Un Cigarillo And Una Canción
2 Capítulo 2
- Bom dia Jenna. – Minha secretária sempre com seu ar simpático de sempre. E eu, nem falo do mal humor que eu estava.
- Bom dia GaHee. Como passou o fim de semana? – Porque as pessoas sempre insistem em saber como foi o fim de semana das outras? Ou só perguntam por educação? Eu realmente nunca entendi. Acho que pelo fato de eu ser não tão simpática. Mas eu sempre respondia as mesmas coisas, mesmo que as vezes fosse mentira.
- Trabalhando. – Dei um sorriso falso. – Afinal, tenho que adiantar as paginas do meu livro para a editora poder lançar esse mês ainda. – Eu sou escritora, e colunista de uma revista muito importante e famosa do país.
- Chegaram várias cartas para você hoje, estão em sua mesa.
- Obrigada por coloca-las lá. – Fui logo até a minha sala. Onde eu podia tomar meu café em paz, e fumar uns ou outros cigarros escondidos.
Eu realmente não sei porque as pessoas insistem em me mandar histórias tão sem noção. Tudo por fama. Por uma única frase minha na coluna falando da fabulosa história que não sei quem lá me enviou. Poucas delas me interessaram. E como eu tinha voz na revista, o diretor chefe desde que entrei aqui me beneficia por ter segundas intenções em mim, eu escolhia qual eu queria publicar. Ou simplesmente não publicar nenhuma, e acabar falando algo que as pessoas querem escutar. Nem tudo que se fala em uma revista é verdadeiro. As vezes não passa de marketing.
Me surpreendi com um buquê de gardênias em cima daminha mesa. Eu adoro gardênias. Mas antes de eu poder tocá-las ou ao menos procurar um cartão.
Trin trin
- Sim ?
- GaHee, tem alguém na linha que quer falar com você. Ele disse que eu pronunciasse ‘’linda’’ para você. – Quando a Jenna falou isso todo meu corpo paralisou, ele nunca me ligou antes. Nós nunca nos ligamos antes sem ser alguma data especial como aniversários e natal. Enquanto eu fiquei perdida em meus pensamentos a Jenna gritou no telefone chamando meu nome.
- Pode passar a ligação querida, obrigada. – Eu falei com pressa já para ela não desconfiar de nada. Jenna era uma das poucas pessoas que eu poderia considerar amiga. Ela sempre sincera e preocupada comigo. Me dava inveja não poder ser assim como ela. ENFIM .
- Linda ? – Mesmo estando do outro lado da linha meu corpo esquentava só de ouvir sua voz sussurrante.
- Oi Ethan, aconteceu algo? – O que foi isso que falei? As palavras saíram da minha boca sem eu pensar direito. Eu logo quis reverter o que tinha falado. – Eu ... estou com ... saudades de você.
- Não foi nada, só quis escutar sua voz doce essa manhã. Não sei o que aconteceu, mas me deu um súbita vontade de conversar com você. Mesmo sabendo que você não goste que eu te ligue. Eu mandei algo para você. Gardênias combinam bem com você. Bom dia, e eu realmente estou com saudades. Tchau. – E ele desligou.
Não deu tempo nem de eu mencionar nada. Ele me conhecia. Conhecia cada fio de cabelo que existia em mim. E sabia o quão dura eu era em relação a sentimentos. Não era por querer próprio, mas era de mim mesma. Eu sempre quis mostrar o amor que eu sentia por ele, como também por meus pais, por todos que me amam. Mas eu não sei o que acontece comigo. Como se existisse um bloqueio me impedindo de dizer um ‘’ adorei te ver hoje’’ ou ‘’se cuida, eu amo muito você’’. Eu só pus as gardênias em um vaso e cheirei um pouco do seu aroma. Aquele cheiro realmente me tranquilizava. As gardênias são flores tão especiais que até já inspirou bolero. E verão ou inverno elas permanecem lindas sempre.
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