Uma outra história - 2ª temporada
16 Losing my Religion
Notas iniciais
Every whisper / Of every waking hour I'm / Choosing my confessions / Trying to keep eye on you / Like a hurt lost and blinded fool (fool!)
POV Annabeth
– Você tem certeza? – perguntou Ginger.
– Sim. – disse num fio de voz; estava segurando o exame e estava lá, claramente, positivo.
– Ah meu Deus Annabeth. – disse Ginger ofegando. – E agora? Como vamos fazer isso? Só eu e você? Não conseguimos nem cuidar de nós mesmas, como iremos cuidar de uma criança? – Parei de ouvir, estava só eu e uma nova vida que se formava dentro de mim. Estávamos em uma bolha, um sentimento de felicidade se instalou em mim. Eu estava grávida! Seria mãe. O amor de mãe que é o mais puro, inocente e bonito que existe. Finalmente poderia desfrutar desse poderoso sentimento que estava presente em cada parte do meu ser. Já começara a pensar sobre as roupinhas lindas que eu poderia comprar, os sapatinhos, a linda decoração que iria fazer... Seria menino ou menina? Sempre gostei do nome Juliet ou Melissa, para menino penso em August ou Henry, talvez Justin. Olivia, assim poderia chamá-la de Liv, ou Diana também são lindos. Tinha um sorriso bobo no rosto, não conseguia parar de sorrir. – Você está me ouvindo Annabeth? Você vai contar para o Percy? Esse filho também é dele. – Parei de sorrir instantaneamente. Abri a porta.
– Ginger! Não conte nada pra ninguém! Principalmente para ele!
– É óbvio que você tem que contar para ele, ele é o pai!
– Ele não precisa saber disso. – disse saindo do banheiro e indo para a cozinha.
– Annabeth! Você não pode fazer isso sozinha! Estamos na faculdade e trabalhamos para nos sustentar. Tá nossos pais nos sustentam, mas nem para eles você vai contar? Você acha que nós duas vamos conseguir cuidar de um bebê? Olha para nós duas Annie!
– Eu tenho dois irmãos mais novos eu sei cuidar de uma criança.
– Mas eu não! E quando você precisar sair para, sei lá ir a uma entrevista de emprego ou trabalhar! O que acontece quando nós duas estivermos ocupadas para cuidar do bebê?
– Ginger! Eu entendi! A gente pode contar para algumas pessoas, mas não podemos contar para o Percy de jeito nenhum!
– Porque Annie? Ele é o pai, ele tem que saber!
– Ele não pode saber! – Gritei já chorando. – Ele não pode, não pode. – A expressão nervosa de Ginger se desfez, ela se ajoelhou ao meu lado e me abraçou.
– Calma, está tudo bem.
Mas não estava, nada estava bem.
***
POV Ginger
Já tinha se passado duas semanas desde o trágico acontecimento do aeroporto. Tinha ligado para as meninas para saber como estava indo as coisas. Silena me contou que Percy estava desolado, mas que aos poucos iria superar. Annabeth estava dormindo e achei que a primeira pessoa que deveria saber disso era Atena.
– Alô? – disse Atena, ela estava rindo e não parecia ligar para o telefonema.
– Atena? É a Ginger. – ela pareceu se concentrar e retomou sua atenção a ligação.
– Ginger? Oi como você está? Como está Annabeth?
– É... Sobre isso. – respirei fundo. – Annie está grávida. – Não havia jeito de falar isso de uma maneira simples.
– O que? Ginger isso é uma brincadeira?
– Não brincaria com algo desse tipo.
– Ah meu Deus Ginger! Annabeth não é casada! E quem é o pai? – ela respirou fundo. – Nunca pensei que iria dizer isso a respeito de minha filha.
– Para tudo tem uma primeira vez.
– Quem é Ginger? Quem é?
– É o Percy. E ela não quer contar para ele, o que eu faço agora?
– Onde ela está agora? – ela perguntou em tom severo.
– Está dormindo.
– Quando ela acordar, por favor, Ginger avise para ela que nós duas precisamos conversar.
– Eu peço para ela ligar.
– Ah Ginger, porque vocês voltaram para a Califórnia? Esse tipo de conversa teria que ter cara a cara. Mas não tem problema, peça para ela me ligar. Adeus. – e desligou.
Suspirei, será que esse povo não sabe da existência de métodos contraceptivos?! Balancei a cabeça, não podia chorar pelo leite derramado. Percy tinha que saber disso, que coisa é essa de o pai não saber que tem um filho? Peguei meu celular e liguei para ele, Annie ia me agradecer depois.
– Percy?
– Alô?
– É a Ginger.
– O que você quer? – Grosseria chegou e parou aqui porque meu Deus.
– Olha só! Se eu fosse você parava com esse seu nervosismo, porque eu não tenho nada a ver com isso ok? E outra coisa ela está grávida.
– Quem está grávida?
– Quem você acha? A Annabeth é claro! – Ele arfou e demorou para responder.
– E quem é o pai? – Revirei os olhos.
– Como assim quem é o pai?! Você, é óbvio!
– Ginger como assim? Você está falando sério? – ele parecia desesperado.
– Porque todo mundo acha que eu estou brincando? Eu não estou brincando. Eu vi o exame, deu positivo! Parabéns você é papai!
– Com quem você está falando Ginger? – pergunta Annabeth, me viro e vejo que ela está com uma cara nada boa. Resolvi encarar.
– Com o Percy, é claro. – Ela arfa e pega meu celular, começa uma discussão e não fico lá para ouvir.
***
Já tinha dormido, acordado, cochilado e Annabeth continuava na sala falando com Percy. Como já não tinha alternativa peguei os livros e fui estudar e quando eu leio a primeira palavra, Annabeth entra. Ela parece cansada e sem disposição para gritar. Ótimo.
– O que aconteceu? – Ela se senta na cama.
– Obrigada. Você estava certa, Percy tinha que ficar sabendo logo disso. Desculpa.
– Eu sei, desculpas aceitas, mas o que aconteceu?
– Entramos em um acordo, eu vou para lá e ele me ajuda a cuidar do bebê.
– Porque não o contrário?
– Porque minha mãe está lá e ela vai me ajudar.
– E eu?
– Você fica, não vou atrapalhar seus estudos.
– Ah mas... Tá bom. E a sua faculdade?
– Vou pedir transferência.
– Você tem certeza?
– Tenho.
– Liguei para sua mãe, ela quer falar com você. – Ela suspirou e ligou para ela.
Depois de mais ou menos uma hora no telefone com Atena, Annabeth desligou não queria nem ver a conta do celular esse mês.
– Quando você vai para lá?
– Em dois dias.
– Então vamos começar a arrumar as coisas, começando com sua transferência. – Pegamos nossos casacos e fomos para a universidade.
***
POV Annabeth
Chegando no aeroporto de Nova York, minha mãe e Percy me esperavam. Eles estavam conversando e pareciam se entender.
– Filha! – Minha mãe veio correndo e me deu um abraço. – Que saudade! E só fazem duas semanas. – Aconcheguei-me mais no seu abraço e fechei os olhos, queria poder fazer isso para sempre. Ela se soltou e me deu um sorriso. – Bom eu e Percy já conversamos, e está tudo acertado. Vamos para casa agora?
Chegando em casa, minha mãe se retirou e deixou eu e Percy a sós. Não sabia o que dizer e nem o que falar. Era assustador.
– Então você acha que vai ser menino ou menina? – Ele fala numa tentativa ridícula de quebrar o gelo, eu era médica por acaso?
– Torço para que seja menina. E você?
– Menino e eu andei pensando em alguns nomes, você quer ver? – Acenei com a cabeça, ele se sentou no tapete e o acompanhei. Pegou um papel amassado e começou a me mostrar os nomes, e não tenho nenhuma vergonha de falar que os nomes não eram muito bonitos. Ri sozinha enquanto ele me mostrava mais e mais nomes, ele estava empolgado e parecia estar se divertindo com toda a ideia de ser pai.
– Tá bom você tem um péssimo gosto para nomes. – peguei o papel todo amassado, estava sem fôlego de tanto rir de suas sugestões. – Marley? Como o cachorro? – Ele me olhou indignado.
– Marley como Bob Marley, assim podemos chamar tanto de Bob como de Marley. Tipo “Ei Bob, ei Marley!” – Não aguentei e dei uma gargalhada.
– Não quero que meu filho se chame Bob Marley.
– Nosso filho. – Parei com o sorriso e olhei para ele, ele me olhava concentrado e decidido.
– Meu irmão já se chama Bob e de jeito nenhum que eu vou fazer isso. Olhe eu tenho algumas ideias.
E assim ficamos a tarde toda discutindo nomes e fazendo combinações. Decidimos por Melissa, minha ideia, e Peter Henry, achei Peter Henry horrível, tipo é composto e não combinou e Percy achou Melissa horrível, mas eu estou grávida e não preciso justificar nada.
– Peter Henry, Percy? — Fala sério, ou é Peter ou é Henry.
– Ficou legal ó fala bem lento assim: Peter Henry.
– Não, não já tem Melissa. Ai esse nome é lindo né? – Disse me levantando.
– Annie, mas olha só como combina: Melissa e Peter Henry. – Rio e balanço a cabeça enquanto vou a cozinha com ele me seguindo. Virei-me para ele.
– Melissa é lindo, mas Peter Henry está fora de cogitação. Ou Peter ou Henry. – Ele me olhou e travamos uma silenciosa batalha de olhares, eu não ia recuar; até que ele se dá por vencido.
– Tá bom tá bom, Henry. – Sorrio vitoriosa.
– Isso mesmo, Henry.
– E aí decidiram os nomes? – disse minha mãe que sai do quarto.
– Ahan. – Viro-me para ela. – Melissa e Henry.
– Ah – ela dá um sorriso. – Ótima escolha, mas eu estava pensando em Isabelle ou Elise o que vocês acham? – Ela disse me pegando pelo braço e nos conduzindo à sala, dando início a mais uma discussão pelo nome.
***
POV Thalia
Eu estava decidida, após dias de reflexão eu havia decidido quem finalmente seria o dono do meu coração! Que clichê isso, eca. E dona do meu coração só eu. Fiz os prós e contras e vi quem seria a pessoa ideal para mim: Nico di Ângelo. Sim, apesar dele ter me irritado pra caramba, ele me fazia sentir todos os sintomas do amor, paixão sei lá. O que importa é que no momento eu estava dirigindo para a casa dele; o que eu não podia negar era que por mais que tentasse não conseguia esquecer Luke. Ele, ao contrário de Nico, soube respeitar meu tempo e me mandava mensagens todo dia de como eu “iluminava sua manhã” ou qualquer outra bobagem desse tipo; me dava vontade de vomitar as vezes, mas também me fazia sorrir sozinha e fazer meu coração bater mais rápido. De todo jeito, estava indo para a casa do Nico. Não tinha porteiro no prédio o que era estranho, já que o prédio era de alta classe, pra falar a verdade o prédio estava silencioso demais; dei de ombros e subi para o sétimo andar e conforme ia subindo ia ouvindo uma música eletrônica, estava tão alta que o elevador tremia. O sétimo andar estava uma bagunça, as portas dos quatro apartamentos estavam abertas pessoas andavam, comiam, riam e bebiam. Era uma festa conjunta e a música vinha do apartamento 702, o apartamento de Nico. Vi também o porteiro do prédio entre a multidão e revirei os olhos, depois que fica desempregado não sabe porquê.
Atravessei a multidão e entrei no apartamento, estava sujo cheio de latinhas, copos e outras coisas. Procurei Nico, mas não o via em lugar nenhum; até que vi uma figura conhecida de cabelos ruivos gritando e bebendo era a Rachel. Fui na direção dela.
– Rachel? – Ela parou de gritar e olhou na minha direção.
– Thalia? Que bom te ver aqui. Ei! Ei! Você aí! – ela olhou para um garoto de cabelos ruivos. – Pega uma bebida pra minha amiga aqui! – E gritou de novo.
– Rachel, Rachel! – disse sacudindo seus ombros. – Eu não quero bebida nenhuma, o que está acontecendo aqui?
– Uma festa!
– Eu sei, mas onde está Nico?
– Essa festa está durando três dias! Eu não sei onde ele está, da última vez eu o vi com uma garota ali. – ela disse apontando para a cozinha.
– Tá bom. Obrigada. – Eu disse indo para a cozinha.
Procurei na cozinha, procurei na varanda, na sala, até no banheiro e vi umas coisas que gostaria de esquecer. Até que vi Nico e uma garota loura quase nua se agarrando no banheiro da empregada.
– Nico! – gritei escandalizada. Ambos olharam na minha direção.
– Thalia. – ele disse ofegando.
– O que está acontecendo aqui?
– Não é nada do que você está pensando.
– Não é nada do que eu estou pensando? Eu pensei que...- disse esgotada. – Quer saber? Deixa eu vou embora.
– Não Thalia espera eu posso explicar. – Não dei atenção e fui ao lugar que Rachel estava.
– Você quer carona?
– Não obrigada. Você já vai?
– Já.
Vi pelo canto do olho Nico vestindo sua calça e indo em minha direção. Corri para a saída e peguei o elevador. Limpando minhas lágrimas entrei no carro e dirigi.
***
Estava na cafeteria que eu sempre vou comendo um bolo de qualquer coisa quando o sininho toca e Luke entra, baixo o olhar e continuo comendo; tentando ignorá-lo e como já é de se esperar, não deu certo.
– Thalia?
– A única. – digo suspirando e olhando para cima.
– Você está bem? – ele disse se sentando.
– Sim.
– Tem certeza?
– Não, mas eu não quero falar sobre isso.
– Entendo.
– Como você está?
– Eu vou bem.
– Que bom.
– Thalia eu estava pensando se... se nós poderíamos tentar de novo. – ele disse com os olhos fechados. Sorri, isso era uma possibilidade muito forte; inclusive antes da festa de Nico. Sabia que era o certo só olhando para ele.
– Ok.
***
POV Annabeth
Quando já era tarde, decidimos ficar mesmo com Melissa Valentina e Henrique.
Antes de deitar, Percy me puxa.
– Annie, sabe eu realmente queria pedir desculpas e....
– Percy, por favor, não. Será que você não entende? Se põe no meu lugar, aposto que você também não me perdoaria. – Saí antes que ele dissesse mais outra coisa, espero ele sair da minha casa e me desfaço em lágrimas.
Cada sussurro de cada hora acordado, estou escolhendo minhas confissões. Tentando ficar de olho em você como um bobo magoado, perdido e cego.
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