falar em voz alta o que eu desejaria, mas ele colocou o dedo indicador em frente ao meu lábio.
— Shh. Se você falar em voz alta, não se realiza.
Eu iria dizer que o desejo não iria se realizar de qualquer forma, mas foi nessa hora que tudo chegou ao fim. Na mesma hora em que acordei, senti meu corpo grudando no lençol pelo suor e o travesseiro molhado com as lágrimas que deixei escapar. Não foi a primeira vez que sonhei com ele: desde o... acontecimento, há cinco dias atrás, este foi o terceiro sonho. Isto porque não consegui dormir nas duas primeiras noites. E todas as vezes, acontecia no mesmo lugar, mas com diálogos e reações diferentes.
Ainda um pouco atordoado, consegui me levantar e pegar a garrafa com um resto de vinho barato que deixei do lado da minha cama — uma tentativa de não esquecer o gosto da sua boca na última vez que nos vimos. Abri as cortinas e a janela, e fiquei ali parado em um estado de dar dó: bebendo direto da garrafa, chorando, com olheiras enormes e olhando o céu apenas de cueca.
Mas, mesmo com a visão embaçada, o estômago roncando e o cansaço, eu sorri.
De todos os sonhos, esse foi o único em que ele falou sobre desejar algo.
E eu desejei que ele voltasse para mim da forma que fosse. Eu só precisava saber que, de alguma forma, eu não estava sozinho.
Só não esperava que o idiota iria tirar sarro de mim até depois da morte.
Ao lado da lua, uma estrela se destacava muito mais do que as outras.
E, tenho quase certeza que quando olhei para ela, vi a sua luz se apagar e acender com mais força do que antes.
Notas finais
Estou sempre aberta a críticas construtivas e sugestões, então fiquem a vontade para deixar nos comentários, viu?
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