Uma outra história
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sorvete de Limão.
- COMO ASSIM SE SEPARAR?!? – disse Annabeth, seus pais viviam felizes, felizes até demais, estava cansada de chegar em casa a noite e ver seus pais quase se engolindo no sofá, enquanto algum filme passava na TV. Sua mãe respirou e respondeu:
- Olha nós percebemos que o casamento não estava funcionado e decidimos dar um tempo.
- Mas mãe, eu pensei que vocês eram felizes juntos.
- Nós também, mas nos enganamos.
Suspirei obviamente não muito feliz com aquela situação.
- E pra onde vamos? Para um hotel?
- Não, vamos voltar a Nova Iorque.
- O QUÊ?!? Como assim? Mãe nossa vida é aqui em São Francisco, não em Nova Iorque! E a minha escola, e o seu trabalho, e o meu pai?!? Como você espere que reatem se vão morar em lugares diferentes?
- Pense nisso como um teste, se eu realmente tiver que ficar com seu pai, então quilômetros de distância, não vão fazer nenhuma diferença, além disso, Nova Iorque é aonde nasci e morei antes de conhecer seu pai e vir morar aqui, olhe faz muito tempo que não vejo minha família, nem você, será bom finalmente vê-los, só de pensar em voltar e respirar aquele ar me faz bem e mais organizada, se é que me entende.
- Não, não entendo, e o seu trabalho e minha escola? Você ainda não respondeu. – Ela suspirou, minha mãe era arquiteta que me esqueci de apresentar se chama Atena (é um nome estranho, mas legal) não conseguia imaginar ela trabalhando em Nova Iorque sem a empresa que ela trabalhava e os meus amigos moravam AQUI e não em Nova Iorque.
- Você vai ser transferida pra mesma escola que seus primos estudam, e outra empresa me chamou pra trabalhar lá.
- E quando vamos embora? — perguntei impaciente.
- Depois de amanhã, sugiro que comece a se despedir e a arrumar suas malas.
Revirei os olhos e subi as escadas, entrei no quarto me joguei na cama e comecei a chorar.
Mais tarde quando acordei já estava no fim da tarde, respirei fundo e liguei para minha melhor amiga: Ginger.
- Alô? Se for a Annabeth eu estou dormindo. – Foi aí que eu lembrei que Ginger tem identificador de chamadas, todo mundo tem hoje em dia, dãã.
- Ginger é sério! – Reclamei enquanto ouvia seus risos do outro lado da linha.
- Foi só uma brincadeira, o que tem de tão importante para me ligar a essa hora? Quando você sabe que é a minha hora da soneca? – Era verdade Ginger tinha uma hora da soneca, que ia de 14:00 até 19:00 e aí se ela tivesse com vontade ela fazia o dever de casa, senão... ela não fazia.
- Ginger, eu vou direto ao ponto, ok? Eu vou me mudar – falei tudo de uma vez, não queria enrolar, não queria me machucar e machucar Ginger também.
- Legal! Vai vir para mais perto da minha casa, ou vai morar do outro lado da ponte? É um ótimo lugar para se morar, mas é muito longe da minha casa. – Acrescentou Ginger pensativa.
- Não Ginger! – Já disse com lágrimas nos olhos, — Eu vou me mudar para outro estado, para Nova Iorque. Fez- se silêncio do outro lado da linha, podia ouvir a respiração de Ginger, mas entendia quando ela não respondeu de imediato, era muita coisa para ouvir a melhor amiga dizer.
- Por quê? – Dava pra ouvir sua respiração ficar pesada do outro lado da linha, como se ela, assim como eu, tivesse lágrimas nos olhos.
- Meus pais estão se separando e minha mãe vai voltar pra Nova Iorque, voltar para sua família.
- Então você não tem escolha? – Perguntou Ginger com a voz embargada.
- Não. – respondi chorando. E ouvi ela chorando também.
- Quando você vai?
- Depois de amanhã, Ginger, se não for muito incômodo, você viria comigo até o aeroporto?
- É claro, sua boba! – disse ela e ela parecia estar enxugando as lágrimas para parecer mais forte para mim, que continuava chorando, já que estava fungando. – Conte comigo!
- Ok Ginger, obrigada, eu te amo você sabe né?
- Óbvio, eu sou uma pessoa fácil de apaixonar. – Ela riu e eu também, eu a amava mesmo como amiga Ginger era minha amiga há tanto tempo, que eu não conseguia me ver sem ela. – Eu também te amo Annabeth, vou sentir sua falta.
- Eu também, agora vamos parar de chorar. – disse secando minhas lágrimas com as costas da minha mão. – Nós ainda temos dois dias para fazer isso, tenho que arrumar minhas coisas, ok? Tchau, beijos.
- Tchau Annie, beijos.
Desliguei o telefone, ia ligar para o resto de meus amigos, pensei em pedir para Ginger, mas era eu que ia me mudar, eu que tinha de ligar.
Telefonei para eles e chorei mais de uma vez, além de Ginger, a pessoa mais difícil de me despedir foi Richard, eu sempre gostei dele, talvez mais do que como amiga, mais tive de ser forte. Cumpri minha difícil tarefa e comecei a empacotar minhas coisas, isso não era um adeus, não de verdade eu ia vê-los de novo, tinha que vê-los, amizades que duram mais de anos, não são fáceis de largar.
Notas finais
Beijos e cócegas,
Sorvete de Limão.
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