Undead World.

24 Capítulo 24 - Similar to Silent Hill.


Notas iniciais
SEBASTIAN DIVA, BEESHA MOR, DONA DO ARCO-ÍRIS, VINHADO, CORREDOR COM LYCRA VERMELHA. Pronto, pode ler o capítulo.

Aquela manhã estava mais fria do que o normal, mas de que adiantaria se queixar? Afinal, eles estavam num deserto, e nos desertos as noites são frias. E talvez ainda nem fosse seis da manhã, de qualquer maneira. As quatro motos emitiam um ronco alto e nem um pouco discreto, mas como ainda não haviam alcançado a cidade, eles apenas relevaram. Marley está com Quinn em uma Harley Davidson e Puck está com Charlie, nas outras duas motos estavam quatro dos guardas de John que ninguém teve vontade de lembrar os nomes.

— Cara, até que enfim nós saímos de lá. Quer dizer, o lugar é ótimo, mas eu me sinto meio enjaulada. Sem dizer que o Kurt não para de falar de um tal de Blaine e de como ele é incrível e foi corajoso e blá, blá, blá. – Marley praticamente grita para que Quinn pudesse escutar, e a mais baixa, agarrada em sua cintura, assente, mesmo ciente de que a morena não veria aquilo. –

— Bem, estamos melhores lá do que perambulando por aí, grunhindo e tentando comer qualquer coisa viva. – Quinn argumenta e Marley concorda, mas ela ainda não pode deixar de se sentir enjaulada. –

Alguns minutos mais tarde, perto da entrada da cidade, passaram pela famosa placa de boas vindas, que antes era brilhante e chamativa, agora estava apagada e sem graça. Os dizeres Las Vegas estavam pichados, escondidos em baixo das palavras ‘Deus nos salve’ e então uma mancha de sangue seco. Charlie duvidou se algum dia, eles realmente seriam salvos daquele inferno.

O rapaz moreno que estava dirigindo a primeira moto, Sebastian, levanta a mão, fazendo um sinal para que encostassem quando passam em frente um outdoor de um restaurante de comida japonesa.

Haviam acabado de passar das regiões suburbanas de Las Vegas, completamente silenciosas e desertas, a única coisa que preenchia o olhar seriam os carros mal estacionados na pista, alguns num estado crítico e outros apenas soltavam nuvens densas de fumaça. Mesmo após tantos meses, aqueles cenários pós-apocalípticos ainda davam nós nos estômagos mais fortes.

— Por que paramos? – Quinn pergunta, ainda na garupa de Marley, quando eles param embaixo de um pontilhão. –

— As motos vão fazer muito barulho, e bem, se isso acontecer, não vamos sair vivos de lá. E também, são só dez minutos de caminhada até a entrada da cidade. – Diz Sebastian. Ele sorri simplesmente, e Marley não sabe exatamente o motivo, mas passa a não gostar dele. Algo lhe diz que no mundo anterior, ele era um daqueles garotos mimados e irritantes que ela costumava surrar. –

— Bem, vamos ter que apressas esses dez minutos. – É a primeira vez que Charlie diz algo desde que pararam, ela está um tanto afastada dos outros, encarando tediosamente o céu. – Vai chover. –

Todos se entreolham, e novamente Sebastian sorri, como se Charlie tivesse dito que ao invés de chover, eles haviam encontrado uma cura milagrosa para aquilo tudo.

— Então vamos indo. –

...

Haviam passado de um parque de diversões na entrada da cidade quando o primeiro pingo pincelou a ponta do nariz de Quinn, e quando finalmente os edifícios começaram a surgir, o mundo fora praticamente castigado com uma chuva densa, que trouxera de brinde, para ajudar ainda mais, uma neblina infinita.

— Nós vamos morrer se continuar assim – Puck murmura para todos escutarem, tremendo de frio. Mesmo por baixo da jaqueta de couro e uma camiseta da mangas compridas, ele ainda sentia seus ossos doerem. – Os walkers podem nos pegar de surpresa nessa neblina ou congelamos aqui mesmo. –

Charlie aperta os olhos tentando identificar algo no meio da névoa, e nem ela sabe como, mas encontrou uma luz. Por um momento, cogitou em ter realmente morrido e aquela era a tal luz que todos falavam, mas segundos depois, percebeu que havia encontrado uma loja com a luz acesa.

— Ali – Apontou para o local iluminado. – Vamos lá. –

Barulhos de tiros abafados por um silenciador aguçaram suas audições. Um dos homens que viera com eles gritou e então caiu no chão quando uma daquelas criaturas agarrou-o pelos ombros, mordendo seu pescoço desprotegido. Mal tiveram tempo de se surpreender quando outro zumbi praticamente disparou na direção de Sebastian, provavelmente teria o matado se Charlie não tivesse atirado em sua cabeça. Escutaram barulhos próximos de grunhidos e passos pisando em poças d’água, e agora, o frio nem os preocupavam mais. Estavam cercados por zumbis e neblina.

— Corram. – Marley murmurou, e como se fosse um comando, automaticamente seus pés desgrudaram do chão, eles correram em direção à luz sem olhar para trás. –

Chegaram então na loja, que revelou-se uma joalheria luxuosa, cheia de bijuterias caríssimas na vitrine aparentemente intacta, não que tivessem tempo de se preocupar com aquilo, e logo esgueiraram-se para dentro, segurando a porta dupla com suas costas. Sentiram então algo chocando-se do lado de fora, tentando entrar à força.

— Nós vamos ter que fazer isso, né? – Quinn diz em voz alta. O que era para ser uma pergunta retórica acabou tirando as palavras de suas gargantas quando todos murmuraram um ‘sim’. –

Rapidamente desgrudaram-se das portas e então correram até o meio da loja, sacando suas pistolas logo em seguida. Os mortos praticamente arrombaram as portas duplas, e eles quase se deixaram abalar. Haviam ficado tanto tempo sem lutar para sobreviver, que haviam se esquecido de como aquelas criaturas canibais eram perigosas.

Os tiros eram abafados pelos silenciadores, os únicos barulhos escutados eram dos corpos caindo, a chuva castigando-os do lado de fora, e algo parecido com papeis sendo grampeados. Quando terminou, eles estavam ofegantes e um tanto assustados, tanto que Puck quase teve uma parada cardíaca quando Quinn espirrou repentinamente.

— Nossa situação não vai melhorar nada se sairmos agora. Quando a chuva acabar, nós vamos. – Disse Sebastian, com um certo tom de líder. Aquilo era estranho para Quinn, seguir ordens dos outros. Ela que, tecnicamente, liderava todos, e agora ali estava ela, obedecendo o rapaz com um topete quase tão gay quanto o de Kurt. –

...

Foram cerca de duas horas de puro tédio. Eles jogaram os corpos para fora da loja e então ficaram lá, esperando a chuva passar. Quando os pingos cessaram, ainda existia uma leve neblina, mas nada tão ruim quanto a primeira vez.

— Você sabe onde encontrar os remédios, certo? – Quinn pergunta para Sebastian ao recolocar a besta sobre seu ombro. –

— A última atualização que nos enviaram, Kyle disse que estavam perto do tanque de guerra abandonado em frente ao cassino Bellagio, e que as coisas tinham ficado feias. – Responde o rapaz, enquanto ajustava a arma em seu coldre. –

— Um tanque de guerra? – A garota praticamente grita, surpresa. Os zumbis dali eram o quê? Tanks, como em Left for Dead? –

Eu sei que vocês vieram de uma cidadezinha pequena, mas poxa, não imaginei que fossem tão afastados. – Ele ri com a piadinha idiota, e Puck revira os olhos. — As cidades grandes como New York, Atlanta e até aqui mesmo em Las Vegas tiveram situações tão catastróficas que o exército precisou se envolver com isso pessoalmente, numa tentativa de manter as cidades seguras, mas, é claro, só até o presidente morrer. Depois, veio a parte cada um por si. –

— Ok, ok, versão ‘masculina’ da Charlie, como cê sabe desse rolê aí? – É a vez de Marley perguntar algo, mas de qualquer jeito, todos tinham a mesma questão em mente. –

Sebastian sorri de uma maneira arrogante, e se ele fizer isso de novo Marley jura que pode quebrar aquele narizinho empinado.

— Eu assistia os jornais, e também tinha internet. E eu sou filho do coronel Smythe. – Ele repousa as mãos nos bolsos da calça jeans, um certo ar presunçoso e arrogante lhe rodeiam. –

— Tá bom – Puck se levanta do canto onde está sentado no chão, passando as mãos pelo moicano desajeitado. – Vamos indo, temos uma coisa importante para fazer, lembram? –

Todos assentem e então partem em direção às portas duplas escuras, salpicadas com manchas de sangue e alguns tiros perdidos. As gêmeas Fabray são as ultimas a saírem, e quando Charlie passa por Quinn, ela sorri de lado e segura sua irmã mais nova pelos ombros, sussurrando rapidamente antes de cortar a frente de Quinn, deixando-a por ultimo.

— Eu vi você pegando as alianças. Parece que alguém aqui finalmente foi domada, hein? – Ela ri alto, e Quinn cora furiosamente. –

Ninguém precisava saber que ela pretendia pedir Rachel em casamento.

Notas finais
Quinn tá domada :v