Notas iniciais
Oiii. Espero que gostem. Os trechos entre aspas são trechos da música Clarisse da banda legião urbana. Abraços e não se esqueçam de comentar!

A família de Eduardo não conseguia entender o que estava ocorrendo. Principalmente porque o menino havia se fechado completamente desde soube que corria o risco de dona Sarah morrer. Ele ficava a maior parte do tempo no quarto. Estava até perdendo algumas aulas por causa disso.

Era injusto o que estava ocorrendo. Dona Sarah não podia morrer. Não naquele momento em que as coisas pareciam estarem voltando ao normal. Em que ele estava voltando a ser feliz. Em que a sua família estava voltando a confiar nele. Parecia que no exato momento em que ele estava quase totalmente feliz veio a vida e lhe derrubou novamente. A verdade é que a vida parece um cubo mágico, a gente ajeita um lado e os outros todos bagunçam.

O menino se sentia sufocado. Ele estava se afogando nas palavras que não falava. Nas dores que não compartilhava. Dentro dele mesmo. Esse é o pior tipo de afogamento.

O silêncio do quarto parecia o atormentar ainda mais. É no silêncio que pensamos sobre a vida e nossos problemas. No silêncio daquele quarto Eduardo apenas conseguia pensar em como a vida era injusta. O silêncio o deixava pior, por isso ele resolveu colocar uma música.

Ele poderia ter colocado uma música alegre, mas preferiu colocar uma música que combinasse com o seu estado de espírito. Colocou uma música chamada Clarisse da banda Legião Urbana. Tão triste quanto a sua alma.

“Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado

Quem diz que me entende nunca quis saber”

A música já começava chegando ao ponto. Já começava falando a grande verdade da vida de Eduardo. O menino sempre se sentiu incompreendido pela família, mesmo antes dele se envolver com aquele grupo de pichadores. Ele mesmo quando tinha seus “amigos” se sentia o membro mais descartável do grupo. Aquele que não fazia diferença se estivesse lá ou não. Isso se provou verdade, pois seus antigos amigos continuaram perfeitamente bem sem ele.

Com Dona Sarah era diferente. Ele se sentia bem com ela. A senhora o tratava como se ele fosse alguém realmente especial e merecedor de afeto.

“Aquele menino foi internado numa clínica

Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças

Dos sonhos que se configuram tristes e inertes

Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha”

Eduardo chorou. Ele já havia chorado outras vezes. Quando perdeu os que pensava ser seus amigos, quando reprovou, quando brigou com seus pais. Mas as lágrimas dessa vez pareceram mais amargas. Ele iria perder a pessoa, a única pessoa, que havia realmente sido sua amiga.

Batidas na porta o tiraram de seus pensamentos e tiraram um pouco sua atenção da música. Ele abaixou o som um pouco antes de abrir relutante a porta para a mãe. Sua mãe o abraçou e disse que estava preocupada com ele. Queria conversar.

“Nada existe pra mim, não tente

Você não sabe e não entende”

Eduardo não queria conversar, mas tentou fazer um esforço. Era raro sua mãe tentar realmente conversar com ele. A presença de dona Sarah em sua vida havia até mudado as coisas em sua casa.

—Sei que posso não ter sido a melhor mãe do mundo. Sei que tivemos muitos problemas nessa casa, mas quero lhe ajudar, meu filho. Sei o que está ocorrendo.

—Sabe?

—Sei. Aquela senhora ligou hoje de manhã. Porque não me contou?

O menino não disse nada. Não sabia como responder. A verdade era que ele guardava tanta coisa dentro de si que era difícil dividir sua dor com os outros. Ele nada disse, apenas ouviu as palavras de apoio e incentivo da sua mãe.

Eduardo sentiu um pouco de esperança depois de conversar com a mãe, mas um dos últimos versos da música de algum forma o fez lembrar da dura realidade.

“Um mundo onde a verdade é o avesso

E a alegria já não tem mais endereço”

Notas finais
O que acharam? Gostaram?