Under the Moon
1 Under the Moon
Notas iniciais
Passando para postar uma oneshot renruki ♥
Estou passando por um terrível bloqueio criativo, então estou até feliz que eu tenha conseguido escrever alguma coisa ><
Espero que gostem e boa leitura ♥
“I am really a tramp down to my bones.
I hate myself.
I bark at the moon, but I don't have the courage to jump and grab it.”
— Bleach, Tite Kubo.
Um suspiro pesado escapou de suas narinas, havia sido uma semana difícil para o tenente do esquadrão seis, mas para a sua sorte o final de semana estava chegando, e com ele, dois dias de folga merecidos. O rapaz de cabelos rubros caminhava atrás de seu capitão, seguindo-o seriamente em silêncio até o local onde normalmente ocorriam as longas reuniões dos responsáveis pelos treze esquadrões da Soul Society.
Ao chegarem diante da porta de entrada para a sala de reuniões, Renji interrompeu os seus passos, sabendo que a partir daquela linha imaginária apenas seu superior, Byakuya Kuchiki, poderia prosseguir. O jovem tenente se permitiu acomodar-se contra a parede, encostando-se ali relaxadamente, aproveitando para cruzar os braços e observar parte da Soul Society de forma vazia.
Suas zangadas pérolas negras observavam o movimento pelas ruas enquanto refletia um pouco sobre os últimos acontecimento. Desde o final da recente guerra contra os rebeldes quincies, a vida dos shinigamis tornara-se mais pacata, tendo missões simples, lidando apenas com hollows de baixo escalão – dificilmente apareciam grand menos, tampouco ataques de arrancars –, raramente precisando enviar capitães e tenentes a campo. Todavia mesmo com a calmaria, todos continuavam a trabalhar vigorosamente, cuidando em reconstruir a Soul Society, revisar documentos, tratar de feridos, entre outros. Todos os soldados estavam se esforçando, principalmente aqueles que tiveram os seus capitães assassinados. Esses, em especial, pareciam ter trabalho em dobro, pois além de suas responsabilidades como tenente, precisavam resolver os deveres dos seus falecidos superiores.
Foi quando os olhos do rapaz encontraram a tenente do esquadrão treze. A jovem de pele clara e curtos cabelos negros caminhava apressadamente, carregando uma alta pilha de papéis, claramente temendo tropeçar e cair ao chão. Renji não pôde evitar em sorrir orgulhoso da moça, mesmo que sentisse certa pena por assistir Rukia trabalhar tanto. Sempre esforçada e dedicada.
“Tu vais conseguir, Rukia.” Ele murmurou baixinho, secretamente torcendo pela garota. “Logo irão escolher um novo capitão para comandar o seu esquadrão.” Disse calmamente. “Se bem que, para mim, tu és a pessoa que mais merece essa posição.” Comentou com orgulho, relembrando o quanto a morena se esforçou nos últimos anos.
O rubro se permitiu continuar a observar a sua amiga de infância com carinho, aproveitando aquele pequeno momento. Afinal, com tanto trabalho, não era sempre que ele tinha a oportunidade de vê-la, seus esquadrões eram distantes um do outro e a saudade inevitavelmente acabava aparecendo, principalmente pelo motivo deles terem se tornado mais unidos, íntimos.
Mais íntimos. Tais palavras, cheias de lembranças fizeram o rapaz morder o lábio inferior com certa frustração. Não podia negar que estava feliz de ter um relacionamento forte com a morena, ser um amigo confiável, um companheiro fiel… Contudo o rubro queria mais.
Ansiava ser alguém em quem Rukia poderia dividir seus problemas e suas conquistas, almejava estar perto dela nos momentos de gargalhadas e nos de lágrimas… Desejava tocá-la além de um abraço rápido, roubar-lhe os lábios e dizer-lhe tudo o que estava escondido em seu peito há mais de uma centena de anos. Queria agir de forma egoísta, sem temer as consequências. Todavia isso não era tão fácil.
Ele temia as consequências. Sentia a garganta fechar só com a ideia de Rukia se sentir desconfortável e inevitavelmente decidir romper a amizade do casal, além disso as pesadas palavras de Byakuya ainda o assombravam. Mesmo depois de vários anos após a luta do poderoso capitão do sexto esquadrão contra o seu corajoso tenente, este ainda sentia-se encurralado.
“Será que agora eu sou bom o bastante?” Questionava-se silenciosamente, deixando apenas um murmurou irritado escapar pelos seus lábios. O rapaz se perguntava se ele era mais do que apenas um macaco sujo, ou um vira-lata que por alguma sorte tivera conseguido se tornar um tenente. “Droga!” Falou em um tom baixo, frustrado. “Renji, tu ainda és um covarde.” Xingou a si mesmo com raiva reprovando a si mesmo. “Idiota.”
O restante do dia continuou sem ter nada de novo, rotineiro. Após a reunião dos capitães, Byakuya e Renji retornaram ao esquadrão seis e lá se separaram em prol de cumprir as suas obrigações diárias – Byakuya fora cuidar de papeladas e burocracias, e Renji retornara a treinar o esquadrão. Ao chegar no campo de treinamento, o tatuado logo começou a ditar a série de exercícios que os seus subordinados teriam de executar, ajudando-os a controlarem e a aperfeiçoarem suas espadas e habilidades, sejam estas mágicas ou físicas.
Já estava exausto, completamente suado, quando o céu azul começava ganhar tons alaranjados. “Acabamos por hoje.” Anunciou com um suspiro de alívio, dispensando o grupo de shinigamis enquanto buscava uma toalha clara e enxugava o rosto, e o pescoço. Como superior, ele tinha o costume de ser o último a sair do campo de treinamento, pois de vez em quando alguém aparecia para tirar dúvidas com ele, ou apenas conversar. Todavia naquela tarde quente, surgiu alguém o qual o rubro não esperava.
“Renji!” Chamou a voz feminina, Renji imediatamente arqueou as sobrancelhas em surpresa, ao identificar a dona daquele som calmo, logo encontrando-a com os olhos arregalados. “Ainda bem que consegui te encontrar!” Disse Rukia com um suspiro de alívio, apoiando as mãos nos joelhos, indicando que havia corrido até o esquadrão do rapaz de cabelos vermelhos.
“Rukia…” Ele disse ainda surpreso por ver a morena, confuso. “O que aconteceu? Estás bem?” Questionou já imaginando que poderia ser uma emergência, ou um motivo grave que tenha levado a jovem Kuchiki ir até ele com tanta pressa.
“Ah, eu estou bem.” Disse a morena levantando o torço, logo balançando as mãos em um ato que pedia para que o rubro se acalmasse. “Não é nada grave.”Falou percebendo a expressão de preocupação presente no rosto de Renji desmanchar-se.
“Então, o que estás fazendo aqui?” Indagou o tatuado com curiosidade enquanto deixava a toalha repousar em seu forte ombro.
“Eu vim para pedir a sua ajuda, Renji.” Respondeu a tenente do décimo terceiro esquadrão com humildade. E antes que o rapaz a sua frente voltasse a questioná-la, a morena se adiantou em respondê-lo. “Eu preciso de ajuda para treinar a minha bankai.” Explicou brevemente.
“Sua bankai?” Repetiu Renji sem entender bem o motivo daquilo.
“Sim, por conta da morte do capitão Ukitake, eu acabei tendo de me envolver com algumas das responsabilidades dos capitães, como revisar documentos, enviar relatórios, fazer inspeções…” Explicava Rukia, poupando Renji dos maiores detalhes, afinal, ela sabia que o rubro tinha conhecimento sobre tudo aquilo. “E no fim, quase não tenho tempo o suficiente para treinar e compreender a minha bankai.” Disse com um suspiro de cansaço misturado a frustração. “Acabei obtendo a minha bankai muito prematuramente, sei que foi para conseguir vencer um inimigo perigoso, mas ainda tenho muito o que aprender.” Relatou a morena demonstrando grande responsabilidade e vontade de crescer como uma guerreira. Sempre dedicada a se tornar alguém melhor.
“Eu compreendo, Rukia.” Falou o rubro com empatia. “Mas por quê escolhestes a mim para te ajudar?” Perguntou ainda curioso. “Não estou dizendo que não quero lhe ajudar, pelo contrário estou disposto a fazer qualquer coisa que me pedires.” Disse calmamente. “Mas também sei que a Kiyone e o Sentarou estariam sempre dispostos a te ajudar.” Comentou conhecendo a mania do casal em sempre competir entre si em tentar serem bem vistos pelos seus superiores.
“Eu sei…” Murmurou a morena com um suspiro, relembrando as diversas vezes que o casal a cobriram de elogios e tentavam ajudá-la a qualquer custo. “Mas eles já fazem muito por mim, e…” Rukia se interrompeu brevemente antes de continuar, desviando os olhos púrpuros do rapaz. “Bom… sei que já faz um tempo que não nos vemos, e…” Ela mordeu os lábios finos, voltando a fitar o curioso rosto do tenente de cabelos vermelhos. “Tu és o único que eu confio o bastante para me ajudar com a minha bankai.” Revelou disfarçando um sutil rubor em suas bochechas claras.
“Oh…” Falou Renji, sentindo o rosto esquentar diante da revelação. “Hm…”Murmurou o rubro, logo forçando uma tosse em prol de disfarçar a sua óbvia timidez e surpresa. “Entendi.” Disse sem saber ao certo o que poderia falar. “Até porque a sua bankai é muito perigosa, não é?” Comentou fugindo dos seus sentimentos.
“S-Sim!” Concordou a morena balançando a cabeça rapidamente, utilizando o poder de sua espada como desculpa principal. Mesmo que Rukia soubesse que aquilo era verdade, Byakuya já havia lhe dito que a sua bankai poderia ser uma faca de dois gumes. Assim como ela era letal para os seus inimigos, ela poderia ser fatal para a jovem Kuchiki.
“Então vamos procurar um lugar melhor do que o meu esquadrão.” Disse o rubro já acomodando a sua espada em sua cintura e caminhando na direção da saída do esquadrão seis. “Se os meus subordinados nos verem juntos, irão ficar enchendo a minha paciência.” Falou sem perceber.
“Eles iriam fazer isso?” Perguntou Rukia sem compreender. “Mas por quê?”Questionou apressando o passo, acompanhando o tatuado.
“Er… Por nada, Rukia.” Falou fugindo do assunto, logo procurando um outro motivo além de que os shinigamis iriam provocá-lo com comentários tolos, pois suspeitavam dos sentimentos de Renji pela morena. “Eles podem acabar te desconcentrando e vais se machucar.” Disse assumindo uma postura séria. “E isso eu não quero que aconteça.”
O casal caminhara junto, até um local afastado dos esquadrões. Um campo aberto, próximo a floresta, e lá começaram o treinamento da morena. Ao ativar o poder de sua espada, Rukia rapidamente começou a ter o seu corpo congelado, ao atingir o zero absoluto, Renji a auxiliou a utilizar golpes de ataque, sempre atento a qualquer reação negativa que a magia poderia ter no corpo da moça.
“Com calma, Rukia.” Ele a orientou, envolvendo-a por trás enquanto levava a mão quente até as dela. “Respire fundo e não tenha medo da sua espada.” Falou guiando os braços da jovem Kuchiki. “Sua espada nunca te machucaria, mas para isso, precisas confiar nela.” Disse relembrando do próprio treinamento, e das palavras de sua poderosa Zabimaru. “Confie na Sode no Shirayuki.”
“Eu confio.” Murmurou a morena, logo conseguindo aguentar aquele poder em forma de iceberg. Direcionando ataques de longa distância sem sofrer muitos danos, e conseguindo se descongelar com mais facilidade. “Eu estou conseguindo, Renji!” Falou animada, agradecida pela ajuda do rubro.
“Eu sempre soube que irias conseguir.” Ele disse com um sorriso orgulhoso, fitando o rosto contente da moça, esta o observava com um sorriso gentil, tendo um delicado carmim em seu rosto. Ele estava tão próxima dela, que podia sentir o doce cheiro da morena, quase não percebendo que seu corpo automaticamente juntava-se mais ao dela, abraçando-a e se inclinando em direção aos lábios rosados da jovem de cabelos negros. “Er…” Ele murmurou surpreso com o que estava prestes a fazer, logo soltando o corpo de Rukia de forma desajeitada. “Vamos continuar, sim? Ainda temos muito o que fazer.”
“C-Certo.” Gaguejou Rukia tentando ignorar o calor que crescia em seu peito, e voltando a prestar atenção em seu treinamento noturno.
Após alguma horas, o casal finalmente resolveu tirar um intervalo para descansar. Sentados no chão terroso, eles bebiam água enquanto conversavam amigavelmente. Enquanto trocavam algumas palavras, Renji encarou o escuro céu salpicado por estrelas brancas. A visão do tatuado logo fora roubada pela grandiosa lua cheia, tão brilhante e bela. Magnífica.
Ele suspirou encarando o luar, apreciando a sua beleza. Percebendo que Rukia o imitara, falando que a lua estava bonita naquela noite. “Não só nesta noite.”Ele discordou. “Para mim, a lua sempre é linda.” Revelou com um sorriso leve.
“Oh, nunca pensei que serias um apreciador da lua, Renji.” Ironizou Rukia, tentando provocá-lo.
Ele soltou uma pequena risada, ainda observando aquele globo brilhante. Resolveu não retrucar a provocação da morena, preferiu apenas apreciar aquele raro momento na presença dela e da lua. O silêncio acabou envolvendo o casal brevemente, não que isso os incomodasse, todavia Renji acabou por rompê-lo ao dizer: “Sabe Rukia, eu acho que estou apaixonado pela lua.”
“Como?” Questionou a morena, deixando de observar o céu e a encarar o tatuado ao seu lado sem compreender o que o rapaz de cabelos vermelhos queria dizer.
“Sempre fui apaixonado pela lua.” Reforçou o rubro sem desviar os olhos do luar. “Mas nunca tive coragem de dizer isso a ela, pois tenho medo que ela me rejeite.” Revelou ainda mantendo uma expressão calma, mesmo que agora ele deixasse transparecer alguns traços de seriedade. "Temo que nunca serei bom o suficiente para ela."
“Hm…” Murmurou Rukia completamente perdida com as palavras metafóricas do rapaz. “Ainda não entendi o que queres dizer, mas…” Ela parou tentando pensar em como poderia ajudar o tatuado. “Acho que nunca vais saber a resposta se não tentares.” Orientou, mesmo que ainda estivesse confusa e que seu peito parecesse pesar com a confissão do jovem tenente.
“Hm… Tens razão.” Concordou pensativo. “Mas acho que hoje não vou conseguir dizer a lua o que eu sinto por ela.” Concluiu dando de ombros, e finalmente direcionando os seus pequenos e sérios olhos escuros até os brilhantes e grandes orbes púrpuras da moça ao seu lado. “Mas na próxima vez, independente da reação dela, serei corajoso o suficiente para dizer a ela o quanto a amo.”
Notas finais
Espero que tenham gostado :D
Como sempre, todo e qualquer comentário é mais do que bem-vindo ♥
Não seja um fantasma, exponha suas opiniões. Sejam estes elogios ou críticas, serão sempre bem vindas!
Byebye~
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