Uma versão diferente
9 Apaixonante
Notas iniciais
Quinn:
Depois de horas me arrumando, finalmente me sentia pronta. Era o último evento da escola. Como aquele ano havia sido difícil e confuso e surpreendente pra ela. Olhara ao seu redor, não estava mais em seu quarto, em sua casa, com sua família de sempre. Agora estava com uma família nova, pessoas novas que a mostraram coisas novas da vida. Agora ela não estava sozinha, pensou passando a mão pela barriga que estava muito apropriadamente escondida naquele vestido. Ela teria sempre alguém, não importasse o que ela decidiria fazer com a filha, onde a menina estivesse, a distância, os problemas ou as fases. No minuto depois que o cordão bilical fosse cortado e aquela bebê saísse dela, ela seria para sempre uma parte sua, apenas sua. E de Puck.
Puck. Era ele que a esperava na porta da casa de Mercedes. O garoto que jamais esperou ou pretendeu estar naquela situação. Era ele que ela estava namorando, desde ontem. Era ele o pai da sua bebê, era ele que formava a outra metade da criança. Era ele, dele.
Não sabia o que esperar daquela noite, na verdade não sabia o que esperar da própria vida. Nos últimos meses, tudo tinha tomado um curso tão diferente que bom... era melhor nem pensar sobre isso.
Desceu, comprimentou a mãe de Mercedes que a avisou que Puck já a esperava do lado de fora. http://www.vestidos-de-cerimonia.com/images/Prom-Dresses/Best-Sellers/97.jpg
- Oi – ela disse ao abrir a porta
- Oi – ele disse depois de alguns poucos segundos – Está linda, como sempre.
- Eu estou é gorda.
- Você ta grávida, ninguém esperava de você magreza.
- Então admite que eu esteja gorda?
Ele riu.
- Não, não está gorda – ele disse com um som malicioso por trás das palavras.
- Bom, você está lindo a propósito. http://www.descomplicando.com/wp-content/uploads/2011/06/terno-cinza.jpg
- Obrigado. Quinn... – ela levantou o olhar para encará-lo – você quer mesmo ir pro baile hoje?
- Acho que eu não entendi...
- Eu odeio bailes, sempre odiei. Eu quero ir com você, estar com você mas não no baile. Em um lugar melhor.
Ela entendeu o que ele queria dizer e rapidamente, o brilho em seus olhos se quebrou.
- Ah... lugar melhor. Tudo bem, Noah. Já entendi.
- Não! Eu não quis dizer isso, Quinn. Não quis mesmo. – ele a segura pelo braço – Vêm comigo? Deixa eu te mostrar o que eu chamo de “noite especial”.
- Bom acho que você não vai me levar pra um bar jogar sinuca e assistir futebol americano com esse vestido. Ou vai?
Ele deu uma risada. – Não, não vou não.
Puck:
Dirigi até um parque que tinha ali perto. Bom, nem tão perto. Mas à essa altura da noite, ele estava totalmente vazio como em todas as noites em que eu ia lá.
- Vai, Quinn. Desde do carro. – disse abrindo a porta
- Mas Puck é uma floresta! – ela disse assustada
- Ai, é só um parque! E ta totalmente deserto.
- Mais um motivo pra eu não querer sair daqui. – ela disse com som de palavras finais.
- Ta vendo aquele banco ali? A gente vai lá, e senta lá. Só isso. Se aparecer algum monstro ou bandido, eu fico distraindo ele enquanto você corre pro carro, dá tempo. Pode crer.
Ela virou os olhos e bufou. – Ta, tudo bem. Mas eu entro no carro e vou embora hein?! Não quero nem saber de você.
- Até parece.
Os dois sentaram no banco. E antes que Quinn pudesse falar qualquer coisa, Puck começou primeiro.
- Sabe Quinn.. eu não sei porque te trouxe aqui na verdade. O baile parecia ser mais difícil de lidar, sei lá. Acho que eu não sou exatamente o tipo de cara romântico e galã que leva pro baile.
- Você realmente não assiste romances, né? O galã sempre leva a mocinha para algum lugar deserto em uma noite com estrelas lindas, como essas. – ela disse
- Obrigado. Mas eu... eu quero me desculpar com você, Quinn. Desde o começo, desde o primeiro dia, era isso que eu queria que acontecesse. Ficar com você, não importando o quanto isso custasse. Mas eu entendi que não sou o melhor pra ninguém, Quinn..
- Puck... – ela disse na tentativa de fazer ele parar
- Se você ainda estivesse com o Finn, a coisa estaria melhor para você. Eu sei que estariam. Eu nunca entendi nada sobre amor, ninguém nunca acha que eu poderia amar alguém. Nem eu acho – ele riu sozinho – mas a verdade é que com você, Quinn... tudo é tão...
- Diferente. Inesperado. Surpreendente. Mágico. Forte. Intenso. E mais do que tudo, as coisas são apaixonantes. As mais bobas, as mais maliciosas, as mais simples, as mais branco no preto, todas elas. São apaixonantes.
- É. Isso mesmo.
Os dois ficaram em silêncio.
- Foi pra isso que você me trouxe aqui? Pra dizer que é um idiota que não sabe amar?
- Eu te trouxe aqui porque eu gosto do parque... – eles riram
Ela se virou para ele, provavelmente sujando o vestido ao ficar naquela posição. – Sabe Puck... amor pra mim, também nunca existiu. Eu sempre achei que nem era real, era coisa de filme romântico, apesar de que eu sempre gostei muito deles. Nem por um momento eu achei que amava Finn, mesmo ele tendo sido meu primeiro amor. Até agora eu não entendo o que é amor... mas eu sei que eu amo você, Puck. – ela parou por um momento – Quando a nossa filha nascer, eu acho que já sei o que vou fazer.
- O que? – ele perguntou sem olhar diretamente pra ela
- Eu vou dar ela Puck. Pra adoção.
O silêncio tomou conta dos dois.
- Porque? Se a gente ta junto e...
- Ah Puck. Eu queria tanto criar ela, ser a mãe dela. Eu gosto de romances, um filho está sempre fazendo parte dos roteiros desses filmes. Uma filha com quarto rosa que anda pela casa com uma coroa de princesa, cantando músicas infantis, um cachorro gigante com nome de cantor de reggae, uma mulher bonita, um cara musculoso que enfrentam milhares de diferenças, obstáculos, etapas e pessoas para ficarem juntos todos os dias, que nunca caem na rotina, que estão sempre transando e felizes. É perfeito, né?! Eu queria. Mas não é real, Puck. Nunca vai ser real ou apto para a gente, não dá. Ela vai chorar durante as madrugadas, vai vomitar em nós, o cachorro vai fazer as necessidades no tapete, nós vamos discutir por que você esqueceu de pagar tal conta, eu fingiria dor de cabeça, você procuraria em outra o que eu não queria dar naquela noite, o carro iria quebrar... Não daria certo. Eu não quero perder essa imagem da gente, da bebê. Eu quero que tudo seja como um conto de fadas, e o conto de fadas só dura nove meses. É o fato.
Ela se levantou, limpou o vestido e sentou novamente. Puck derramou uma pequena lágrima porém limpou tão rápido que Quinn nem notou.
- É, talvez você esteja certa Quinn. Quando essa bebê nascer, tudo muda. Não acho que também iremos continuar juntos inclusive. – ela o olhou sem entender – Nós dois juntos, nos faria lembrar muito sobre ela, aonde ela poderia estar ou qualquer coisa. Pelo menos, me faria isso. Eu já a vejo tão parecida com você nos meus sonhos.
- É, você também ta certo.
- Maldita inteligência que os dois têm né?! – ele disse para fazê-la rir um pouco.
- Pois é. Somos muito incríveis.
- Demais. – eles riram mais
Continua...
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