Undead
6 The natives
Notas iniciais
Ignorem isso. Desde já me desculpo pela demora (eu ia postar antes do fim do mês, mas procrastinação rules), e PROMETO que o próximo sai mais rápido. Ele começou a ser escrito assim que eu terminei esse QQ.
-Quando seu expediente acaba, inglesinho? -perguntou Mathias, enquanto colocava algumas coisas para Arthur no caixa.
O inglês checou as horas no computador, passando os produtos pela máquina registradora em movimentos quase automáticos.
-Daqui a alguns minutos, Mathias.
Mathias deu o cartão de crédito para Arthur, que realizou os procedimentos necessários e o devolveu.
-Por que não espera lá fora, git? -o inglês sugeriu, entregando umas poucas sacolas a Mathias. Este assentiu, ignorando o insulto.
Arthur deu continuidade ao trabalho até bater meio dia. Apenas estava no emprego de meio período como atendente de caixa por ser bem próximo do apartamento de Francis e pelos horários flexíveis — trabalhava, nas segundas, quartas e sextas, apenas na parte da manhã e, nos outros dias, das duas horas às sete. Além disso, convencera-se da necessidade de um trabalho provisório enquanto não se formava. Não poderia depender para sempre da hospitalidade de Francis e do dinheiro enviado pelos pais.
Antes que Arthur percebesse, já estava aceitando com relativa naturalidade andar com os membros da Undead -em especial com Mathias e Lizzy, que considerava os menos anormais daquele meio, e os únicos amigos que possuía em Los Angeles.
O inglês tirou a camisa de uniforme no banheiro e trocou-a por uma azul-claro que trouxera consigo. Rumou então ao estacionamento, onde Mathias o aguardava com um muito familiar Cadillac preto e, em adição, Luke. Da janela do passageiro, o cão latia animadamente, como se saudasse Arthur.
-Para o banco de trás, Luke. -Mathias ordenou ao pastor de Shepherd.
Arthur sentou-se no lugar antes ocupado por Luke. Espanou o banco com as mãos, fazendo com que uma boa quantidade de pelos voasse.
-Bloody hell, Mathias! Por que levar o cachorro junto se ele suja tanto o carro?
Mathias, manobrando o Cadillac para que saísse ileso do estacionamento apertado, assumiu a mágoa por Luke.
-Não fale assim, inglesinho, ele tem sentimentos. E imagino o quanto Laura sente falta dele...
Laura? Eu havia entendido que era um cara chamado Lars... Santa Rainha, a convivência com esses gits deve estar afetando meus lobos temporais!
O Cadillac ia deixando os prédios de classe média de Westwood, avançando em direção a um rico bairro comercial que Arthur nunca havia visto, muito embora não fosse tão longe de onde morava. Um outdoor anunciava uma sessão de autógrafos de Suzanne Collins, e os olhos do inglês brilhavam enquanto tentava ler todas as informações expostas. Se ao menos esse bastardo andasse mais devagar...
A linha de raciocínio de Arthur foi cortada por uma guinada brusca do Cadillac que, não fosse pelo cinto de segurança, teria o lançado contra o para-brisa.
-O que foi isso, Mathias? -perguntou o inglês, com o coração disparado. -Você fez de propósito, git?
Mathias apenas riu, enquanto Luke latia de forma quase ensurdecedora. Agora deixavam o bairro comercial e adentravam um conjunto de residências tão luxuoso quanto. Mantendo uma das mãos no volante, Mathias tirou um maço de cigarros das sacolas que trouxera do supermercado no qual Arthur trabalhava. Pegou um e o acendeu, e de imediato o inglês percebeu que ele não havia pagado.
-Filho da mãe, você não pagou! Eu sei que não.
Mathias não pareceu se importar muito, soltando um rápido pedido de desculpas por entre as tragadas.
-O que mais você roubou aí? -o inglês, furioso, começou a revistar as sacolas. -Aliás, você sequer pagou pelas sacolas?
-Relaxa, inglesinho. Foi mal, eu já disse. -Mathias foi diminuindo a velocidade do carro, até que parou em frente a uma casa branca com fachada de scaglia e um amplo jardim visível pela cercadura de lanças. Uma moça loira alimentava um pastor de Shepherd de barriga enorme.
O inglês e Mathias saíram do Cadillac, a moça no jardim virando-se para olhá-los. Mathias abriu uma porta traseira e Luke saiu correndo em direção ao portão.
A loira também foi em direção à entrada, pressionando algum botão que Arthur não conseguira ver e a abrindo. Deixou Luke pular em seu colo, abraçando-o com força e o acariciando.
-Oh, Luke, como você cresceu!
Depois de alguns segundos de festa o cão, deixou que este entrasse no jardim e abraçou Mathias.
-Quanto tempo, Matt! Anda fumando? Você não me visitou mais, nem me ligou o respondeu no Facebook... -a voz doce da loira adquiria um tom quase rancoroso.
-É, acho que comecei com isso por conta do Jackson. -respondeu Mathias. -Minhas desculpas, Laura.
Arthur observava a cena quase sem reações. Bloody hell, Mathias, você já teve algo com todas as garotas dessa cidade?
-Ah, esquece. -Laura voltou a sorrir. -Vamos entrando. Este é seu amigo inglês, Arthur? Muito prazer!
A loira deu um forte abraço no universitário que, inglês como era, evitava o contato físico e não levava muito jeito para a coisa. Retribuiu desajeitadamente, mas da melhor maneira que podia.
Foram os três entrando. Laura deixou os pastores de Shepherd em uma espécie de canil, e Arthur se perguntava por que diabos estavam em lugar que parecia um criadouro de cães.
-Aquela é a Lily, mãe de Luke. A ninhada está programada para o final do mês. -Laura disse, animada, enquanto tentava infrutiferamente abrir a porta de vidro e madeira da sala de estar. -Droga, Lars, por que trancar a porta? Ah, consegui!
A sala possuía um cheiro estranho, que lembrava ervas fortes e deixava Arthur nauseado. Em uma poltrona branca estava um homem loiro muito alto e bem construído, usando camisa verde Abercrombie, jeans e tênis, que fumava de um narguilé.
-Wow, isso está mais forte do que eu me lembro. -disse Mathias, farejando o ar. -O que anda usando, Lars?
-Ah, não queira nem saber. Está tudo no porão, se for levar mesmo. -respondeu o outro loiro, distante.
-E por que outro motivo eu estaria aqui? Lars, essas coisas estão derretendo seu cérebro? Desde quando você é relaxado ao ponto de "está tudo lá, não vou nem checar o que está levando"? -Mathias provocava, mas havia preocupação perceptível em sua voz. -Sério, cara, levanta daí.
Lars bufou, levantando-se do sofá e seguindo Mathias até o porão. A voz alta e irritante do último continuou a ser ouvida até que se embrenharam muito pela casa, e o ambiente ficou quase silencioso, a não ser pela respiração descompassada de Arthur.
-Desculpe-me dizer, mas como aguenta esse cheiro? -perguntou o inglês, apoiando as costas em uma parede e tapando o nariz com as mãos.
-Costume, o que não significa que eu goste. -respondeu Laura, indo em direção a Arthur, preocupada. -Você está tão vermelho, Arthur! Não quer ir lá para fora respirar um pouco?
O inglês aceitou o convite. Quando pôs novamente os pés no quintal gramado, respirou fundo, aliviado.
-Los Angeles não tem o ar puro do Michigan, minha terra, mas serve. -sorriu Laura. -Pelo menos o quintal não tem aquele odor terrível. É um dos únicos lugares da casa que ficam livres, juntamente com meu quarto. Isso porque não deixo meu irmão entrar fumando lá de jeito nenhum.
Arthur se contentou em dar um sorriso torto para a moça. Entendendo isso como uma abertura, Laura o pegou pelo antebraço e o levou até o canil onde fechara os pastores de Shepherd.
Era um espaço amplo, cercado por metal branco e com várias divisórias internas. Havia alguns outros cães além de Luke e sua progenitora, tendo água à disposição.
-Eu gosto de deixá-los soltos, mas só posso fazer isso quando estou em condição de vigiá-los. Estes são Bandit, Nick, Muffin e Anly.
Laura foi explicando algo sobre genética canina e uma outra criação que seu irmão possuía, de coelhos holland lop, ao que Arthur não realmente prestava atenção. Essa Laura fala demais.
Após mais alguns minutos do falatório da moça, Mathias saiu pela porta da sala carregando uma caixa lacrada de papelão, de tamanho considerável.
-Laura, eu até pediria para deixar o Luke aqui, mas não sei quando vou voltar...
-Oh, entendo. -respondeu a loira, abrindo a portinhola. Não só Luke como todos os outros cães escaparam do lugar. -Não! Ah, Deus, até colocá-los todos de volta...
-Então... -Arthur murmurou, desajeitado.
-Então estamos indo. -Mathias completou. -Até a próxima, Laura.
-Fiquem mais um pouco! Eu ainda nem mostrei os coelhos para Arthur.
-Até a próxima, Laura. -Mathias repetiu. A loira, fazendo um biquinho de mágoa, pressionou o botão que abria o portão de entrada. Arthur, Mathias e o pastor de Shepherd saíram da propriedade dos irmãos e entraram outra vez no Cadillac preto. Mathias deixou a caixa escondida aos pés do banco traseiro.
-A Laura é uma delícia, pena que seja tão irritante.
-Não mais do que você, git. -atacou Arthur. O inglês observou uma mancha avermelhada no pescoço do gângster. Já teve algo com todas as garotas e garotos desta cidade, Santa Rainha!
-Você acha? De qualquer maneira, inglesinho, acredita que até uma mulher como ela está metida nos negócios do Jackson? Não diretamente, claro. -o carro ia se afastando dos bairros ricos de Westwood. -É muita gente rica envolvida nisso, como a Laura e o Lars. Como o próprio Jackson.
-Não entendo por quê. Tomara que acabem todos presos. -resmungou Arthur. -Liz há alguns dias me disse que a mãe dele é socialite ou algo assim. Com uma vida dessas, por que esseidiota se envolveria com gangues?
-Não sei. Um garoto norueguês uma vez me disse que algumas pessoas simplesmente nascem para o errado, tipo o Jackson. Provavelmente é isso. -Mathias deu um sorriso estúpido.
-Talvez seja. -o inglês concordou. Virou a cabeça para o lado da janela, observando a troca rápida de cenários que esta oferecia. Estavam em um bairro médio, menos abastado do que aquele em que Arthur e seu primo viviam. E se afastavam ainda mais da zona desenvolvida de Los Angeles. Para onde esse git está me levando? -Aliás, wanker, o que tem naquela caixa?
-Ora, inglesinho, vai dizer que não sabe? Está óbvio.
O inglês levou algum tempo para processar as informações, mas quase pulou da cadeira quando o fez.
-Você está mexendo com esse tipo de coisa, e em plena luz do dia? -Virgem Elizabeth Tudor, proteja minha alma! -Só me trouxe aqui para ter alguém para ter alguém para incriminar caso aconteça algo, aposto! Seu maldito, Los Angeles tem câmeras por todos os lados e...
-Saímos de um criadouro de cães e coelhos com uma caixa. Não tem nada de estranho, suspeito seria se o fizéssemos à noite. -interrompeu Mathias. -E inglesinho, até parece que não podemos sair à toa. Somos amigos, certo? Não é como se eu tivesse a intenção de me aproveitar de você toda vez que te chamo para algo. Outra coisa também. Até onde sei, weed é completamente legal aqui na Califórnia.
-Até onde eu sei, estavam até mesmo fechando as farmácias que produziam para fins medicinais! Não tenho dúvidas de que você pegaria pelo menos seis meses de cadeia com isso aí. Saiba que eu não tenho nada a ver com isso. Se minha linda vida universitária for destruída por causa disso, eu... Ah, esquece. Seria melhor eu ter ficado em Nova York, não tem essa loucura da costa oeste. Ou não ter nem saído de Londres.
-E por que saiu da Inglaterra? Lá parece ser o paraíso na Terra.
-Não, não é. -o inglês deu um sorriso torto, carregado de cinismo e amargura. -Com certeza é melhor do que a América. Mas tudo cansa, até a Europa. Eu queria sair de casa, ir para o mais longe possível. Fugir dos problemas velhos só causa problemas novos, mas bloody hell, quem disse que eu me importo? Pensava em ir para a Austrália, onde tenho alguns parentes. Mas surgiu a oportunidade de estudar literatura em Nova York. E foi isso.
-Fugir de problemas velhos só causa problemas novos... Eu deveria ter percebido isso. -disse Mathias, distante.
O ambiente mudara por completo em menos de quarenta minutos de incursão pela cidade. Estavam em um bairro sujo, tomado por prédios antigos em decadência. Havia música latina e lixo por todo canto, lanchonetes de higiene duvidosa exalando cheiro de fritura e garotas bonitas em grupinhos se virando para olhar o Cadillac, impressionadas.
-Onde estamos, Mathias? -Arthur perguntou, tenso. Era um lado totalmente diferente de Los Angeles, o tipo de ambiente em que o inglês conseguia de fato enxergar o perigo. Não era um lugar mascarado como Westwood. -Ainda estamos no distrito?
-Westwood ficou para trás. Ainda estamos no Westside, mas isso aqui é West L.A., o bairro guatemalense, pra ser mais exato. Relaxa, inglesinho, só vou visitar um... colega.
Não andaram por muito mais tempo. Mathias parou o Cadillac defronte um prédio particularmente malcuidado, acinzentado pelo tempo e com alguns tijolos expostos sob a pintura que descascava. Era muito baixo para os padrões da moderna cidade californiana, não aparentando possuir mais de cinco andares, ligados uns aos outros por antiquadas escadas de ferro externas.
Mathias tirou a caixa do carro e ponderou por alguns segundos se deveria ou não tirar de lá o cão. Optou por deixá-lo, mesmo que Luke latisse insistentemente, implorando por sair. Travou as portas do Cadillac.
-Você sabe, wanker, que pode muito bem ser roubado em um lugar desses?
-Se alguém tiver coragem pra roubar um amigo do Jackson e ainda no território do Kurt.. meus parabéns a essa pessoa. -Mathias foi subindo as precárias escadas com uma agilidade que o inglês não conseguia acompanhar. Parou no terceiro andar, onde havia uma varanda improvisada, mais uma marquise, sem cercadura alguma. Tocou a campainha e logo foi atendido por um negro de barriga saliente, usando camisa havaiana, dreadlocks e fumando de um charuto. Os dois trocaram punhos.
-Hey, Kurt.
-Já disse que detesto que me chame assim. Jackson, aquele filho de uma puta, é quem fez isso pegar... maldito. -o homem cerrou as mãos ao pensar no líder da Undead. -Vamos entrando, alemão. O que trouxe aí? E quem é esse?
-Tudo coisa do Lars, você sabe. -Mathias respondeu, já entrando no pequeno apartamento de Kurt e arrastando Arthur consigo. -Este aqui é Arthur Kirkland, um inglesinho que estuda poesia e virou o mais novo bichinho de estimação do Jackson.
-Ei! -protestou Arthur, chutando a canela de Mathias.
O apartamento de Kurt cheirava a mofo e charutos, e os efeitos da infiltração eram visíveis nas paredes brancas envelhecidas. Contudo, era surpreendentemente organizado. A porta de entrada dava em um quarto-sala, e haviam três outras portas no ambiente. De uma delas, a cozinha, saltou uma figura feminina.
-Carlos, pas plus de crème glacée! -disse, em um tom sério que beirava o desespero. Era uma garota também negra, cujos cabelos longos e ondulados estavam presos em pigtails. Possuía rosto triangular e traços delicados e, mesmo tendo visto várias outras garotas bonitas em Los Angeles, Arthur a achou digna do título de Miss.
-Ora, Serena, não é como se fosse grave assim! Se quer algo doce, tem chocolate na despensa. -respondeu Kurt em inglês. A menina assentiu, e voltou para a cozinha. -Serena Mason, minha namorada de Seicheles. -apresentou, orgulhoso.
-Uau, você é um cara de sorte. -Mathias reconheceu.
Arthur recostara-se em um canto, colocando os fones de ouvido e cantarolando "Hey, Jude" quase inaudivelmente, enquanto passava os olhos pelo ambiente, não prestando real atenção a nada enquanto Mathias e Kurt negociavam.
-Te dou trezentos dólares por isso. -decretou Kurt, após uma rápida olhada no conteúdo da caixa.
-Eu peguei do Lars por mais que isso! Quero quinhentos.
-Nada feito. Quatrocentos.
-Vender em pequena quantidade é um problema mesmo. -Mathias deu com a mão na própria testa. -Se for para ganhar tão pouco, vou parar de mexer com isso e deixar que você mesmo pegue do Lars.
-Ah, eu não vou entrar em território do Jackson de jeito nenhum. Eu até gosto dos Hansen e do resto do pessoal dele, mas não o suporto. E de qualquer jeito, aquele maldito não ficaria absolutamente puto contigo se fizesse isso? -Kurt mais provocou do que pediu por resposta.
-Enquanto os Hansen estiverem dando lucro para ele, Jackson não dá a mínima para quem está envolvido.
Kurt deu algumas tragadas no charuto e suspirou.
-Só porque eu não tenho a mínima vontade de entrar em Westwood, muito menos em bairro burguês. Quinhentos então, Mathias.
Acertaram tudo. Após descerem as escadas e atingirem uma distância que Arthur considerava segura, este perguntou:
-Por que aquele cara te chama de "alemão", Mathias? Você não se parece nem um pouco com um.
-Vai saber. -ele deu de ombros, destrancando o carro. -Talvez pelo mesmo motivo que Jackson começou a chamá-lo de Kurt, sendo que ele tem um nome espanhol estranho. Não tem motivo. Oi de novo, garoto! -disse, afagando a cabeça de Luke.
-De onde você é?
-Cem por cento americano. Mas tenho um sobrenome estranho, né? Köhler. É dinamarquês, acho. -ficou em silêncio por alguns segundos, apenas para mudar completamente de assunto. -Essas garotas latinas são demais.
-Você só pensa nisso, git? -Arthur rolou os olhos. -Já imaginou como você pode destruir a vida de meninas como essas? Deus, acho que não existe nada pior do que um drug dealer.
-Eu não sou nenhum drug dealer, inglesinho. -fez um beicinho, como se estivesse magoado. -Só transporto, e muito pouca coisa. Não tenho nada a ver com isso.
-Não, não tem. -Arthur disse, com um sarcasmo que Mathias não percebeu. Colocou novamente os fones de ouvido, perdendo-se nas letras românticas de Aerosmith. Juntamente com os livros, a música era sua escapatória preferida da realidade. Porém, mesmo que tentando, não conseguia se concentrar nas canções. Lembrava-se do que Lizzy dissera há alguns dias. A menina, desde a crise que o inglês presenciara, andava abatida e distraída, e Arthur não sabia exatamente o porquê — aliás, nem se interessava em saber. Mas algo que Lizzy dissera o estava incomodando naquele momento, na trajetória de volta a Westwood com Mathias. Ao ser perguntada sobre o motivo que a levara a entrar para a Undead respondeu que, após conhecer Gilbert, já estava se envolvendo com os garotos antes que pudesse perceber. E era algo muito parecido o que estava acontecendo com Arthur.
-Ei, Mathias... por que você entrou para uma gangue? -perguntou o inglês, em fingido desinteresse.
-Não é como se eu houvesse decidido isso, inglesinho. Mas foi a maior burrada da minha vida, perdi Lukas por causa disso. -desviou o Cadillac repentinamente. -Fuck, eu estava quase indo para Inglewood!
-Vai dizer que foi obrigado a entrar nessa?
-Não fui. Conheci o Jackson quando tinha uns quinze anos e ainda me achava por andar de skate por aí. Ele fora transferido para minha escola e era o cara mais incrível que eu já havia conhecido. Mas tinha um garoto de quem eu gostava muito... Lukas. Era norueguês, muito inteligente e calado, frio até. E parecia uma menina. -riu um pouco do próprio comentário. -Ele odiava Los Angeles e seus pais eram divorciados. Estava aqui apenas com o pai, e era louco para voltar a Oslo. Contou-me uma vez sobre ter um irmão mais novo lá sob os cuidados da mãe. Acho que não era tão insensível, apesar de tudo...
-E aposto que você começou a andar com o Jackson e esse Lukas não gostou nem um pouco.
-Exatamente, inglesinho. Mas eu também fiz muita coisa além disso. Ele detestava o que eu estava me tornando, e ameaçava contar à minha mãe que eu andava bebendo e tal. Acho que o que realmente o magoou foi... como eu digo isso? Quando eu estava com o Jackson, fingia que ele não existia. E ele também nunca me exigiu atenção, então achei que estava tudo bem. Sei lá, eu tinha vergonha de estar em um relacionamento com outro garoto. Também não fui muito fiel a Lukas. Quando dei por mim, ele estava se mudando para Little Rock com o pai sem nem se despedir e eu aqui, com o Jackson e um garoto alemão que havia chegado a L.A.
-Realmente, uma burrada imensa. -comentou Arthur. -Quanto tempo até voltar a Westwood?
-Uns vinte minutos, acho. Ah, inglesinho, se eu pudesse voltar atrás... Lukas era importante para mim.
-Se fosse mesmo, você não teria o tratado assim. Ou pelo menos deixaria isso tudo de lado e o procuraria, wanker.
Mathias riu.
-Não é como se eu não gostasse da Undead, inglesinho. Aqui eu tenho tudo o que quero. Eu sei o que você está pensando, eu não presto.
-Eu estou pensando que não te entendo. E isso também.
-Mas eu largaria tudo, sim, se eu tivesse alguma chance nova com o Lukas.
Você é um completo idiota, Mathias.
Arthur voltou a se concentrar na música, deixando-se pensar um pouco nas provas que teria durante a semana. Desta vez, conseguiu manter distância, mesmo que temporária, do temor de acabar como um dos Undead.
Notas finais
Sem música. Tá totalmente implícito nas partes finais. Aliás, The Natives é uma das músicas mais perfeitas de Hollywood Undead, linda mesmo, escutem se puderem *U*
Oh sim, eu tenho uma certa confiança em meu francês *le neta de libaneses*, mas ainda assim tive que consultar dicionários online quanto a "acabou". E chequei no tradutor do tio Google. Mas anyway, se alguém perceber algum erro na frase (que [pelo menos deve] significa 'acabou o sorvete'), TELL ME BABY -q
Sim, dizer que ele estava indo pra Inglewood foi meio que um exagero da parte dele QQ. Inglewood é uma outra cidade, fica no County de Los Angeles também.
Westside seria tipo a parte Oeste de Los Angeles. Não é uma subdivisão oficial como os distritos, mas engloba Westwood e West Los Angeles. Westwood já teve uns casos tensos com gangues, o mais famoso sendo a morte de Karen Toshima, mas nada como West LA XD
Ok, todos identificaram, Lars e Laura Hansen são Holanda e Bélgica. Nha... a cidade a que Laura se refere é Holland, uma cidade holandesa super kawaiiosa em Michigan *u* *shot*
Carlos "Kurt" Machado é Cuba, e Serena Mason é Seicheles. Esse casal me gusta *apanha*
Detesto essa atitude do Mathias. É a mesma que uma amiga minha uma vez teve com a namorada dela - não assumia para ninguém por 'vergonha'. Cara, amor é amor e foda-se o que a sociedade pensa, por que vergonha? ç.ç -ok parei. E Little Rock é a minúscula capital do Arkansas.
Sorry por ter reclamado no último cap. E ASDFGHJKL DANKE, eu não esperava que vocês considerassem essa fic tanto assim >///<!
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