Uma vida feliz para Arlequina?
8 Capítulo 8 – A coisa mais importante do mundo
Notas iniciais
Capítulo 8 – A coisa mais importante do mundo
Estava confuso. De repente não se lembrava de como tinha chegado ali. Estavam em algum lugar em Gotham, o cenário estava um pouco destruído. O Batman o olhava de cima de uma construção. Apenas olhava. Seus velhos conhecidos Charada e Espantalho estavam por perto. Todos estavam machucados de alguma forma. De repente algo lhe chamou atenção. Harley estava na sua frente, ferida e visivelmente abalada. Podia ver bandagens ensanguentadas por baixo da blusa. Ela chorava e tremia, mas isso não era o pior. Ela estava apontando uma arma em sua direção.
— Harley...
— Por que eu tenho que te amar tanto?! – Ela disse entre as lágrimas antes de atirar.
Tudo ficou escuro e quanto acordou estava deitado no chão com Harley chorando em cima dele. Seu sangue manchava as mãos dela, que apertavam seu peito, bem próximo ao coração, mas era inútil, o sangramento não parava. E a bala ainda devia estar cravada nele. Sentia dor, mas não se importava, para uma vida inteira que fora sempre a própria dor, dores físicas não eram um incômodo tão grande.
— Nós dois sabíamos que isso aconteceria um dia, Harley... Eu ou você... – ele riu rapidamente – Pare de chorar, amorzinho.
— O que eu fiz? Me perdoa, Pudinzinho!
Encarou os olhos azuis, vermelhos e inundados de lágrimas, olhando para ele com uma tristeza que ele nunca vira, mesmo em todas as vezes que ele a maltratava. Estendeu a mão para ela, mas nunca a alcançou. Acordou confuso fitando o teto do quarto e verificou o relógio, ainda eram quatro da manhã e alguns poucos minutos. Olhou para Harley que dormia aconchegada nele e tornou a encarar o teto.
— Droga. Não foi o Batman que me matou – falou chateado para si mesmo – O que aqueles dois faziam lá? O que importa...? Só um sonho.
Virou-se para a mulher adormecida e a olhou.
— Por que, Harley? Você seria capaz de se encher de mim? Talvez sob efeito do gás daquele Espantalho de jardim – ele riu com a possibilidade – Você não pode fazer isso comigo, amor. Isso seria realmente... Realmente ruim.
******
— Droga. Por que não atende nem retorna, Selina? Disse que estaria disposta a nos revelar o destino das duas crianças – Pâmela reclamou olhando para o telefone – Já foi minha quinta ligação. Tento de novo depois.
— Pâmela? A ligação está péssima...
— Realmente. Onde você está?! É a quinta vez que eu te ligo. Preciso saber algo importante. Sobre aquele assunto!
— Saber o que?! Pâmela?!
Chiados e silêncio.
— Droga! Onde essa gata se meteu?! Roubando alguma antena de TV no topo de um prédio?! Onde estarão os dois pequenos? – Perguntou angustiada a si mesma.
******
— Pudinzinho...
— Bom dia, amor – disse para a mulher deitada em seu peito, fazendo tudo para provocá-lo deslizando os dedos por suas tatuagens HA HA HA – Agora não, baby. Precisamos sair. Analisar novas armas pra usar contra o Batsy.
— O Batsy! O Batsy! Sempre o Batsy! Parece que quando o assunto é o Batsy você fica completamente louco.
— Nós dois somos completamente loucos.
— Às vezes tenho vontade de dar uma boa surra naquele morcego – ela disse em tom assassino.
— Harley! – Ele gritou como se um alarme soasse dentro dele com a insinuação de ter o Batman morto – Já falamos sobre as condições com o Batsy.
Ela se calou e desviou o olhar, uma nuvem de tristeza nublando seus olhos.
— Seja boazinha e papai pode brincar com você mais tarde – falou a encarando profundamente e lhe dando um beijo suave.
Ela nada disse.
— Se vista e vamos logo – falou saindo do quarto.
Quando a porta se fechou Harley abaixou a cabeça fitando os próprios pés. Na maior parte do tempo costumava pensar que para alguém louca como ela o amor era suficiente, pequenos gestos e carinhos eram dispensáveis, mas era em manhãs como aquela que percebia que não.
— Será que ele me ama tanto quanto eu amo? – Perguntou baixinho para si mesma – Ele deve me amar. Se não amasse não ia me querer mais aqui... Mas... No final das contas sempre parece que ele prefere o Batsy. Nunca mais nem falou nos nossos filhos. Será que Pâmela está certa?
Harley sentiu sua cabeça começar a doer, era aquela sensação terrivelmente incômoda que pessoas normais sentiam quando alguma coisa começava a deixá-las loucas e fazê-las perder a razão. Nem se lembrava mais como era. Uma louca não poderia enlouquecer de novo. Ou poderia? Arranhões na porta chamaram sua atenção. Eram Bud e Lou.
— Harley! – O Coringa gritou do andar debaixo – Se não estiver pronta em vinte minutos não vou esperar você! Alimente as hienas, coma qualquer coisa e vamos embora!
— Já vou, Pudinzinho!
Se arrumou o mais rápido que pode, pegou suas armas e abriu a porta da quarto, finalmente se sentindo feliz ao ser abraçada e recebida com alegria pelas hienas. Alimentou seus bebês, passou pela cozinha para enganar o estômago com alguma coisa e acompanhou o Coringa e os capangas em direção aos carros, ficando calada durante o percurso. O Coringa a olhava de vez em quando, mas sem dizer nada.
— Até quando vai ficar chateada? Pensei que perturbar o Batsy também te divertisse bastante.
— Sim, mas... Você sempre faz parecer que o Batsy é a coisa mais importante do mundo.
— Mas assim deve ser. Eu e o Batsy não podemos existir um sem o outro. Não podemos matar um ao outro sem que algo terrível aconteça, por isso devemos continuar brincando com ele de gato e rato voador. Eu e Batsy só existimos um por causa do outro.
— E eu só existo por sua causa.
— Eu e Batman já estávamos aqui antes, Harley, muito antes. Estamos ligados há tanto tempo que nem sei mais quanto. Você é minha preciosa invenção, por isso é importante que entenda o quanto o morcego é importante.
— Mais do que eu...?
— Já disse que não posso viver sem o Batsy. E o mesmo vale pra ele.
Ficaram em silêncio novamente e Harley olhou pela janela, evitando olhar para ele e lutando para afastar qualquer pensamento que pudesse levá-la às lágrimas.
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— Preparem o que precisarem. A missão não deve demorar a começar – Waller esclareceu deixando os dois criminosos no laboratório de Arkham.
— Senhora, tem certeza de que não seria melhor injetarmos chips neles?
— Não será preciso, esses dois não recusariam essa missão por nada, e ainda estamos com problemas pra gerar um novo sistema como esse desde a invasão. De qualquer forma, a vigilância com eles está enorme e bem armada. Se algo fugir do controle, a ordem é matar sem pensar duas vezes.
No laboratório os dois vilões trabalhavam no gás da verdade e no gás do medo, rindo mentalmente da tolice de Waller, especialmente o Espantalho. Humanos comuns, com medos e fraquezas, nem de longe poderiam segurá-los se decidissem fugir. Charada soltou uma risadinha, sendo observado atentamente pelos guardas, o que o fez rir mais, mas ainda assim discretamente.
— Não desrespeitar a rainha na frente do rei... – o Espantalho dizia para si mesmo enquanto trabalhava, divertindo-se com a expressão confusa dos guardas.
— Coloca-se na mesa, corta-se, recorta-se, mas não se come... – Charada repetia sua piada – Mas brincar com comida pode ser bem divertido – riu novamente.
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