Uma vez Sonserina
6 Capítulo 6: Coisas que não soube perder
— Você acha que o Scorpius vai me chamar oficialmente pro baile? — perguntou Zoe, assim que Rose terminou de encher seu prato no almoço.
A loira praticamente pulava na cadeira da mesa da Sonserina, com os olhos brilhando e um guardanapo decorado com mini corações desenhados flutuando distraidamente ao seu lado.
Rose quase derrubou o talher.
— O Scorpius?
Zoe sorriu, como quem saboreia o gosto de um segredo compartilhado.
— É. Ele é a pessoa mais indecisa do mundo mágico. Disse que talvez me convide pro baile… "se não surgirem imprevistos". O que significa isso?! Estou esperando desde o primeiro ano pra ter um baile perfeito com ele.
Rose não soube o que dizer. Seu estômago se revirou por um motivo que ela ainda não compreendia. E pior: sentiu culpa por isso.
— E você, vai com quem? — Zoe perguntou com naturalidade.
— Eu… ainda não pensei nisso — respondeu, sincera.
Zoe levantou uma sobrancelha, surpresa.
— Jura? Achei que Lorcan Scamander ia te convidar. Vocês ficaram muito próximos depois da aula de Poções da semana passada.
Rose sorriu, tensa. Lorcan Scamander? Ela nem lembrava da cor dos cabelos dele.
Zoe continuou a falar, e Rose deixou que a conversa a envolvesse como um véu. Mas sua mente já estava em outro lugar — ou melhor, em outra dúvida.
**
Mais tarde, na biblioteca, Scorpius estava sozinho, com livros espalhados por uma mesa próxima à janela. Rose se aproximou hesitante, carregando seu próprio exemplar de Transfiguração. Quando ele ergueu os olhos, sorriu.
— Rose Weasley. A que devo o prazer? Achei que você tinha fugido da Sonserina.
— Eu considerei, mas a Madame Pince trancou a saída secreta atrás da estante de Magia Antiga — respondeu, se sentando em frente a ele.
Scorpius sorriu com a resposta e empurrou um de seus livros na direção dela.
— Estudando para a prova do Slughorn?
— Tentando. As poções me odeiam.
— Não, elas só têm ciúmes da sua inteligência. Estão tentando te derrubar.
Ela riu, genuinamente.
Enquanto estudavam juntos, a conversa se desviou para os ingredientes que mais odiavam (ambos detestavam lesmas trituradas), depois para professores excêntricos, e eventualmente, para o Baile.
— Zoe está ansiosa com o baile — Rose comentou, fingindo desinteresse enquanto folheava seu livro.
Scorpius suspirou, apoiando o queixo na mão.
— É, eu sei.
— Você vai com ela?
Ele hesitou.
— Eu… acho que sim.
Rose ergueu os olhos, surpresa pela falta de certeza.
— Isso não parece muito animado da sua parte.
Scorpius deu de ombros.
— Não sei. Eu gosto da Zoe, ela é incrível. Mas às vezes… não sei se estamos na mesma página, entende?
Rose apenas assentiu, o coração acelerado por um motivo que não queria nomear.
— E você? Vai com alguém? — ele perguntou, olhando diretamente para ela.
— Ainda não. Talvez eu finja que estou gripada no dia.
— Eu jamais acreditaria em você gripada. Você é imune a doenças e a dramas.
— Que bom que você me considera uma deusa.
— Uma deusa esnobe e mandona, mas ainda assim.
Os dois riram. Foi um riso leve, mas o silêncio que veio depois teve um peso estranho, quase denso. Scorpius a observava de um jeito diferente. E Rose sentiu algo estranho percorrer a espinha — como se ele estivesse prestes a dizer algo… mas desistisse.
Ele voltou os olhos para o livro e o momento passou.
**
À noite, no dormitório, Rose sentia a cabeça pesada. Tentava se concentrar na lição de Aritmancia, mas algo insistia em incomodá-la.
Determinada, ela foi até a biblioteca, dessa vez sozinha. Não era hora de estudar: era hora de procurar.
Passou pelas estantes da seção restrita até encontrar um título familiar: Feitiços de Ilusão e Realidade Expandida. Ao abri-lo, seu coração quase parou. Ali, na margem da página 87, estava uma anotação em caligrafia claramente sua:
“Realidade ou projeção? Preciso testar antes do próximo ciclo lunar.”
Rose recuou um passo.
— O que você estava pensando, Rosie? — sussurrou para si mesma, o livro aberto nas mãos. — Ainda dá tempo de voltar?
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