Uma pia que transborda
2 Capítulo 1
Notas iniciais
FINISH LINE
My
heart
still acts like
Usain Bolt
Every time
you cross
my mind / eyes
[15.10.17, 3:18 pm]
Três dias antes eu era pedida em namoro pela primeira vez na vida. Foi num show de Anavitória e eu havia acabado de me recuperar de uma conjuntivite ridícula. Ele me disse que tinha uma surpresa para mim e eu sabia e não sabia que se tratava do tal pedido. Será? Não, talvez não — mas quem sabe? Acabou que era, sim, e eu chorei tanto. A apresentação já havia terminado e todos já se retiravam do local, de modo que ficamos apenas eu e ele, imersos num momento só nosso, ele com aquele meio sorriso desgraçado e mirando-me os olhos profundamente. Então, quatro toques no meu braço foram mais do que suficientes para que eu derretesse completamente: "Go steady with me?". Sorrisos molhados irrepreensíveis e grandes demais para nossos rostos, fogos de artifício estourando em nosso peito, lábios de fogo crepitante e magnético.
É engraçado lembrar dessa cena, porque na hora foi tudo tão intenso e reviver tal momento é como sentir o golpe de resquícios dessa intensidade toda: um calafrio e uma pontada de náusea, por vezes sutis e discretas, por vezes quase insuportáveis.
Em 15 de outubro, domingo, combinamos de nos encontrar na estação Trianon MASP do metrô, do lado de dentro das catracas, às 15h, como já nos era costumeiro. Khalil, porque morava longe, se atrasou, e eu, enquanto o esperava, fechei os olhos e fantasiei em minha mente como seria nosso primeiro encontro depois do episódio de três dias atrás.
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