Uma vida diferente... Sonho ou pesadelo?
19 Desespero! Parte 1
Pov's Nick
Já tínhamos terminado de ver o ultimo filme, então estávamos todos arrumando nossas camas. Ou melhor. Eles estavam porque eu e a Hana já tínhamos. Enquanto isso eu fiquei pensando naquele momento que o Leo me abraçou e logo depois eu fugi pro banheiro irritada. Pra ser sincera eu não estava irritada com ele, nem com o que ele tinha feito, por incrível que pareça. Mas sim comigo mesma. Pois quando ele pediu pra mim falar aquilo pra ele eu já estava corada mas graças ao cômodo estar escuro não deu pra perceber. Eu fiquei frustrada comigo, eu jurei pra mim mesma não voltar a ter esse tipo de sentimento, mas não eu tinha que ficar com o coração acelerado a cada coisa que ele fazia e dizia pra mim.
Eles acabaram de arrumar suas camas. Nos deitamos. Eu peguei no sono rápido.
"Eu estava num lugar que eu conhecia muito bem. Minha casa. Estava tudo vazio, quieto. Estava andando procurando aonde estavam meus avós, com quem morava, quando, ao chegar em frente a porta da sala escuto vozes. Me afastei um pouco com a intenção de ir embora. Afinal eles estavam ocupados. Como sempre. Todos estavam ocupados, nunca tinham tempo pra ficar comigo, uma criança de 5 anos. Foi quando escutei algum deles dizendo.
–... Essa garota só trás problemas! Não importa o quanto tentemos controla-la, ela sempre nos contraria e se mete em alguma confusão irritante. Nem sei porque ficamos com ela pra criá-la! -ouvi minha avó dizer. E congelei por um instante e me escondi, ficando quietinha no canto da porta. -Se os pais dela não tivessem sido tão irresponsáveis...!
–Querida entendo como se sente sobre isso. Essa menina não é fácil de lidar. Contê-la é quase missão impossível. Nenhuma criança normal com três anos se enfiaria numa floresta que nunca havia entrado antes e fugido pro terreno do vizinho com a amiguinha, pobre garota ficou tão assustada e chorou tanto. Já a Nick não derramou uma lágrima sequer ou se manifestou assustada ou algo do tipo. Lembro do vizinho reclamando conosco no dia seguinte. Sobre elas terem entrado na floresta de noite e serem perseguidas pelo cão de caça super feroz dele. Ele ameaçou de chamar o conselho tutelar. Mas o que poderíamos fazer? Essa menina é que nem um demônio. -ouvi meu avô dizendo. Estava assustada com as palavras dele. Porque eles estavam falando coisas tão cruéis?
–Sim esse foi um dos maiores problemas que ela nos causou. Assim como os problemas com as diretoras dos colégios que ela estudou sobre ela intimidar e agredir os colegas quando irritada. -minha vó acrescentou — Preferia que ela não tivesse sobrevivido quando nasceu prematura. Se tivesse tudo ocorrido de acordo com o plano ela jamais teria existido. Afinal ela não pode ser considerada uma criança ela é uma aberração, um monstro!! Pois é impossível que um bebê sobreviva a um aborto. O aborto que eu causei com aquele chá que dei pra mãe naquela noite. -era muita informação pra digerir, estava com medo, apavorada, tinha começado a chorar baixinho. Queria fugir dali de perto mais meu corpo não se movia. -Ela pode ser considerada um milagre e especial pelos médicos e cientistas mas pra todos nós a vida ficaria melhor se ela não existisse e... -eles estavam saindo e me viram ali do lado de fora.
–Vovó... -falei tremula.
–Você estava ouvindo a conversa dos outros? -neguei com a cabeça apressada. -Menina má. Vai ficar trancada no seu quarto pra aprender a lição e a ter educação! -ela falou. Tentei correr e fugir mas ela me agarrou, me arrastou até o meu quarto e me jogou lá dentro. Ouvi a chave girando. Passei horas chorando e gritando pra me soltarem, mas não o fizeram naquele dia."
Acordei assustada. Tentei olhar ao redor para ver onde estava mas não consegui, minha visão estava embaçada. Levei uma das mãos ao rosto e percebi que estava molhado de lágrimas e suor. Odiava aquele sonho. Aquela memória. Tinha apagado ela depois daquele dia. Não sei porque me lembrei disso logo agora. Passei a mão pelo rosto para seca-lo. Não conseguia ficar ali. Me levantei devagar, não queria acordar ninguém. Fui até a frente do chalé e me sentei na escada.
–Nick? Está tudo bem? Você saiu do chalé, de repente. -fala Leo do nada. Que havia saído sem eu ter percebido. Me assustei e abaixei a cabeça escondendo meu rosto, onde lágrimas ainda insistiam em cair. E fiquei quieta, sem responder uma palavra sequer.
Senti dois braços me apertando forte. Naquele momento nada importava. Encostei minha cabeça em seu ombro e o abracei forte pela cintura. Não conseguia mãos controlar o choro. Eu não queria mais segurar o choro. Não naquele momento. E mesmo se quisesse não conseguiria.
–Calma. Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. -ele falou enquanto fazia carinho no meu cabelo.
–...- neguei movendo a cabeça sem olhar pra ele -Nada nunca fica bem comigo. Sempre fica cada vez pior. -falei com a voz abafada contra ele e ainda sem encara-lo.
–Prometo que não vou deixar nada te machucar Nick. -ele falou baixo. Como se fosse um segredo que quisesse dividir apenas comigo.
–Não prometa isso. Por favor... É impossível. -disse com a voz falha, já me recuperando do choro.
–Então vamos fazer assim, prometo que não vou te machucar e farei o possível para te proteger. -ele falou firme.
–Leo... Por favor não tente se aproximar de mim. Todos a minha volta sempre se machucam... -falo me afastando dele- Você sempre está perto de mim e falando comigo... As vezes parece que quer que eu me apaixone por você mas... Eu não posso me apaixonar. Não posso ter esse sentimento de "amor". -termino, tinha certeza de estar com os olhos inchados e as bochechas vermelhas por causa do choro, mas não só por causa disso.
–Não me importa o que pode ou não acontecer comigo. Nick, um dia você vai amar. Provavelmente será alguém em quem você confia. Nick, você confia em mim? -ele terminou colocando uma das mãos no meu queixo e levantando meu rosto para que eu o olhasse.
–Porque você faz isso?-pergunto nervosa, sendo forçada a encara-lo. Meu coração estava começando a ficar acelerado como sempre fica quando ele se aproxima.
–Você confia em mim? -ele repetiu. Ele me encarava com intensidade. Ele apertou mais ainda o braço ao redor da minha cintura.
–Pare com isso! Do que adianta? O que você pensa que eu sou?! Você tem a Calipso, Leo! -exclamo tentando me soltar dele, mas parece que todas as minhas forças tinham se esvaído.
–Você não entende. Ela quer o Percy, assim como um terço das garotas desse acampamento. Eu prometi que voltaria e a ajudaria a sair de lá. -ele falou um pouco magoado.
–Você é idiota? Você nunca teria saído daquela ilha se ela não tivesse se apaixonado por você! -digo séria, mais um pouco irritada por ele não entender isso.
–Eu virei o melhor amigo dela. Existem muitas formas de amor. Eu prometi pra ela que lhe mostraria o mundo, que ela conheceria garotos diferentes dos heróis que ela estava acostumada. -ele explicou. Senti algo estranho, um alívio invadiu meu peito.
–Você é a única que tem tanto poder sobre mim. -ele sussurrou para si, mas pude ouvir devido a proximidade.
Ao ouvir o que ele disse me afastei um pouco surpresa e devia estar corada como um pimentão, pois ele ficou me encarando um pouco. Então desviei o olhar e virei de costas rezando pra conseguir me controlar novamente. Ele ficou de pé e veio na minha direção, antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele me pegou no colo e se afastou do chalé.
–Pra onde você está me levando? -perguntei confusa.
–Apenas espere. -ele falou sem me olhar.
–Você pelo menos pode me colocar no chão? Eu sei andar sabia? E odeio que me peguem no colo. -reclamo.
–Não. E nem adianta reclamar, se falar alto desse jeito vai acabar acordado alguém. -ele falou dando um sorriso.
–Você é um atrevido. -resmungo baixinho.
–Me xingar não vai fazer eu te soltar. -ele fala rindo da minha cara emburrada. Corei um pouco e virei o rosto pro lado para que ele não percebesse.
–Já chagamos? -pergunto impaciente.
–Não. -ele responder revirando os olhos.
Andamos por bastante tempo quietos. Eu estava levemente incomodada com a situação. Estava tão entretida e distraída com meus pensamentos que nem notei que havíamos chegado.
–Que lugar é esse? -perguntei abismada. Estávamos em uma espécie de clareira.
–Esse lugar é segredo meu e do Nico. As pessoas chegam aqui sem querer. Mas nunca lembram. Só eu e ele sabemos como chegar aqui. -ele explicou.-Eu criei uma barreira que é ativada toda noite. Durante o dia as pessoas podem vir. Durante a noite só nós conseguimos achar esse lugar. -completou com um lindo sorriso de orgulho.
–Agora a pergunta que não quer calar: Porque você me trouxe aqui? -pergunto. — E você não vai me soltar não criatura?
–Primeiro: Por que você é especial e achei que gostaria desse lugar. Segundo: Se eu pudesse nunca mais soltaria. -ele respondeu me olhando nos olhos. Me soltei dele e sai do seu colo com um salto. Aterrizei no solo suavemente e ajeitei minha postura.
–Melhor voltarmos pro chalé. Temos uma missão mais tarde, não podemos ficar de bobeira. -falei de costas pra ele- E Leo? É melhor esquecer e não contar pra ninguém que me viu chorar. Entendido?
–Claro. Sem problema. -ele falou em um tom triste. Aquilo apertou meu coração, mas eu não podia pensar nisso agora. Fomos em silêncio até o chalé.
Chegamos de volta no chalé fui direto pra cama. Não olhei pro Leo. Não consegui. Sabia que estava sendo má com ele mas não consegui agir de outra forma. Ele tinha me visto chorando por causa daquele sonho/lembrança. Tinha me visto frágil, vulnerável. E isso me assustava. Logo peguei no sono novamente, torcendo pra não sonhar com mais nada.
Quando acordei o sol já estava entrando pela janela. Tentei me levantar mas senti um peso na minha barriga. Então levantei a cabeça pra olhar o que era. Era o Toby, que dormia tranquilamente apoiado em cima da minha barriga. Sorri. Tadinho nós últimos dias não tenho tido quase tempo de dar carinho e atenção pra ele direito. Ele devia está bastante carente. Logo ele sentiu que eu tinha acordado e acordou também e ele lambeu minha mão num gesto de "bom dia". Me sentei na cama e olhei em volta. Os meninos já não estavam no chalé e a Hana estava dormindo. Fiquei ali quieta, fazendo carinho no meu "totó" até ela acordar.
–Bom dia, Hana! -saudei animada.
–Bom dia, Nick. -ela respondeu bocejando enquanto prendia os cabelos em um coque. -Acordou a muito tempo? -perguntou.
–Só a alguns minutos. -respondi. -Hoje descobriremos quem é o novo semideus. E estou com uma sensação que é alguém conhecido.
–Não sei. Vamos nos trocar para tomar café. Que horas são? -ela perguntou se levantando.
–São 8:17. -falei enquanto me levantava e ia pro banheiro. Eu sempre vou primeiro.
–Só não demora, ok? -ela pediu.
–Ok. -respondi já entrando no chuveiro.
Rapidamente terminamos de nós arrumar e fomos pro refeitório. Como não íamos nos separar fomos pra perto das árvores, nos sentamos na grama e comemos nosso café tranquilamente. Já estávamos terminando quando o trio chega apressado e nos chama.
–Meninas! Temos que ir. Não podemos nos demorar mais. -Kenzo falou.
–Ok. Só vamos terminar o nosso café. Pode ser? -falei.
–Claro. Nos encontramos na entrada do acampamento daqui a uma hora. -Nico falou.
–Não. Em menos de 10 minutos. Não temos tanto tempo assim. -corrigiu Kenzo, impaciente e claramente de mal humor.
–Desculpa miss simpatia. Nos encontramos na entrada do acampamento em 10 minutos. -Hana falou revirando os olhos.
Terminamos de comer apressadas e como já estávamos arrumadas apenas pegamos uma mochila e equipamentos necessário. E em 5 minutos chegamos na entrada do acampamento arfando.
–Por que nós corremos? Estamos adiantadas. -perguntei.
–Também não sei. -Hana respondeu tentando controlar a respiração.
–Adiantadas?! Se não fosse pela demora de vocês teríamos saído a horas! -exclama Kenzo do nada irritado.
–Vocês só nos avisaram a 5 minutos atrás. Combinamos de nos encontrar aqui em 10 minutos e nós chegamos em 5. -Hana falou começando a ficar irritado.
–Já que você está TÃO apressado assim vamos logo em vez de ficar discutindo com a gente! -disparo já me irritando também. Ouço ele bufar e logo nos tele transportamos pelas sombras.
–Vamos é por aqui. -chamou Kenzo. Estávamos no Central Park e ele nos guiou na parte da floresta até perto do lago.
O sol estava forte e percebi que a maioria das pessoas estavam com roupas mais frescas. Percebi que logo começaria a suar, a blusa e o short não eram frescos. Fiquei preocupada que isso pudesse atrapalhar a missão. Pelo menos eu não era a mais ferrada.
–Pra onde estamos indo exatamente? -perguntei depois de chegarmos ao lago.
–Para onde está o nosso alvo, para aonde mais? -ele falou respondeu irônico.
–E onde nosso alvo está? -Hana perguntou em um tom que parecia falar com alguém retardado.
–Bem ali. -ele falou e apontou. Demorei a conseguir ver a pessoa.
–Nick? -ouvi alguém me chamar. Não era nenhum dos que estavam comigo. -É você mesma? -a pessoa perguntou. A pessoa que Kenzo havia apontado. Não pode ser...
–Gabe? -disse incrédula, não conseguindo me conter e indo na direção dele.
–Nick!! -ele exclamou e me abraçou forte, me girando no ar. Antigamente esse abraço me passava segurança, agora já não. -A quanto tempo! Pensei que nunca mais ia te ver e... Acampamento Meio-Sangue... Nick, o que você está fazendo com eles? -ele perguntou me soltando.
–Com eles? Eles são meus amigos. Você conhece eles, Gabe? Você já foi no acampamento? -falei confusa. Ainda próxima a ele, olhando dele pro grupo.
–Você não percebeu? Eu estou com a camisa do acampamento. -ele falou parecendo tão confuso quanto eu.
–Nick! Quem é ele? E você?! Quem você acha que é pra sair abraçando ela assim?! -questiona Leo, enciumado e irritado.
–Eu? Meu nome é Gabe. Sou o primeiro amor da Nick. -Gabe respondeu rapidamente. Gelei. Porque diabos ele respondeu isso e tão fácil assim? Sabia que tinha corado bastante e por isso abaixei a cabeça deixando meu cabelo cobrir meu rosto.
–Tão direto quanto eu lembrava. Você não mudou nada. -Hana falou com sarcasmo. Ele olhou confuso pra ela. Acho que ele não a reconheceu, mas também né?! A doida tá de calça, blusa de manga e o cabelo na frente da cara. -O que foi? Vai dizer que não se lembra de mim. -ela falou tirando o cabelo do rosto.
–Hana? É você? Nossa! Claro que não te reconheci. Você mudou tanto. Da última vez que nos vimos você era desse tamanho. -ele falou colocando a mão na altura do quadril para indicar o tamanho.
–É sim. E você tinha a altura que eu tenho agora. -ela falou rindo.
–Mas o que aconteceu afinal? Todos pensamos que você tinha morrido naquele acidente. -ela lembrou. Me mexi inquieta com a lembrança. Era um passeio do colégio, o ônibus da frente, no qual o Gabe estava, sofreu um terrível acidente que o fez cair do penhasco. Todos estavam machucados seriamente e nunca acharam o Gabe depois disso.
–Como você sobreviveu? -perguntei curiosa.
–Não gosto de falar sobre aquilo. -ele falou frio e grosso. Arregalei os olhos. Senti uma pontada no peito. Mesmo não sentindo o mesmo que antes, ainda doía quando ele falava daquela forma. Eu tinha, eu precisava saber o que tinha acontecido.
–Pera... Você disse primeiro amor?! Da Nick?! -pergunta Leo meio atrasado. Acho que ele levou um tempo pra processar o que o Gabe tinha dito.
–Isso mesmo. Eu sou o primeiro amor dela. -ele sorriu orgulhoso.
–Foi o primeiro amor dela você quis dizer. Ela saiu dessa faz tempo. -Hana falou em minha defesa.
–Sim! -concorda Leo. Que acabou voltando a atenção de Gabe pra ele.
–É...? Quem é o sortudo agora? Você? Duvido. -Gabe falou de forma cruel -Nick passou basicamente a vida toda amando apenas a mim porque ela gostaria de você?
–Parece que apareceu um rival Leo. -comenta Nico cutucando o Valdez. Que estava paralisado olhando Gabe incrédulo.
–Se você dúvida das minhas palavras. Vai. Pergunta pra ela. Pergunta se eu não falei verdade. — o garoto ao meu lado provocou.
–Gabe para! Você está sendo horrível. Você não é assim... -falo olhando pra ele. Ele olhou pra mim e fez algo que eu não esperava. Ele me beijou e meus olhos se fecharam automaticamente. Quantas vezes imaginei esse beijo quando era mais nova? Antes de parar de acreditar no amor? Mas isso estava acontecendo agora... Na frente do Leo, na frente de todo mundo. Meu coração acelerou um pouco com os pensamentos e meu rosto entrou em chamas. Dizem que é impossível parar de amar o primeiro amor e que sempre irá mexer com a gente mas... Será que é mesmo verdade? Deuses! O que estou fazendo?
Então voltei a mim. Todos estavam ali. O Leo estava ali. Arregalei os olhos e empurrei Gabe.
–Você é doido? Por que fez isso? Quem disse que podia? -falei irritada. Mas antes que ele pudesse responder e eu pudesse fazer qualquer coisa vi Leo pular em cima de Gabe e os dois caírem no chão.
–Você... é... um... completo... babaca.... -Leo falava enquanto socava Gabe a cada palavra. -Nunca faça isso de novo. Não se trata uma mulher assim. -completou.
–Leo! Para com isso. Além disso você não tem direito de dizer isso! Você fez a mesma coisa não fez?! -gritei irritada com os dois imbecis. Os garotos me encararam e o filho de Hefesto pareceu surpreso com o que eu disse.
Vi Leo se levantar indo embora contrariado e o Nico indo atrás dele preocupado. Sabia que ele estava irritado. E eu fiquei com mais raiva ainda só que de mim mesma por ter permitido chegar a essa situação.
–Sinto muito, Nick. Realmente. Não consegui me conter depois de tanto tempo e vendo ele te olhando daquela forma. Da mesma forma que eu mesmo fazia. -Gabe admitiu ainda sentado no chão sem levantar a cabeça. Nisso soa um trovão. Tremi. Sério? Agora os trovões, raios e relâmpagos vão me perseguir? Quando pensei em algo.
–Gabe. De quem você é filho? -pergunto nervosa. Torcendo pra minha teoria estar errada.
–Que..? -ele diz confuso pela minha repentina mudança de assunto.
–Responda! -falo.
–Zeus. Eu sou filho de Zeus. Porque? -ele falou. Me afastei dele com os olhos arregalados. -Qual o problema?
–Some daqui. Agora. Saí de perto de mim. Vai embora. -gritei.
–O que? Por que? -ele perguntou confuso.
–Nick. Acame-se! Não precisa entrar em desespero. -fala a Hana, preocupada -Gabe... Seu pai... Ele...
–Quer matá-la. Zeus deu ordens pra eliminar a filha da lua e a mestiça. -fala Kenzo frio. Mas ele estava sorrindo? Porque? -Não sabe quanto estou grato a você, cria do trovão, por resolver grande parte disso pra mim. Agora só falta eu concluir meu dever. -ele diz com um sorriso sinistro, desembainhando a espada e vindo na minha direção. Foi muito rápido pra qualquer um poder fazer qualquer coisa. Vi ele levantar a espada e se preparar pra abaixa-la na minha direção. Então um vulto preto atacou Kenzo que o jogou na minha direção com força.
Abracei o corpo no ar e fui lançada pra trás com o impacto caindo sentada no chão. Só então pude ver o que estava no colo.
Toby.
Entrei em desespero. Ele estava ferido, muito ferido. Estava perdendo muito sangue. O sangue se espalhava a minha volta e nas minhas roupas. Ergui minhas mãos para vê-las estavam manchadas por sangue. Gritei em desespero e sofrimento. E no fundo da mais profunda escuridão da minha mente ouvi uma voz. Dizendo:
"Se isso dói, machuca... Porque você simplesmente não destrói tudo?"
Nada mais parecia fazer sentido, exceto aquela fala. Fechei os olhos e me deixei cair na escuridão. Quando os abri tudo estava escuro.
Eu havia criado um eclipse.
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