O vento uivava através das frestas da torre de vigia, um lamento fantasmagórico que parecia carregar os segredos da vasta e escura floresta germânica. Era uma noite sem lua, e as estrelas, geralmente sentinelas silenciosas no manto aveludado do céu, pareciam mais distantes, mais frias. O sentinela, um jovem recruta da Legio I Germanica, tremia, não apenas pelo frio cortante que penetrava sua túnica de lã, mas por uma sensação inominável de pavor que se agarrava à sua espinha. Ele havia ouvido as histórias dos veteranos sobre os espíritos da floresta, os deuses selvagens dos bárbaros, e os horrores que se escondiam nas sombras além das paliçadas do castrum.

Seus olhos, acostumados à escuridão, varriam a linha das árvores, onde a floresta se erguia como uma muralha impenetrável. De repente, uma luz. Não era a luz bruxuleante de uma tocha bárbara, nem o brilho pálido de um relâmpago distante. Era uma luz que rasgava o céu noturno, uma fenda de fogo esverdeado que se precipitava em direção à terra com uma velocidade aterradora. O recruta engasgou, seus dedos apertando a lança. Parecia uma estrela cadente, mas nenhuma estrela cadente era tão grande, tão brilhante, tão errada.



A trajetória da luz era diretamente para o coração da floresta, a parte mais densa e proibida, onde nem mesmo os caçadores mais ousados se aventuravam. Um rastro de fumaça esverdeada permaneceu por um breve momento, antes de se dissipar no ar gelado. Segundos depois, um estrondo surdo sacudiu o chão sob seus pés, fazendo a torre de madeira ranger e as brasas da fogueira distante saltarem. Não era o som de um trovão, mas de algo pesado e massivo colidindo com a terra. Um tremor de terra, talvez, mas diferente de qualquer um que ele já tivesse sentido.

Então, o silêncio. Um silêncio mais profundo e opressor do que antes. O vento parou de uivar, os grilos cessaram seu canto, e até mesmo o farfalhar das folhas parecia ter sido silenciado por uma mão invisível. O recruta ficou ali, paralisado, o coração batendo como um tambor de guerra em seu peito. Ele queria gritar, queria correr, mas seus pés estavam enraizados no chão. O que quer que tivesse caído do céu havia trazido consigo um silêncio que falava de um terror inominável.

Quando finalmente conseguiu recuperar o fôlego, ele correu para o alarme, batendo no gongo com uma fúria desesperada. Os veteranos, sonolentos e irritados, o ouviram com ceticismo. Uma estrela cadente? Um tremor de terra? Provavelmente o vinho ruim ou a imaginação de um jovem assustado. Mas o sentinela sabia. Ele sentia. Algo havia mudado na floresta naquela noite. Algo antigo e terrível havia despertado, ou algo novo e ainda mais aterrorizante havia chegado. E o Império Romano, em sua glória e poder, estava prestes a enfrentar um inimigo que nem mesmo seus deuses poderiam compreender.