Uma vida de raposa
4 A missão da raposa
— Não acredito que você continua dormindo, ficou acordada a madrugada toda empolgada com isso e agora não quer acordar. — reclama Daichi dando pequenos chutes nas minhas costas — Você é a adolescente mais preguiçosa do mundo
— Não é verdade. — murmuro — As adolescentes normais acordam atrasadas o tempo todo e tem que correr para a escola com um pão na boca
— Nunca mais compro mangás pra você. — se senta do meu lado e joga a máscara de raposa encima de mim — Está na hora
— Entendido. — levanto me espreguiçando e acariciando os gatos sonolentos flutuando desengonçadamente na minha frente
Daichi trouxe para mim um quimono branco, era um pouco diferente dos que eu costumava usar, era um pouco mais curto, as mangas não eram tão longas e eles tinhas marcas vermelhas em alguns pontos, me entregou novamente a máscara branca de raposa que fizera para mim 9 anos atrás.
— Devo admitir que nunca pensei que chegaria o dia que te mandaria fazer isso. — ele me entrega uma katana numa bainha vermelha — Mas chega a hora em que toda raposa deve cumprir sua missão
— Não vou te decepcionar. — pego a katana de suas mãos e a amarro na cintura — Farei isso como uma raposa
— Como uma raposa... — ele repete parecendo hesitante — Bem, não vamos perder tempo, não é mesmo, pirralha? Você sabe como chegar ao lago, então um pouco depois dele, ao norte você consegue ver as partes mais escuras da floresta, eu teria que fazer isso hoje, mas por que não começar sua iniciação?
— Velhote preguiçoso
— Faço isso a mais de 100 anos, me dê um descanso. — dá um tapinha no meu ombro — Você consegue, apenas alguns espíritos do mal, demônios perigosos ou talvez humano, nada que uma rápida degolação não dê conta. — sorri e bagunça meu cabelo
— Estou indo. — digo pulando o pátio do templo com os gatos vindo atrás de mim
— Tenha cuidado. — escuto Daichi falar meio baixo enquanto corro para o local
Percorro todo o caminho correndo com um sorriso no rosto, hoje é o dia em que poderei provar que sou de fato como as raposas e que eu posso viver junto com qualquer outro youkai, não apenas como uma humana indefesa sendo protegida pela raposa do templo.
— Ah, Nana, achei que não tínhamos treino hoje. — diz Goro boiando no lago enquanto Izumi reclamava baixinho falando que a pele dele iria secar se ele não mergulhasse enquanto jogava pequenas porções de água na barriga do amigo
— Não temos, hoje eu vou proteger a montanha. — falo confiante
— Vamos matar demônios malignos. — A e Un dizem em conjunto
— Mesmo?! — ele se levanta — Isso não é perigoso?
— E s-se v-você acabar se machucando? — Izumi tenta falar gaguejando de tão nervoso
— Eu vou ficar bem, vejam. — mostro a katana para os dois
— É a arma da raposa do templo! — Goro saltita animado — Nunca achei que a veria com meus próprios olhos
— Cuidado para onde aponta isso. — Izumi se coloca para dentro d'água com apenas metade da cabeça de fora
— Tenho que correr, Daichi vai ficar zangado se eu estragar tudo. — saio correndo pelo caminho que Daichi me indicou para ir
— Boa sorte. — os dois acenam de longe
Corro por muito tempo sem parar e nem diminuir a velocidade, estava tão empolgada que nem mesmo me importava com o suor na minha testa e a ardência nas pernas, até que escuto o barulho de algo se movendo nas moitas, paro um segundo para olhar em volta e Midori sai de trás de uma delas.
— O que faz aqui? — pergunta cruzando os braços
— Trabalhando. — mostro a katana para ela
— Não achei que o sensei seria tão ingênuo um dia, entregando a katana das raposas à uma humana
— Já entendi, você não gosta de mim, deixou isso bem claro nos últimos 9 ou 10 anos, não importa o que você pensa de mim, Daichi confiou em mim para essa missão e eu vou cumpri-la. — dou as costas para ela e continuo correndo
A floresta começa a ficar mais escura á minha volta, eu não conseguia escutar praticamente nenhu, som, uma sensação de desconforto percorreu meu corpo, A e Un olham em volta parecendo se preparar para uma briga, escuto um galho quebrando como se tivesse sido quebrado pelo pé de alguém, passos se aproximando pisando nas folhas secas no chão.
— Então a "aprendiz de raposa" veio aqui pessoalmente para resolver os problemas... — escuto uma voz familiar passando por entre as árvores, retiro a katana da cintura e me mantenho em uma posição me preparando para o ataque — Vejo que também lhe deram a arma das raposas, não é mesmo? É uma pena informar que apenas raposas de verdade podem usa-la direito
— Apareça. — grito em um tom firme
— Consegue até mesmo interpretar alguém corajoso se tentar. — vejo uma silhueta se aproximas, rabo longo, orelhas saindo do cabelo bagunçado — A quanto tempo, humana
— Taro? — o encaro por um segundo e baixo a katana — Eu achei que fosse uma ameaça de verdade, ora. — coço a parte de trás da cabeça, uma irritante mania que peguei depois de 16 anos convivendo com Daichi
— Ainda duvidando de mim. — ele dá uma risada — Assim fica mais fácil ainda de acabar com isso. — sinto uma aura maligna começando a emanar de seu corpo, o que fez minhas pernas paralisarem por um segundo, quando olho para ele novamente e eles está recoberto de sombras
Sombras negras e espessar cobrem sem corpo por completo mostrando apenas os olhos vermelhos e sua velha silhueta, garras enormes saem de seus dedos, seu corpo se contorce fazendo sons de estalo e ossos quebrando, ele parecia ter o dobro do tamanho original agora.
— Agora... — ele dá um passo para frente fazendo o chão tremer — Vamos brincar um pouco. — diz em uma risada cruel mostrando seus dentes afiados
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