Uma outra história - 2ª temporada
15 What the Hell
Notas iniciais
You're on your knees / Begging please stay with me / But honestly / I just need to be a little crazy/ All my life I've been good, but now / Ah, I'm thinking what the hell
POV Autora *----*
– Nada de sorvete Ginger! – Depois de tanto tempo na fossa tomando sorvete, não queria ver sorvete nem pintado de ouro!
– Como assim?! – Revirei os olhos.
– É uma tradição: Toda vez que nós vamos ao aeroporto tomamos sorvete! – Ginger pouco ligava para o sorvete o que ela queria mesmo era atrasar Annabeth o quanto pudesse, se não o plano de Thalia ia água a baixo. Plano de Thalia entre aspas! Porque ela só teve a ideia, quem organizou foi a Silena.
–Tá bom!
– YAY! – e lá foi Ginger toda sorridente em direção ao café que vendia os benditos sorvetes, mas primeiro precisava ligar para Thalia. – Ah só um minutinho preciso ir ao banheiro.
– Ó Ginger!
– Para de reclamar mulher e vai lá comprar! Credo tem gente que reclama demais. Sim! Annabeth isso foi para você. – murmurava ela enquanto ia em direção ao banheiro feminino. Enfiou-se em um boxe e fechou a porta, procurou o contato de Thalia que já estava na discagem rápida.
– Oi Ginger!
– Oi. – disse meio hesitante, era a Thalia que atendeu? – Thalia?
– Não. – a voz riu. – É a Silena.
– Ah tá. – respirou aliviada.
– Você acha que a Thalia ia atender uma ligação assim? – Pôde ouvir mais ao fundo Thalia perguntando “Eu o quê?” seguido de um “Shhhh” de Silena.
– Não iria. Onde vocês estão?
– Estamos indo para o aeroporto.
– O Percy está com vocês?
– Sim.
– Compraram as flores, os chocolates, contratou os músicos?
– Sim, sim está tudo pronto.
– Como ele está? – Silena saiu do telefone e perguntou para Percy “Como você está?”, ele a olhou “Como você acha que eu estaria?” “Eu não sei nervoso?”, ele revirou os olhos e olhou para o outro lado, Silena murmurou um “Grosso”.
– Nervoso.
– Pois é venham rápido, Annie está impaciente.
– Novidade! – “Viiish” Thalia disse.
– O que foi? – Ginger perguntou nervosa. Silena perguntou o que era para Thalia e ela se virou com uma cara nada boa.
– A gasolina acabou.
– O que? – Ginger quase enfartou. Pronto e lá se foi o plano.
– Ginger! Distraia Annabeth nós vamos dar um jeito nisso.
– Vocês acham que é fácil? Essa menina está uma fera!
– Você conviveu com ela muito tempo, deve ser experiente nisso.
– E vocês acham que é fácil?
– Ginger colabora! – E desligou.
***
POV Annabeth
Ou Ginger estava com uma baita dor de barriga ou ela se afogou na privada. Eu já estava esperando há 30 minutos! Eu já estava até comendo o sorvete dela e pretendia pedir outro quando a ruiva aparece.
– Menina o que você tinha?
– Olha só... – Ela viu que os dois copos de sorvete estavam vazios e me fuzilou com os olhos. – Você tomou meu sorvete?
– Sim. – disse hesitante.
– Eu não acredito nisso! Annie como você pôde? – E fez uma cara triste. Meu coração se apertou, parecia que era uma discussão muito mais séria do que realmente era. Para nada se complicar minha mãe aparece, seu rosto estava abatido.
– Vamos meninas?
– Sim. – digo, corro e dou um abraço em Ginger. – Quando chegarmos em São Francisco compro um sorvete para você ok?
– Ok.
A moça, de um alto-falante, chamava os passageiros, me despedi de minha mãe prometendo voltar para visitá-la. “Não se esqueça!” ela disse. Ginger não parava de olhar para trás e parecia distraída. Depois de nos despedirmos fomos para a fila para apresentarmos as passagens e a criatura ainda olhava para trás, não sei por que, mas a raiva chegou em mim repentinamente.
– Ginger! – Ela se virou assustada.
– O que foi?
– Porque você está tão distraída? Você está esperando alguém?
– O que foi hein Annabeth? Agora nem posso mais olhar para trás?
– Pode, mas não desse jeito. — Ela revirou os olhos e continuou a olhar para trás.
Senti-me mal repentinamente, um enjoo me pegou desprevenida e tive que me apoiar em Ginger para não cair.
– Ei! Você está bem?
– Sim, foi só um enjoo.
– Ah deve ter sido aquele sorvete que você comeu, também quem mandou comer tanto. Deve ter congelado sua barriga.
– Eu acho que se alguém congelasse a barriga não iria sentir enjoos.
– Você já congelou a barriga?
– Que eu saiba não.
– Então não pode dizer nada.
Só fiquei quieta enquanto sentia meu organismo se normalizar, meus pensamentos estavam a mil e meu coração desacelerava aos poucos. Pensava no que tinha acontecido para eu ter sentido isso, nunca fui de passar mal. “Se acalme mulher! Foi uma coisa rápida, passageira... Você deve estar de TPM!” Gostaria de agradecer minha consciência que funcionava como uma mãe, quando eu e meus pensamentos pessimistas e aleatórios invadiam minha mente como uma onda. “Agradeça mesmo! Se não fosse por mim você já teria enlouquecido! Você se lembra daquela vez que você teve uma dor de cabeça e pensou que era um tumor? Agora vai achar que está grávida!” Obrigada de novo, por me deixar preocupada ao pensar nessa possibilidade. Deus me livre estar grávida! Deus me livre de novo se esse filho fosse do Percy! Pensamentos ruins, pensamentos ruins! Dou a minha passagem para a funcionária e sorrio, espero Ginger e nos dirigimos para o avião. Ginger fica nervosa e pede para esperar mais um pouco.
– Esperar o que menina? Nosso avião já vai sair.
– Só um momento, só um momento.
– Não temos um momento, temos que ir agora. – Minha irritação estava clara no meu modo de falar, não estava com paciência para aturar Ginger e suas birras.
– É sério Annie, por favor. – Ela abriu os olhos e fez uma cara triste, quase amoleceu meu coração. Quase. Mas eu realmente estava sem paciência hoje.
– Ginger! Não! – Ela me olha angustiada e novamente vira a cabeça para trás, dessa vez ela parece contente. Sigo seu olhar e vejo quatro figuras bastante conhecidas correndo em nossa direção.
– Que merda é essa?
***
POV Ginger
Não podia acreditar! Tínhamos conseguido! Em partes porque ainda faltava a resposta de Annie, do jeito que ela estava eu estava com medo dela não aceitar! Repreendi-me, ela ia aceitar, ela ia aceitar! Thalia, Piper e Silena vinham ofegantes carregando flores, chocolate e uma caixinha de som, respectivamente. Thalia parecia se embaralhar com as pétalas de flores de cerejeira e corações partidos, pregavam na sua boca com a pressa. Piper vinha ofegante e Silena vinha eufórica carregando a caixinha de som e se atrapalhando com os fios. Mais atrás vinha Percy carregando um violão e vinham ainda Nico, Luke, Jason e Charles. Peraí o que? O plano era músicos profissionais não esses encostos aí. Ah. Meu. Deus. Ferrou.
– Que merda é essa Ginger? O que é isso? – Annabeth repetiu, não dei atenção e corri ao encontro deles. Os passageiros já acompanhavam a movimentação, olhavam desconfiados ou olhavam indiferentes e ainda olhavam como se dissessem “Jovens” e reviravam os olhos. Eles arrumaram tudo rapidamente, ajudei as meninas a achar uma tomada e Percy pegou o microfone e começou a dizer.
– Olá! Olá! Boa tarde! 1, 2, 3 estão me ouvindo? – Annabeth olhava paralisada e parecia não acreditar na mensagem que seus olhos mandavam. – Desculpa por isso tudo eu queria um momento de atenção, por favor. – Ele pigarreia. – Isso é muito importante. Há cinco anos eu conheci uma garota. – Houve gritos, principalmente dos homens, e sorrisos bobos das mulheres. Percy riu. – Sim, uma garota. Ela me ensinou o amor e era algo... proibido, porque ela é minha prima. Ela é maravilhosa gente, carismática e bondosa, doce e simpática, bonita e humilde, arrisco até dizer que ela é perfeita, se não fosse pelo seu nervosismo. – As pessoas riram – É ela é bem nervosa. Então ela partiu, me deixou e nessa cidade grande me senti perdido. Quando ela voltou estava comprometida e eu também, mas com a sua volta tudo o que eu sentia veio mais forte e mais claro. E eu não sabia o que fazer, pisei na bola muitas vezes, acho até que não mereço seu perdão, mas preciso dele. Vocês estão vendo aquela loura ali? Aquela com olhos cinza. Ela é linda né? – Ele apontou para Annie que o olhava enfurecida. – Oi – Houve risos. – Então será que você pode me perdoar? – Não houve hesitação, Annabeth não pensou, aquele olhar penetrante continuava estampado em seu rosto. Todos prenderam a respiração e se voltaram para Annabeth, o silêncio é absoluto. Suas palavras vieram como facas afiadas e frias, geladas e ásperas, vieram como um tapa no rosto de todos nós.
– Vá se foder Jackson. – E deu meia volta.
Olhei perplexa para todos nós, Percy parecia que ia desabar. Ninguém sabia o que falar, nem o que fazer. Alguém gritou mais ao fundo “Parece que ela já não é tão maravilhosa!”. Annabeth andava rápido e de cabeça erguida, balancei a cabeça e a segui.
Você está de joelhos, me implorando, "Por favor! Fique comigo!”, mas honestamente, eu só preciso ser um pouco louca. Toda minha vida eu fui boa, mas agora estou pensando: que se dane.
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