Undead World.
16 Capítulo 16 - Sequelae of losses.
Notas iniciais
Eram cinco e meia da manhã, quando Quinn acordou. Sentiu um certo peso a mais em sua cintura e quando abriu os olhos, deparou-se com Rachel abraçando-a gentilmente, a cabeça descansando confortavelmente em seu ombro, ambas nuas. Olhou para a janela, iluminada apenas pela belíssima luz do luar que acabava com a escuridão profunda daquela noite.
Cuidadosamente, retirou a diva de cima de si sem acordá-la, e logo vestiu a camiseta um tanto maior do que o próprio corpo e o shorts folgado, ignorando a ardência nas costas por conta dos arranhões feitos pela morena baixinha que dormia profundamente no meio dos lençóis.
Abriu a porta com cuidado para não fazer nenhum barulho e caminhando lentamente pelo corredor silencioso, chegou à sala de estar, onde Puck, Sam, Kurt, Tina e Beth (No sofá, cercada por almofadas) dormiam. O colchão onde Charlie deveria estar estava desocupado e parecia intocado, e quando Quinn ameaçou começar a se preocupar, viu que a luz de fora estava acesa.
Assim que abriu a porta que estava destrancada, deparou-se com a figura de sua irmã minutos mais velhas, sentada no pequeno degrau, enquanto era iluminada pela luz fraca da pequena lâmpada e a luz brilhante da lua.
– Não consegue dormir? É meio perigoso ficar aqui sozinha. – A mais nova indagou, fechando a porta atrás de si e logo em seguida sentando-se ao lado de Charlie. –
– Não. O Mike estourando a cabeça aparece toda vez que eu tento. – Ela murmurou, escondendo o rosto entre as mãos. –
Quinn aproximou-se cuidadosamente, sentando-se ao lado da garota loira, logo em seguida abraçando-a de lado.
– Seja forte, Char. Ele iria morrer de qualquer jeito, você sabe. – A mais nova sussurrou, apertando-a contra si. –
– Sabe Quinn, eu me sinto perdida. O mundo está acabando, nós podemos morrer hoje, ou daqui uma hora, amanhã, não sabemos. Eu quero o mundo normal de volta. Quero que tudo isso seja apenas um sonho resultado de uma maratona de The Walking Dead, quero poder acordar e ir tomar café com nossos pais, perguntar de você e Frannie responder que não passou a noite em casa de novo, quero ir para o McKinley e encontrar o Mike e combinar de jogar video-game na casa dele depois da aula, perguntar para Rachel como está Beth e por fim ver você flertando com alguma líder de torcida enquanto Marley e Puck falam sobre algum filme pornográfico idiota, para depois levarem uma bronca da Kitty. Eu não aguento mais, Quinn. –
Nisso as lágrimas já escorriam dos olhos verdes. Quinn nunca sentiu tanta pena de Charlie na sua vida, mas a verdade era que não tinha o que fazer naquele momento. Tudo que a Fabray mais velha fez foi apenas tirar as palavras da boca de Quinn, que jamais admitiria em voz alta, mas por dentro estava que nem sua gêmea. Agora ambas choravam.
– Temos que ser fortes, Char. Por nós mesmas, por Frannie, Russel, Judy, Beth ou qualquer um que esteja conosco. Não podemos desabar, não agora. Ainda temos uma à outra, e é isso que importa. – Ela sussurrou em meio às lágrimas, apertando-se o máximo que podia contra Charlie. –
– Eu te amo, Quinnie. – Sussurrou de volta, escondendo seu rosto na curva do pescoço da punk. –
– Eu também te amo, Char. –
...
Todos estavam reunidos na pequena cozinha, tomando o café da manhã que se resumia apenas em cereais velhos e incrivelmente, torradas. Rachel alimentava Beth enquanto conversava animadamente com Quinn, já Marley e Kitty se preocupavam em animar a pobre Charlie, Santana e Brittany conversavam com Sam, Puck e Kurt, aparentemente ninguém tinha sentido falta de uma pequena figura asiática, isso pelos menos, até que escutaram o som alto, um tanto abafado, pode-se dizer.
– O que foi isso? – Santana gritou, após alguns segundos. –
– Veio do banheiro. – Puck disse logo em seguida. –
Beth começou a chorar e então todos (Menos Rachel) correram em direção ao banheiro, sendo guiados por Charlie e logo em seguida Quinn. A loira mais velha abriu a porta do banheiro e então gelou. Não gritou, nem chorou, apenas ficou lá, parada, observado aquilo.
Uma fração de segundo depois Quinn chegou, e ao ver a cena, rapidamente tapou os olhos de Charlie com a mão, mas não impediu que a irmã mais velha lavasse o chão com o seu café da manhã.
Tina.
A cabeça estourada assim como a de Mike, e os miolos grudados na parede. A Magnum de Charlie pendia em suas mãos.
Quando Quinn tomou consciência após o choque com aquela visão, rapidamente fechou a porta, onde Charlie apoiou as costas e deslizou até o chão após se soltar do aperto da irmã mais nova, abraçando os próprios joelhos.
– Vocês não vão querer entrar lá. – A garota de cabelos róseos sussurrou para o resto do grupo que havia acabado de se aproximar. Todos rapidamente ligaram os fatos e entenderam o acontecido, voltando para a cozinha cabisbaixos. –
Ela se sentou ao lado da gêmea mais velha, abraçando-a demoradamente com toda a força que tinha. Realmente, se Quinn conseguisse se expressar em palavras, diria que o destino estava sendo uma vadia com eles.
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Estavam todos do lado de fora da antiga casa de madeira, de cabeças baixas, prestando luto para a perda de mais um dos seus. Puck jogou uma pequena florzinha rosa encontrada na beira da estrada em frente à casa, os óculos escuros escondiam seus olhos marejados, lutando para não derramar as lágrimas.
Quinn pegou uma das garrafas vazias de whisky que Puck conseguiu em Akron e então colocou um pano lá dentro, acendendo a ponta com seu isqueiro. Quando foi jogar dentro da janela, Charlie parou-a.
– Espere! Eu faço isso. Eu mato zumbis, não é uma depressão que vai me levar para a cova nesse mundo. – Ela disse firmemente para Quinn, um brilho determinado atravessava seu olhar. –
A mais nova assentiu e então entregou a garrafa para a garota loira, que rapidamente tratou de jogá-la pela janela. Minutos após escutarem o vidro se partindo, puderam ver as chamas já incontroláveis engolindo a casa de madeira. Charlie abaixou a cabeça, sussurrando apenas para si mesma um ‘nunca esquecerei de vocês’. Aquilo foi um ato pessoal de superação; Não choraria pela perda de seus amigos, e sim lutaria e iria sobreviver por eles.
– Vamos indo. – Charlie pronunciou-se após um tempo. Além de sua voz, o único som escutado era o das chamas consumindo a casa e qualquer coisa que estivesse lá dentro, como por exemplo, Tina. – Temos um dia e algumas horas de viagem se dermos sorte. –
Logo todos se entreolharam, e após se recomporem, concordaram silenciosamente com o que fora dito pela Fabray mais velha, e então acomodaram-se nos dois carros, saindo dali o mais rápido o possível.
Tinham que chegar logo em Calico, não aguentariam perder mais ninguém.
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