Uma vida diferente.
9 Final - Existe um nós!
Notas iniciais
Era a primeira vez que eu tinha enfrentado meus medos desta forma, era a primeira vez que eu encarava a ‘’ Provação do Amor ‘’. Eu não estava com uma gota de medo sequer. Eu me sentia uma mulher, diferente do que era antes.
Seios não fazem de uma garota, mulher;
Uma pele bronzeada não faz de uma garota, mulher;
Inteligência também não faz de uma garota, mulher.
O que faz de uma garota mulher, é a sua determinação para algo, sua imposição de respeito obedecida e por fim, sua capacidade de enfrentar os próprios medos.
Eu era uma mulher, finalmente me senti assim. Sempre fui limitada e obedeci a Arlong, obriguei-me a fazer coisas erradas e contra a minha vontade. Lutei por quem eu mal conhecia. Mas agora, eu posso impor respeito, porque admiram a mim pela minha garra, e agora, tenho amigos, que reconhecem meu esforço e retribuem não me impondo limites, muito menos me obrigando a algo. Reconheceram acima de tudo, a mim e a minha vontade, que antes apenas pairavam no ar.
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Amanheceu, era o início de uma história. Que tinha chances de ser contada a pequenas pessoas, daqui a 30 anos. Era o início da nossa história. Eu sabia perfeitamente que cada detalhe dependia de mim, eu era a figura necessária para dar continuidade a algo iniciado primeiramente por Luffy. Tive sorte de ter consciência disto cedo.
Acordei com um grande sorriso no rosto, como o de uma criança quando ganha seu brinquedo. Como era um dia especial, resolvi escolher algo bonito. Pus cuidadosamente um belo e fino vestido que estava guardado no armário. Quando o comprei, tive a intenção de guardar para uma ocasião especial. Não havia nada mais especial que o dia de hoje!
Dei alguns passos aleatórios pelo quarto e por fim, resolvi tirar o vestido e o guardar para a noite. Passei o dia envolvida com alguns preparativos, entre eles:
Achar algumas velas;
• Pegar almofadas; • Arrumar bebidas; • Fazer tudo isso sem que ninguém saiba.
Ao final da tarde, procurei achar um tempo para ficar sozinha com Luffy. O encontrei como esperado, passeando pelo navio. Sussurrei em seu ouvido:
–Sala de treinamento do Zoro, 03:00 da manhã.
Notei que ele assentiu mexendo a cabeça, notei também que havia em seu rosto uma expressão confusa e apenas sorri. Depois, parti. Já inquieta.
Esperei calmamente todos dormirem, aos poucos ajeitei o lugar. Iluminei com velas, decorei com almofadas e por fim, deixei as bebidas em um canto.
As 03:08 notei passos, eu já estava sentada em meio as almofadas e sorri quando o enxerguei.
–Uau! Disse ele, surpreso.
–Fui eu que fiz. Respondi.
Luffy se sentou ao meu lado e apoiou a cabeça em meu ombro. Virei-me e o beijei...Sabia que a intenção era conversarmos, mas cedi e deixei levar pelo clima.
Ele beijava meu pescoço, eu soltava pequenos suspiros de prazer. As coisas foram ficando mais sérias e eu não resisti. Comecei a tirar sua blusa.
–Nami, tem certeza?
–Toda a certeza que posso ter na vida está aqui, adicionada neste momento.
Naquela noite os sentimentos fluíram de uma forma mágica. A nossa mágica. Fiquei feliz por saber que tínhamos uma. Antes de todos acordarem, limpei e ajeitei o lugar, sem deixar nenhum rastro de ‘’ nós ‘’.
Agora, existia um ‘’ Nós ‘’. Sempre sorrio quando penso o quão mágico foi. É reconfortante saber que temos chances. É relaxante saber que eu o amo. Sinto como se o mundo tivesse parado para nós, quando estávamos juntos era como se fossemos o centro do universo. Era tão perfeito. Uma sensação nova, na qual eu queria experimentar, só não tinha ideia de como ela era prazerosa.
Você nunca pensa na possibilidade de acontecer algo, sempre se deixa levar por medos idiotas. Você nunca se toca que pode tudo, e que, se precisar ser uma rainha, será. Confio no futuro de Luffy. Se até lá estivermos juntos, serei sua rainha. Sem hesitar e protestar.
Acordei como no horário marcado, mas me encontrava tão zonza que decidi dormir mais, se fosse preciso, fingia uma dor de cabeça. Não precisaria. Confiei mentalmente em Ussop, ele me salvaria e me tiraria das dúvidas dos outros. Só fiquei perplexa quanto a:
Como encarar Luffy?
Como é possível conversar normalmente?
Nós seremos um casal? Como nas histórias?
Ai meu Deus!
Por estes motivos, consegui dormir apenas 2 horas. O que não gerou suspeitas fortes e apenas disse a todos que perdi o horário. Fiz até uma piada sobre os 5 minutos mais demorados do mundo. Era tudo falso. Sempre fui boa em mentir, não é que eu esteja me gabando nem nada do tipo, é que a minha vida foi uma mentira após a morte dela...Enfim, mentir me deixa um pouco triste atualmente, antes, eu não ligava para maior parte dos piratas em que eu roubava. Mas enganar amigos é complicado.
Me sinto elétrica, mas sem a necessidade de contar a alguém, já tenho Ussop. Contudo, já pensei em conversar com Robin sobre isso, ela me parece madura e culta. Porém é melhor esperar. Só contarei quando Luffy concordar e eu tiver plena certeza de que somos um ‘’ nós ‘’ completo.
É incrível como minha mente está semelhante a de uma adolescente apaixonada por um garoto bobo. É como se tudo estivesse mais vivo, como se a cada sorriso que eu deixava manifestar-se trouxesse junto, um pouco de cada um de nós. Me sinto leve. Confesso que já soltei gritinhos apaixonados quando estava sonhando acordada.
– Uma nova ilha a vista! Noticiou Ussop.
– Uh! Gritamos em coral.
Após sairmos todos do navio, resolvi passar aquele dia ensolarado com Luffy. Encontrei-o andando um pouco perdido, sugeri então que fossemos comer algo, afinal, não havia nada em meu estômago. Como esperado, ele aceitou sem hesitar. Caminhamos juntos até encontrar um restaurante. Ao fim da esquina avistei um belo ambiente, parecia calmo. Encontravam-se várias mesas a calçada, cobertas pela fresca e disputada sombra. Sorri e mostrei a Luffy, que pegou minha mão e correu até lá. Enquanto corríamos ele virava o rosto, só para certificar-se de que eu estava sorrindo e correndo junto.
Comemos uma comida deliciosa. Dediquei minha tarde a ele, de forma que ficamos conectados por algo tão diferente e ao mesmo tempo tão bom. Passeamos muito, não soltamos as mãos um do outro por um segundo sequer.
A noite, fomos nos encontrando aos poucos no navio. Após irmos deitar, ouvi minha porta se abrir, pensei ser Ussop, parece que eu estava errada. Lá estava ele, abobalhado, sorrindo e corado. Fechou a porta vagarosamente, assim como a abriu. Caminhou até mim e sentou na minha cama, baixou a cabeça, nervoso.
–Nami, me responda uma coisa...
– Fale. Disse sentando-me na cama.
– Eu quero que v-você seja minha. Só minha. Tá?
Meus olhos se encheram de lágrimas, avancei e o abracei, não queria soltá-lo nunca mais.
– Eu serei só sua. Respondi, chorosa.
Ele me deu um beijo fofo e limpou minhas lágrimas. Estendeu o dedo mindinho e falou:
– E eu serei só seu. É uma promessa.
– Sim.
Juntamos os dedos e nos curvamos vagarosamente, até nossos rostos se encostarem. Sorrimos e nos beijamos mais uma vez.
– Então é para valer? Disse, brincando.
– Acho que sim. Respondeu, confuso.
– Eu amo você.
– Eu também me amo. Ainda mais agora que consegui a garota mais bonita para mim. Falou, brincando.
– Seu bobo. Fiz careta.
Ele me jogou na cama e ficou sobre mim, apoiando-se com as mãos no colchão.
– Eu te amo.
O outro dia surgiu em um piscar de olhos, acordei mais feliz do que nunca. Não precisava esconder mais nada. Fui até a cozinha e estavam todos lá, menos ele.
Me sentei de costas para a porta e comecei a entrar no assunto do pessoal.
– Nami, o que há? Você está estranha. Perguntou Chopper.
– Ah, nada. Uma hora você descobre.
– Mistérios? Disse Robin, empolgada.
Quando fui responder, senti algo nos meus cabelos, aquilo não parava de me escabelar e eu estava quase engolindo meus cabelos quando a ‘’ coisa ‘’ finalmente parou. Tirei os fios que estavam no meu rosto e fui surpreendida por um beijo. Quando abri os olhos eu estava sendo fuzilada de olhares, sim...
Sanji: Confusão;
Robin: Sem reação;
Zoro: Surpresa;
Ussop: Ria sem parar dos outros;
Chopper: Derrubou uma caixa que carregava e ficou paralisado.
Franky: Chorava e cochichava para si mesmo coisas estranhas;
Luffy: Ria como Ussop;
Eu: Observava;
Brook: Yohohohoho! Luffy-san vai ver a calcinha dela!
Tive um ataque de riso repentino, fazendo todos rirem junto.
– Então era isso? Disse Zoro.
– Nami...você...meu Enel! Riu Sanji.
Para o meu alívio só ouvi risos e desejos de boa sorte, ninguém foi contra. Ussop tinha razão.
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Eu estava pronta, para ser uma rainha, para ser a sua garota. Para viver ao seu lado, senti-lo comigo e escrever nossa história, ou melhor...desenhar! Estava pronta para viver Uma Vida Diferente.
Fim.
Victória Marques. (Vic)
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