Uma seleção mágica
9 Capítulo 9 - Encontro inesquecível
Notas iniciais
Lily
Eu desci pro almoço recapitulando minha hospedagem no palácio. Eu não fiz nada mágico. E os aurores me garantiram que não havia nenhuma bruxa entre as italianas. As inglesas estudariam em Hogwarts, mas mesmo assim eles checaram tudo. Meu pai falou pra eu não fazer magia e eu o atendi. A não ser... não. Era tarde. Ninguém viu. Foi uma bobagem e só eu vi.
Almocei distraída e Johanna notou. Como aquela garota que parecia tão metida tinha o dom de me entender?
– O que há, Potter?
– Nada. Ainda pensando nas mil regras de etiqueta. — rimos juntas. Marlee era a personificação de elegância. Eu entendia porque era tão amiga da rainha.
– Não se preocupe. Eu achei que sabia comer e falar, mas depois de hoje tenho minhas dúvidas.
– Verdade. Minha mãe, tenho certeza, adoraria ter me dado aulas antes.
– Ei... soube que alguém já recebeu um convite pra um passeio hoje. Minhas criadas viram uma bandeja passando. Por isso troquei de lugar com a Ana.
OmG. Eu já tinha me esquecido do convite. Me foquei tanto em tentar entender o outro bilhete. Olhei para o príncipe. Ele parecia tranquilo e... lindo. Eu tinha que controlar esse comentário por mais tempo hoje. Quase escapou em nossa conversa hoje cedo.
– Oi? Terra chamando a Lily?
– Desculpa Jo. É que eu fui a convidada de hoje a tarde. Tava tentando ensaiar o que conversar.
– Ora. Deixe ele puxar a conversa. Ele nos chamou. E você é linda e inteligente. Se não te chutou hoje de manhã, não o fará agora. Parece um cara legal.
Ela tinha razão. Não sei como, desde o avião, a garota intimidadora do aeroporto virou o mais próximo que tenho de uma amiga aqui.
Depois do almoço, todos foram saindo. Permanecemos os príncipes, o rei e a rainha, eu e um outro garoto.
A rainha olhou pro rei e mexeu na orelha discretamente. Ele sorriu, fez o mesmo e saíram juntos.
Ahren se aproximou.
– Olá senhorita Lilian.
– Alteza.
– Gostaria de cavalgar? Soube que você gostava.
Ótimo. Algo que faço melhor que a grande maioria. O fato de montar uma vassoura e rebater balaços durante os jogos de quadribol ajuda.
– Claro.
Fomos descendo e deixamos Eadlyn e o rapaz, que lembrei se chamar Adam, a sós na sala.
Começamos a conversar na descida para o estábulo. E como era fácil. A gente pensava muito parecido em algumas coisas. E totalmente opostos em outras.
– DC ou Marvel?
– Marvel.
– Como você sabe disso? — perguntou ele rindo — Chegou a ler ou assistir algo tão antigo? Isso era uma grande questão naquele tempo.
– Meu pai gosta de assistir coisas antigas. (de trouxas)
– Estão querendo reabrir. Agora que Illéa...
– É mais livre.
– Pois é. Como é sua família?
Pergunta complicada.
– Normal. Tenho dois irmãos. Meu pai trabalha com segurança. Minha mãe é atleta. — já no cavalo, disse — Minha vez.
– Sua vez.
– Como foi crescer aqui?
– Foi legal. Embora gostaria de ser mais livre. — notei que quando ele se empolgava com um assunto, mexia as mãos ao falar, uma coisa natural e fofa -Mesmo não sendo herdeiro oficial, tenho que manter a pose de príncipe...
Ele acertou o lado do cavalo sem querer. O cavalo saiu correndo. E o príncipe? Caído no chão.
Eu pulei para ajudá-lo. Ele se balançava no chão. Alguns guardas vieram checar. Ahren virou e estava se dobrando de rir.
– Tem que admitir, querida. Foi um primeiro encontro inesquecível. — rimos juntos.
– Foi mesmo. — quando os guardas foram embora, acrescentei — Sua alteza é bem diferente do que imaginei.
– A senhorita também é. Mas como me imaginou?
– Sinceramente?
– Sempre.
– Alguém mais metido, mais mandão.
Ele riu e disse:
– Então mando, ordeno, — em um tom que pretendia ser sério — que não zombe de mim ao espalhar a notícia de minha real queda. Está proibida ou lhe mandarei cortar a cabeça.
– Eu li esse livro também.
– Minha querida, se me permite dizer, você parece ter uma inclinação a coisas velhas.
– E o senhor também, já que entende minhas tolas piadas.
Fomos andando de volta ao castelo.
– Sua alteza...
– Por favor. Você já me viu cair. Me chame de Ahren.
– Sua alteza, Ahren, — ele me olhou sorrindo — notei sua mãe e seu pai tocarem a orelha antes de sair...
– E demorou pra alguém notar. — disse rindo — Isso é uma coisa que eles inventaram durante a seleção deles. Em vez de bilhetes, a mão na orelha. Poucas pessoas notam. Eu imaginei que fosse uma delas. A senhorita...
– Lilian. — ele sorriu.
– Você, Lilian, era alguém que esperava que notasse.
– Porque, Ahren?
– Porque me parece ser uma mulher observadora. E também inteligente. Por isso a chamei tão rapidamente. Ansiava te conhecer melhor.
Meu coração parou de bater por um instante. Já tínhamos chegado a porta do meu quarto a essa altura.
– Você não é mesmo como eu esperava.
– Você é exatamente como eu esperava.
Enquanto eu buscava a minha voz, ele beijou minha mão e saiu.
Entrei no quarto e achei outro bilhete no chão.
"Nem pense em dar a ele uma poção"
Minha voz sumiu de novo. Dessa vez, por medo.
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