Notas iniciais
Nesse cap eu vou deixar todos loucos ok,aliás daqui a pouco postarei o fim da história,vou postar uma parte agora e outra as 20:00 se der certo.

—O Jaime é muito canalha mesmo — Marcelina falou a Valéria.
— Eu sei — Valéria respondeu a ela.
— Eu achei que você fosse a traíra por pegar o Jaime da Majo,mas eu vejo que ele queria pegar as duas.
Valéria balançou a cabeça um pouquinho, concordando enquanto roia as unhas. O motorista olhou pelo espelho retrovisor do carro com um olhar intimidador,Valéria se assustou,ele diminuiu a velocidade por causa de uma placa em que se lia PARE,Marcelina mexeu em sua bolsa, tirando
de lá um pacote de chicletes. Um cheiro artificial de banana invadiu o carro imediatamente.

— Quer um pedaço? — perguntou ela a Valéria, desembrulhando uma tira de chiclete
comprida e enfiando-a na boca. —' Estou obcecada por essa coisa. Acho que só vendem na
Europa, mas uma garota da minha turma de história me deu uma caixa inteira. — Ela mastigou,
pensativa.Valéria gesticulou para dizer que não queria. Ela não estava muito a fim de chiclete
naquele momento.
Quando o motorista passou na frente da Hípica Fairview,Valéria deu um tapa na perna.
— Eu não posso fazer isso! — lamentou-se ela. — Nós precisamos voltar, Marcelina. Eu
não posso fazer isso com Jaime.
Marcelina olhou para ela e deu um olhar de incerteza para o homem no volante, ele entrou no estacionamento da hípica. Eles entraram na vaga de deficientes e o homem virou a picape Hummer para estacionar.
— Tudo bem...
— Eu amo ele! —Valéria olhou para a frente sem expressão nenhuma no rosto.
Estava um breu lá fora e o ar cheirava a feno. Ela ouviu um relincho ao longe. — Se Jaime acha que eu fiz tudo isso,eu não devia me explicar ?

Marcelina pegou sua bolsa e tirou um maço de Marlboro Light. Ela ofereceu um a Valéria,
mas Valéria sacudiu a cabeça. Enquanto Marcelina acendia seu cigarro, Valéria observou a ponta
cor de laranja do cigarro brilhar e os anéis de fumaça subirem, primeiro pela cabine da Hummer,
depois pela abertura na parte de cima da janela do lado de Marcelina.Ela não sabia que Marcelina fumava,mas por ter um irmão como Paulo,ela imaginava porque.

— O que Maria quis dizer com aquela história no salão? — perguntou Marcelina, com
calma. — Ela disse que, você mandou mensagens a ela.Que mensagem você mandou a ela?

— Eu não mandei mensagem nenhuma,ela... — Valéria parou por um momento — A menos que...Deus meu.

— O que ? o que foi Valéria — Marcelina sorriu de canto,e em seguida tentou parecer nervosa.
—Eu-eu tenho recebido umas mensagens,e...talvez Maria Joaquina também tenha recebido.— Valéria falou,ela olhou diretamente para sua mãos sobre o vestido,e então percebeu que não tinha motivos para voltar lá,Jaime tinha ficado do lado de Maria Joaquina,não do seu lado,ela não podia contar com ele — Quer saber ? apenas vamos embora.

Marcelina concordou,o motorista engatou a ré e saiu do estacionamento da hípica. Ela jogou seu cigarro pela janela e Valéria olhou para aquilo enquanto elas se afastavam, uma pequena luz brilhando entre as placas de grama.
Quando elas já tinham percorrido um bom pedaço de estrada, o novo Sidekick de Valéria
tocou. Ela abriu a bolsa e o apanhou.
— Talvez seja Jaime — murmurou ela. Mas não era Jaime, era uma mensagem de
Maria.

Eu me lembrei de tudo! Eu sei quem que está me mandando mensagens,
Você precisa tentar sair daí,eu e Jaime estamos indo a pedreira do Homem Flutuante,nos encontre lá.Escreva de volta para sabermos que você leu.

O telefone escorregou das mãos de Valéria para o seu colo. Ela leu o texto de novo. E
de novo. As palavras poderiam muito bem ter sido escritas em árabe, Valéria não conseguia
processar o que havia acabado de ler. Ela perguntou:

Tem certeza?

Maria respondeu:

Sim. Dê o fora daí. AGORA!


Valéria tentou respirar o mais calmamente possível,contando de um até cem, de cinco em cinco números, torcendo para que isso a acalmasse. O homem dirigia prestando atenção na estrada, cuidadoso e prestativo. O corpete do vestido de Marcelina era pequeno para seus seios. Ela tinha uma cicatriz no ombro direito, provavelmente marca de catapora.Valéria que saber como ir até a pedreira do Homem Flutuante.
— E então, era Jaime? — perguntou Marcelina.
— Ah... não... —A voz de Valéria saiu esganiçada e abafada, como se ela estivesse
falando através de uma lata. — Era... era a minha mãe.
Marcelina concordou brevemente,mascando seu chiclete. O telefone de Valéria
acendeu de novo. Outra mensagem de texto havia chegado. Depois outra, e outra, e mais outra.

Valéria, o q tá acontecendo?

Valéria, por favor, escreve de volta.
Valéria , vc tá em PERIGO.
Por favor, avise se tá td ok.


Marcelina sorriu, seus dentes caninos brilhavam por causa da luz fraca do painel da
Hummer.
—Você é mesmo muito popular. O que está acontecendo?
Valéria tentou dar uma risada.
—Ah... Nada.
Marcelina deu uma olhada para a tela do telefone de Valéria.
— Jaime, hein? Ele já se desculpou?
— Ah... —Valéria engoliu em seco de forma audível, sua garganta arranhava.
O sorriso de Marcelina evaporou.
— Por que você não me conta o que está acontecendo?
— N-não está acontecendo nada — gaguejou Valéria.
A pele pálida de Marcelina brilhava na escuridão. Jogando o cabelo para trás, Marcelina
zombou:
— Que foi? É um segredo? Eu não sou boa o suficiente para saber de alguma coisa
secreta?
— Claro que não! Não é isso — desafinou Valéria. — É só... Eu...
Elas pararam num semáforo vermelho. Valéria olhou para os lados, depois apertou o
botão para destravar a porta bem devagar. Quando ela estava começando a mover a maçaneta para abrir a porta, Marcelina agarrou seu pulso.

— O que é que você está fazendo!? — Os olhos de Marcelina brilhavam com as luzes do
semáforo. Seus olhos iam do telefone de Valéria para o rosto em pânico da garota.— Onde você está indo? — perguntou ela, a voz abafada e trêmula de terror.
—Precisamos ir para a pedreira do Homem Flutuante.AGORA. —Valéria olhou com os olhos bem abertos para Marcelina
— Paciência nunca foi o seu forte.OK. — Marcelina se virou para o motorista — Você ouviu ela,vamos! — Ela sorriu maliciosamente para ele e ele fez o mesmo para ela.


***
Renê dirigia rapidamente,após sair da Escola Mundial,o mesmo virou policial,mas preferia ficar como segurança no colégio,Jaime estava ofegante no banco traseiro do carro,e Maria Joaquina paralisada,não conseguia dizer nada,esteve quieta todo o tempo.
— Vocês conseguiram ligar para a Valéria de novo ? — Ele perguntou concentrado no volante,em seguida virou uma rua.
—Não,o celular dela deve estar sem sinal.— Jaime respondeu ele.
Jaime olhou para Maria,havia uma enorme e brilhante lágrima descendo pelo seu rosto,passando pela bochecha avermelhada e macia.—Maria,não é sua culpa,não fique assim. — Jaime colocou a mão sobre o ombro dela. —Você não pode determinar quando vai se lembrar das coisas — Ele a abraçou forte,mas a mesma recusou indo para o lado,Jaime não sabia como consola-la,ela achou que Valéria era a culpada de tudo,não deu chance dela se explicar,e agora ela estava em perigoso,Jaime se sentia como Maria Joaquina,mas pior,Valéria era sua namorada — Deus,como eu pude ? — Ele disse a si mesmo — Desconfiar dela,não deixar ela dar uma explicação...
— Agora não é hora de se culpar,vamos conseguir achar ela,ok ? — Renê falou,Jaime concordou e Maria Joaquina também limpando as lágrimas. — Você tentou localizar a Marcelina? — Ele olhou para Jaime pelo retrovisor.
—Ela estão para a pedreira do Homem Flutuante.
De repente ,o telefone de Renê acendeu em sua mão.Jaime viu a tela de relance,e reconheceu o número que chamava.
—É Valéria! — Gritou ele.
Renê atendeu,mas não disse “alô”.Ele colocou no “viva-voz” e olhou para Jaime e Maria Joaquina,o indicador entre os lábios.
—Shhh — Murmurou ele.
Jaime e Maria Joaquina se aglomeraram em volta do telefone.A principio só havia ruídos,depois ouviram a voz de Valéria.Parecia muito distante.

— Estamos a caminho da pedreira. — disse ela. — Você estão me ouvindo ?


Renê falou “sim” num tom meio alto .E então Jaime viu Maria sussurrando algo
—Ela vai machucar a Valéria...eu causei isso,eu sabia o que ela sentia.
— Ela quem ? — Jaime perguntou confuso — Do que você está falando Maria?
—A gente pegou um atalho,estamos parando agora e...— Valéria parou de falar de repente.—O celular de Renê piscou com as palavras “Ligação encerrada” e então desligou.

— Maria o que está acontecendo ? — Jaime questionou querendo entender tudo isso.
Os olhos de Maria se arregalaram.Ela tentou falar mas não saíram palavras de sua boca,ela não conseguia parar de chorar.

—Droga,a ligação caiu! — Valéria reclamou.
— Chegamos! — O homem que estava dirigindo estacionou o carro perto do das árvores que haviam ali.Sua voz suava assustadora e grossa.

Valéria e Marcelina desceram do carro,o motorista ficou parado no banco que ali estava.
— Vamos dar uma volta,eles devem estar em algum lugar por aqui.

Então, houve um arfar e um grito. Valéria virou aterrizada,mas não havia ninguém por perto.
— Você ouviu isso ? — Valéria falou.
— O que ?
— Um...quer saber ,deixa para lá.
— Vamos ? — Marcelina disse.
Valéria gesticulou um “sim” com a cabeça,ela saíram em meio a neblina.
O motorista de Marcelina se virou para o banco de trás,o celular de Valéria vibrava,Renê ligando,ele pegou o aparelho,rejeitou a chamada e desligou o celular.

A tela do celular de Renê piscou. Chamada rejeitada.
Jaime olhou para o lado. Maria tinha a cabeça entre as mãos,parecia prestes a desmaiar.

— Maria,me diz,quem é que estava mandando as mensagens,quem é a fotogênica ? — Jaime olhou fixamente nos olhos de Maria.
Ela estava prestes a falar,quando Renê gritou — Chegamos! Vamos atrás da Valéria.
Jaime olhou de volta para Maria Joaquina,ela estava sem expressão,e então abriu a porta e foi para o meio das árvores procurar Valéria.

— Jesus,quanta neblina nessa noite! — Marcelina reclamava enquanto andava tentando não pisar na barra de seu vestido.

—Onde eles estão ? — Valéria falou preocupada,colocou a mão em sua mini-bolsa e procurou seu celular — Ué ? Eu não tinha pegado ele ? Legal,deve ter ficado no carro.

—Eu vou ir pegar ele,eu volto rápido! — Valéria segurou as pontas de seu vestido e foi correndo na direção contrária.

—Valéria,Valéria! —Marcelina ouviu gritos e no mesmo instante percebeu que era Maria Joaquina.
Ela seguiu a voz estridente de Maria e então a viu gritando.

— Onde ela está ? — Maria pegou seu celular e viu a hora,se espantou já eram 23:44.
—Falando sozinha,Maria ? — Maria ouviu a voz fina e engraçada de Marcelina,no mesmo momento seu coração começou a bater aceleradamente,um clarão rápido e barulhento se formou no céu,Marcelina estava com uma expressão séria e pavorosa no rosto.

—Droga! Eu tinha que esquecer esse celular logo agora ? — Valéria reclamava enquanto corria para o Hummer de Marcelina.
— Valéria ?
Ela se virou e viu em sua frente Jaime vestindo um smooking preto.
— Ja-jaime ? — Ela sorriu surpresa,ele correu para abraçar ela,ela o apertou forte e fechou os olhos se confortando no abraço dele.Lágrimas começaram a escorrer pelo sua face.
— Me desculpa,desculpa por tudo que eu falei! Eu fui um idiota. —Jaime falou querendo chorar.
—Não tá tudo ok,eu tenho que contar algo...eu também tinha recebido mensagens. —Valéria olhou séria fixamente nos olhos de Jaime.
—O que ? — Jaime se assustou — Você também...Valéria você...oh meu deus!
— Que foi ?
— A Maria está sozinha e perdida em algum lugar daqui e...que horas são ? — Jaime perguntou a si mesmo e olhou no seu relógio.

23h53

—Temos que correr,agora quem está em perigo é a Maria Joaquina! —Jaime disse exasperado.
—Ok,só vou pegar meu celular e... —Valéria parou de falar ao ver que o Hummer de Marcelina não estava mais no mesmo lugar — Onde...cadê o carro que estava aqui ?
—Que carro ?
—O carro do motorista da Marce tava aqui agora e...
—Do que você está falando ? Quando cheguei aqui,não havia carro nenhum.
—Mas...
— Valéria! Temos que ir,rápido,vem!

—Saía de perto de mim! — Maria Joaquina gritou.
— Calma Maria,só estou aqui para ajudar você. — Marcelina tentou chegar mais perto de Maria,mas a mesma se afastou.
—Eu lembrei de tudo,eu sei que é você quem está mandando as mensagens!
— Eu acho que você se enganou,eu não tenho nada a ver com isso .— Ela chegou mais e mais perto de Maria que ia se afastando mais e mais.
—Não tente me manipular com seus joguinhos Marcelina,você sempre gostou do Jaime.
— Ah...Maria,eu... — Ela viu Maria Joaquina mover seus pés para atrás indo para a ponta do monte,sua boca se curvou em um sorriso escondido — Maria,cuidado! — Ela gritou assustando Maria Joaquina,que tropeçou com o salto e foi caindo do monte em direção ao mar,Marcelina passou sua mão rápido pelo rosto de Maria Joaquina,mas não segurou-a,Maria Joaquina sentiu o ar frio ventando em todo o seu corpo,viu a ponta do monte lá em cima até que de repente constatou seu corpo bater contra as pedras e a água,a imagem foi escurecendo,uma dor insuportável tomou conta de seu corpo,ela ouviu um riso estridente,tudo na sua frente ficou borrado e escuro,ela tentou gritar,mas não conseguia,seus olhos foram se fechando contra sua vontade e então ela percebeu o que estava acontecendo,ela estava morrendo.

Notas finais
Não percam o final daqui a pouco!