Uma outra história - 2ª temporada
3 Ain't It Fun
Notas iniciais
Ain't it fun? / Living in the real world / Ain't it good? / Being all alone
O apartamento de minha mãe ficava em Upper East Side, ela morava lá com seu namorado Zac. Quando cheguei no aeroporto não tinha ninguém me esperando, e não me surpreendi não tinha contado para ninguém que estava indo a Nova Iorque, não queria que ninguém ficasse falando para eu ficar e principalmente não queria que Percy soubesse. Ia ser simples, eu ia ficar com minha mãe mais ou menos 2 meses, ia tentar não sair de casa para ninguém me ver e se alguém da família quisesse me ver eu me escondia em algum lugar ou coisa do tipo, era bobo da minha parte mas eu realmente não queria que ninguém soubesse, minha mãe iria melhorar e eu ia voltar para São Francisco feliz e amada. Eu tinha falado com o reitor da universidade e ele me concedeu o direito de ficar afastada somente por esses dois meses, sabia que ia ser muita ralação quando eu chegasse, mas minha mãe precisava de mim.
O meu plano de ficar escondida e não chamar atenção teria dado certo se minha mãe não tivesse dado uma festa de boas-vindas. Eu sei disso, porque quando eu abri a porta do apartamento um monte de gente gritou “Bem-vinda!!” e confetes caíram sabe se lá de onde. Uma música começou a tocar e minha mãe me abraçou.
– Bem vinda querida!
– Obrigada mãe! Mas o que que é isso? Eu não te disse que não queria que ninguém soubesse que eu estava aqui? – disse baixo para ninguém ouvir.
– Annabeth é a nossa família, e eu sei que faz muito tempo que você não os vê. – Ela deu um sorriso e eu também. Um a um as pessoas me abraçavam e diziam que eu estava linda. Thalia foi a última da “fila”, e ela me abraçou muito forte.
– Ah sua...! Porque você não disse que estava voltando?
– Me desculpa Thals, sério mesmo mas eu não queria que ninguém soubesse.
– Você quer dizer que não queria que Percy soubesse né? – Será que estava tão na cara assim?
– Está tão na cara assim?
– Está.
Ela me puxou para um canto onde todo mundo estava. E começamos a conversar, Percy estava em um canto e me observava atentamente. Não que eu nunca mais tinha visto eles, eu vinha sempre visitar minha mãe, mas eu ficava mais com as meninas do que com os meninos e eu me lembro da última vez que eu tinha visto Percy. Foi há três meses, em um jantar de família em um restaurante fechado. E ainda não tinha começado a namorar Arthur.
FLASHBACK ON
“Eu terminava de me arrumar em frente ao espelho estava no quarto de Thalia, meu vestido era preto e bege e era marcado um pouco abaixo do busto com um monte de pedrinhas brilhantes, usava brincos e um anel e coloquei um sapato preto de salto alto. Thalia terminava de fazer sua maquiagem na sua penteadeira, e olhou para mim e perguntou:
– Pronta?
– Sim.
Thalia estava linda seu vestido era preto e cruzado atrás tinha um pouco de transparência nas laterais, mas nada muito vulgar usava um brinco de ouro com flores pretas e seu cabelo estava solto atrás.
Nos juntamos na sala de Zeus e fomos todo juntos para o restaurante. Lá encontramos o resto da família e alguns amigos que também haviam sido convidados, me sentei entre Thalia e Jason, Percy estava no lado oposto ao meu, mas a algumas cadeiras de distância ele dava alguns sorrisos e me olhava. Depois de comermos, eu fui ao toalete retocar a maquiagem e quando estava saindo dei de cara com Percy. Ele sorriu.
– Você está muito bonita hoje.
– Obrigada, você também. Agora me dá licença estamos no toalete feminino. – Ele deu mais um passo para frente e trancou a porta atrás dele.
– O que você está fazendo? – Ele não respondeu, apenas colocou a mão na minha cintura e me prensou na parede fria que tinha do lado, mas nem me incomodei já que seus lábios quentes vieram até os meus em um beijo voraz e avassalador que retribuí na mesma hora. Suas mãos na minha cintura me apertavam mais e mais e sabia que ia ficar roxo, ele me suspendeu e passei minhas pernas em volta do seu quadril. Ele me puxava mais e mais para seu corpo, paramos o beijo por falta de ar.
– Eu senti tanta a sua falta. – ele disse.
– Eu também. – Ele me beijou de novo, só que dessa vez me carregou até a pia e me colocou sentada lá. Continuamos nos beijando por um bom tempo, até eu lembrar que estávamos em um jantar e iam perceber que tínhamos saído há muito tempo, devem ter pensado que eu morri afogada no vaso ou coisa do tipo. – Percy! Percy!
– Hum. – ele resmungou parando os beijos no meu pescoço.
– Temos que voltar.
– Não. Só mais um pouquinho.
– Não, é sério. – ele suspirou e voltamos para o jantar, ele na frente e eu depois para não criar suspeitas.
Aquela foi a última vez que eu vi ele, enquanto pegava o táxi para ir para o aeroporto eu via ele acenando. Mas ele parecia diferente me perguntei se alguma coisa havia mudado e repassei todo o episódio do banheiro, mas não houve nada de errado. E das outras vezes que eu voltei não tínhamos nos falado.”
FLASHBACK OFF
–Então Annabeth como está a faculdade? – perguntou Silena.
– Ah está ótima.
– Ah pois é, o curso de moda que eu estou fazendo é incrível... – e Silena começou a fazer um longo discurso sobre fitas métricas e tecidos.
– Tá bom Silena, tá bom! Ninguém quer ouvir isso! – disse Thalia e Silena revirou os olhos. – O que eu quero saber é se a Annie tem alguém especial. – É eu não contei para ninguém que eu estava namorando. E eu não sabia o que a Thalia tinha na cabeça quando sabia que o Percy estava bem ali.
– Ah...assim é complicado.
– Tem ou não tem?
– Tem. – disse relutante e olhei para Percy, seu olhar estava duro e frio então ele saiu da conversa e foi para outro canto. Cheguei perto de Thalia.
– Porque você fez isso? – sussurrei
– Isso o que?
– Você não viu a cara que ele fez?
– Eu nem sei porque. – Deu de ombros. — Ele está namorando também. – Nossa, essa me pegou de surpresa. Apesar de Percy ser livre e desimpedido e tal, fiquei incomodada com isso.
– Com quem?
– Ficou interessada Annabeth? – ela riu quando eu corei. – Ah, uma menina idiota aí sei o nome não. Mas se você quer tanto saber, vai lá perguntar pra ele. – Revirando os olhos, levantei e fui em direção a Percy ignorando Silena que estava me chamando querendo saber porque eu não tinha contado do Arthur.
Ele estava na varanda, olhando o trânsito lá embaixo.
– Oi!
– Oi! — Me senti meio desconfortável com sua falta de entusiasmo, mas não liguei muito.
– Então como você está?
– Ah eu estou bem.
– Que bom. – Se passou alguns segundos de silêncio incômodo eu esperava que ele me perguntasse se eu também estava bem, ou me beijasse sei lá. Peraí beijar?
– Então você está namorando?
– Estou.
– Ah.
– Você também né?
– É.
– Ela tem muita sorte.
– Igualmente. – Quando eu ia abrir a boca para tentar quebrar o gelo, ele me interrompeu. – Olha já deu a minha hora, foi muito bom te ver. Você está linda. – Ele me deu um abraço que retribuí sem nem pensar e pude sentir sua respiração na minha testa, onde ele deu um beijo carinhoso e terno. – Tchau. – E se foi sem mais nem menos murmurei um “Tchau” mas duvido que ele tenha me ouvido.
E fiquei lá perplexa olhando para a porta do apartamento que se fechava, pensando em como fui jogada de lado tão facilmente.
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Quando acordei, o sol entrava pálido e fraco pelas cortinas beges e batia na minha perna. Quando olhei as horas vi que eram 7 da manhã suspirei estava em um “recesso”, mas mesmo assim meu relógio biológico insistia em me acordar cedo.
Fui para o banheiro e fiz minha higiene matinal, prendi o cabelo em um rabo de cavalo baixo e fui para a cozinha. A empregada que trabalhava lá em casa se chamava Katherine mas ela me pediu para chama-la de Kat e estava com seus 30 e poucos anos.
– Kat! Prepara um sanduíche pra mim de queijo e um suco de laranja, por favor?
– Claro! – Sorri e peguei meu celular para ligar para Arthur, ontem quando eu cheguei não deu para ligar para ele. Quando Percy saiu, desconversei e fui direto para meu quarto.
– Annabeth?
– Oi Arthur! Me desculpa por não ter te ligado ontem é que...
– Olha amor, depois eu te ligo tá? É que eu estou na faculdade.
– Ah tá, me desculpa.
– Tá bom. Beijos, tchau. – Desliguei o telefone e liguei para Ginger.
– Ginger?
– Oi amore da minha vida, razão do meu viver! Como você está amiga?
– Estou bem. Escuta hoje tem aula na faculdade?
– Não! Pelo menos não para mim, e você me acordou!
– Desculpa. É que eu liguei para o Arthur e...
– Deixa eu adivinhar ele falou que estava atrasado, apresentando um trabalho ou fazendo alguma prova?
– É. – confessei.
– Pois é flor. Não teve aula hoje, os alunos foram dispensados porque hoje ia ser a aplicação da primeira parte do Vestibular, não vai ter aula hoje nem amanhã. O prédio está fechado e sendo usado exclusivamente para a aplicação da prova. Pelo menos é isso que a coordenadora disse, bléh! Aquela mulher é ridícula, você nem vai acreditar na roupa que ela estava usando ontem: Um blazer azul com uma calça amarela e...
– Ginger! Olha eu estou meio insegura em relação ao Arthur.
– Eu estou te avisando! Desde a primeira vez que eu vi aquela coisa metido a galante eu te avisei: “Menina desencosta porque esse aí não presta!” E adiantou alguma coisa? Não! Você começou a namorar ele do mesmo jeito e depois quem vai sair machucada é você!
– Ginger o que eu faço?
– Termina ué! É a melhor coisa que você pode fazer, e já devia ter feito há muito tempo! Pra começo de conversa não era nem pra ter começado e...
– Tá bom Ginger eu entendi, mas eu não quero terminar sem ter certeza do que ele realmente está fazendo. – Nesse momento Kat coloca meu sanduíche na minha frente, murmuro um “Obrigada!” e ela sai.
– Então liga e enfrenta! Coloca ele na parede e pergunta o que ele tá tramando, tomara que seja uma coisa realmente grave para você terminar com ele!
– Nossa! Muito obrigado Ginger!
– Não me entenda mal amada, mas você sabe que ele não presta para você! Você merece alguém, e esse alguém começa com P e termina com –ercy, muito melhor que ele.
– Obrigada Ginger, eu vou ligar pra ele. Mas se ele tiver planejando um pedido de casamento, eu vou jogar isso na sua cara pro resto da sua vida.
– Ok! Agora liga para ele, e depois me ligue imediatamente!
– Sim senhora capitã! – Nós rimos e eu desliguei o telefone.
Procurei o número de Arthur e fiz a chamada, tínhamos que conversar.
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